Código de Honra

1 Um assunto inacabado


MISSÃO | CÓDIGO DE HONRA

Centro de Manhattan, 10am.

O celular tocou dentro da viatura policial que sem pressa andava numa das ruas movimentadas de Manhattan. O centro comercial estava lotado, o rádio da policia não parava de chamar viaturas mediante a brigas e roubos em meio aquela muvuca do centro. Pessoas passando para lá e para cá, indo as comprar, trabalhar, dentre outras coisas. Na verdade, era apenas mais um dia normal da cidade.

Alexander pegou o celular dentro de um dos bolsos do colete e então levou-o até o ouvido, não era o rádio da policia e sim seu telefone pessoal. Parou num sinal vermelho logo a frente e então focou-se na conversa ao perceber quem era na ligação.

─ Me dê boas notícias, Ralph.

Ralph Kristeen. Ralph era um membro da inteligência da Spetsnaz, assim como Alexander e ele também estava alojado no apartamento de Alexander juntamente ao resto da equipe. Ralph era condecorado pelas excelentes missões que realizou no grupo Alpha, linha de frente em resgates e invasões do Spetsnaz.

─ Para falar a verdade, serão boas ou ruins dependendo do que encontrar. — A voz de Ralph soava um pouco afobada no celular, talvez tivesse descoberto algo importante ou um possível paradeiro do que estavam procurando, não dava para se saber.

─ Encontrar? — Alexander pisou no acelerador levemente quando o sinal tornou-se verde e então virou o carro na esquina a frente, onde pegaria um trânsito mais livre à frente.

─ Sim, sim, encontrar. Na Long Grove, décimo oitavo andar. Lá há uma sala de recepção de uma empreiteira aqui da ilha. Consegui imagens de um possível membro da Curse entrando lá e saindo com uma grande bolsa de viagens. Não consegui pegar a placa do carro em que saiu, não havia câmeras para aquela ângulo. Porém se você for lá talvez consiga alguma informação.

─ Huh... ok, irei para lá agora mesmo. Aproveitarei que estou com o distintivo e criarei alguma coisa, mais tarde ligo para dar informações. — O rapaz desligou o telefone e colocou-o de volta no bolso onde estava. Acelerou ainda mais o carro e virou na esquina a frente, seguindo rumo ao endereço que Ralph havia lhe passado.

Minutos depois, chegara ao endereço destino. O prédio era enorme, haviam alguns seguranças na entrada, a única pelo visto. Parou a viatura logo em frente ao prédio e então desceu, batendo a porta em seguida. Verificou a trava no Coldre na parte frontal do colete preto que estava usando juntamente a roupa azul-marinho e então caminhou até os seguranças, puxando seu distintivo lentamente.

─ Policia. Recebi um chamado vindo daqui sobre uma briga que aconteceu a alguns minutos atrás, vim para averiguar. ─ Era convincente quando mentia. Alexander manteve séria a expressão, ainda com o distintivo erguido, porém em seguida o abaixou.

─ Se acontecesse uma briga aqui, teriam nos chamado, afinal, estamos aqui para isso. ─ Disse um dos seguranças que ao tomar a frente, parecia ser o responsável pelo grupo.

─ Talvez quisessem evitar um escândalo maior num prédio de negócios como este. Não se preocupem, irei apenas confirmar se houve ou não o chamado. ─ Alexander nem mesmo esperou que o segurança o respondesse e passou entre eles lentamente, adentrando o prédio. Talvez sua mentira tivesse colado, já que nenhum dos seguranças se preocupou em ir traze-lo de volta.

Já dentro do prédio, o rapaz caminhou até o elevador e apertou para ir ao décimo sétimo andar. Afinal, não gostava de subir elevadores e parar diretamente no ponto onde lhe passaram, nunca é cedo para se desconfiar de uma emboscada.
O elevador subiu lentamente, não parou enquanto subia, apenas no décimo sétimo andar, onde Alexander desceu. Observou bem a câmera do elevador quando saiu do mesmo e em seguida o corredor lá fora. Havia algumas portas de vidro, cada uma tinha atrás delas um tipo de negócio. Maior parte eram escritórios, porém Alexander acreditava que ali também funcionava algumas salas luxuosas de prostituição, justamente para fisgar os empresários do edifício.
Caminhou em silêncio até então chegar nas escadas que subiam para o andar superior. Começou a subir pelas escadas evitando fazer muito barulho. Ao chegar lá em cima, observou um corredor com quatro elevadores e ao fim do corredor uma grande sala. Nesta sala, haviam 4 sofás, separados de 2 em 2. No canto uma grande mesa de escritório e no chão um carpete avermelhado. Nas paredes haviam alguns quatros as enfeitando, uma sala luxuosa diga-se de passagem. Quando entrou no local, percebeu que não estava sozinho. Havia uma mulher sentada sobre um dos sofás, uma ruiva. Aliás, uma ruiva maravilhosa. Ela estava vestida com uma calça jeans, uma bota preta, camisa e blazer também negros.

