C.H.A.O.S - A origem
2 Começo de uma era de trevas...
Era muito cedo quando nuvens negras começaram a cobrir Raikra.
Pensávamos que não passava de uma tempestade, mas não havia preocupação. Nossos guerreiros haviam retornado da guerra e meu pai parecia mais feliz do que o normal. Seus olhos brilhavam enquanto descrevia um longo relatório da guerra.
Um relatório positivo.
Parecia que a guerra estava no fim. Finalmente. Ninguém mais teria de morrer. Ninguém mais teria que chorar seus mortos.
Estávamos todos unidos. Eu, mamãe, papai, todos os soldados que retornaram e suas famílias. Era um grande banquete. Dança. Música. Lendas. Até que uma luz cortou o céu e atingiu o solo, fazendo um estrondo assustador.
Os mais velhos clamavam que era o fim do mundo.
Os soldados logo tomaram suas posições de batalha, acreditando que se tratava de um ataque surpresa do inimigo.
E eles tinham razão. Porem era pior do que qualquer um de nós poderia imaginar.
Enquanto isso, eu ajudava mamãe e outras mulheres, crianças e idosos a se esconderem em um lugar seguro, embora naquele momento não existisse nenhum.
A luz era uma bola de fogo. Uma imensa bola de fogo. Surpreendente. Mas, não tanto quanto sua origem. E, diante de milhares de olhares incrédulos, maravilhados e assustados, ele surgiu. Uma criatura vinda dos sonhos ou pesadelos.
Um dragão.
Uma criatura majestosa. Parecia que era coberto por diamantes. E seus olhos pareciam brasas acesas. Naquele momento eu não resisti e sai do esconderijo para admirar aquele ser e, por um instante foi como se seus olhos se encontrassem com os meus.
Nesse instante eu não senti medo, mas parecia que uma enorme angústia surgia dentro de mim. E lágrimas saltaram dos meus olhos.
Não sei por quanto tempo fiquei assim, mas quando dei por mim, minha mãe me puxava pelo braço para que fugíssemos.
O esconderijo de outrora já não existia. Só então que eu percebi que os soldados inimigos estavam atacando. Hergol estava lá em pessoa. Mas como um dragão poderia estar sobre controle de um humano?
Aliás, dragões nem deveriam existir.
Durante a fuga, eu, mamãe e quem mais estava conosco fomos surpreendidos por uma das tropas inimigas. Nosso grupo consistia de mulheres, crianças e idosos. Não tínhamos com lutar. E aquele grupo hostil deixava claro que não haveria misericórdia.
O líder da tropa começou a nos olhar de forma assustadora. Sendo capturados pelo exercito inimigo, nossos destinos limitavam-se a virar escravos, ser violentados ou mortos. Que bela perspectiva...
Então, com um anjo guerreiro que caiu do céu, meu pai surgiu. Parecia um daqueles heróis lendários que surgem na hora exata e salvam todos. O poderoso rei Valdir.
Meu pai dizimou em poucos segundos a tropa inimiga. Era como um leão. Foi épico. Porém, mais tropas inimigas estavam se concentrando naquele local e ganhavam em número dos nossos.Meu pai era fantástico, mas só um milagre poderia fazê-lo vencer.
E ele não aconteceu.
Hergol então gritou que era hora de ele e meu pai terem o duelo definitivo e que nenhum dos soldados poderia intrometer-se, ou seria morto. Meu pai logicamente aceitou. Afinal, matar o líder do exercito inimigo é fundamental numa batalha, pois desencoraja e desorganiza as tropas. Quem vencesse teria a total vantagem. Eu tinha quase certeza que ele venceria. Era mais habilidoso, mais forte e até mais alto.
Em um ataque feroz, meu pai deixava nitidamente o inimigo desconcertado. Vários golpes atingiram Hergol e ele sangrava muito. Eu perguntava-me por que ele não se rendia. Até que, ele mostrou que guardava uma carta na manga.
Passou a contorcer-se no chão, parecia que agonizava... Meu pai até já dava a vitória como certa. Porém, algo assustador começou a acontecer. Hergol estava aumentando de tamanho drasticamente...
Sua pele ficou escarlate... Seus olhos, similares aos do dragão... E dois chifres apareceram na sua cabeça... Hergol não era mais humano... Era um monstro terrível!
Com apenas um golpe, seu punho transpassou o corpo de meu pai...
Era uma visão de horror...
Meu herói estava derrotado...
Hergol então se afastou e começou a gritar vitória com seus soldados. Parecia um rugido... Nesse instante, quase que instintivamente, eu e mamãe corremos até o corpo de meu pai... O suficiente para ouvir suas últimas palavras:
– Sejam fortes... Eu amo vocês... Sempre lutei por um mundo melhor para vocês... Para todos... Não percam as esperanças e... Lutem por isso também... E, embora não possam mais ver-me... Embora não possam mais sentir-me... Eu estarei presente na menor demonstração de coragem... Na menor demonstração de justiça... Na menor demonstração de amor... E pulsarei vitorioso junto ao coração dos heróis...
Morreu.
Ele morreu. Ali, no meio daquele caos. Eu chorei como nunca na minha vida.
Como ter esperança se o meu grande herói estava morto? O que seria de todos nós? Como eu, alguém que nunca segurou uma espada na vida pode lutar? As únicas certezas que eu tinha eram meu ódio por aquele monstro e que aquilo era só o começo...
O começo de algo terrível...
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