Notas iniciais
"[...]estou quase subindo pelas paredes com essa espera pela luta de Akio.[...]" - Luana Nascimento. Capítulo 4. "Quero Akio usando essas katanas pra ontem u.u" - Luana Nascimento. Capítulo 5. "[...]Mas quero Akio e suas katanas!" u.u - Luana Nascimento. Capítulo 6. "ESPERANDO A LUTA DE AKIO, PORRA o/" - Luana Nascimento. Capítulo 7. HOHOHO! FELIZ NATAL ATRASADO! Então Lu. Esse capítulo é dedicado a vc que é uma ótima amiga, excelente autora e leitora muito sagaz. Minha ideia original era dar esse capítulo "adiantado" de presente de natal, mas nem rolou. Isso pq o documento total ficou com 9 páginas no word, mas eu só tinha 3 folhas escritas até a manhã do dia 25. Passei o dia praticamente inteiro escrevendo, mas mesmo assim... Só terminei depois de 1h da madrugada =/ Então não postei o capítulo como tinha pensado, e tem 3 motivos pra isso: 1 - Não era mais natal. Perdeu um pouco a graça. 2 - Eu não dei pra ninguem ler e dizer oq achou. 3 - Eu mesmo só reli uma única vez. Por isso preferi deixar quieto pra garantir que não ia te dar um negócio bizarro. Ia deixar pra postar normalmente (próxima semana), mas aí vc veio com aquela divulgação super dahora no grupo do nyah no face, e eu fiquei tipo... OMG, ELA LEMBROU DE MIM Então tipo... Vc merece. Como é seu capítulo, vc tem que apontar todos os erros que achar! Assim a gente pode deixar ele joinha de verdade ^^ Esse eu reli pouco (só umas 5 vezes), então pode ter escapado um erro ou outro. OBS 1 - Eu contei isso tudo pra Vanessa (minha namorada, pra o povo que tá boiando) no dia 25, e ela tá com ciúme, viu? kkkkkk Agora tenho que escrever uma trilogia pra ela. OBS 2 - Ainda não te perdoei por... Aquilo. #LutoCavalo

Os quatro amigos se acomodaram em um novo lugar nas arquibancadas. Como sabiam que Ishida poderia acordar a qualquer momento, desejavam ficar tão próximos quanto fosse possível de sua cama improvisada.

Trocaram algumas palavras enquanto a arena era preparada, até que por fim Yuri Ziberman fez o seu anúncio. Era chegada a hora do sexto grupo batalhar: o grupo de Akio.

O homem se levantou e apanhou sua belíssima katana, prendendo-a firmemente na lateral esquerda do quadril. Olhou para seus amigos e depois encarou a arena. Sentiu-se pronto para enfrentar o seu destino.

– Mostre a eles do que você é feito! – Disse Arthur.

– Tome cuidado. – Advertiu Sortudo.

– Não se esqueça de respirar. – Recomendou Selena.

– Respirar? – Akio não entendeu o conselho.

– Sim. Isso é algo que meu mestre repetia com certa frequência. Quando estamos sentindo medo ou raiva, torna-se fácil perder o controle. O que quero dizer é: mantenha o espírito calmo. Seja como um lago cristalino.

– Agora compreendo. Seu mestre é um homem sábio.

Selena assentiu com a cabeça e Akio se virou, começando a caminhar. Atrás de si, ele ouviu uma discussão se iniciando entre Arthur e a mulher.

– Um lago cristalino. Que bela metáfora.

– Obrigada.

– Especialmente quando vem de uma pessoa nervosa como você. – Começou a rir.

– Não sou nervosa! – Falou enquanto erguia o punho fechado, ameaçando Arthur.

– Claro, o que você quiser! Só por favor, não me machuque! – Foi o que o homem respondeu, simulando medo para brincar com a moça.

Selena deu um soco no braço de Arthur, obviamente controlando sua força. Ainda assim, o homem soltou um grito de dor e começou a reclamar, pedindo a ajuda do amigo. Sortudo apenas gargalhava, divertindo-se com aquela cena.

No caminho até a arena, Akio foi interrompido por um gigantesco homem careca que ele logo reconheceu. Era Bill, o taberneiro. Cumprimentou-o polidamente e preparou-se para seguir seu trajeto, mas foi novamente interrompido.

– Você viu o que acontece com as pessoas que sobem ali. – Disse Bill, preocupado.

– Sim.

– É perigoso.

– Eu sei.

– Garoto... Você quer mesmo fazer isso?