─ Huh... olá? Você trabalha aqui? ─ O rapaz perguntou enquanto adentrava a sala lentamente, caminhando até o sofá onde a mulher estava e sentando-se no mesmo, ao lado dela.

─ Ah, olá. Desculpe, estava distraída. ─ Ela sorriu. — Não, eu não trabalho aqui. Por que?

─ É que recebi uma denuncia a poucos minutos atrás, para vir averiguar uma briga que aconteceu neste edifício, me passaram este andar. ─ Ele correu discretamente o olhar pelo resto da sala, afinal, era estranho uma sala de recepção não ter nenhum funcionário.

─ Estou aqui a algum tempo e não notei nenhuma briga ou discussão. ─ Ela olhou o celular e em seguida voltou a olhar para Alexander. ─ Então, pode ir.

─ Bom, prefiro esperar até que um funcionário chegue. ─ Ele havia estranhado o jeito de falar da mulher, porém resolveu não questionar.

─ Tudo bem. Mas saiba que talvez irá demorar, acredito que estejam em horário de intervalo. ─ Um pequeno som pôde ser ouvido vindo do celular dela e ela logo o olhou. Em seguida a mulher levantou-se lentamente e sorriu para Alexander. ─ Bom, eu preciso ir, parece que irão me atender.

Ele havia percebido que se tratava de uma mensagem, pois conseguiu enxergar um pouco da imagem, mas não havia conseguido ler o texto. ─ Ah, tudo bem, não se importa se eu for com você não é? Afinal, é apenas uma empresa de negócios e... preciso averiguar o chamado que fizeram-me.

Ela ignorou oque ele havia dito e começou a caminhar rumo a uma porta ao fundo da sala. A mulher abriu a porta e entrou na mesma, fechando-a em seguida. Porém antes que a porta pudesse se fechar completamente, Alexander a empurrou e entrou na sala, agora sim a fechando.

─ Desculpe, fiquei para trás. ─ Um sorriso sarcástico despontou em seus lábios e logo se desfez, ao notar que dentro da sala havia um homem sentado a uma mesa de escritório e duas cadeiras ao outro lado, uma a qual a mulher se sentou.

Enquanto observava a sala, ele percebeu que a mulher falava sobre ele para o homem que estava lá dentro. Parecia estar explicando oque ele havia dito para ela.

─ Desculpe, senhor, porém recebi um chamado vindo daqui, para que viesse averiguar uma briga que aconteceu neste edifício, exatamente neste andar a poucos minutos atrás. ─ Ele caminhou lentamente até a mesa e parou ao lado da cadeira onde a mulher estava sentada. Seu olhar caiu sobre o homem sentado ao outro lado da mesa, parecia ter na faixa dos 50 anos, careca, com uma barba curta grisalha.

O homem ignorou oque Alexander havia dito e permaneceu em silêncio. A ruiva entregou um envelope para o mesmo, que entregou a ela uma maleta preta. Ao pegar a maleta a mulher levantou-se e lentamente caminhou em direção a porta. Alexander parecia estar sendo totalmente ignorado naquele local.

─ Tsk, tsk... ─ Antes que a mulher chegasse até a porta, Alexander sacou a pistola que estava no coldre em seu colete e ergueu-a, apontando para a jovem. ─ Odeio mirar em mulheres bonitas, ainda mais assim como você... mas, não me deixa escolha. Agora... afaste-se da porta, sente-se na cadeira. ─ Disse ainda apontando a pistola para a mesma, vez ou outra cerrando o olhar entre ela e o homem sentado à mesa, que parecia assustado com a situação.

