CINZAS E BRUMAS
10 LEIS E SEGREDO
No grande salão de Drake, um mensageiro ofegante prostrou-se diante do trono e anunciou:
- Senhor, viemos comunicar que o Imperador de Ludí, Tyron Rubrê, veio a falecer.
O Rei Mahuma III, de olhar cinzento e desinteressado, mal moveu um músculo.
- Então o velho Tyron finalmente sucumbiu... — comentou, com a voz gélida.
- Em seu lugar, subirá ao trono o príncipe Luces Rubrê — continuou o mensageiro.
O Rei franziu o cenho, visivelmente decepcionado.
- Ah... o príncipe arrogante e prepotente. Que lástima. As negociações de suprimentos ficarão extremamente irritantes de agora em diante.
Enquanto a política fervilhava no castelo, o silêncio imperava na gruta árida. Mirabel ouvia Lifiz com os olhos brilhando.
- Ah... como eu queria visitar Kidma — suspirou a princesa. — Realmente parece um lugar mágico.
Lifiz soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
- Magia? Não, princesa, isso é coisa dos humanos do Império! O que temos é trabalho, pesquisa e ciência. A floresta nos presenteou com nossas terras, e nossas terras nos presentearam com o Aetherium. Com ele, a manipulação do Tok tornou-se a alma de Vilini. Os humanos mais disciplinados podem até ser bons manipuladores de magia, mas enquanto eles brincam com fogo nas mãos, nós construímos o futuro e melhoramos o mundo para as próximas gerações.
Fascinada, Mirabel inclinou-se para frente.
- Lifiz... eu poderia aprender a manipular o Tok?
O elfo parou o que estava fazendo, surpreso.
- Ora, o que a princesa do reino brutal de Mahuma iria querer com isso? Você já deve possuir muito poder por linhagem, não? — Ele riu, mas parou ao ver a expressão dela.
Mirabel murchou, baixando o tom de voz:
- Eu não tenho poder, Lifiz. Não tenho força e, por muitas vezes, sinto que não tenho nem nobreza. Só moro em um castelo porque nasci filha do rei. Se eu tivesse vindo de qualquer outro lugar, nunca poderia sequer pisar em Mahuma. Eu pensava que... se ao menos pudesse manipular o Tok, eu poderia ser útil para meu reino. Para meu pai e minha irmã.
Lifiz observou o desânimo genuíno da princesa. O silêncio na gruta tornou-se pesado.
- Princesa, eu lhe devo minha vida — disse ele, seriamente. — Mesmo eu sendo um estrangeiro em terras restritas, você me escondeu e me trouxe alimento. A única forma que tenho de pagar é contando histórias da minha terra. Por esse motivo, não posso lhe ensinar. Em Drake, o Tok é visto como símbolo de fraqueza e algo proibido. Se aprender a usá-lo, mesmo sendo princesa, você não escaparia das consequências.
Mirabel baixou a cabeça, sentindo o peso da realidade.
- Eu sei... Como diz o rei, a lei é absoluta.
Lifiz sentiu um aperto no peito por dizer a verdade amarga. Para animá-la, tateou sua bolsa e retirou um objeto.
- Ei, não fique assim! Tome isso.
Era um pingente. No centro, brilhava uma pequena pedra azulada de Aetherium bruto. Mirabel olhou maravilhada, as pontas dos dedos roçando o cristal frio.
- É lindo...
- Certo, mas não o deixe à mostra — alertou o elfo. — Caso contrário, ele trará perguntas indesejadas que nenhum de nós quer responder.
Com um sorriso radiante, a princesa guardou o presente.
- Entendi. Obrigada, Lifiz!
O momento de paz, porém, foi interrompido pelo som de trombetas ecoando da capital. Carruagens e homens de guerra retornavam aos portões, trazendo as cicatrizes da batalha. À frente deles, estava o General Ron. A guerra contra
Vilini, a terra dos elfos, havia começado oficialmente.
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