Caçada
1 Penny, a Gelada
Abri os olhos lentamente, me vendo em uma das camas do orfanato. Dei um sorriso sem qualquer animo, sentindo o frio tomar conta de mim naquele exato momento.
Não importava se estava aquele bendito calor, eu sempre sentia um frio de congelar a alma e, ainda por cima, todas as outras garotas gozavam de mim por isso.
Penny, a Gelada.
Não tinha a minima graça. Assim como não tinha graça sentir frio quando todas sentiam calor, e se sentir fortalecida quando todas tremiam de frio.
E lá vinha a bendita Swann.
- Se levante logo,Summers. Ou a Senhora June vai obrigar você a ficar limpando mais e mais livros. — disse Swann, naquela voz de pato.
Dei de ombros e me levantei, abraçando meus ombros e tremendo mais uma vez de frio.
Todas riram.
- Pelo jeito, quente é só o nome. — disse uma engraçadinha.
Era assim para mim, ser Penelope Summers, a garota branca, dos olhos tão azuis que chegavam a ser brancos e com os cabelos prateados. Junte isso ao fato de eu sempre vestir branco e sentir frio... Dava para entender o apelido de "gelada".
Meus pais? Não sei quem foram. E nem quero saber. Fui deixada na frente do orfanato St. Mary ainda recem-nascida, embrulhada em um cesto branco e cheio de neve, já que foi em uma grande nevasca.
Me arrumei e postei-me ao lado de minha cama, esperando pela revisão de June. A mulher dos cabelos negros e olhar severo logo vinha, sem mais nem menos, ralhando por uma coisa ou outra.
Assim que chegou perto de mim, abaixei a cabeça.
- Bom dia, June. — falei baixinho, sem nem conseguir olhar naqueles olhos.
- Mais uma vez, Senhorita Summers. Está quente. Por que a blusa de lã? — perguntou ela, já raivosa.
Suspirei e tirei a blusa, sentindo o frio novamente.
Frio é psicologico, pensei comigo mesma, com ódio e tremendo mais ainda.
Alguém berrou.
- Como é possivel que, nesse calor infernal, a água congelou sozinha? — perguntou a voz de pato, aos berros.
Todos os copos, que minutos antes estavam cheios de água, agora se encontravam apenas gelo.
- Penelope Summers, já para a biblioteca tirar o pó dos livros!- gritou June.
Injustiça, pensei. Afinal, a culpa não era minha. Ou era?
Notas finais
Espero ao menos que alguém leia.
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