CINZAS E BRUMAS
23 LUZ E TREVAS
Após a dupla se posicionar para o combate, Sike eleva a voz, o tom carregado de um deboche perigoso:
— Ei! Vamos acabar logo com isso. Ou vão querer que eu queime a floresta toda com vocês nela?
O silêncio da mata é quebrado pelo som de passos pesados. Das sombras, emergem três assassinos de elite e, logo atrás deles, um homem com os braços envoltos em faixas e o uniforme negro do Império de Rôga. Ele caminha com uma tranquilidade perturbadora.
— Excelente! Então este é o famigerado prodígio — diz o homem, a voz calma. — Sabe, quando você escapou do Império, ninguém sabia dizer como isso tinha acontecido. Mas agora, com o ex-mestre cavaleiro ao seu lado, eu tenho um bom palpite. Mais um item na sua lista de traições, senhor Dickson.
John não se abala, a mão firme no punho da espada.
— É mesmo? Fico feliz de estar preenchendo cada item dessa lista.
Sike, impaciente, interrompe:
— E quem seria você?
— Opa, me desculpem a falta de educação. Meu nome é Tamuth, e recentemente me tornei um mago.
Sike estaca, os olhos arregalados de surpresa.
— O que você disse? Você não se torna um mago, você nasce como um!
John interrompe o amigo rapidamente, os sentidos em alerta máximo.
— Ele não está mentindo, Sike. Consigo sentir o cheiro de mana nele, mas é... diferente. É estranho.
Tamuth abre um sorriso satisfeito.
— Eu admito que ainda não me acostumei totalmente, mas a sensação... é fantástica! E vocês serão os primeiros a testar isso. Irei capturar o prodígio e matar John Dickson!
O clima tenso pesa sobre o campo. O barulho das árvores balançando preenche o silêncio até que um galho quebra e atinge o chão. Nesse milésimo de segundo, John ruge:
— Venham!
Os assassinos saltam com uma velocidade sobre-humana na direção de John. O mestre cavaleiro se move como um borrão; ele desvia do primeiro ataque e chuta o segundo assassino, lançando-o para longe. Um terceiro surge ao seu lado, tentando esfaqueá-lo em um ponto cego, mas John defende o golpe com a lâmina da espada, o som do metal colidindo ecoa pela floresta.
Ao ver adagas sendo arremessadas em sua direção, John agarra o assassino que o enfrentava de perto e o usa como escudo humano. O homem grita ao ser atingido pelas próprias armas do aliado. John o descarta no chão e suspira, limpando o suor da testa.
— Ah... realmente, Luces não faz a menor ideia do que está fazendo enviando amadores.
Os assassinos restantes recuam, ofegantes e intimidados pela diferença abismal de habilidades. Tamuth, no entanto, permanece com uma aura relaxada.
Sike dá um passo à frente, as mãos começando a brilhar com o calor do fogo.
— Então, Tamu-alguma-coisa... você luta ou só faz pose?
— Venha descobrir, prodígio — desafia Tamuth.
Sike inicia uma sequência veloz de ataques de fogo, disparando esferas de chamas que iluminam a penumbra. Tamuth se esquiva de cada golpe sem demonstrar qualquer dificuldade. Em seguida, Sike projeta várias estacas de gelo acima do oponente e as desce violentamente, fazendo a temperatura do ambiente despencar.
A névoa se dissipa, mas Tamuth não está lá. Ele aparece subitamente do outro lado do campo, ileso.
— O quê? Como você fez isso? — Sike bufa, o suor escorrendo pelo rosto.
— Já lhe disse, prodígio: eu também sou um mago.
— Não me faça rir! — rebate Sike. — Até agora eu não vi fogo e nem gelo vindo de você!
Tamuth ri, uma gargalhada fria que gela o sangue de Sike.
— É mesmo? E que tal... LUZ!
Em um movimento súbito, Tamuth projeta vários feixes de energia ofuscantes em direção a Sike. O garoto, cujos olhos se arregalam ao ver a magia que ele tanto tentou despertar sendo usada por um inimigo, só tem tempo de murmurar antes do impacto:
— Luz?...
Enquanto isso, no Coração do Império...
A cena corta bruscamente para os corredores frios do palácio em Rôga. Vince Elanter sobe as escadarias de pedra, seus passos ecoando com autoridade até parar diante de uma porta de carvalho maciço. Ele respira fundo e bate com delicadeza.
— Beatrice... posso entrar?
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