CSI Tóquio
1 Capítulo Único
A cidade de Minato se localizava à seis metros de Tóquio. Contendo dezenas de shoppings, mercados, atrações turísticas e avenidas, havia o frigorífico Nagasaki, filiado ao açougue Kimimaro.
O negócio hereditário rendia aos donos uma boa quantia, enquanto seus clientes tinham carnes de excelente qualidade.
Da família Kimimaro, se destacava o herdeiro Akira, um rapaz que se esforçava arduamente para conseguir uma vaga na faculdade de Robótica, e namorava a bela e inteligente Naomi Liverpool.
Em uma noite nebulosa de novembro, Naomi foi encontrada pendurada em um dos ganchos do frigorífico Nagasaki, sua face completamente pálida, enquanto seu corpo dilacerado cultivava a mesma beleza de outrora.
Horas mais tarde, a área fora cercada pela polícia de Minato, que realizava o processo de averiguação básica no cenário do crime. O corpo intocado pendurado no gancho como um dos porcos, atraiu não somente a atenção das autoridades, como os boatos dos vizinhos para um “assassino em série” na região.
Um grupo se destacou dentre as famílias Nagasaki e Kimimaro; dois rapazes e duas moças, trajando vestes profissionais, e carregando maletas e distintivos.
— Delegado Nara — A ruiva se aproximou do homem que comandava a operação, e este a reconheceu de imediato.
— Detetive Uzumaki — Seus olhos vagaram até o restante da equipe, até onde Sakura Haruno, Sasuke Uchiha e Naruto Uzumaki se encontravam. Ele meneou a cabeça em um cumprimento formal para os três. — CSI. Que bom que vieram.
Kaya encarou por sob o ombro do delegado, seus olhos fixando-se na garota morta. Sakura afastou uma mecha rósea que caía por sua face, e avançou em direção à área cercada.
— O que houve ao certo, delegado Nara? — Naruto se pronunciou, ao lado de sua irmã. — Um caso assim não é fácil de ser visto por aqui.
— Aparentemente a garota foi encontrada assim pelo namorado Akira Kimimaro, herdeiro da família que é sócia deste frigorífico — O delegado deixou escapar um suspiro de frustração. — O nome da moça é Naomi Liverpool, e a família dela está em Nova York. Ela veio fazer intercâmbio, cursando pedagogia na Universidade de Tóquio, e mora com algumas garotas em uma república não muito distante daqui.
O jovem Akira Kimimaro observava o corpo da loira com um misto de choque e incredulidade. Kaya e Naruto se entreolharam.
— Vamos dar uma olhada na cena do crime — A ruiva afirmou, encarando a antecipada Sakura, que já abria a própria maleta e retirava seu equipamento de análise. — Mande seus homens tirarem toda essa gente daqui, para preservar o cenário que ainda não foi destruído. — Seu tom foi autoritário, suficientemente convicto para que o delegado Nara meramente assentisse.
Os irmãos Uzumaki avançaram para Sakura e Sasuke, que iniciavam o processo de avaliação.
— Morte em frigorífico? — O Uchiha já tinha a máquina fotográfica entre as mãos, um sorriso de canto se formando em seus lábios. — Eles vem se tornando cada vez mais criativos.
Sakura colocou as luvas, enquanto os Nagasaki e Kimimaro deixavam o frigorífico. Os porcos pendurados davam a rosada uma sensação de náusea imediata, provavelmente causada por ser vegetariana.
— Não vai vomitar, né Sakura-chan? — Naruto debochou, recebendo um olhar reprovador da irmã.
Sakura ignorou o amigo, e continuou analisando o piso de madeira coberto por plásticos.
— Manchas de sangue fresco — Ela avisou, passando a luz da lanterna forense por cima dos plásticos, alguns metros atrás da vítima.
Sasuke se aproximou e bateu algumas fotos de vários ângulos. Naruto passou o cotonete limpo no piso, girando-o enquanto o sangue se prendia ao objeto. Ele colocou dentro do saco transparente e o lacrou.