– Eu preciso.

O taberneiro ficou calado. Quaisquer que fossem as razões de Akio, eram mais fortes do que sua argumentação. Ele percebeu que não conseguiria desviar o seu amigo daquele caminho tão perigoso, então decidiu que iria apoiá-lo.

– Se você sobreviver... A cerveja é por minha conta. – Seu sorriso estava ocultando a grande preocupação que o aflingia.

Akio sorriu de volta, aceitando a oferta. E assim se despediram, tristes demais para falar qualquer coisa.

– Eu não vou morrer, Bill. – Disse o guerreiro para si mesmo.

Faltavam cinco minutos para o início do combate. Já na arena, Akio observou seus oponentes se aproximando e isso provocou nele um estranho sentimento culpa. Ele não conseguia enxergar aqueles homens como inimigos.

Uma série de dúvidas começaram a lhe perturbar. Será que eles eram realmente pessoas ruins? Que mal haviam feito? Mereciam mesmo morrer? Se lutar por dinheiro não fazia sentido algum, por que ele estava fazendo tal coisa?

Foi quando uma voz que não era a dele falou algo em sua mente. Masculina, era grave e muito bonita. Ela disse as seguintes palavras.

Seja honrado. Lute somente pelos motivos certos. Nunca desista dos seus ideais.

Aquela mensagem acalmou o coração inquieto de Akio. Ele sentiu-se muito mais tranquilo e suas dúvidas pouco a pouco começaram a se esvair.

Ele sabia que não era motivado pela ganância. Refletindo com cuidado, concluiu que os seus objetivos eram nobres. O dinheiro oferecido como prêmio era necessário para que ele pudesse viajar as longas distâncias que precisaria percorrer para cumprir a sua missão. Deveria encontrar o homem que vive nas sombras e combater o grande mal que ameaçava o continente. Não era uma tarefa simples.

Apesar disso, Akio não acreditava que os fins justificavam os meios. Prometeu para si mesmo que não tiraria a vida de ninguém naquele evento. Estava seguro de que os poderes especiais de sua katana iriam ajudá-lo a manter essa promessa.

Aquela voz misteriosa, tão tranquila e confortadora, tinha sido de grande ajuda. Ele expressou sua gratidão com uma frase que saiu de sua boca de maneira inconsciente.

– Obrigado, pai.

Akio se espantou. Finalmente conseguia lembrar alguma coisa do seu passado.

Já que a voz do seu pai permanecia nítida em sua mente, tentou extrair o máximo de informação possível daquela tímida lembrança. Alguns segundos depois, e somente com grande esforço, foi lembrando gradativamente da aparência de seu genitor.

Pele branca. Cabelos negros. Olhos puxados de cor castanha. Barba rala. Sim, aquele sem dúvida era seu pai. Akio contemplou seu rosto sorridente e familiar e experimentou uma felicidade que não sentia a muito tempo. Era como rever um parente querido que voltava para casa depois de uma longa e sofrida ausência.

Sua alegria, no entanto, durou pouco. A cena rapidamente começou a se alterar. Ele passou a sentir-se tonto enquanto tudo à sua volta desaparecia inexplicavelmente. A imagem amigável do rosto de seu pai sumia pouco a pouco, assim como o restante do ambiente, deixando o aflito guerreiro sozinho no escuro.

A última coisa que ouviu – como se fosse um eco distante – foi o aviso de Yuri Ziberman de que faltavam três minutos para o inicio de sua luta. Depois disso, houve o mais absoluto silêncio.

Quando Akio voltou a si, não estava mais na arena. Se encontrava parado de pé na humilde sala de estar de um casebre feito de madeira. Em outro cômodo, escutou seus pais discutindo. A mãe tentava controlar o choro enquanto seu parceiro a confortava com uma voz calma e palavras doces. Era fácil perceber que o homem se sentia profundamente incomodado ao ver sua esposa sofrendo tanto.

– Azumi, você sabe que não tenho escolha. Eles nunca vão parar de nos perseguir, já que sou um renegado. Tenho que acabar com isso de uma vez por todas. Me desculpe.

A mulher se acalmou um pouco. Ela presenciou os esforços desesperados de seu marido durante todos aqueles anos para proteger sua família, sabia que só por causa deles ele faria o que faria, e por isso sentiu-se mal. Estava triste pois julgava que sua fraqueza emocional estava apenas dificultando as coisas.

– Não, marido... Eu que peço desculpas. Sei que é a única alternativa. Só por favor, não vá sozinho! Permita-me ir com você!

