Notas iniciais
Olá, Leitores. Aqui eu trago mais uma história do CN Beyond. Está é fanfic crossover de vários desenhos com o foco de explorar o lado cósmico e espacial do CN Beyond Universo. Caso seja a sua primeira vez aqui, de uma olhada na Tag: Cn Beyond e leia as minhas outras histórias desse universo.

Essa one shot é focada no Tetrax, uma petrosapiano (Espécie do Alien Diamante do Ben 10) e na sua jornada de redenção. Eu fiz questão que essa fanfic crossover de vários desenhos tivesse uma variedade de personagens não tão populares, caso queira conhece-los antes de ler a história, você pode ler aqui: https://www.facebook.com/cnbeyond/posts/296242945650908

Ouça a trilha sonora aqui: https://open.spotify.com/playlist/4Qe83CabImsXhropt1WM88?si=264bb67ef3cd4109

Voando em sua prancha flutuante espacial, Tetrax Shard atravessava o deserto cristalino de Petrópia rumo a uma antiga igreja que costumava abrigar filhotes petrosapianos órfãos e vítimas da guerra civil que se alastrou pelo planeta. O deserto era vasto e quase vazio. O máximo de vida que se encontrava eram os restos mortais dos antigos e colossais antrosapienos. Olhar aqueles restos fez o caçador de recompensas feito de pura rocha e cristais lembrar-se de sua infância miserável.

Após duzentos quilômetros de viagem, ele enfim chegou à antiga igreja que procurava. Era uma das antigas igrejas de Sugilite, que veneravam o antigo guardião do planeta de mesmo nome. A igreja estava em ruínas. Suas belas paredes repletas de escrituras antigas da criação daquele mundo haviam sido completamente demolidas. Quando Tetrax entrou na igreja, imediatamente deparou-se com uma figura familiar vestida de capuz ajoelhada perante a estátua do grande Sugelite. Imediatamente, o caçador de recompensas sacou sua arma.

— Então, os rumores são verdadeiros. — Afirmou o homem encapuzado que virou-se para revelar ser um outro petrosapiano só que mais velho e mais baixo, com seus cristais do corpo desgastados e cheio rachaduras e ranhuras da idade. — Você vendeu a sua alma ao demônio, filho.

— Você não é o meu pai. — Argumentou Tetrax ainda apontando a arma pra ele. — Você nunca foi.

— Mas eu e as irmãs o criamos como se fosse nosso filho. Ensinamos a você os valores altruístas em que acreditávamos e olhe pra você agora. Eu sei o que veio fazer aqui. Faça logo. Saiba que eu ficarei feliz em morrer aqui do que viver sabendo que deixei o meu mundo à mercê de um tirano como Vilgax. Vamos, faça logo.

Tetrax mirou e mirou, enrolou e enrolou, mas não atirou. Estava confuso, achava que estava preparado para fazer o que iria fazer, mas não tinha a coragem necessária. No final, ele abaixou a sua arma, contudo, inexplicavelmente, o ancião começou a rir.

— Estou decepcionado com você, Tetrax. — Disse velhote depois de rir. — Você continua mentindo para si mesmo.

De repente, o peito cristalino do ancião explode e vários cacos de seu tórax se espalham por toda igreja. Ao ver aquela cena de arregalar os olhos, Tetrax correu para segurar o corpo frágil do ancião em seus braços enormes de pedra.

— Mestre, eu não atirei!— Ele disse e depois se explicou. — Eu hesitei como você queria que fizesse.

— Você tem que parar de mentir pra si mesmo, filho — Disse o velho balbuciando suas últimas palavras. — Todos nós sabemos o que aconteceu aqui. Você traiu todos nós por dinheiro, por egoísmo. Você veio aqui e atirou no homem que te criou como um filho a sangue frio, tudo para obter isto.

O caçador de recompensas olha sua mão esquerda e percebe que segurava um cristal vermelho que emanava uma luz colorida e que transmitia um poder avassalador que só de fazia suas mãos de pedra formigarem. Ao ver que o cristal sagrado de Sugilite apareceu do nada em suas mãos, Tetrax começa a hiperventilar e a entrar em pânico.

— Você roubou o cristal para dar ao Vilgax e ele usou o seu poder para destruir esse mundo quando o próprio recusou-se a ser dominado. Esta é a verdade, filho.

— Não. Não é verdade. — Ele negou.

— Você tem que aceitar a verdade, filho. — Disse o ancião antes do seu corpo transformar-se em areia pura. — Aceite a verdade....

— Mestre, Não! — Ele berrou tão alto que o fez despertar de seu sonho.

(Trilha Sonora: Hey Mando – Ludwig Goransson: https://youtu.be/LkmgTsZinJo )

Tetrax acordou de supetão com a respiração ofegante. Percebeu que teve outro pesadelo. Mesmo depois de décadas, sua culpa o torturava incansavelmente. O Petrosapiano levantou-se e foi lavar o rosto no sanitário mais próximo. Ele encheu suas mãos de cristais de água e depois jogou-a em seu rosto de pedra. Seus olhos eram verde-amarelos, um tom diferente do tom ciano de seu corpo quase feito puramente de cristais de diamantes. Tinha uma rachadura no olho direito, algo como uma cicatriz que é comum nos homens de meia-idade de sua espécie. Bem... era comum.

Após lavar-se, vestiu seu uniforme cinza-escuro de caçador de recompensa e foi imediatamente para o bar de seu motel espacial.

Satélite ZNX45892FH

Uma das trinta luas que orbitam um planeta gasoso infértil era a “ZX45892FTH”apelidado de “Lua ZiniXs” utilizada apenas como um grande motel para viajantes intergalácticos. Havia uma abundância de ilegalidades por lá, como vendas de entorpecentes e prostituição. Tetrax não ligava para essas duas coisas, apenas para o bar local que era um famoso ponto de encontro de outros caçadores de recompensas. Assim que desceu, imediatamente foi até o barman, que era uma criatura que constituía apenas de um cérebro com dois olhos grudados e uns três tentáculos que usava para se locomover e pegar coisas, e pediu a criatura uma dose da sua bebida mais forte.

Ele enfiou um líquido fortíssimo na garganta de cristal e lamentou-se com grunhidos de raiva e mágoas, o que chamou a atenção de um misterioso homem de capuz que sentava ao lado.

— Olha só pra você. Uma piada. — Disse o misterioso encapuzado.