— Vou mandar para o laboratório de análise — Colocou dentro da maleta.
Kaya observava os porcos abertos, atravessando as cortinas de plástico e tomando cuidado nos pontos onde pisava. Seus olhos focaram desde o teto até o fundo do frigorífico, onde outras carnes estavam penduradas.
O problema daquele cenário era que o sangue não era algo incomum. Certamente quem cometera o crime tinha pensado em cada detalhe, principalmente na dificuldade da equipe de investigação para solucionar o caso.
Passou a luz da lanterna por um dos porcos pendurados, tendo o vislumbre de um objeto brilhoso, pouco identificável.
— Encontrei alguma coisa — anunciou, estreitando os olhos.
Sasuke se aproximou, meneando a cabeça assim que Kaya focou o feixe de luz dentro do animal aberto.
— Parece ser uma joia — O Uchiha franziu o cenho, aproximando o zoom da câmera para poder tirar a foto.
A Uzumaki entregou a lanterna para o moreno.
— Vamos descobrir — Ela tocou com a ponta dos dedos o corpo do animal, antes de mergulhar uma de suas mãos entre as tripas do porco, esticando a mão para alcançar a pedra brilhosa. Puxou seu braço de volta, a luva branca ensaguentada, e o anel de prata brilhando em sua mão.
— Um anel? — Sasuke arqueou uma das sobrancelhas. — Que lugar interessante para se esconder um objeto de valor.
— Sem ironias, Teme — Naruto usou um falso tom de repreensão, aproximando-se dos dois. — Pelo menos o herdeiro Kimimaro planejava pedir a namorada em casamento.
Sasuke encarou o loiro.
— Isto não é uma indireta, certo? — Seu tom foi veemente. Naruto deu de ombros.
— Vamos mandar para a análise também — Sakura interferiu na discussão de ambos, seus olhos fixos no anel. — Se for do Akira, é óbvio que ele planejava pedir a Naomi em casamento.
Kaya focou a luz no anel, notando uma inscrição no interior da joia.
— Acho que ele não planejava entregar para a Naomi — Ela falou, atraindo a atenção dos outros.
— Tem o nome de mais alguém? — Sasuke perguntou, mas recebeu um aceno negativo como resposta.
— Vamos mandar para o laboratório. Depois que limparmos o sangue conseguiremos ver direito esse nome — A Uzumaki semicerrou os olhos, balançando o anel em sua mão. — Vamos levar o corpo. A biópsia pode confirmar o real motivo da morte.
No badalado centro de Tóquio, o prédio da equipe de investigação criminal CSI, se encontrava movimentado como sempre, todos os funcionários e investigadores estando ocupados com algum crime ou chamado.
Caminhando pelos corredores, Naruto lia uma prancheta com os dados do caso mais recente, que por sinal estava em seu encargo. Mais uma grande responsabilidade, e como um dos fundamentais detetives da equipe, era seu dever garantir que aquele homicídio fosse revelado, desde o princípio.
Alcançou a sala onde as evidências estavam sendo analisadas, e deu de cara com uma Hinata compenetrada em seu trabalho.
— Alguma novidade? — Naruto entrou no laboratório, dando uma rápida olhada nas máquinas científicas.
A Hyuuga ergueu os olhos perolados, um adorável sorriso surgindo em seus lábios.
— O sangue encontrado no piso pertence à Emiko Nagasaki — murmurou, voltando os olhos para o computador à sua frente. Naruto se aproximou, ficando às costas da jovem. — Ficha limpa, herdeira principal da família Nagasaki, mas que aparentemente não pretende seguir o ramo alimentício. Ao invés disso, está cursando advocacia na Universidade de Tóquio.
Naruto enfiou as mãos nos bolsos de seu sobretudo, a testa franzida enquanto pensava.
— Vou mandar uma equipe atrás dela. — Umedeceu os lábios, ainda pensativo. — E o anel?