─ Esses policiais... sempre atrapalhando meu trabalho. ─ Disse a ruiva enquanto se dirigia até a cadeira. Ela moveu a maleta, trocando-a de mão e nesse curto período de tempo sacou uma arma debaixo do Blazer e girou, efetuando um disparo na direção de Alexander. Ela não parecia ter mirado diretamente nele, porém o disparo havia pegado bem próximo.

Como reação, ele saltou para o lado ao ouvir o disparo, caindo no chão. Ergueu a pistola para recuperar a mira e notou que a mulher estava correndo para a porta. Efetuou um disparo na direção dela, porém ela saltou atrás de um sofá e agachou-se atrás do mesmo.
O policial escondeu-se atrás de uma poltrona, mantendo sempre a vista também o homem que estava agachado atrás da mesa dele. Quando o jovem moveu-se para tentar disparar novamente contra a ruiva, notou que ela já estava de prontidão atrás do sofá. Uma pequena troca de tiros aconteceu, apenas alguns segundos, Alexander havia conseguido feri-la de raspão num dos braços e ela havia acertado a lateral de seu colete, então o tiro não havia o atingido diretamente.

O policial trocou o pente de sua arma, descartando no chão oque estava em uso e colocando um novo que havia tirado do colete. Travou o pente e engatilhou a arma, trazendo para trás e soltando a trava. Girou o corpo no chão e disparou novamente contra a mulher que continuava atrás do sofá. Quando o policial tentou mudar de posição para efetuar um novo disparo, notou que o homem que antes estava atrás da mesa, agora estava de pé com uma arma em mãos, uma pistola para ser mais exato. O homem iniciou uma série de disparos na direção do policial que jogou-se atrás da poltrona e encolheu parte do corpo. Por sorte o homem parecia ser ruim de mira.

─ AAAAAHH, DROGA! — Gritou resmungando quando ouviu a porta bater e então notou que a ruiva estava a fugir. Girou o corpo para a lateral da poltrona e efetuou um só disparo que atingiu propositalmente o ombro do sujeito, fazendo-o cair imediatamente ao soltar oque parecia ser um grito de dor, não estava morto é claro.

Alexander então levantou-se rapidamente e correu pela porta que estava aberta. Olhou para a sala e viu que a mulher já havia passado por ali, pois havia derrubado algumas coisas. Em seguida correu até os elevadores e notou que estavam parados no térreo, ela não podia te-los pegado. Sua unica opção teria sido as escadas, e foi para lá que Alexander correu na mesma hora.
Em alta velocidade, fora descendo as escadas ainda com sua pistola em punho, afinal, ela poderia ter parado para espera-lo passar em algum ponto, mas era pouco provável. Permaneceu descendo em velocidade, até que enfim chegou ao térreo já um pouco cansado. Qualquer um em situação normal estaria totalmente exausto depois daquela corrida e daquele esforço, porém graças ao seu treinamento aquilo não havia sido tão desgastante quanto realmente teria de ser.

─ Senhor, viu uma ruiva, vestida de preto passar por agora? Ela estava carregando uma maleta. ─ Perguntou ele ao porteiro que estava sentado atrás de um balcão de mármore.

─ Não passou ninguém por aqui. Estou aqui já a algum tempo e ainda ninguém desceu. ─ Respondeu o senhor, sem levantar do banco em que estava.

─ Tsk. ─ Sem nem mesmo dizer algo a mais ao porteiro, Alexander entrou num dos elevadores que estava parado ali no térreo e então apertou novamente o andar na qual estava, afinal, se a mulher havia desaparecido, aquele homem deveria saber de algo.

─ Mas... por que? ─ No elevador, manteve-se o tempo todo pensativo. Estava confuso sobre o porque daquela mulher não ter atirado diretamente nele. Queria tentar entender se o erro foi proposital ou se ela havia simplesmente errado. Porém seus pensamentos logo se dissiparam quando ouviu o som que o elevador emitia ao parar.

Quando o elevador finalmente parou no andar, Alexander saiu lentamente do mesmo com a arma em punho. Segurava firmemente o cabo da arma com a destra e mantinha a canhota na base do cabo, como apoio. Afinal, não sabia se havia chegado mais gente no local no tempo em que ele havia ido atrás da ruiva. Ao entrar na sala, ouviu o homem agonizando sentado no chão. A intensão de Alexander fora acertar o ombro, porém havia atingido próximo ao coração do homem, talvez devido ao costume de atirar para matar. Então, o policial caminhou até ele e agachou em sua frente, levando a arma até a cabeça do sujeito.