— Quem é você pra me julgar? — Ironizou Tetrax. — Não sabe o que eu passei, não sabe nada do meu sofrimento. Os erros que cometi e o que perdi por causa deles. Não tenho que ficar aqui ouvindo sermão de um estranho. Deixe-me beber em paz.

E o encapuzado gargalhou com a resposta do Petrosapiano.

— Vou lhe dar um conselho: Pare ficar enchendo a cara lamentando-se pelas suas perdas. Você pode ficar aqui chorando pelas suas falhas e perdas OU... pode aprender com elas. Você decide. Apenas pergunte a si mesmo... você aprendeu?

Tetrax enfureceu-se com pertinência do encapuzado e virou-se para lhe dizer uns palavrões, porém, misteriosamente, a fica encapuzada sumiu como se nem estivesse lá.

— Acho que finalmente estou ficando maluco. — disse a si mesmo. — Quem seria esse homem encapuzado? Seria uma fantasma do Ancião? — Ele teorizou em sua mente, mas descartou porque havia uma grande diferença de altura entre os dois. Ou então fosse só embriaguez falando que era o mais provável.

De repente, alguém gritou pelo seu nome. — Tetrax!

Era Magnanimous. Talvez, uma das criaturas, mas estranhas que Tetrax conhecia. Tinha uma cabeça gigantesca que consistia na maior parto do corpo. Tinha bracinhos pequenos e desproporcionais ao tamanho enorme da cabeça além de uma cabeleira preta com um topete engraçado. Magnanimous era a pessoa mais importante daquele sistema planetário inteiro. Ele era o dono do motel e quem gerenciava tudo de legal e ilegal em Zinix. Era ele quem servia como intermediário entre os caçadores de recompensas locais e seus contratantes. Como indivíduo, era ganancioso e estranhamente narcisista. Naquele momento ele jogava um jogo de azar local com o que parecia ser uma galinha espacial de cor branca e olhos vermelhos, um ser flamejante da espécie pyronita e um applopexiano que parecia muito zangado por não estar ganhando.

— Tetrax, meu companheiro, até que enfim acordou — Anunciou Magnanimous.

— Sua cama é péssima. — Reclamou Tetrax se aproximando do anão cabeçudo. — Você disse que eu não teria pesadelos nelas.

— O que? As camas são 100% feitas de tecido de Nemunimos IV. Sabe como aquelas fadinhas são ótimas com sonhos. Eu vou reclamar hoje mesmo com elas. — Mentiu ele depois mudou de assunto. — Sabe, Shard, você é um dos melhores caçadores que conheci. Vou sentir sua falta quando eu me aposentar desse trabalho.

— Vai sair de ZiniX? — Perguntou o ser de cristal.

— Sim. Finalmente tenho grana o suficiente para abrir o meu negócio dos sonhos: A FCCG, Federação de Campeonato de Combate Galáctico. Totalmente legal pois usarei apenas robôs. Quem não adora os bons e velhos robôs gigantes se matando, não é mesmo? Entretenimento familiar de qualidade e com muitas apostas altas. A melhor parte é que eu transmitirei tudo ao vivo na Extranet. Já reservei até os domínios...

—Tá, entendi. Boa sorte pra você. — Desejou Tetrax fingindo que se importava. — Tem algum trabalho pra mim?

— Tenho sim, e você vai adorar — Disse o cabeçudo que jogou para o caçador um disco que era o contato com o contratante. — Uma senhora veio aqui enquanto você dormia e ofereceu uma missão valendo 10 bilhões de créditos! Quero dizer, 5 milhões, pois a missão é em dupla com outro caçador.

— Eu faço as missões sozinho, você sabe disso. — Alertou Tetrax.

— Tá, mas é uma missão valendo CINCO BILHÕES de créditos, parceiro. — Destacou o cabeçudo. — Ainda é muita coisa. Dá pra você comprar seu próprio planeta pequeno em Andromeda.

— Tá, eu vou conversar com o contratante.

— Esse é o meu pedregulho.

Aceitando a missão e recuperando sobriedade, Tetrax foi até onde sua espaçonave estava pousada, onde seu assistente, Gluto, um ser viscoso e semilíquido, fazia reparos rotineiros nos motores de velocidade da luz.

— Gluto, finalize os reparos temos uma missão. — Avisou o petrosapiano ao entrar na nave e ir direto ao centro da nave.

Lá ele colocou o disco de contato sobre uma mesa e o ativou. Após cinco minutos, o contato com a contratante foi feito e uma grande imagem holográfica do contratante surgiu diante dos olhos do petrosaiano. Era de um ser que não parecia macho ou femea, era humanoide e todo o seu corpo era de diferentes tons de amarelo, desde as roupas até as pupilas dos olhos. Tinha uma gema no peito o que fez o petrosapiano reconhecer imediatamente a identidade do contratante.

— Amarelo — Disse o caçador ao reconhecê-la.

— Tetrax Shard, O último Petrosapiano — Disse ela com voz claramente feminina, mas demonstrava muita autoridade. — Vejo que minha reputação me precede.

— Eu acompanho as notícias. Como vai a extorsão de recursos dos planetas das Gems? — Ele ironizou.

— Vai bem. — Ela brincou. — É claro, há sempre resistência e por isso que eu estou aqui. Há alguns ciclos um alinhamento planetário do sistema “K19” fez uma tempestade cósmica local se dissipar revelando uma antiga assinatura energética de um artefato de poder cósmico extraordinário em um de seus planetas. Sua missão é ir até esse planeta e trazer o artefato até mim. Nessa missão, você terá a assistência de outra caçador de recompensas. Seu nome é Lockdown.

— Já ouvi falar. — Afirmou com desconfiança. — É um Cybertroniano, não é? Mas, me desculpe perguntar, se você já tem um caçador do nível de Lockdown, por que precisa dos meus serviços?

— Lockdown é um ótimo caçador, porém, o artefato está muito bem protegido contra seres como ele. Ele acredita que suas habilidades podem complementar nessa missão. Se elas, é claro, estiverem a altura do dizem dos Petrosapiens.

— Pode apostar que estão. — Declarou ele.

— Assim espero. Vá para o planeta “C2317” do setor “K19” e encontre Lockdown. Ele irá te guiar até ao artefato.

— Posso perguntar o que você vai fazer com esse artefato? — Questionou o petrosapiano.