Hinata pressionou “Enter” no teclado, e a imagem da joia surgiu no monitor, deixando visível a inscrição em seu interior.
— Demorou algum tempo para limpar completamente a inscrição da joia. Já estava enferrujada, o que significa que não era de prata como aparentava ser. — Seus olhos perolados fixaram-se na imagem. — A rezina criada indica também que o anel ficou exposto a umidade por muito tempo, talvez algumas semanas ou meses. A inscrição em seu interior é está aqui.
Com dois cliques no mouse, a imagem da joia foi ampliada. O nome ali escrito não era “Naomi”, como Naruto supusera.
— Fumiko Yamato? — Afastou-se, encarando a jovem Hyuuga com um misto de diversão e curiosidade. — Uma antiga conhecida nossa, então.
Hinata assentiu.
— Embora o frigorífico pertencesse aos Nagasaki e os Kimimaro tivessem acesso, as digitais não batem com as de Akira. — Ela fitou a tela do computador, encarando o chefe mais uma vez. — As digitais que encontrei foram as do sr.Nagasaki.
— Nagato Nagasaki — repetiu o detetive, lançando o típico olhar de animação para a morena. — Mal começamos este caso, e já temos várias dúvidas...
A morena suspirou.
— Vou ajudar Shikamaru com a análise do corpo de Naomi. Talvez encontremos novas pistas. — Avisou, pegando a prancheta deixada em cima do balcão de vidro, e passando pelo Uzumaki em um rompante.
Ele permaneceu no mesmo lugar, apenas ouvindo a porta se fechar com um baque instantes depois. Novamente, as sensações de vazio e derrota o atingiram de chofre, como sempre acontecia quando estava perto de Hinata e não arranjava palavras para dizer o que pretendia.
Merda, pensou, deixando o laboratório de análise.
* * *
— Por que estou aqui? — Akira se mostrou ansioso, batucando os dedos na mesa.
A sala de interrogatório era pequena, e pouco iluminada, contendo uma mesa de mármore e duas cadeiras feitas do mesmo material. Sombras se estendiam pelo chão e continuavam pelas paredes, dando um ar soturno ao ambiente.
Sasuke largou a pasta com os dados da investigação sobre a mesa, enquanto Kaya sentava diante do Kimimaro.
— Você foi uma das poucas pessoas que viram Naomi viva pela última vez — Seus olhos claros focaram na face do moreno. — Por que estava com a Naomi no frigorífico Nagasaki?
O moreno balançava o pé, sem se importar em ocultar seu visível nervosismo.
— Aquele era o único lugar onde eu conseguia ficar com ela — Explicou, os olhos focados na mesa. — Meus pais não gostavam da Naomi. Aliás, eles não gostavam de nenhuma garota que eu levava para eles. No fim, o frigorífico se tornou o nosso ponto de encontro, e ninguém nunca nos encontrou lá.
— Vocês tinham inimigos? — questionou Sasuke sem preâmbulos. — Um ex-namorado ciumento? Uma psicopata apaixonada por você?
Kaya arqueou as sobrancelhas para o Uchiha, que permaneceu resoluto. Akira, no entanto, negou com um menear de cabeça.
— Naomi morava em Nova York. Não tinha como alguém persegui-la desde lá. Além do mais, nunca mexemos com ninguém. As pessoas que se incomodavam.
— O que quer dizer com isso? — A detetive Uzumaki não deixou tal comentário passar despercebido.
Akira meneou a cabeça negativamente.
— Nada. — Sua expressão se tornou fechada. — Posso ir embora agora?
Kaya e Sasuke se entreolharam, a desconfiança pairando entre eles. Aquele caso trazia mistérios e facetas que poderiam mudar a qualquer momento.
— Eu não imaginava que o frigorífico do meu marido estava sendo usado como “ponto de encontro” — Amaya Nagasaki balançou a cabeça, exalando indignação e . — De qualquer forma, nunca desejaríamos que uma tragédia dessas acontecesse.
