Caçada

7 Elo com a Lua.


Notas iniciais
tenho mais uns dois capitulos para postar ainda hoje, se alguém ler e comentar.

Eu estava tremendo, mas não de frio nem de medo. Era mais pela atmosfera no ar, que dizia muito.

- Como vou saber qual vai ser perfeita para mim? – perguntei para Thalia assim que havíamos chegado onde uma matilha de Lobos estava descansando. Thalia havia sido designada para me ajudar na minúscula missão de achar o meu “elo” com a Lua.

Os olhos de Thalia faiscaram por alguns momentos.

- É fácil. A maioria é macho e, por algum motivo, tem medo de se aproximar de nós. Há somente cinco fêmeas.

“E o seu elo, será a que vai tentar te matar.”

Claro. Isso era obvio. Tinha até no filme do Avatar. Sempre SEMPRE o escolhido era o que iria tentar te matar. Não sei por que fiquei surpresa com isso, no inicio.

Dei um longo suspiro, me preparando.

Thalia colocou a mão em meu ombro direito, olhando atentamente eu meus olhos. Seus olhos eram tão cinzentos quanto às nuvens de uma enorme tempestade. E, tais como as nuvens de chuva, eles soltavam raios, mas quase imperceptíveis.

- Boa sorte. – sussurrou ela.

Senti o peso do arco em minhas mãos e das flechas guardadas na pequena bolsa atrás de minhas costas.

Engoli em seco, tomando coragem e sai de trás dos arbustos.

Vários dos lobos me olharam com expectativa, mas logo rosnaram e por um momento pensei que eu estava errada de ter entrado na Caçada, e que iria morrer comida por lobos. Só que logo eles se dispensaram e apenas três ficaram.

Era um enorme e tão negro quanto a noite de Lua Nova. Os olhos de um verde intenso.

Quando mirei a flecha para este, ele uivou alto e me atacou. Antes que eu pudesse pensar se era ou não o meu elo, ele saiu em disparada para onde a matilha havia ido. Rodei para observar os dois restantes.

A minha frente, estava um cor de chocolate, olhos pretos e difíceis de entender. Quando fiz menção que iria tentar me proteger de qualquer coisa que ele pudesse fazer, o lobo tropeçou em suas próprias patas e correu.

Restou-me apenas um. Era tão branca que pensei que poderia ser um monte de neve, se não fosse pelos olhos azuis escuros, como a cor da noite, perto da meia-noite.

Dei um passo para frente, o animal me copiou e seus lábios se afastaram um pouco, para mostrar os dentes pontiagudos e brancos. Um rosnado profundo saiu de seu peito.

Só podia ser ela. Não pelo fato de ser branca como a neve, ou de estar prestes a me atacar. Mas pelo fato dos olhos dela estarem assustados, como estavam os meus em tantos anos que passei no orfanato.

Dei outro passo a frente e ela me atacou.

Agora eu não sabia o que fazer, só sabia que ela estava em cima de mim, os olhos brilhantes e medrosos, mas os dentes a mostra dava a impressão que ela poderia me matar em questão de segundos.

Não. Ela não iria me matar. Eu não iria cair em batalha.

Rosnei para ela também e, não sei como, consegui girar seu corpo, ficando em cima dela.

Saí dela e me levantei, mirando a flecha para seu rosto, ainda rosnando. Ela rosnava de volta.

- Não! – gritei, sem saber nada do que eu queria dizer.

Ela pulou sobre mim e eu soltei a flecha, que foi diretamente para seu peito. Mas não a machucou.

A flecha explodiu em várias fagulhas de prata, branco e azul. E as fagulhas envolveram nós duas.

Foi só então que eu percebi mesmo seus olhos, em como eles brilhavam de uma maneira intensa. Era um brilho sábio, que não deveria existir em um olhar animal como aquele. Era um brilho mais que humano, até.

E, naquele brilho, eu via meus olhos e via aquele mesmo brilho.

O brilho do gelo refletido ao sol, quando chove, mas está ainda no inverno e cria aquelas várias e várias fagulhas de gelo nas arvores, que brilhavam ao sol, refletindo.

E foi como se ela também percebesse isso. Como se ela me visse do modo que eu a via.

Éramos uma só. Éramos nós. Éramos um elo.

E um elo forte, mais forte do que eu pudesse imaginar que sentiria por alguém. E estava sentindo por um animal. UM ANIMAL.

O lobo se encaminhou para perto de mim, como um cachorrinho. Esfregou seu pelo macio em minhas pernas como um gato. E eu acariciei seu pelo, como se fossemos velhas amigas.

A flecha que eu havia atacando-a estava em minhas mãos. Ela se transformou em minhas mãos, virando uma replica perfeita e canina do colar em meu pescoço.

Peguei o meu colar de meu pescoço e fitei, enquanto junto com o “P”, uma nova letra aparecia ali. A letra que estava na coleira da loba.

Eu sorri.

Thalia apareceu ali, tão sorridente que desconfiei mesmo que fosse ela.

- Você conseguiu! Pensei que ia precisar de ajuda. – disse ela, me abraçando.

Ri momentaneamente e retribui seu abraço.

- Eu pensei que ia precisar também. – confessei.

- Vamos logo para com as outras. Vamos partir hoje. – disse.

Dei um longo suspiro, fitando-a por um momento. Não queria sair dali, mas ao mesmo tempo queria. Era difícil mesmo entender esse mundo, mesmo que agora ele me parecia um tanto quanto sereno.

Acariciei o topo da cabeça da loba que ainda estava se esfregando em minhas pernas, me dando conforto que ninguém conseguira antes me proporcionar – embora ninguém havia tentado.

- Já estou indo, Tenente. – murmurei para Thalia.

Ela deu um aceno de cabeça, concordando e dizendo alguma coisa como que eu não deveria demorar, já que mais alguém precisava de nossa ajuda.

Assim que me vi sozinha com a loba novamente, me ajoelhei ao seu lado, observando os olhos, antes assustados, agora serenos e confiantes.

Meus dedos formigaram e vi quando começou a congelar alguns dos pelos da loba, mas não estava tão gelado assim. Era como se eu estivesse marcando-a. Passei as mãos em seu pelo, mostrando que ela era minha e que eu era dela, de alguma forma.

Peguei a coleira e prendi-a em seu pescoço, vendo o PN ali.

Dei um longo sorriso para aquela criatura que me entendia, mesmo não me entendendo de fato.

- Vamos, Nevasca. Precisam de nós. – falei. E ela compreendeu.

Andamos juntas para o acampamento, de volta para a lealdade. De volta para o lugar que pertencia a ambas, agora.

Notas finais
Espero que tenham gostado.