— Irei usá-lo para ampliar nossos domínios e garantir a nossa soberania. — Ela disse com arrogância, autoridade e desprezo. — Sei que isso não te incomoda, petrosapiano, afinal eu sei de histórico com Vilgax, o Conquistador de Dez mundos.

Ouvir a Gem dizer o nome de Vilgax enquanto sorria fez o ser de pedra ficar irado com a Gem, contudo, ele se conteve para não criar desconfiança com a Amarelo, pois era uma autoridade na qual ele não desejaria conflitar.

— Um homem que abriu mão de seu próprio povo por dinheiro não é um homem que tem a minha admiração. Mas, é um homem que eu considero muito útil. A utilidade é mais valiosa que qualquer honra, afinal não são todos que tem tamanha coragem de sujar tanto as mãos. Espero que não me faça mudar de ideia, petrosapiano. Amarelo, desligando.

Tetrax bufou de raiva, mas aceitou a situação. Ele logo gritou para o seu assistente, Gluto, para preparar a decolagem e assim sua nave partiu para as estrelas em velocidades acima da luz, rumo ao sistema K19.

Planeta C2317, Setor K19

(Trilha Sonora: The Seeker – Rush https://youtu.be/ILbDCAcnRF4 )

Assim que a nave chegou ao sistema K19, ela recebeu em suas redes de comunicação a localização da nave de Lockdown no planeta “C2317”. Após ir até planeta esquivando-se dos resquícios de tempestade cósmicas, eles finalmente chegam no planeta e pousam bem ao lado da nave do outro caçador de recompensas.

Cobrindo o rosto com o capacete de seu traje, Tetrax desceu da nave, segurando a sua arma por precaução. Assim que pisou no chão do planeta alienígena em que havia pousado, ele viu e encarou o outro caçador. Ele era alto, bem alto mesmo e muito esguio. Assim como todos de sua espécie, eram seres de metal autômatos. Diziam as outras espécie que tinham um tipo de alma dentro deles, um tipo de centelha. Os receptores ópticos de Lockdown, algo como seus olhos, eram vermelhos e brilhantes. Seu rosto era prata, com várias marcas pretas desenhadas dele. O resto de seu corpo cibernético era preto com vários detalhes verdes, tinha espinhos metálicos afiados saindo de algumas partes, como os ombros e pescoço.

— Você deve ser o Lockdown. — Observou Tetrax. — Ouvi muito falar de você.

— E você deve ser o Tetrax estou certo? O último Petrosapiano. — Disse ele com sua voz grossa e robotizada.

Tetrax observou bem o cybetroniano e notou algo incomum nele. — Curioso, Você é primeiro de sua espécie que vejo sem um símbolo. Seja aquele roxo ou aquele vermelho.

Lockdown riu suavemente. — Eu arranquei o meu há muitos ciclos estelares. Não sou de nenhuma facção. — Explicou ele e depois ordenou. — Vamos, temos muito o que fazer.

— Onde nós vamos? — Perguntou Tetrax.

— Está vendo aquelas duas torres no deserto ali na frente? — Apontou Lockdown com seus dedos cibernéticos. — Ali é onde está o artefato.

— Parece um caminho bem simples. — Observou Tetrax.

— Só parece. Há muitas ameaças escondidas protegendo ele. Especialmente para seres como eu. Vamos devagar e atentos. — Explicou Lockdown.

— Tem certeza que o artefato está lá? — Questionou o Petrosapiano.

— Ele está. Eu posso senti-lo. Podemos dizer que tenho um conexão com ele.

Assim os dois caçadores foram andando lado a lado com seus paços pesados de metal e diamante pelo vasto deserto vermelho do planeta rumo ao tal artefato misterioso escondido a uns quilômetros a frente. Por um tempo, o silencio inquieto se manteve, mas logo, Lockdown resolveu puxar conversa.

— Diga-me, Petrosapiano. — Disse Lockdown. — Os rumores que ouvi de ti são verdadeiros?

— Depende de quais se refere.

— Aquela história de você trabalhar com o Vilgax e ele destruir o seu planeta é verdadeira? — Perguntou o cybertroniano.

— É. — Afirmou Tetrax.

— Então, eu acho que não somos tão diferentes quanto eu pensei. Posso perguntar a razão de ter feito aquilo? — Insistiu o cybetroniano.

Tetrax demorou para responder. O ser de cristal de um longo suspiro e soltou a verdade. — Na época, eu estava com raiva, com ódio. Eu perdi meus pais na guerra civil que se alastrou por toda Petropia. Eu cresci na miséria, nunca recebi educação, apenas fui doutrinado por uma igreja idiota. Admito que nunca esperei que Vilgax destruísse meu mundo, mas... Se até então ninguém nunca havia se importado comigo, por que eu me importaria com alguém? Vilgax era só mais alguém para me pagar por um bom serviço.

Lockdown sorriu maliciosamente a ouvir a história do petrosapiano com qual ele se identificou. — Definitivamente, nós dois somos parecidos. Quer saber? Você estava certo. Assim como você, fui criado em mundo dividido e assolado em uma guerra civil brutal que durou muitos ciclos. Porém, eu abandonei qualquer facção e crença e moldei meu próprio caminho. A diferença é que a minha história não teve uma justiça tão poética assim. Os Autobots acabaram vencendo a guerra e os Decepticons restantes vivem isolados por ai. Eu gosto dos Decepticons, eles fazem o que for preciso para atingir seus objetivos e tem muitas riquezas, mas eles são iludidos por seu próprio ego e megalomania e foi isso que os levou a derrota. Os Autobots? São uma piada. Acreditam em uma ideia utópica de liberdade, mas são apenas escravos de suas próprias crenças. Apenas aqueles como nós, como eu e você, que vivem apenas por si mesmos, é que são livres de verdades. Não pertencemos a nada a nãos ser a nós mesmos. Você pode ter sido a causa da ruína de seu mundo, mas, você também foi o único que sobreviveu dentre toda espécie. Qual a razão? Por que seres como eu e você não temos nada a perder, nada a ser tirado de você. Estava disposto a fazer qualquer coisa não importava as consequências. O que teríamos a perder com isso? Nossas sparks? Nossa honra? Grande merda! Não precisamos disso, não concorda?

— Sim. Não existe honra quando se é um caçador. — Concordou o petrosapiano após ouvir todas aquelas palavras, porém, a verdade é que Tetrax já não tinha certeza se acredita nisso. Quando era jovem, acreditava em realmente nessas coisas, mas agora, já não sabia mais de nada.

