CN Beyond: O Humano

2 Capítulo 2 - O menino que matou o Urso-Demônio.


Notas iniciais
Olá leitores! Aqui estou com mais um capitulo desta fanfic. Este será um pouco maior que o anterior e será bem mais dramático. Esse episódio volta na linha do tempo se passando dez anos antes dos eventos do anterior. Talvez alguns se decepcionem com as mudanças que eu fiz nos personagens nesse universo, especialmente ao povo doce. Mas eu gostaria que dar uma atmosfera "mitológica" na coisa além do CNB sempre dar um visão "real".

(TRILHA SONORA COMPLETA)

Os ventos fortes e congelantes do inverno das aventuradas Terras de Ooo sopravam a neve e tornavam o solo e a grama esbranquiçados, além de empurrar uma nevoa que cegava todas as vistas e paisagens. A natureza estava alertando sobre a presença da morte a quem ousasse sair de casa naquele dia. Todavia, nem mesmo o pior temporal de frio e morte, não desmotivava uma pequena horda de guerreiros que cruzavam os pastos rumo a uma pequena vila que necessitava urgentemente de socorro. Eram dezenove homens vestidos de armaduras amarelas empunhando lanças enquanto cavalgavam pela neve em seus cavalos cobertos de couro. Tais homens valentes eram liderados por uma mulher; Não uma mulher qualquer, mas, uma bela e sábia princesa. Seu nome era Bonnibel, nascida com uma inteligência comparável a sua enorme generosidade, dotada de cabelos e pele cor-de-rosa por ser ela uma elemental da terra e adquirir a essência do morango. Era a líder suprema do Reino do Norte, povoado por tais criaturas estranhas desde séculos atrás. Mais cedo, ela recebeu um pedido de socorro da vila dos Homens-Cães que estava sendo atacada por uma fera demoníaca. Em seu reino não havia tantos guerreiros, sendo o maior deles, sua própria majestade. Sempre altruísta e cheia de compaixão, ela abandonou seus deveres rotineiros do trono para ela mesma arriscar sua vida matando a besta.

(trilha sonora: Hiroyuki Sawano — Vogel im Kafig )

Depois de mais de meia-hora cavalgando enfrentando os poderes da natureza, eles finalmente alcançaram o seu objetivo. A nevoa recuou um pouco permitindo a Princesa Bonnibel enxergar os vultos de luzes que marcavam a tal vila. Quando cruzou as casas dos Homens-Cães, escutou um ensurdecedor silencio. Definitivamente, não era um silencio de paz e sim de morte. Quanto mais à frente da vila ela ia, mais reparava nos sinais de uma chacina recente: O sangue quente derramado sobre o branco do gelo, membros decepados escondidos sobre a nave, e armas espalhadas por todos os lugares. Horrorizada, ela retira seu elmo da cabeça, deixando seus belos cabelos rosados sobre o vento para poder ver melhor, pois era incapaz de acreditar em tantos sinais de tamanha crueldade. A princesa desceu de seu cavalo e orientou seus guardas valentes fazerem os mesmo. Ela tirou espada de sua bainha e ficou em posição de alerta esperando algum sinal da besta, mas, tudo que recebia era mais silencio, silencio de morte.

Notou que a neve parou cair e o vento descansou de seu sopro violento, o que permitiu ela ver tudo com clareza. Ela viu vultos e escutou múrmuros, mas, não era da besta. Era dos próprios moradores da vila que choravam escondidos pelas mortes de seus entes queridos. Eram esposas, mães e filhos chorando em cima do que restou de seus pais e maridos. Foi um verdadeiro massacre.

— Onde está a fera, minha senhora. — Perguntou a princesa para uma senhora que segurava a cabeça de seu próprio filho. Ela não respondeu com palavras, apenas apontou para a parte central vila.

Bonnibel seguiu andando calmamente até a parte central da vila e surpreendeu-se ao não ver nada a não ser uma figura ajoelhada sobre o chão gelado. Não era o monstro, era pequeno demais para isso. Era um garoto, não um garoto-cão, mas, um garoto humano. Ela chocou-se ao ver o menino, pois Bonnibel nem se lembrava quando foi última vez que viu uma criança de tal raça que acreditava estar extinta desse mundo. Ela abaixou sua espada e aproximou-se do jovem rapazinho que parecia perdido.

—Ei, garoto! — Gritou ela. — Você está bem?

O menino não respondeu. Continuou calado olhando para o chão de joelhos sobre a neve. A princesa aproximou-se mais dele e então, notou algo que a deixou perplexa, ela não acreditou em seus olhos. Em frente ao menino estava um cadáver, um corpo enorme caído no chão. Era a tal fera que atacou a vila e já estava tão fria quanto o gelo. Não notou antes pois a criatura era um urso pular gigante, com pelos tão brancos que se camuflavam a nave. Ela notou sangue nas garras da besta que eram do tamanho de uma espada e tão afiados quanto uma de verdade. A criatura estava com uma adaga enfiada em seu olhou, provavelmente, foi isso que lhe tirou a vida. Era o lugar perfeito para matar a besta, pois, os ursos-demônio polares eram conhecidos por seu pelo impenetrável e resistente ao frio e ao calor. Todavia, quem foi o sortudo que teve tal proeza? Seria esse menino? “Não é possível!” Ela negou em seus pensamentos, no entanto, todos os fatos apontavam para essa verdade. O menino tinha sangue em suas mãos e em sua camisa azul. Ele estava com respiração acelerada como quem fez um enorme esforço ou teve um ataque de raiva. Talvez ambos.