– Não! – Disse o homem – Akio não pode ficar sozinho. Quando eu partir, você deve protegê-lo. Sei que conseguirá fazer isso, amada Azumi. Nossos inimigos tinham mais medo do seu bastão do que da minha espada!

A mulher riu. Não porque estava feliz, mas porque se surpreendia com a força de vontade do marido. Mesmo em uma hora como aquela, ele ainda conseguia fazer piadas.

– Sim. Irei proteger nosso filho.

– Muito bem. Então este será nosso último beijo.

Houve um breve silêncio. O casal abriu a porta do cômodo e nesse momento Akio pode ver os dois pela primeira vez.

A mulher usava um vestido sem adornos de seda branca — muito bonito — e tinha os olhos um pouco vermelhos em decorrência das lágrimas que derramara. O homem, por outro lado, trajava uma belíssima armadura de metal que era parecida com a dos samurais da Nação Rubra, mas a dele era prateada e não vermelha como de costume. Uma katana de cor azul estava presa em sua cintura. O homem caminhou até seu filho e se abaixou para que seu rosto ficasse na mesma altura dos olhos do garoto.

Pois Akio não era mais um homem. Viu seu próprio reflexo na brilhante armadura do pai e percebeu que suas feições estavam alteradas. Seu rosto era mais fino, infantil. O cabelo, mais longo. O corpo mais magro e os olhos eram castanhos como os do pai. Devia ter cerca de dez anos.

– Filho. – Começou o homem – Serei sincero. Estou partindo e não mais retornarei. Agora sua mãe ira cuidar de você sozinha e você também deverá cuidar dela. Unidos, vocês poderão vencer qualquer dificuldade que aparecer em suas vidas.

Akio começou a chorar. Tinha ouvido parte da conversa, mas não quis acreditar antes. Ter suas suspeitas confirmadas daquela forma foi muito angustiante. O garoto não conseguiu responder nada, então o guerreiro continuou.

– Agora vocês não serão mais perseguidos. Nunca mais viverão com medo, só vão se mudar se for por vontade própria, não para fugir. Eu trouxe desgraça para esta família por tempo demais. Espero que um dia me perdoem.

Terminando de falar, o homem se levantou. Dando as costas para o filho, começou a andar na direção da saída. Porém o garoto o abraçou por trás, envolvendo sua cintura com os braços e impedindo que ele se movessse.

– Mas eu te amo, pai! – Falou em meio às lágrimas.

Um curto período de silêncio se seguiu.

– Eu também te amo, filho.

Ficaram imóveis naquela posição por algum tempo, até que Azumi colocou a mão no ombro de Akio e gentilmente puxou seus braços.

– Ele precisa partir.

Sem protestar — mas chorando copiosamente – o garoto se afastou para ficar junto de sua mãe. O guerreiro de armadura continuou sua caminhada e abriu a porta do casebre.

– Pai!

O homem se interrompeu.

– Diga, meu filho.

Akio abaixou a cabeça, envergonhado consigo mesmo. Precisava fazer a pergunta.

– Você vai morrer, não é?

O homem olhou diretamente em seus olhos com um olhar que transmitia uma série de emoções. Pesar. Saudade. Tranquilidade. Aceitação. Era um olhar sábio e profundo em que o medo estava completamente ausente.

– Depende. Você vai se esquecer de mim?

– Nunca! – Exclamou o menino.

– Então eu viverei para sempre.

E enquanto se retirava, disse as palavras que Akio já tinha ouvido antes.

“Este é meu último conselho, querido filho. Seja honrado. Lute somente pelos motivos certos. Nunca desista dos seus ideais.”

E Akio sentiu novamente a dor desesperadora de observar, impotente, a partida do seu pai, o homem que por tanto tempo idolatrara como herói.

Naquele instante o gongo soou, arrastando-o novamente para a dura realidade. A luta havia começado.

Abaixou-se rapidamente, conseguindo se desviar por pouco de um golpe de maça que provavelmente teria esmagado seu crânio se ele tivesse despertado um segundo mais tarde. Ainda com as pernas flexionadas, segurou o punho de sua katana e a desembainhou com uma velocidade sem igual, desferindo um corte diagonal no tronco exposto de seu inimigo com uma técnica perfeita e letal.