─ Então... conte-me tudo. Quem é você, quem é ela, e tudo que sabe sobre a rede. ─ Disse e em seguida engatilhou a arma, estava pronto para atirar, afinal, não perderia nada com aquilo.

─ E-eu não sei! Fui contratado apenas para entregar a maleta a ela, me pagaram para isso. E quanto a rede, que rede seria essa? ─ Respondeu o homem rapidamente, um tanto apavorado.

Alexander estranhou o fato dele ter logo abrido o bico, mesmo que talvez fosse mentira, afinal... um membro de uma rede terrorista nunca diria nada a respeito, porém resolveu continuar com as perguntas. ─ Se eu não encontrar nada nas gavetas, você irá para a cadeira. Se eu encontrar, você morre. Então você se ferra de um jeito ou de outro. Ah, e... sou eu quem faço as perguntas. ─ Ele disse friamente e levantou-se.

Caminhou até as gavetas da mesa e abriu-as. Haviam várias folhas, cheques, documentos e em algumas até mesmo cartões de crédito. Alexander passou um tempo verificando as folhas que estavam ali e realmente não achou nada que ligasse aquele homem a Curse, ou aquela ruiva. Sua face deu a entender uma certa irritação, porém logo controlou-se, afinal havia percebido do que se tratava aquele caso.

Ainda com a arma apontada para o homem, Alexander pegou o rádio da policia no porta-rádio do colete anunciou sobre a prisão de um individuo do Cartel Máskara, pedindo então para que um grupo de remoção pudesse ir até lá acompanhado de uma ambulância, para encaminhá-lo do hospital à delegacia. Após fechar o chamado, pegou a algema pendurada num dos compartimentos do próprio cinto e passou uma das bandas sobre o punho do homem, fechando-a juntamente a outra numa barra de aço que mais parecia uma barra para danças sensuais. Com um sorriso estampado na face, Alexander lentamente dirigiu-se para fora da sala, batendo a porta em seguida. A viatura de remoção estava a alguns quarteirões do edifício, por tanto logo estaria lá.

Quando o policial chegou no térreo do prédio, notou que a viatura estava estacionando lá na frente, seguida da ambulância que chegou num curto intervalo de tempo depois. Enquanto o grupo de remoção subia com os enfermeiros da ambulância, Alex pegou seu celular e fez uma ligação.

─ Huh... Ralph?

─ Diga, Alex. Oque encontrou lá? ─ A voz do rapaz estava afoita, Ralph realmente era um tanto afobado, uma característica dele.

─ Encontrei um homem que estava em nome dos representantes de um grupo. Mas não era a Curse. Lembra o caso do Cartel Máskara que lhe disse a poucos dias, que eu havia pego na delegacia para comandar? ─ Alexander falava com um leve sorriso estampado nos lábios.

─ Sim, eu me lembro bem.

─ Então. O homem que encontrei estava agindo como representante do Cartel. Eu estava na sala quando ele entregou uma maleta para uma ruiva, vestida praticamente toda de preto. Aconteceram algumas coisas, consegui prende-lo mas ela fugiu. Quero que acesse as imagens do circuito de segurança do quarteirão e principalmente do prédio. Se possível, acesse o circuito de segurança interno, todas as câmeras. Quero descobrir por onde e como ela fugiu, quando eu chegar em casa vejo os resultados. ─ Disse e em seguida desligou o celular, guardando-o novamente.

─ Tudo bem, mas... ─ Só então Ralph percebeu que Alexander já havia desligado. ─ Maldita mania...

O policial entrou novamente em sua viatura lentamente, afinal, teria ainda de ir até a delegacia passar o relatório do caso. Sua vida era diferente daquilo, mas estava começando a acostumar-se com aquela vida de Policial.

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─ Senhora? ─ Dizia o porteiro para uma bela mulher que saía do edifício.

─ Huh? ─ A mesma virou-se para o velhinho, parando próxima da porta.

─ Um policial esteve lhe procurando hoje pela manhã. Não deixou nenhum recado. ─ Disse ele para a mulher na qual achava que era uma funcionária do edifício.

Então, um sorriso espontâneo formou-se nos lábios da ruiva, que sem responder ao porteiro, deixou o prédio pela porta da frente, carregando uma maleta preta em suas mãos.

MISSÃO | CÓDIGO DE HONRA

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