— Garoto, onde está a sua família? — Perguntou Bonnibel.

O menino que continuou de cabeça baixa, com seu cabelo loiro cobrindo seus olhos agoniados respondeu com um voz baixa e roca.

— Ele os matou. — Não muito tempo depois ele repetiu a resposta elevando o tom de sua voz deixando transparecer seus sofrimento.

— Ele os matou! Ele os matou!

Princesa notou as lagrimas em sua bochecha que era um tom de rosa diferente do que ela estava acostumada. Não havia dúvidas de que era um menino humano e que foi ele que matou a besta. Ao testemunhar tanto sofrimento, Bonnibel também caiu em lagrimas e sentiu imediatamente o peso da culpa sobre seus ombros. Se ela e seus guardas tivessem chegado alguns instantes antes, teriam salvo mais pessoas. Talvez, a família desse menino estivesse viva ainda. A bela princesa ajoelhou ao lado do menino e lhe deu um abraço de consolo. Ela sentiu seu corpo gelado pelo frio e as vibrações de seu coração batendo forte enquanto rapazinho sentiu o conforto do calor reconfortante sua majestade. Inicialmente, o menino apenas gritou e se debruçou no lugar não conseguindo conter sua dor. Todavia, aos poucos ao abraço consolador da princesa o confortava. Para ele, esse abraço, era como abraço de seu pai. Quando o menino acalmou-se, a princesa aproximou-se de seus ouvidos e perguntou suavemente:

—Qual seu nome, rapazinho?

— Finn. — Ele respondeu.

— Quantos anos você tem? — Ela continuou.

— 12.

— Você foi muito corajoso, jovem Finn. — Elogiou a princesa. — Não precisa mais ter medo. Está tudo bem agora.

A princesa ergueu-se e ajudou o jovem Finn a se levantar. Em seguida, ela lhe entrega a capa de sua armadura com intuito de ajudar a aquece-lo enquanto a moça expressava um gentil sorriso. Ela olhou nos olhos do menino e viu sua inocência, uma inocência ferida, mas, ainda presente. Percebeu na hora a donzela rosada que estava diante de alguém de coração puro.

— Majestade. — Convocou um dos guardas da princesa que carregava em suas costas um dos homens feridos pela fera. — Achamos um sobrevivente. É um homem-cão adulto. Ele está vivo, mas, está muito ferido, precisa de cuidados médicos.

—Jake! — Gritou Finn ao reconhecer de imediato o guerreiro que o guarda segurava em seus ombros e depois correu até ele. — É o meu irmão!

Após ter enfrentando a fera cara a cara, Jake teve seu peito ferido por um dos arranhões letais do demônio peludo. O cão perdera muito sangue e frio ainda diminuía suas chances de sobreviver.

— Fi...Finn! — Murmurou o Cão que quase não tinha mais ar em seus pulmões.

O jovem humano olhou para princesa com olhar de suplicação e implorou para ela ajudar seu único irmão.

— Ajude-o, princesa. Por favor!

Bonnibel colocou a mão nos ombros do rapaz e olhou novamente em seus olhos para que ele percebesse o poder de sua palavra. — Não se preocupe. Eu vou ajuda-lo. Guardas, encontraram mais alguém ferido?

— A maioria dos moradores teve apenas ferimentos leves pois esconderam-se da fera. — Respondeu o fiel soldado. — Esse cão é o único que enfrentou a fera que ainda permanece vivo, o resto ela matou a todos.

— Entendo. Nove de vocês virão comigo de volta ao reino, lá em nossa enfermaria daremos um jeito de salvar esse bravo guerreiro. O resto ficará aqui e dará a devida assistência a essas pobre almas aflitas.

— Como queira, vossa majestade.

A Princesa Bonnibel e seus guardas retornaram para seus cavalos. O guarda mais alto e forte amarrou Jake em suas costas usando corda comum e foi a cavalgar com urgência. Finn, o menino humano, acomodou-se na retaguarda da montaria agarrando-se com força na Princesa que guiava o cavalo. Então, acrescentando a Princesa e os dois resgatados, foram doze que partiram da vila rumo ao Reino do Norte. No caminho, o Finn finalmente permitiu-se sentir um pouco de exaustão depois de seu recente surto de adrenalina. Depois de tudo que passou, o que ele mais queria era desmaiar e o faria bem ali nas costas de uma Realeza enquanto cavalgava enfrentando os ventos gelados e mortais do inverno de Ooo, pois, mesmo em meio a tanta tragédia, em meio a tanto perigo iminente, o pequeno humano sentia-se seguro. Logo, ele adormeceu.

Durma bem, Finn.

Notas finais
[ Dicionário de Referencias e Easter Eggs ] 1) Os guardas de amara amarelo são uma alusão aos guardas bananas do reino doce. 2) As criaturas doces do desenho foram adaptadas nesse universo como sendo elementais da Terra. Adquirindo em sua aparência, partes de comidas e outros frutos da Terra. 3) O Reino do Norte é o equivalente ao Reino Doce. Aqui o Reino Doce será um apelido. 4) Neste capitulo nós descobrimos como os pais de Finn e Jake foram mortos.