CORROMPIDOS PELA ANGÚSTIA
2 The silenced Heart
O amor sempre me pareceu algo simples, algo bonito, como uma flor desabrochando sob o sol da primavera. Mas agora, ao observar a maneira como o sorriso de Lyam ilumina o rosto dele quando ela entra na sala, eu começo a entender que o amor pode ser cruel, torturante e, principalmente, insuportável.
Lyam... O nome dele ecoa em minha mente como uma melodia suave, mas carregada de uma dor crescente a cada dia. Ele é gentil, honesto, tem um jeito de ver o mundo que me fascina… ou talvez tivesse. Como acabamos tão distantes? Eu não sei. Mas meu coração, esse órgão teimoso e incontrolável, decidiu se entregar a ele de uma maneira que eu não consigo compreender. O que, na teoria, poderia ser sorte, na prática se tornou uma prisão.
Eu me vejo observando-o, sempre distante, sempre tão perto de mim, mas ao mesmo tempo tão imensuravelmente longe. Ele me sorri com aquele sorriso sincero que me faz querer acreditar que ele me vê de forma especial, que talvez ele entenda o quanto meu peito acelera quando estou perto dele. Mas ele não sabe. Ele não pode saber. Porque eu vejo como seus olhos se iluminam quando ela passa, como ele a chama pelo nome com uma ternura que nunca ouvi em sua voz. E isso é tudo o que eu preciso saber.
Ela é a chama que arde no coração dele, e eu sou a sombra que jamais se aproximará o suficiente. Eu me encolho dentro de mim mesma, desejando não sentir nada, esperando que o vazio que se instala em mim quando estou perto dele se dissipe. Mas não posso. O amor — ou talvez o desejo — que me consome não permite que eu simplesmente "desista". E não é isso que mais dói? Saber que não tenho controle sobre o que sinto? Saber que, por mais que eu tente ignorar, essa dor só cresce?
E, mesmo assim, eu ainda o quero. Mesmo sabendo que jamais poderei ser a dona dos seus pensamentos, que jamais terei a chance de ser a razão daquele sorriso que ele dedica a ela. Meu peito se aperta a cada vez que vejo o brilho nos olhos dele ao falar sobre ela, como se ela fosse a única pessoa que existisse em seu mundo. E eu, Yona, sou apenas uma espectadora silenciosa de uma história que nunca será minha.
Às vezes, me pergunto se estou sendo injusta com ele. Ele não fez nada de errado. Ele tem o direito de amar quem quiser, de ser feliz com quem escolher. Mas essa é a dor do amor não correspondido, a dor de se perder sem jamais ser encontrada.
Eu gostaria de poder falar sobre isso, desabafar com alguém, mas quem entenderia? Como explicar essa agonia silenciosa que me consome, esse desejo que nunca será correspondido, esse amor que se torna um fardo? Me sinto perdida, encurralada em um lugar onde minha alma grita por algo que jamais será meu. E, ainda assim, eu sigo aqui, amando-o, desejando-o e, ao mesmo tempo, odiando o fato de que isso nunca será suficiente.
Eu sei que preciso seguir em frente. Sei que preciso deixar esse amor partir. Mas o que fazer quando o coração se recusa a entender a razão, quando o peito se recusa a aceitar a realidade? O que fazer quando, apesar de tudo, ainda me pego esperando que um dia ele me olhe da mesma maneira que olha para ela?
Nada. Eu faço nada. Porque, no fim, meu amor por ele é apenas mais um segredo guardado dentro de mim, um eco que vai se dissipando aos poucos, até que eu me torne apenas uma lembrança distante de algo que
nunca foi real.
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