— Você pode explicar esse anel? — Sasuke lançou as fotos à frente do sr.Nagasaki.
Nagato Nagasaki arregalou os olhos por um segundo, perplexo. Ele estava sendo a terceira pessoa a ser interrogada, e já trazia um segredo difícil de ser carregado.
— Minha esposa não pode saber — O sr.Nagasaki lançou um olhar de advertência a Sasuke e Kaya. — Ela não pode nem sonhar...
— Não nos interessa o que pretende fazer quanto a isso, sr.Nagasaki — Kaya o interrompeu friamente. — Apenas queremos saber porque Fumiko Yamato, uma criminosa bem conhecida por nós — Lançou os arquivos na mesa, os braços ainda cruzados diante do peito. — Será sua futura esposa.
Nagato levantou-se, batendo o punho na mesa.
— Isto não interessa à vocês — desafiou a detetive com um olhar de superioridade. — Vim aqui para ser interrogado à respeito do assassinato da garota...
— É melhor ficar calmo — Sasuke interveio, tão rígido quanto sua parceira de equipe. — Ou podemos indiciá-lo por desacato à autoridade.
O homem encarou ambos, antes de sentar-se novamente.
— Avaliamos amostras de sangue no piso — Kaya prosseguiu, lançando fotos das evidências para o sr.Nagasaki. — E descobrimos que pertence à sua filha.
— Emiko? — Nagato gaguejou, mais uma vez ansioso.
A detetive Uzumaki se pronunciou.
— Mandamos uma equipe atrás dela no apartamento que ocupa com alguns colegas universitários.
Nagato baixou os olhos, as mãos unidas sobre a mesa.
— Emiko tem andado distante ultimamente. — murmurou, mas Sasuke o interrompeu.
— Será que não é o contrário? — Arqueou uma das sobrancelhas. — O senhor, interessado em uma homicida, ocupado demais traindo sua esposa e pensando em colocar outra mulher no lugar dela. — Deu de ombros, exibindo seu ar desinteressado.
O sr.Nagasaki manteve a cabeça baixa, a culpa corroendo seu íntimo lentamente.
Após o interrogatório com o dono do frigorífico, Kaya e Sasuke caminhavam lado a lado pelo prédio, em direção a sala de Itachi.
— Trair a mulher justamente com a Fumiko — O Uchiha mais novo lançou-se em uma das cadeiras em frente à escrivaninha do irmão. Itachi ergueu os olhos dos papéis, enquanto Kaya fechava a porta. — O sr.Nagasaki tem uma vida bastante agitada.
— Estive ocupado com o caso de uma criança desaparecida — informou Itachi, assinando alguns documentos. — Não pegar essa história desde o início...
— Você não perdeu muita coisa — Kaya cruzou os braços. — Shikamaru e Hinata estão concluindo a autópsia no corpo de Naomi, enquanto Naruto e Sakura estão dando mais uma olhada no frigorífico.
— É estranho o sangue da Emiko estar na cena do crime — comentou Sasuke, as mãos cruzadas diante do rosto. — E o Akira não parece estar querendo dizer tudo.
Itachi fechou a pasta com os arquivos do caso.
— Vou atrás da garota Nagasaki — Ele prometeu, levantando-se de sua poltrona. — Ela mesma pode nos explicar o motivo de seu sangue estar no frigorífico.
Duas horas mais tarde, Itachi ligou avisando que conseguira encontrar Emiko, e que tinha uma surpresa para os colegas assim que retornasse. Embora Kaya quase ralhara com o Uchiha por deixá-los curiosos, o mesmo se limitou a permanecer calado.
Em um dos laboratórios vazios, Sasuke analisava compenetrado as fotos que tirara da cena do crime. Semicerrou os olhos, observando o corpo mutilado de Naomi Liverpool.