Ou que pelo menos seria letal na maioria das situações, pois o atacante que fora atingido teve suas roupas rasgadas pela katana, mas a pele permaneceu intacta. Seu corpo ficou dolorido a tal ponto que ele não conseguiu mais se levantar — afinal o golpe tinha sido muito forte — porém ele não tinha nenhum corte onde a espada havia atingido.

Já que o primeiro oponente se encontrava incapaz de lutar, Akio olhou à sua volta. Havia um lanceiro à sua esquerda que lutava contra dois oponentes ao mesmo tempo. O primeiro tinha uma espada e o outro portava um tridente.

Julgando aquela situação cruel e injusta, decidiu ajudá-lo. Ergueu a katana acima da cabeça e golpeou o punho do espadachim com tanta força que provavelmente quebrou dois ou três dedos dele, mas novamente nenhum sangue foi derramado.

Levou uma pancada do cabo do tridente nas costelas e – ignorando a dor – chutou o agressor para longe de si, fazendo ele cair no chão. Vulnerável, ele largou o tridente e foi morto por outro homem que cortou o seu pescoço com um grande machado de batalha.

Akio voltou sua atenção para o lanceiro que acabara de salvar. Esperava por um agradecimento, no entanto foi covardemente atacado. Percebendo que era inútil dialogar, deu um salto para o lado, evitando assim uma estocada da lança que atingiria sua barriga, e com um poderoso ataque de baixo para cima, partiu a arma de seu oponente na metade.

O lanceiro agora tinha em mãos um pedaço de madeira quebrada que seria completamente inútil para lutar. Olhou na direção de Akio, e congelou. Seu olhar passou a desmonstrar o mais puro terror e ele rapidamente fugiu do campo de batalha, correndo tão rápido quanto podia.

Não estava com medo de Akio, temia o guerreiro que estava atrás dele.

Aquele que havia amedrontado o lanceiro era um homem de porte mediano, ruivo, que vestia uma armadura de cor negra. Empunhava com o braço esquerdo um escudo retargular quase tão grande quanto ele próprio e na outra mão tinha um enorme martelo com uma ponta em cada extremidade que no momento estava arrancando de dentro da cabeça de um homem caído. Ao lado do cadáver, um machado de guerra ensanguentado.

Com o peito dilacerado, outro homem agonizava aos seus pés. Seus ferimentos eram profundos demais, ele já estava condenado.

Akio e o guerreiro de armadura era os últimos que haviam sobrado. O portador do martelo conseguiu retirar sua arma do crânio do inimigo tombado e depois se virou para encarar aquele que esperava ser somente mais uma vítima. Ao fazer isso, começou a rir.

– Pelos céus... Isso não pode ser possível! – Disse em meio às gargalhadas – Você ainda está vivo?

Sem abaixar sua arma, Akio respondeu.

– Não entendo o motivo da surpresa. Por acaso nos conhecemos?

O homem tocou a base do colossal escudo no chão, o que provocou um barulho considerável. Aquele objeto sem dúvida era muito pesado. Tentando parar de rir, deu por fim sua resposta.

– Não... Não nos conhecemos. Mas ainda assim, sua sobrevivência é um elemento inusitado! Eu fiquei olhando para você antes da luta começar. Primeiramente, agia de modo normal. Depois, fechou os olhos e ficou parado como uma estátua por quase três minutos. No meio desse tempo, começou a chorar como um bebê! Que patético! E como se tudo isso não fosse o bastante... Sua espada não corta. Pois é, eu reparei. É mesmo um absurdo que existam pessoas burras o bastante para competir com uma arma cega!

O lutador voltou a gargalhar. Akio, de maneira diferente, permaneceu calmo.

– Devo dizer que você está enganado.

– O que foi que disse?

– Minha espada, caminho da verdade, não é cega.

– Ora! Onde quer chegar com isso? Não vai ganhar nada tentando me enganar! Eu vi, sua katana não cortou nenhum oponente que você golpeou! Diga-me uma coisa, esse seu espetinho ridículo seria capaz de fazer algo... Assim?

Falando isso, o bruto lutador começou a chutar a cabeça esmagada de um oponente morto. Lembrando-se do conselho de Selena, Akio permaneceu calmo e respondeu.

– Eu nunca desejaria algo assim. O que você fez foi completamente desnecessário. Desumano. Monstruoso.

O guerreiro de armadura parou de rir por alguns instantes, observando aquele homem que inacreditavelmente conseguia permanecer tranquilo mesmo diante de suas provocações.

– Pode até ser... Mas foi divertido.

– Então você não se arrepende?

– Nem um pouco.