— Atenção. — Alertou Lockdown para interromper a caminhada.

Tetrax logo percebe que sua caminhada de mais de três quilômetros, os levou a uma parte peculiar do deserto do planeta que já não parecia tão deserto. Eles encontraram uma grande plantação de verde de quase um quilometro, onde curiosos legumes que pareciam pequenas arvores brotavam do chão árido e infértil do deserto.

— O que é isso? Achei que esse planeta fosse um deserto sem fim. — Questionou o Petrosapiano.

— Tecnicamente, é. — Respondeu Lockdown. — Não se deixe enganar pelas aparências. Isso não é exatamente o que parece.

— Pra mim, parece aqueles alimentos verdes que as mães orgânicas obrigam suas larvas a comerem para poderem crescerem saudáveis. — Observou Tetrax.

— Quase isso. — Completou Lockdown e depois aprofundou. — Contudo, são bem mais perigosos. São chamados de Broccoloides: criaturas artificiais criadas para a guerra. Uma vez que suas sementes são plantadas, eles brotam no chão de forma quase que ilimitada. Podem ser plantados em quase qualquer lugar independentes das condição climáticas ou férteis, desde que tenha sol o suficiente. Eles ficam nesse modo “vegetal”, enterrados sobre a Terra, para não gastar a sua energia acumulada. Uma vez despertados, eles não precisam comer ou descansar ou reproduzir, vivendo apenas para completar sua missão de eliminar o inimigo. Foram plantados aqui para proteger o artefato.

Após a explicação, ouve-se um imenso trovão desencadeado pela tempestade cósmica que se alastrava pelos arredores do planeta. O barulho do evento foi tamanho que despertou um dos Broccoloides que se levantou da areia do deserto, como se fosse um morto-vivo e notou a presença dos intrusos em sua área e deu um grito avassalador para acordar o resto de seus companheiros leguminosos. As tais criaturas, apesar de seus corpos finos, tinham o faces assustadoras, com dois olhos e uma boca cheia de dentes.

Tensos e surpresos, os dois caçadores de recompensas imediatamente ficam em posição de batalha, aguardando o confronto.

— Mais alguma informação importante sobre eles? — Perguntou Tetrax.

E Lockdown respondeu: — Depois de mortos, eles podem ser cozidos e comidos. Dizem que são ótimas fontes de proteínas e minerais.

Após a resposta nada satisfatória, Tetrax olhou para trás e encarou o cybetroniano com estranheza.

— Isso era pra ter sido uma piada?

Um dos Broccoloides sacou um tipo de arma orgânica que lembrava muito uma cenoura e disparou uma geleca verde escura nos dois intrusos. Em Tetrax, a gosma estranha não surgiu nenhum efeito nele, mas em Lockdown que tentou proteger o rosto com a mão direita, a substancia agiu como um tipo de ácido que começou a corroer o metal de seu braço esquerdo. Apesar dos cybetronianos serem feitos de metal e circuitos, não eram totalmente imunes a dor. Imediatamente, o caçador de recompensas sente uma dor insuportável.

— Sucata! — Gritou Lockdown ao ver seu braço direito começar a derreter.

Ao ver o parceiro ferido e mais Broccoloides despertando para disparar com suas armas de gosma, Tetrax logo age disparando estacas de cristais pelos seus dedos que imediatamente perfuram o corpo de cinco dos primeiros seres leguminosos a sua frente, depois o Petrosapiano soca o chão de barro do deserto com seu punho cristalino e, imediatamente, brota do chão uma muralha de cristais ao redor de ambos, protegendo-os dos demais tiros das criaturas vegetais.

— Você tá bem? — Perguntou Tetrax ao colega caçador.

— Vou ficar. — confirmou ele. — Agora entendeu a razão de você estar aqui?

— Sim.

— Vou precisar de um tempo para me recuperar. Pode me dar cobertura? — Pediu Lockdown.

— Pode deixar comigo.

(Trilha Sonora: The Touch – Stan Buch: https://youtu.be/qDAoJIJ2ljU )

Tetrax novamente colocou as mãos sobre o chão e fez crescer abaixo da sola de seus pés um gigantesco pilar de cristais verdes-esmeraldas, que o elevou até vários metros além do chão. O tamanho dele era tanto que chamou a atenção da criaturas leguminosas, que rapidamente começaram a disparar suas rajadas ácidas. Pensando rápido, Tetrax fecha seu capacete espacial lhe concedia uma mira impecável e saca os seus disparadores de seu cinto.

Ao apertar os gatilhos, diversos tiros de plasma foram liberados, com a velocidade e poder destrutivo maior que de uma metralhadora da Terra. Cerca de duas dúzias de Broccoloides tiveram seus corpos leguminosos perfurados em várias partes em questão de segundos. Apesar de numerosos, as criaturas verdes não eram muto resistentes, normalmente ganhavam pelo seu maior número. Os Broccoloides também não sangravam, apenas deixavam para trás uma massa verde-amarela que mais tardes seria usada para adubar o chão e permitir que outra horda nascesse ali logo em seguida. Uma vez plantados em um terreno, esses curiosos e incômodos alienígenas não iriam parar de surgir até cumprir seu objetivo.

Enquanto Tetrax eliminavas mais duas dúzias deles, Lockdown desacoplou seu braço danificado pela gosma ácida de seu corpo, o que era fácil para ele já que era um organismo robótico, apesar de ainda sentir dor. Contudo, já fazia isso a tanto tempo, desde as guerras civis cybertronianas, que já nem lhe causavam mais incomodo. Um compartimento abriu-se em suas costas mecânicas e de lá ele tirou um braço novo, este com um gancho no lugar da mão. Aproveitando a distração causada pelo tiroteio de Tetrax, ele saiu da segurança da muralha de cristais, e disparou o gancho de sua mão como se fosse um arpão que perfurou um dos Broccoloides desavisados. Lockdown balançou e puxou a corrente metálica conectada ao gancho e o pobre leguminoso foi arremessado para longe, e nesse processo a corrente cortou diversas partes de vários broccoloides que estava no caminho. Pelo menos uns vinte foram eliminados de uma vez.