— Concluímos a autópsia — Shikamaru Nara informou, colocando os documentos à frente do moreno, que os apanhou na mesma hora. — Ao contrário do que eu imaginava, a morte não foi causada pela perda de sangue e pelo perfuramento dos órgãos internos.
Sasuke encarou o colega de equipe, fechando os arquivos.
— Envenenamento — Conteve um xingamento.
Sakura e Naruto foram avisados da conclusão final assim que chegaram à rua onde o açougue Kimimaro e o frigorífico Nagasaki residiam.
— Vou falar com os pais do Akira — Sakura encarou o colega, que tirava a maleta do carro. — Me espere no cenário do crime.
Naruto assentiu, e a rosada avançou para o açougue. Adentrando o comércio, percebeu que mesmo com o homicídio tendo ocorrido há apenas dois dias, a família Kimimaro não se preocupou como Sakura pensava. Eles continuaram ativos, sem prestarem as mínimas condolências ou um sinal de respeito à namorada do filho.
— Polícia Investigadora de Tóquio — A Haruno ergueu o distintivo, e os funcionários a encararam na mesma hora. De uma das portas atrás do balcão, veio o sr e a sra.Kimimaro, trajando suas vestes de trabalho.
— Por Kami — Angel lanço o pano de prato em uma das mesas, a indignação visível em seu semblante. — O que faz aqui? Já não respondemos às perguntas de vocês?
Sakura empinou levemente o nariz.
— Ainda tenho de avaliar muitos fatos, sra.Kimimaro — A rosada encarou o patriarca da família. — De acordo com o resultado da autópsia, foi descoberto que Naomi Liverpool morreu envenenada.
Os pais de Akira se entreolharam, uma mensagem discreta passada naquele breve instante.
— O que temos a ver com isto? — Danzou questionou, com um ar rabugento, mas no fundo sua voz tremendo de nervoso.
— Suponho que ambos saibam de alguma coisa. — Sakura levou as mãos na cintura, contendo um sorriso vitorioso ao vê-los empalidecer. — Assim como seu filho. Será melhor cooperarem conosco.
Como sempre, a agente Haruno conseguia o que queria na hora que precisava.
* * *
Naruto avaliou o frigorífico dezenas de vezes, até encontrar um vestígio graças ao luminol. Gotas de um líquido transparente, uma trilha que seguia desde o gancho, até o fundo do local.
O loiro coletava uma amostra para análise quando Sakura chegou.
— Mereço ser promovida — Ela comentou alegremente, prontificando-se para ajudá-lo.
— O que você fez? — Naruto franziu o cenho. A rosada deu de ombros, tirando do bolso seu celular.
— Gravei uma conversa com os Kimimaro. — Balançou o objeto diante dos olhos do colega. — Cavei uma mina de ouro.
* * *
Emiko era uma garota com um ar adorável e singelo, prestes a completar dezenove anos.
— Pode nos explicar porque seu sangue estava no piso do frigorífico? — Naruto inquiriu, e a jovem se encolheu em seu lugar.
Itachi estava ao fundo da sala, com Sasuke ao seu lado. Kaya avançou, ficando ao lado do irmão, tentando não transmitir uma ameaça para a garota à sua frente.
— E-Eu estava com Akira na noite em que Naomi morreu — Emiko respirou fundo. — Nós tínhamos um caso... — Ela estremeceu, como se pudesse ler os pensamentos de todos ali presentes.
Kaya encarou Itachi, que assentiu com um sutil menear de cabeça. Aquela era a surpresa, afinal.
— Mas não era de verdade — A morena acrescentou, contendo o choro. — Os pais do Akira queriam que eu e ele... Assumíssemos o império que eles e os meus pais haviam criado. Eu e Akira nunca nos importamos com isso, no entanto, é impossível fugir quando as empresas rendem uma quantia à anos para a família. Os Kimimaro fizeram um acordo comigo — explicou Emiko, entrelaçando as mãos no colo. — Eles prometeram que eu poderia ser o que quisesse na vida, se conseguisse afastar a Naomi do Akira. Ele não sabia dessa parte; pensava que eu estava interessada no dinheiro que haviam prometido...
