Caçada
19 Sonhando com um ritual.
Notas iniciais
Amei escrever esse capitulo, de verdade.
Não iria fazer mal se alguém mandasse um review falando do que achou, sabe? ~risos~
Ah, a missão estava realmente perfeita. Outro monstro havia nos atacado e estragara completamente a minivan. Para nossa incrível sorte, Bruna havia conseguido acalmar o monstro e o feito voltar para o lugar de onde ele era. Mas agora estávamos andando a pé. Claro, eu não tinha qualquer coisa para dizer sobre isso, mas Sebastian ficava reclamando.
- Estou começando a ficar cansado. – resmungou ele.
Dei um longo suspiro.
- Chame um dos seus queridos grifos então, filho do Sol. – respondi sarcasticamente. Ele me mostrou a língua feito uma criança teimosa que ele era.
- Eu chamaria, mas eles só podem vir quando eu realmente, realmente preciso deles. – choramingou.
Revirei os olhos.
- Então continue andando, meu bem.
Andamos em silencio. Andei do lado direito de Thalia, tentando dar cobertura para ela enquanto caminhávamos pelo bosque que havia nos encontrado no meio da estrada. Para nossa imensa sorte, quando ganhamos a benção de Ártemis, conseguimos nos orientar melhor do que uma bússola.
Thalia parou de repente.
- É melhor dormirmos por aqui. – disse, olhando para o alto.
- Por quê? – perguntei, erguendo uma sobrancelha.
- Está anoitecendo. É a pior hora para continuarmos a caminhar. Vamos nos dividir para montar guarda.
Olhei-a por um momento, me perguntando se ela havia esquecido o fato de que eu estava no comando da missão, mas dei de ombros e segui seu comando, montando minha barraca que eu iria dividir com Thalia.
Quando as duas barracas estavam prontas, nos vimos sem saber onde Sebastian iria dormir. Bruna iria fazer par com Jessica, logico, elas estavam na caçada no mesmo período de tempo. Embora não fossem amigas no começo, ambas entraram pelo mesmo motivo e com a diferença apenas de 3 dias. Eu e Thalia dividiríamos por sermos as tenentes da caçada e por termos nos tornado grandes amigas. Agora Sebastian era o único homem ali.
- Eu monto a primeira guarda. – resmungou ele. Para sua grande sorte, havia levado um cobertor que poderia protegê-lo do frio.
- Certo então. – disse Thalia, entrando em nossa barraca e se enfiando no seu saco de dormir. Fiquei na abertura da barraca, observando Sebastian tentando arrumar um jeito de se deitar e ficar confortável.
- Eu sinto muito. – sussurrei para ele, quando vi que estávamos só nós dois acordados no pequeno acampamento.
- Pelo que? – perguntou ele.
- Por ter chamando-o para a missão. Só o coloquei aqui pela profecia. – respondi, baixando a cabeça e olhando para minhas mãos. Ai estava com a pele do Leão, mas por algum motivo, agora ele era um sobretudo ao em vez de uma jaqueta.
- Está tudo bem, Penny. Eu teria vindo de qualquer maneira.
Eu o olhei, meio nervosa, raivosa e cheia de alguma coisa que eu desconhecia.
- Por que você viria? – resmunguei agora, abaixando meus olhos para não ficar claro que eu estava ficando doida só por estar conversando com ele.
- Não sei. Desde que te vi pela primeira vez, senti que precisava te proteger. Eu sei que você é uma caçadora e tudo o mais, mas... Não sei. Você é diferente de qualquer outra pessoa. – respondeu ele, com seus olhos nos meus, tentando fazer com que eu o olhasse.
Virei a cabeça.
- É melhor eu ir dormir. Daqui 4 horas eu venho e cubro a segunda guarda. – falei, sem virar a cabeça para ele. Entrei e deixei a abertura aberta, de modo que eu podia vê-lo deitado perto da fogueira. Ouvi-o dando um longo suspiro e dei um também. Fechei os olhos e logo adormeci.
Fui convidada a ir para outro sonho, mas dessa vez não estava no palácio de Despina. E eu não era exatamente eu. Na verdade, eu era uma figura espectral que caminhava por uma rua onde várias e várias casas lindas. O ar tinha cheiro de chocolate e as flores ali eram de cores tão diferentes das da terra, que me encantou de inicio.
Ouvi uma movimentação atrás de mim e me virei, me deparando com o garoto que era uma alma perdida e súdito de Despina.
“Quem és tu?” perguntei, olhando-o atentamente.
“Sou apenas mais uma das almas gélidas.” Respondeu ele, sem se incomodar.