– Entendo. Se é assim, irei te impedir de cometer novas atrocidades.

– Adoraria ver você tentar!

Assumiram posição de batalha. Akio segurava a katana à sua frente, com as pernas flexionadas, e seu oponente se protegia por detrás do grande escudo. Aquela postura lhe conferia uma vantagem adicional: não seria possível ver o martelo e portanto se tornaria muito difícil prever a direção dos golpes.

Lentamente, aproximaram-se um do outro. Akio estava avançando com muita cautela para não ser surpreendido pelo martelo. Quando a distância que os separava ficou sendo menos de três metros, o portador do escudo atacou. Tentou atingir o seu inimigo com um potente golpe lateral na altura dos ombros, mas falhou. Akio inclinou o tronco para trás e conseguiu evitar a investida com sucesso.

Porém aquela esquiva fez com que ele se desequilibrasse um pouco, então o ruivo tentou atingi-lo mais um vez, dessa vez com um ataque de cima pra baixo. Akio foi veloz o bastante para dar um pequeno salto para o lado ao mesmo tempo em que girava seu corpo, e aproveitando o impulso que conseguiu, projetou a lâmina de sua katana para frente em um veloz corte lateral, que foi habilmente defendido pelo escudo.

O resultado esperado daquele impacto seria que o escudo repelisse a espada, mas o que aconteceu foi que ela o atravessou, cortando o espesso metal como se fosse feito de madeira ou bambu.

Sem acreditar no que houve, o ruivo olhou para o grande corte que fora aberto na lateral esquerda de seu escudo. Akio sorriu.

– Como eu disse... Caminho da verdade não é uma espada cega. Ela apenas não corta nada que esteja vivo.

O ruivo não conseguia compreender aquele absurdo.

– O que você disse?

– Eu disse exatamente aquilo que você ouviu. Se atingir pele ou carne, minha arma irá apenas provocar muita dor. Contra objetos inanimados, por outro lado...

Akio avançou em direção ao guerreiro que inutilmente tentou se defender com o escudo mais uma vez. Era exatamente o que o espadachim queria. O metal foi facilmente cortado com um forte golpe diagonal de cima para baixo, fazendo com que as duas metades do objeto caíssem ao chão, inutilizáveis.

O ruivo ficou boquiaberto.

– Isso... É... Impossível.

– Você não viu nada.

Após um novo período de silêncio, Akio questionou seu oponente mais uma vez.

– Está disposto a se arrepender de sua vida de crimes?

O homem não disse nada. Por poucos instantes sua expressão ficou séria, porém logo depois ele começou a gargalhar histericamente. Jogou o martelo no chão e passou a tirar a armadura lentamente enquanto dizia as seguintes palavras.

– Impressionante. Realmente impressionante. Sua magia é muito bonita, porém é completamente inútil. Se você não pode cortar nada que seja vivo... Então eu não tenho nada a temer.

Terminou de retirar a armadura e olhou para Akio, triunfante. Apanhou mais uma vez o martelo e preparou-se para a batalha. Entretanto, fez uma pergunta antes de avançar.

– Antes de te matar, gostaria de saber uma coisa. Por que não me atacou enquanto eu ainda tirava a armadura?

Akio pensou um pouco antes de responder. Lembrou-se da mensagem do seu pai.

– Porque eu tenho honra.

O ruivo gargalhou com desdém.

– Honra não existe. Só existe a força!

O guerreiro saltou para frente e tentou atingir o corpo de Akio com uma poderosa martelada diagonal de baixo para cima. Ele se desviou por muito pouco, surpreendido com aquela repentina velocidade. O ruivo notou como seu inimigo se sentia.

– A minha armadura é muito pesada. Limita meus movimentos. Estou acostumado a carregar muito peso em minhas batalhas, então é natural que minha velocidade aumente quando me livro da carga adicional. – Gargalhando, continuou. – Você se considera um homem honrado? Pois bem... Morra por sua honra!

Avançou mais uma vez com um golpe lateral, dessa vez atingindo com muita força o braço direito de Akio, que não conseguiu se esquivar a tempo. O espinho que havia na ponta do martelo perfurou fundo a carne do espadachim que cambaleou para trás.

O ruivo gargalhou agora mais alto do que todas as outras vezes. Seu coração estava repleto de uma alegria sádica e doentia. Sentindo muita dor, Akio fez um último apelo.

– Você realmente não se arrepende pelas pessoas que matou?