— Por acaso você envenenou a Naomi? — perguntou Kaya, semicerrando os olhos.
Emiko empalideceu na mesma hora.
— N-Não... Eu jamais faria isso.
— Então o que você fez, exatamente? — Naruto incitou, e Emiko baixou os olhos.
— Era apenas um susto — Ela falou, meneando a cabeça vigorosamente. — Os Kimimaro pediram para que eu desse um susto na Liverpool. Ela tinha nojo dos porcos, e naquela noite tinha aceitado ir com Akira para o frigorífico como sempre faziam. — Emitiu um suspiro pesaroso. — Ele saiu do local dos porcos assim que ouviu alguns barulhos que eu fiz...
— Você não pode continuar com o Akira — sussurrou Emiko. Naomi franziu o cenho, curiosa com a atitude da Nagasaki. — Você está apenas prejudicando tudo isso.
— Desculpe, Emi — A loira meneou a cabeça negativamente. — Mas eu não posso simplesmente... Me afastar dele. Sei sobre o negócio de ambas as famílias, no entanto, meu amor pelo Akira vai além disso.
— Fui embora depois do que ela me disse — narrou Emiko, de maneira sombria. — Sai pela porta dos fundos, pelo mesmo local onde entrei.
— Tudo isso durou menos de dez minutos — estipulou Itachi, fitando os demais. — A morte de Naomi ocorreu às onze da noite em ponto.
— Entrei no frigorífico às quinze para as onze — afirmou a Nagasaki. — Liguei para os Kimimaro antes de entrar, avisando-os que cumpriria minha parte do trato.
— Tudo bem, Emiko — Kaya suspirou. — Está liberada agora.
* * *
Sakura tinha conseguido a confissão dos Kimimaro sobre o acordo com Emiko. Akira sabia de parte da história, e ao descobrir o restante não ficou exatamente melhor.
Os Kimimaro foram literalmente riscados da lista.
— A análise comprovou que a substância encontrada no piso era veneno — Sakura falou à Itachi, enquanto ambos se dirigiam mais uma vez à sala de interrogatórios. — Naomi ingeriu uma hora antes de morrer, ou seja, fora do frigorífico.
Itachi concordou.
— Vamos interrogar a principal suspeita — Ele levou a mão à maçaneta da porta, mas Sakura o impediu de abri-la no último instante.
— Não vá com tanta sede ao pote — Alertou-o, veemente. — Fumiko pode ter aprontado muito no passado, mas em alguns casos as pessoas mudam...
O Uchiha soltou uma risada irônica.
— Francamente, Sakura — Ele virou o trinco da porta. — Não banque a defensora dos fracos e oprimidos. Não é a sua cara.
A rosada revirou os olhos, antes de segui-lo.
Sentada à uma mesa, estava Fumiko Yamato, uma mulher de cabelos castanho-claros, olhos escuros e roupas vulgares. Lançando um último olhar à Sakura, Itachi se dirigiu à amante do sr.Nagasaki.
— Novamente aqui, Fumiko? — Ele inquiriu, com um quê de sarcasmo em sua voz.
A mulher enrolava uma das mechas escuras em seus dedos, mascando chiclete.
— Pois é — ironizou, revirando os olhos.
Itachi lançou os arquivos na mesa.
— Já deve saber do assassinato de Naomi Liverpool...
— Estou sendo acusada? — questionou Fumiko, semicerrando os olhos para ambos os detetives.
— Bom, você está envolvida, mesmo que indiretamente — Sakura deu de ombros, desafiadora. — Sendo a amante do sr.Nagasaki...
— E seu passado não ajuda muito — comentou Itachi, fazendo com que a Yamato bufasse. — Vamos lá, diga o que sabe. Por que se envolveu com o sr.Nagasaki?
— Porque o amo! — exclamou a jovem, parando de mexer em seus cabelos. — Simples assim! Quis mudar, seguir uma vida diferente!