Os inimigos pararam se nascer do chão, mas ambos os caçadores de recompensas sabiam que era temporário sendo apenas uma questão de momentos para os aliens leguminosos começarem a brotar do solo novamente. Tetrax desceu de seu pilar e retornou ao perceber a calmaria. Sagaz, o petrosapiano acabara tendo uma ideia, mas era uma ideia muito arriscada.

— Eu tive uma ideia. Eu tenho uma granada aceleradora de elétrons. É uma só, mas ela é eficiente o bastante para destruir todos eles, talvez, até pra sempre. O problema é que ela é eficiente de mais, se ficarmos no seu raio de impacto, vamos ser destruídos também. A não ser que você saiba voar.

— Não sou um Decepticon, esqueceu? — Relembrou Lockdown. — Mas, eu acho que tenho um jeito de escaparmos.

Enquanto os dois conversavam, uma nova horda de Broccoloides começaram a brotar ali no deserto, ansiosos para cumprir sua missão.

— Rápido! — Gritou Lockdown ao perceber a horda chegando. — Faça uma rampa, uma bem grande.

— Entendi. — Disse Tetrax que imediatamente encostou suas mãos de pedra no chão árido do deserto e fez diversos cristais esmeraldas crescerem até assumirem o formato perfeito de uma rampa de três metros de altura. — Pronto. E agora?

Lockdown não respondeu, apenas permaneceu em silencio e deixou o Petrosapiano surpreender-se com que veria a seguir. Seu corpo de metal começou a se reformular parte a parte. Peças do seu corpo de se desencaixaram e encaixaram em outras partes assumindo uma outra forma. Em segundos, o ser mecânico havia assumindo uma forma de veículo de rodas.

Tetrax ficou chocado e levemente horrorizado. Sabia que cybertronianos eram capazes de se transformar em máquinas vivas, assim como transformar alguns membros de seus corpos em armas, mas nunca pensou que veria tais habilidades com seus olhos. Assim que veículo abriu uma porta o convidando para pilotar, logo deduziu o plano de Lockdown que pretendia escapar do raio da explosão usando a velocidade, mas não tinha certeza se gostava da ideia.

— Bizarro. — Ele disse.

— Vamos, entre! E sem reclamar. — Ordenou Lockdown que mesmo em sua forma veículo era capaz de falar.

Tetrax bufou com angustia e resmungou: — Cinco bilhões de créditos, Shard. É pelos cinco bilhões de créditos.

Tetrax entrou dentro do veiculo e ele logo sozinho disparou em uma velocidade impressionante, retrocedendo quase meio quilometro para ganhar impulso se lançar pela rampa. A velocidade inesperada do veículo deixou o Petrosapiano um tanto desconfortável.

— Eu acho que vou vomitar. — Disse Tetrax um tanto zonzo.

— Desculpe, não estou acostumado com passageiros. Eu escaneei essa forma depois de um pagamento que recebi de um tetramando que tinha uma bela coleção de carros com excelentes motores. Posso gerar uma velocidade alta o suficiente para alcançarmos uma altura elevada para escaparmos da explosão. — Explicou Lockdown. — Quando eu der um sinal você irá lançar a granada, entendeu?

— Entendi.

Lockdown ligou seus motores e ativos seus turbos no máximos e o veículo disparou em alta velocidade rumo a rampa de cristais enquanto cada vez mais das criaturas vegetais acendiam. Quando o veiculo passou pela rampa, a velocidade o impulsionou para uns 40 metros de altura e de lá do alto Lockdown gritou:

— Agora!

E imediatamente, Tetrax despeja sua granada aceleradora de eletrons pela janela do veículo e assim que ela toca no chão emite um poderoso pulso que gera uma gigantesca explosão luminosa desintegrando todos os brocoloides que haviam ali. Contudo, a explosão gera uma ventania que atinge os dois caçadores de recompensa enquanto estavam no ar os empurrado para mais longe. Os dois caem de cerca de 30 metros de altura e se não fosse a gravidade mais fraca do planeta, teriam morrido ou se machucado mortalmente.

Ao se espatifar no chão, Lockdown retorna a sua forma robótica e continua quicando e rolando vários metros no chão e o mesmo aconteceu com Tetrax.

— Esse foi quase. — Murmurou Tretax. Recompondo a consciência.

Lockdown se levanta logo em segunda e repara no lugar onde a explosão os levou, bem aonde eles queriam. A ponte espacial abandonada estava bem ali, e ao redor dela estava várias carcaças, mas não de orgânicos comuns e sim de cybertronianos, outros transformers como Lockdown.

Tetrax olhou e também reparou. Ele viu membros, mãos, pés, corpos e até cabeças soltas e esparramadas pelas areias do deserto todas ao redor da tal ponte espacial. Parecia que ambos haviam entrado em um cemitério de Cybertron. Tetrax parou para olhar melhor a ponte espacial que parecia duas torres unidas em uma base, em um formato parecido com um par de chifres. Embaixo dela, havia um painel de controle e ao lado dele estava lá o tal artefato que buscavam. Tetrax não viu o que esperava, parecia um simples caixote alaranjado.

— Está bem ali. — Observou Tetrax. — Deve ser aquele negócio ali.

— Sim. — Confirmou Lockdown que começou a percebeu algo estranho. — Tetrax, você percebeu algo estranho?

— Tem muitas carcaças de cybertronianos aqui. Mas, do que lá trás com os broccoloides.

— Isso mesmo. — Lockdown confirmou e depois deu uma ligeira risada. — Meu palpite estava certo. Os Broccoloides eram só a primeira linha de defesa. O principal protetor do artefato está bem aqui. — E seguida ele gritou: — Apareça! Eu sei que está ai.

De repente, o chão tremeu ao redor dos caçadores e uma gigantesca mão robótica preta emergiu do chão como um morto-vivo saindo do túmulo. Os dois recuaram para trás ao verem um cybetroniano, 3 vezes maior que |Lockdown e com braços tremendamente pesados levantar-se bem diante deles.

Tetrax, rapidamente, cria com suas mãos de cristais, uma longa espada de cristal e avança direto para a criatura.

— Shard, espere! Isso não vai adiantar. — Avisou Lockdown.

Porém, o aviso foi tarde, Tetrax golpeia a criatura no ombro esquerdo arrancando seu braço. No entanto, algo inesperado aconteceu. Uma massa metalizada coberta por um padrão familiar de linhas brancas, saiu daquele corpo mecânico e se aderiu ao braço arrancado, o colocando de volta no lugar como se nunca tivesse sido arrancado. Ao perceber o fenômeno, Tetrax logo deduziu do que se tratava.