– Nem um pouco! – Disse o lutador enquanto ria – Eu matei muitas pessoas, essas três não são nada! Depois de te matar, matarei muitos outros! Nunca vou sentir nem um pingo de remorso e nunca vou estar satisfeito.

– Entendo. – Falou Akio, resignado.

– Adeus, moleque honrado... E queime no inferno!

Saltando com sua arma acima da cabeça, deferiu aquele que deveria ser o último golpe. Porém Akio ergueu sua katana e com um golpe preciso, cortou o martelo antes de ser antingido. Girou então seu corpo e desferiu um corte horizontal na altura da lombar de seu adversário que atingiu com extrema força a base de sua coluna vertebral.

Akio estava com um braço sangrando e praticamente não conseguia mover aquele membro, mas o seu inimigo estava em piores condições. Caído no chão, ele urrava de dor com a mão atrás das costas.

– O que você fez? O que você fez? – Berrou o ruivo – Eu não consigo me levantar!

Akio não disse nada. Não porque queria negar respostas ao meu oponente, mas porque se sentia profundamente triste com aquilo que tinha sido obrigado a fazer.

– Eu não sinto as minhas pernas! O que você fez, seu desgraçado?

– Eu... Desculpe. A partir de hoje, você nunca mais poderá caminhar. – O lutador protestou com gritos e gestos obscenos. Akio continuou. – Os movimentos do corpo são controlados pelo cérebro, que se comunica com os músculos através de um conjunto de fios chamado Sistema Nervoso. Se me lembro bem, é esse o nome.

– Você é retardado? Eu não estou interessado na sua aula de anatomia! Diga-me agora porque não consigo me levantar!

– O centro dessa rede de fios é a coluna vertebral. Meu golpe rompeu a ligação que existia entre seu cérebro e os músculos das pernas.

– Isso é impossível! Você disse que a sua espada não corta!

– De fato não corta, mas ainda pode lesionar. Perceba que as suas costas não estão com uma gota sequer de sangue. É como o seu martelo, capaz de contundir. E já que estamos falando sobre ele... Eu só me arrisquei por tanto tempo e infelizmente fui ferido porque queria te dar uma última chance de se redimir. Foi você quem decidiu seu destino.

– Maldito! Desgraçado! Por que não me matou? – O ruivo chorava, desesperado. – Porque não me matou?

– Porque até um monstro como você é digno de misericórdia.

E assim Akio se retirou.

Yuri Ziberman tentou conversar com ele, porém foi prontamente ignorado. Se as circunstâncias fossem outras, Akio provavelmente teria sido desclassificado já que não declarou formalmente que desejava continuar na competição. Isso só não aconteceu porque os apostadores estavam muito interessados nele, por isso Ziberman apenas supôs que ele avançaria para a segunda fase.

Akio estava muito abalado fisicamente e psicologicamente. Não queria continuar naquele ambiente que fedia a morte. Reencontrando os amigos, fez um pedido a eles.

– Por favor, vamos sair daqui.

Selena disse para o recém-chegado que o ferimento em seu braço necessitava de cuidados e sugeriu que ele esperasse o atendimento de um dos curadores, mas Akio não concordou. Estavam prestes a iniciar uma discussão, quando Bill apareceu e se ofereceu para fazer a higienização do ferimento e o curativo. Dessa maneira, os cinco saíram da arena e ficaram do lado de fora, a uma certa distância da Casa dos Jogos, reunidos sob a copa de uma grande macieira.

– Selena. – Começou Akio. – Eu descobri o significado dos renegados para mim! Tive uma... Visão. Não. Na verdade foi uma lembrança. Meu pai era um dos renegados!

– Akio... – A moça começou a falar pausadamente e escolhendo as palavras com cuidado – Isso é... Impossível... O último dos renegados... Morreu quinhentos anos atrás.

Notas finais
Descobri uns 4 ou 5 errinhos de gramática enquanto tava relendo o texto agora. Um deles, eu tenho certeza que já tinha corrigido antes! Suspeito que deve ter dado algum bug ao salvar algumas correções anteriores e eu acabei ficando com uma versão que não era a mais atual no pc. Pq eu to dizendo isso? Pq são quase 1h da madrugada, então eu posso ter deixado escapar alguma coisa. Não deixem de apontar! ^^ No mais, o próximo capítulo está previsto para a próxima meia noite de segunda pra terça, mas gostaria de lembrar que ao adiantar esses 2 capítulos, meio que abri mão do meu adiantamento. Então pode ser *eu disse PODE SER* que eu me atrase. Vlw falou!