Notas iniciais
Espero que goste desta história!

Foi tão triste, mas eu tive que suportar. Cada carícia que faziam em meu corpo desprotegido, era uma facada na minha dignidade e sanidade. Não sabia o que pensar. Não tinha força para nada, não podia lutar, não podia gritar. Fiquei presa numa emersão de escuridão, meu corpo sendo invadido com imersa brutalidade, sem eu poder fazer nada, nada.
Lembro-me como se fosse hoje, cada um que ficava em cima de mim. Cada sorriso, cada gemido, cada soco, cada facada.
Tudo isso aconteceu há dois anos, dois anos que tento superar, dois anos que faço terapia, dois anos que não tenho vida.
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Posso dizer que aquele dia ia ser como qualquer outro, mas não foi. Não sei se agradeço, ou se simplesmente sorrio e aproveito cada instante daquele momento.
Era uma sexta-feira, dia que não tinha terapia, mas que tive que ir, pois não conseguia dormi de tantos pesadelos envolvendo aquele dia, há dois anos. Quando cheguei ao consultório, era a mesma coisa, uma atendente, um sofá, um monte de revista e a porta da sala. Sentei e olhei fixamente aquela porta, sempre fazia isso, olhava e olhava. Talvez eu quisesse uma saída, mas eu sabia que a única saída que eu poderia ter era a morte.
Então, quando a porta se abriu, eu o vi. Era um homem bonito, mas que eu podia ver que tinha tristeza em seu olhar, triste e sombrio.
— Sr. Paker, nos vemos semana que vem, faça os exercícios que lhe ensinei e isso irá lhe ajudar e muito. Até mais. — Disse o Dr. Lucio, se despedindo do homem que me chamou atenção. — Sra. Josson, pode entrar.
Antes que o homem fosse embora, nós trocamos um rápido olhar. Senti sua dor e ele sentiu a minha, compartilhamos a tristeza e talvez fosse isso que tanto me chamou atenção nele, a tristeza, a escuridão que virou nossos corações.
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— Camily, como foi esses pesadelos que você me disse que estava tento? — Perguntou, com a sua voz de sempre, calma e acolhedora.
— Os mesmos, eu senti... — Me arrepiei por completo. — Tudo de novo.
Contei a ele tudo, tudo mesmo e aproveitei e perguntei o nome do homem que havia saído de sua sala. Ele me disse que ele se chamava Arderson Paker, ele tinha perdido sua família em um assalto que ele não estava presente e que isso tinha lhe causado um trauma que ficaria para sempre.
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Minha semana foi normal, tomei meus remédios, me isolei em minha casa, conclusão: Estava definhado cada dia mais, minha vida se esvaia. Fui em todas as sessões durante aquela semana e pedi que me encaixasse na sexta-feira, "num" sei, mas precisava encontra ele novamente, necessitava disso.
Mas quando o dia chegou, ele não estava lá, nem sinal de sua tristeza, nada. Perguntei ao Dr. Lúcio, mas ele também não sabia onde estava Anderson.
— Talvez ele tenha tido algum imprevisto. — Disse o Dr. Lúcio.
Mas eu sei que não era um imprevisto, sei disso porque quando uma pessoa tem um "trauma" muito grande, ela não consegue conviver consigo mesmo, então a única coisa que poderia ter acontecido era... Ele se matou.
Aquele dia não foi um dos melhores, mas quando chegou a noite e tomei meu remédio para dormi, sonhei.
"— Olá. — Disse ele, estava vestido com um terno branco e estava sorrindo.
— Olá. — Respondi, olhei para mim e estava com um vestido branco, que se ajustava perfeitamente ao meu corpo.
Ele segurou minha mão e me tirou para dançar, e nós ficamos ali, bailando um com o outro, não tinha som, nem pensamento, somente nós dois ali, na imensidão da escuridão, dançando. Dois corações tristes que se encontram e formam um novo tipo de escuridão, aquela que só nós dois podíamos sentir."
Então acordei, estava sorrindo e sabia o que tinha que fazer, talvez pareça loucura, mas era isso, eu tinha que ir, eu tinha que encontra-lo, não importava como, mas tinha que ir. Levantei e fui até o banheiro, onde eu guardava meus remédios, e os observei por alguns segundos. Depois tirei todos e fui tomando um de cada vez, até ter terminado todos. Meu corpo estava mole, estava sonolenta, estava feliz, finalmente feliz. Fechei meus olhos calmamente, sentido cada sensação, cada sentido falhando. Cair.
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Vi meu irmão correndo ao meu encontro, ele vinha periodicamente me visitar.
Luzes do hospital.
Meu irmão estava nervoso e estava ao meu lado.
E finalmente a escuridão, a luz e ele.

Fim...

Notas finais
Espero que tenha gostado da história, deixe seus comentários!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!