— É um mechamorpho galvânico!

— Sim. — Confirmou Lockdown com sorriso perverso no rosto. — A melhor forma de proteger o artefato que todo cybertroniano anseia: Colocando um parasita de maquinas como cão de guarda. Os Broccoloides podiam dar conta dos terrestres, mas muito Decepticons voam. Então, este é o verdadeiro guardião.

— Meu nome é Antivirus. — Apresentou-se o guardião. — Fui encarregado pelo antigo chefe da resistência Autobot, Alpha Trion e a grande diplomata Galvaniana, Zennith para proteger a fonte da vida de Cybertron. Apenas um Prime tem permissão de passar por mim. Saiam daqui, ou serei obrigado a destruí-los.

— O que vamos fazer agora? — Perguntou Tetrax.

— Não se preocupe, petrosapiano. — Afirmou Lockdown. — Eu já estava esperava por isso. Por sorte, eu sou o bot certo para o serviço.

Um compartimento se abre no braço esquerdo de Lockdown e um pequeno canhão de dois tubos em formato de motor de carro emerge de seu braço. Rapidamente, ele mira em Antivirus e um potente pulso eletromagnético é liberado. Ao atingir o colosso, imediatamente ele sente uma enorme dor. A massa cibernética que controlava aquela carcaça sem vida começa a se revirar no lugar e aos poucos de desgrudar do resto. A massa escorre pelo chão árido e tenta retornar a sua forma primaria e quando ela enfim se separa de vez da carcaça robótica, a carcaça tomba no chão sem sinal de vida.

— Um gerador de Pulso Eletromagnético portátil? Onde conseguiu isso? — Questionou o petrosapiano surpreso.

— É um pequeno troféu meu que carrego comigo desde as antigas Guerra de Cybertron. — Respondeu Lockdown. — Por coincidência, eletromagnetismo é uma das fraquezas dos mechamorphos.

Lockdown deu um segundo disparo com seu gerador PEM em Antivirus só para mantê-lo no chão. O disparo fez ele sua estrutura metálica fluida ficar ainda mais instável e ele sentiu ainda mais dor.

— Venha. Vamos pegar o nosso prêmio. — Lembrou Lockdown.

Lockdown andou até o caixote que ficava bem ao lado do painel da ponte espacial e o abriu. Quando o caixote foi aberto uma luz brilhante e poderosa foi emitida. Tetrax aproximou-se também para ver o que era e viu de lá dentro do caixote um tipo de cristal grande em formato de dodecaedro. Dava pra senti seu imenso poder mesmo a distância.

— O que é essa coisa? — Indagou o Petrosapiano deslumbrado.

E Lockdown explicou:

— Lembra que eu disse que tinha uma conexão com o artefato? Em nosso mundo o chamamos de Allspark. Dizem que ele é fonte da vida do meu mundo e principal causa da guerra civil que se alastrou por ele. Além de sagrado tem um poder energético gigantesco capaz de reduzir um sistema solar inteiro a poeira cósmica. Se a Grande Autoridade das Diamantes usar esse poder, podem acabar com qualquer resistência em um piscar de olhos.

Inesperadamente, Lockdown sente algo agarrando seu pé. Era as mãos de Antivirus rastejando-se no chão como um animal. Após dois daqueles disparos potentes, seu corpo tornou-se instável e bem perto de perecer. No entanto, mesmo sem forças, ele tentou apelar ao caçador de recompensas.

— Por favor... — O mechamorpho implorou. — Não leve o Allspark. Você é um cybetroniano. Você era um Autobot, um defensor da vida. Se o allspark cair em mãos erradas pode ser o fim do seu povo... Não deixe isso acontecer.

Lockdown sorriu e gargalhou perante a humilhação do mechamorpho galvânico sentindo nada a não ser desprezo por tal apelo. Após gargalhar histericamente, ele olhou no olho de Antivirus e disse em tom de desprezo e ódio.

— Acha que eu me importo com eles? Acha que eu me importo com o meu povo? Esse mundo nunca me deu nada além de sofrimento. Eu luto por mim mesmo e isso já me basta. Não preciso de nada e nem de ninguém! — Ele discursou e em seguida deu um terceiro disparo em seu Gerador PEM e o pobre mechamorpho não resistiu, tornou-se uma massa metálica sem vida escorrendo pelo deserto.

Apesar da vida de Antivirus ter se esvaído, os sentimentos dele junto as palavras frias de Lockdown entraram na cabeça de Tetrax que testemunhou toda situação horrorizado e de boquiaberto. As palavras ditas por Lockdown, entraram em sua cabeça e ele imediatamente as reconheceu. “Não preciso de nada e nem de ninguém!” Ecoavam em sua mente enquanto sua respiração ficava acelerada. Eram as mesmas palavras que ele havia dito ao Ancião anos atrás antes atirar em seu peito friamente e roubar o cristal de Sugelite e dar ao Vilgax. Eram palavras que ele passou décadas fingindo que não havia as dito, mas ele disse. Ele olhou para suas mãos e viu que ainda estavam cheias das entranhas de cristal do homem que o criou como um filho. O petrosapiano percebeu que nada havia mudado nesses anos todos, ele estava cometendo o mesmo erro de antes.

Após matar Antivirus, Lockdown teve uma ideia interessante de usar a ponte espacial que estava a sua frente. Ele foi direto aos controles do painel central e começou a apertar uns botões.

— Sabe, meu colega de cristal, essa ponte espacial não está quebrada, apenas desativada. Eu acho que posso ativa-la e ai a usaremos para nos transportar e entregar pessoalmente o Allspark à Autoridade das Diamantes. — Após ativar a ponte, uma bola de energia azul emergia entres os dois pilares abrindo um portal interespacial. — Agora é só digitar as coordenadas e...

Espantosamente, o painel de controle na qual Lockdown digitava explode ao ser atingido por um disparo da pistola Blaster de Tetrax. Agora, o portal poderia levar a qualquer lugar do universo. Enquanto o Cybertroniano estava distraído, Tetrax pegou o Allspark e o arremessou dentro do portal. Quando Lockdown percebeu a traição do colega, entrou usar seu gancho arpão de sua mão esquerda para agarrar o artefato, mas foi em vão. O Allspark entrou no portal foi transportado para qualquer lugar do universo. Após o artefato entrar no portal, ouve uma sobrecarga que gerou uma implosão que destruiu toda a ponte espacial.