“O que tu queres com minha pessoa?” dei um passo para trás, mas ele deu dois para frente, de modo que ficamos tão próximos que, se eu fosse humana, iria me faltar oxigênio.
“Vim a comando de Despina, para leva-la para o local do ritual .” Disse, segurando meu braço.
“Soltai-me, espirito das sombras” avisei, dando um puxão em meu braço. Mas isso resultou no fato dele se puxar para junto de mim, e agora seu nariz estava muito próximo.
“Não irei soltar você, Caçadora. Despina quer sua alma e eu a darei.” Disse, me puxando em um abraço que poderia ter sufocado meus pulmões, se eu pudesse respirar. Fomos sugados por alguma coisa vinda de cima e logo me vi em um ponto morto de uma floresta talvez do Canada, não conseguia ver ao certo. Mas sabia que deveria estar no inverno, já que tudo estava coberto por neve fofa e tão branca que quase poderia cegar meus olhos.
Vi Despina ali, parada. Ela usava um casaco de pele de urso polar, dos dois lados estava rodeada por um leão albino e uma pantera completamente branca, com os olhos vermelhos.
“Vejo que, enfim, conseguiu a filha do Titã” ouvi Despina dizer para o irmão de Lucy.
“Não digas a mim que sóis filha daquele estupido!” gritei para ela, cerrando os punhos.
“Acalme-se, criança espectral. Só quero sua alma” disse ela.
“E porque queres tanto assim minha alma?” perguntei com sarcasmo.
“Mais uma criação minha. Resolvi que não quero ficar sozinha pelo resto da vida” respondeu simplesmente.
“Não irei ser qualquer aberração que tu queiras criar! E jamais, jamais irei obedecer-te!” berrei.
“Você não tem escolha” e, com isso, fui sugada para mais perto dela, ficando presa em algum campo de proteção que ela havia criado. Observei meio enjoada a cena que via a minha frente.
Uma escultura de gelo de um bebê estava no centro de tudo. Era tão incrivelmente bem feita que parecia ter vida, embora não respirasse ou chorasse. Ao lado da criança de gelo, estava um homem tão louro e branco que quase sumia ali. Ele estava amarrado por algum tipo de corda encantada, que apertava a cada vez que ele tentava se soltar. Havia sangue em sua boca e seu pulso estava estendido para frente, quebrado, pronto para ser cortado. Despina tinha um punhal em suas mãos, era de um branco e parecia ser bastante gelado e era muito, muito afiado. O homem estava no ponto cardial sul, eu me situava no ponto cardial norte. No outro, havia um floco de neve do tamanho da criança de gelo, estava a leste. Despina com o punhal estava no oeste e a criança ficava logo no meio de todos.
A Deusa da Neve começou a cantar uma música de ninar, só que em grego antigo. Que dizia sobre a vida alegre, a vinda a terra, os poderes mágicos entre outras coisas. Ela se aproximou do mortal e fez um corte no punho quebrado dele. O pegou com certa brutalidade e o levou para o centro, onde estava a criança de gelo. Deixou o sangue dele escorrer pela boca congelada e depois o jogou de lado, sem se importar muito com ele. Embora tivesse repulsa por mortais do sexo masculino, tive pena dele, por ser usado para uma coisa tão macabra como aquela.
Despina voltou então para o seu lugar e cortou o próprio pulso. Vi seu sangue divino começar a escorrer. Cantando alegremente, ela foi até a criança e deixou o liquido de ouro ser “engolido” pela criatura.
Percebi que a pele de gelo começara a adquirir uma cor branca da pele humana. Os cabelos continuavam a ser brancos, mas eram macios agora e muito longos para um bebê. Ela respirava. A boquinha vermelha como uma maçã abrir e fechava, engolindo um pouco do sangue misturado.
Cantando, Despina pegou então o floco e o guiou até o bebê, de modo que ele foi envolvido e depois sumiu aos poucos, até desaparecer.
Só então compreendi o que ela estava fazendo. Tentei gritar e escapar, mas agora a respiração do bebê me sugava para sua boca. Não era assim que deveria ser. Eu havia escolhido que NÃO iria reencarnar, tamanho tinha sido meus problemas ao longo dos tempos. Mas eu iria reencarnar, de certa forma. Contra minha própria vontade.
Despina me olhava meio diabólica.
“Agora serás filha da Neve, minha querida Doce-Amarga” sussurrou ela.
Acordei gritando, com Thalia me olhando de uma maneira assustada, como se eu fosse alguma maluca, ou sei lá.
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