— Esquecer os crimes que você cometeu anteriormente? — ironizou Itachi, recebendo um olhar reprovador de Sakura. — Golpes, homicídios, tráfico de drogas... Sua ficha nunca será limpa novamente.
— Mas eu tenho a chance de tentar mudar, não tenho? — Fumiko desafiou-o, e o Uchiha estreitou os olhos. — Detetive Haruno — Ela voltou-se para a rosada, ignorando completamente a presença de Itachi. — Nagato escondeu o anel no frigorífico, porque sua esposa jamais poderia desconfiar que eu fosse sua amante. Ela... — Fumiko vacilou por um instante. — Ela é possessiva e maluca. Sabe que o marido a traí, e me mataria caso soubesse.
— Acalme-se — Sakura pediu, lançando um olhar significativo à Itachi, que recuou na mesma hora. — Amaya Nagasaki respondeu algumas perguntas nossas, e se mostrou alheia a qualquer traição...
— Ela sabia! — exclamou Fumiko, meneando a cabeça lentamente. — Sabia que o marido tinha uma amante. E por ser tão... Possessiva, desejava a todo custo descobrir quem era. Eu me aproximei dela, assim que Nagato me alertou das perguntas que a Amaya fazia a ele repetidas vezes — Fumiko estremeceu por um momento. — Para minha segurança, me tornei amiga dela. Aos poucos... Deu certo. Acho que a necessidade da Amaya de ter uma amiga, a fez confiar em mim.
— Você afastou a hipótese de que o sr.Nagasaki tivesse uma amante — concluiu Itachi, a contragosto.
Fumiko assentiu.
— Só que depois... Ela recomeçou com a paranoia, e em um surto passou a desconfiar da Liverpool. Acho que... Foi porque a Naomi vivia entrando no frigorífico à noite, e em uma dessas vezes a Amaya viu...
Sakura inclinou-se na mesa, baixando o tom de voz.
— Está dizendo que Amaya Nagasaki achava que Naomi era a amante?
A Yamato concordou vigorosamente, a cabeça baixa, as mãos entrelaçadas sobre o colo. Todo o deboche de outrora se fora naquele instante.
— Então, ela me pediu ajuda. — Mordeu os lábios, encarando os detetives. — Eu... Eu fiquei com medo dela me matar. Ela tem poder para tanto. — Meneou a cabeça negativamente, perdida em devaneios. — Tudo o que eu queria era paz... Então... Eu arranjei o veneno para Amaya resolver a questão.
Sakura emitiu um bufo de frustração, enquanto Itachi continha um xingamento.
— Antes a Naomi do que eu. — Esganiçou Fumiko, em desespero. — Só que o veneno era fraco. Não poderia matar.
Itachi riu com ironia.
— As pessoas não mudam — tomou a frente do interrogatório. — Nem você. Saiba que não sairá em pune; seu egoísmo custou a vida de uma garota inocente.
Fumiko manteve a cabeça baixa, mesmo depois que os detetives deixaram a sala de interrogatório.
Sua culpa duraria eternamente.
* * *
Amaya Nagasaki foi presa no mesmo dia, confessando seu crime cruel. A arma utilizada fora encontrada com ela, logo que a mesma tentava atacar seu marido. Assim que soube a verdade, a mesma culpa que atingiu Fumiko, foi passada para ela.
Akira Kimimaro sofreu tanto com as descobertas recentes, que não suportou a dor de sobreviver sem Naomi Liverpool. Foi encontrado com uma corda no pescoço, em seu quarto, com um bilhete destinado aos investigadores.
Com o caso resolvido, a equipe CSI se envolvia em novos mistérios, e o caso do frigorífico se tornava um fragmento do passado à medida que o tempo corria.
No entanto, apesar de todos os empecilhos que viessem para atrasá-los, a equipe continuaria solucionando os casos, e buscando o verdadeiro culpado.
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