Lockdown fica chocado e furioso com tal traição. Ao percber que perdeu milhões em créditos, ele encara seu parceiro traidor com um olhar assassino e com sua voz grave e robótica berra:

— TEM IDEIA DO QUE FEZ?! Você jogou no lixo 10 bilhões em créditos! 10 BILHÕES!!

Tetrax o encarou de volta com um sorriso confiante e corajoso e lhe disse.

— É, eu sei. Mas, quer saber? Eu não ligo para grana. Cansei de fingir que tenho controle sobre minha vida. Eu cansei de fugir dos meus erros, do meu passado e da minha vida.

— Você me decepcionou, petrosapiano. Você mostrou que é fraco e acorrentado igual aos outros. Eu vou matar você e ganhar uns trocados com a sua carcaça.

Lockdown transformou sua mão direita em um cerrote elétrico e investiu em um ataque direto à Tetrax, que o bloqueou a tempo criando um escudo de cristal em sua mão direita, deixando os dois em um impasse temporário. Apesar de resistir, Tetrax sabia que seu adversário era maior e mais bem equipado que ele, logo pensou rápido em uma estratégia. Enquanto seu adversário estava distraído atacando com seu braço cerrote, usando sua mão livre, ele pega em seu cinto de equipamento três bombas de luz e as joga no ar. As pequenas bombas explodem e emitem um forte flash de luz que embaralha os receptores óticos (olhos) de Lockdown e o faz recuar por um instante. Tetrax aproveita o momento e molda seu mão esquerda de cristal esmeralda em uma marreta e ele, com toda a sua força, golpeia o cybetroniano com um ataque certeiro em seu queixo. Lockdown cai no chão desorientado e acaba desligando.

Os receptores óticos (olhos) e o seu processador (cérebro) são reativados e o caçador de recompensas de Cybertron vê o rosto de seu ex-parceiro de trabalho traidor a sua frente e tenta atacá-lo, porém percebe que seu corpo estava paralisado. Tetrax o prendeu em tipo de casulo feito dos mesmos cristais que seu corpo podia controlar e disparar o deixando imóvel como um estátua.

— Que bom que você acordou. Achei que tinha te matado. — Zombou Tetrax;.

— Vai me deixar vivo? — Questionou Lockdown — É prova de que você amoleceu. Você é como um escravo que implora para ser acorrentado e chicoteado. Nasceu para ser submisso aos outros e incapaz de controlar a própria vida.

— Chama isso de vida? Você e eu somos apenas sobreviventes. Sobreviver não é viver. Você acha que escolher nenhum caminho é mesmo que fazer seu próprio, mas não é. Você só escolheu fechar os seus olhos para os seus problemas.

— Mas, você também fez isso! — Lockdown o apontou.

— Sim, mas a diferença entre nós dois é que depois eu espiei e não consegui mais fechar os olhos desde então. Cansei de não fazer nada. Eu vou encontrar meu próprio caminho e vou começar garantindo que nunca mais, outro tirano como Vilgax ou as Diamantes tenham o que querem. Eu aprendi com os meus erros e vou concertá-los. — Discursou o Petrosapiano.

— Quando eu sair daqui, você será um petrosapiano morto! — Ameaçou Lockdown berrando. — Se não for pelas minhas mãos será pela Autoridade das Diamantes!

No entanto, Tetrax Shard não se deixou intimidar pelas ameaças de Lockdown.

— Elas não vão ficar sabendo do que aconteceu aqui. Acabei de ligar para os Encanadores entregando a sua localização. Você é um homem bem procurado sabia? Assim que sair daqui, vou dizer a elas que os Encanadores apareceram e que o artefato foi perdido no tiroteio. Quando você for preso vão acreditar na minha história. Já você, se der sorte, vão te mandar para uma prisão bem segura no anus da galáxia, isso se não for para o Nulificador. O pior que acontecerá comigo será que não irei receber nada, mas até ai, eu não queria receber nada mesmo.

(Trilha Sonora: Jorney of The Sorcerer — Eagles — https://youtu.be/wZdZKolMIl0 )

Após o seu discurso, o Petrosapiano deu as costas ao adversário derrotado e seguiu seu com seu caminho agora determinado por ele mesmo.

— Não pode fazer isso, Shard! — Berrou Lockdown ao seu parceiro traidor que se distanciava. — Você é igual a mim, só se esqueceu disso. Não da para voltar atrás, não a honra para ser recuperada!

— Eu sei. Mas, irei tentar mesmo assim. — Tetrax berrou de volta enquanto desaparecia no horizonte.

— Volte aqui, Shard! SHAAAAARD! — Berrou Lockdown escandalosamente, mas foi ignorado.

Satélite ZNX45892FH, 22hs terrestres depois.

De volta ao começo, Tetrax retornou ao bar em que estava no início desta curta aventura. Sentou no mesmo local de antes e encheu suas entranhas de cristal esmeralda de outra bebida forte, tentando aceitar que recusou 5 bilhões em créditos e que tomou a decisão certa.

— Eram 5 bilhões. 5 BILHÕES. — Murmurou ele bêbado.

— Então, você aprendeu? — Disse uma voz ao lado. Era o mesmo sujeito encapuzado que sentou ao lado dele antes. Agora, Tetrax percebe que não se tratava de um fantasma ou alguém da sua cabeça.

— Aprendi sim. —Afirmou Tetrax ao estranho.

— Bom saber. — Disse o encapuzado que retirou o seu manto e revelou sua verdadeira face. Era um galvaniano idoso usando bengala. Os galvanianos tinham aparências semelhantes a sapos, olhos verdes com pupilas retangulares e uma pele cinza escura. Eram pequenos, tinha 15 centímetros de altura, mas eram geniais e avançados. Na verdade, são uma das raças mais inteligentes do universo. E dentre esses pequenos gigantes, existia um que era o mais inteligente entre eles. Seu nome era Azmuth, o ser mais inteligente em três galáxias. E ali estava o próprio, sentando ao lado do petrosapiano.

— Azmuth? — Observou Tetrax chocado. — Achei que você estivesse morto, está a tantos séculos desaparecido...

— Tetrax Shard. É uma honra conhecê-lo pessoalmente. — Cumprimentou Azmuth. — Os boatos de minha morte foram exagerados...

— Então, tudo isso foi um teste seu? — Indagou Shard desconfiado.

— Não exatamente. Eu soube que a Amarelo das Diamantes estava atrás de um artefato e que iria pagar uma boa grana por ele e imaginei que você estaria na lista dela. Apostei com a minha assistente, Myaxx, que você iria completar o serviço até o fim, parece que eu me enganei. Devo dizer que fico feliz de ter perdido 100 créditos.

— O que você quer de mim? — Perguntou Tetrax querendo ir direto ao assunto.

— Eu assim como você, também já falhei e vidas foram perdidas. Hoje, eu busco redenção assim como você. Antes de eu desaparecer, eu criei um protótipo de dispositivo único, capaz de fazer com que seres vivos aprendam a sentir o que é estar na pele de outra forma de vida usando como base um banco de dados de DNA para preservar espécies que eu projetei no passado. Só que os boatos do meu dispositivo se espalharam rápido demais e alguns começaram a vê-lo como uma arma. Eu mandei o protótipo para ser escondido em um planeta distinto chamado Terra.

— Terra? Aquele lixo?

— Sim, mas existe um humano que pode protegê-lo para mim. O problema é que os boatos do dispositivo chegaram até um amigo em comum nosso.

— Vilgax. — Deduziu Tetrax.

— Precisamente. — Confirmou Azmuth. — Preciso de alguém para se infiltrar em seus caçadores de recompensa pessoais e que me ajude a proteger o dispositivo mesmo a distância. Você tem a confiança prévia de Vilgax por conta de seu passado, sua ajuda é mais que necessária.

— O que acontece se ele pegar o dispositivo?

— Vilgax irá usá-lo para criar o exército mais poderoso do universo. O que me diz, interessado?

Com a proposta de Azmuth dada, Tetrax parou para refletir um segundo e tomou sua decisão.

— Eu passei a minha vida inteira fugindo, sobrevivendo. Chegou a hora de tomar partido. Vou pegar a minha honra de volta. Eu topo!

E os dois trocaram sorrisos selando seu acordo. Para Tetrax, foi o fim de um círculo e início de outro. Uma nova jornada se iniciava agora onde ele buscaria a honra que perdeu e aprendendo a viver novamente. Naquela mesma noite, os fantasmas de Tetrax ainda não foram embora, mas, ficaram em silêncio por um tempo, o deixando ter alguns bons sonhos.

Notas finais
[ Dicionário de Referencias, Easter Eggs e Curiosidades ]
1) A ideia de Petrópia, planeta do Alien do Ben 10 Diamante, sofrer uma guerra civil foi tirada do reboot do desenho de 2016.
2) Os antrosapienos, são uma raça de seres colossais de Petropia, também apresentados no reboot de 2016
3) Sugelite é um cristalsapien, da raça do Alien do Ben 10 Cromático. Em Força Alienígena é revelado que Cromático é uma amostra de DNA de Sugelite, o guardião de Petrópia, planeta do Diamante e era o único capaz de ressuscitar o planeta através de um cristal sagrado que Vilgax usava como arma.
4) O barman que era um cérebro com olhos e tentáculos é um dos aliens da série Coragem, O cão Covarde que aparecem no episódio “Car Broke, Phone Yes” (S2, Ep10 parte 1)
5) Os que jogavam cartas com Magnanimous eram: a Galinha do Espaço do desenho Coragem, o Cão Covarde que apareceu no episódio piloto do desenho; um pyronita, espécie do alien do Ben 10, Chama e um appoplexiano da espécie do alien Rath/Irado.
6) Nemunimos IV é o planeta do Alien do Ben 10 Pesky Dusk, que parece uma fada e pode fazer os outros dormirem e controlar seus sonhos.
7) Magnanimus é um dos antagonista da série Megas XLR. Sua aparência é inspirado no vilão Modok na Marvel. Na série, ele era dono da Federação de Campeonato de Combate Galáctico um tipo de ringue de box de robôs gigantes.
8) Gluto é piloto da aeronave de Tetrax, foi apresentado em Segredo do Omnitrix.
9) Amarelo é uma das membros da Grande Autoridade Diamante que governo o planeta das Gem e são antagonista do desenho Steven Universe.
10) Lockdown é um dos vilões da série Transformers Animated. Ele é um caçador de recompensas que não tem lado na Guerra Civil de Cybertron, age puramente por dinheiro e troféus.
11) Vilgax é principal antagonista da série Ben 10. Foi para ele que Tetrax vendeu o cristal que poderia destruir planetas.
12) Os broccoloides são vilões terciários parecidos com legumes do desenho “As Meninas Superpoderosas” que aparecem no episódio”Beat Your Greens” (S2, episódio 5-A). No desenho, eles são derrotados pelas crianças comendo eles. Aqui eles foram adaptados para uma espécie de exército artificial para guerra que dispare corrosivos.
13) Tetramandos são a espécie do Alien Quatro Braços. Em Ben 10 Omniverse é revelado que essa espécie é mestre em construir carros caros e inquebráveis. Lockdown usou como base um modelo desses carros para criar a sua forma veículo.
14) Antivirus é um personagem original, mas ele é espécie Mechamorpho Galvânico, mesma raça do Alien Ultra T. No original, Ultra T se chama “Upgrade” e por isso vários personagens receberam nomes relacionados a computador como “Glith” do reboot de 2016, e “Malware” vilão de Omniverse. Seguindo essa onda, eu batizei ele de Antivirus, pois a missão era proteger o artefato de invasores. Ele foi encarregado por Alpha Trion, um dos chefes do Autobots e Zenneth, uma alien da raça do massa cinzenta, ex-namorada de Azmuth para proteger o tal artefato. Diferente da maioria dos Mechamorphos que tem linhas verdes, ele tem linhas brancas.
15) O Gerador de Pulso Eletromagnético é uma ferramenta médica roubada por Lockdown do Autobot Ratchet que ele transformou em arma na série Transformers Animated.
16) Allspark é fonte de energia responsável por dar vida ao cybetronianos. O conceito surgiu no cinema, mas apareceu na série Transformers Animated. Aqui ele não é cubo e sim dodecaedro.
17) Encanadores são uma força militar interplanetária de paz e justiça que aparecem regularmente em Ben 10.
18) Azmuth é criador de Omnitrix, dispositivo que transforma Ben 10 em seus aliens. Ele é galvaniano, da raça do Massa Cinzenta.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!