Código Informacional para o Senpai te notar

2 Capítulo 2 - Belíssima Panfletagem


Notas iniciais
Desculpem a demora! Estava de viagem. Mas olha o lado bom: Escrevi até o capítulo 3, que vou postar em breve, após desse. Aproveitem o começo do conflito dessa história. Capítulo grandinho dessa vez.

11 de março de 2014

Querido diário de pesquisa experimental #7230,

Não esperaria relatar novos acontecimentos tão cedo, devido a falta de informação útil que presenciei semana passada, além do próprio comportamento primitivo dos outros seres deste colégio. Porém, é quase possível me descrever como surpreso, o que é difícil me ocorrer para meu nível de conhecimento. Não vamos nos precipitar e lhe descrever os acontecimentos. É necessário manter a formalidade deste relatório, então iremos de forma cronológica, relatando de acordo importância dos fatos. Importância em níveis ridiculamente runeterráqueos, é claro.

Um fato interessante ocorreu faz uma semana. Foi logo após a aula da professora de história, Shyvana "Gretchen", como apelidaram outros alunos, embora eu não tenha compreendido a relação. Ela saiu da sala aos prantos, murmurando sobre seu pai e sobre a era dos dragões, quando uma aluna a questionou com o porquê de "os dragões não mais derreterem montanhas e assustarem toda a superfície e os céus como a senhora professora mencionou, e como eles decaíram já que poderiam até agora pouco serem derrotados por um simples padeiro por causa de uma mero buff". Foi algo semelhante a isso que foi suficiente para abalar o emocional fraco escondido sobre toda a carapaça dura da professora. Não me recordo dessa parte muito bem porque estava me ocupando suficientemente de nojo com a geratriz da pergunta.

A imunda aluna é Karma, "A Iluminada", como ela mesma se chama (deveria ser A Hipócrita). É uma pseudo-intelectual que se acha inteligente (como se soubesse metade do que sei) e se autonomeou representante da turma, sobre o pretexto de querer manter o equilíbrio. E como ninguém protestou, assim foi feito. Eu até protestaria se eu não estivesse impedindo o Kog'Maw a não cheirar o meu uniforme. Eu preciso seriamente descobrir como tirá-lo de mim, já que pulverizar comprometeria meu disfarce como garota de colegial.
Enfim, nossa querida representante (eu aprendi sarcasmo :D) (usar emotes é ridículo, não sei porque deixei aquele Amumu me ensinar isso) tem o costume de fazer perguntas que comprometam os professores e os envergonhem, jurando que só está ajudando os alunos com dúvidas. Além desse papinho mal feito de Yin Yang (e totalmente desviado de Ionia), ela fica bloqueando o acesso do conhecimento aos outros humanos ignorantes. Incrível como eles são seres arrogantes, minha espécie nunca seria arrogante porque somos superiores, eu mais que os outros.

Entrou então, à sala, o novo professor de filosofia, Viktor. Ele é resumidamente um humanoide feito de metal com um cetro e uma terceira mão às costas. Ao deixar seu cetro e mala sobre a mesa, analisou rapidamente a turma e declarou fortemente, com sua voz robótica ecoando:

– FRACOS SERES DE CARNE! Bom dia, e viva a gloriosa revolução. Sou o magnífico Viktor, recentemente contratado como professor de filosofia de vocês. Vou fingir realmente que me importo com o que os seus cérebros minúsculos pensam, mas só estou interessado no salário para novas experiências. De qualquer forma, fingimos que dou aula e vocês não falam disso aos diretores. Alguma pergunta?

– Isso significa que o senhor não irá começar com o conteúdo inicial do livro, "Moral e Ética"? — Perguntou Karma, já se levantando, indignada. — O respeito gerado pelo entendimento desses conceitos é importante, e ao saber os limites de poder cedidos pela natureza e blá blá blá — Ela disse mais umas frases hipócritas, mimimi, ignorei tudo. Este experimento me altera um pouco, ignorância não é de minha natureza. Mas acho que no caso da Karma, é perdoável.

– HÁ! Uma desafiadora. Senhorita sem educação que não me importo em saber o nome, seu pensamento é tão frágil e inútil como sua pele fraca. Só será útil toda essa idiotice que você falou quando só sobrarem humanos selecionados e evoluídos para máquinas, aí sim o respeito mútuo seria necessário para impedir uma guerra entre grandes mentes. Seu cérebro só serviria para um mero protótipo. — Rebatou Viktor rindo, debochando dela.

Neste momento, Karma já tinha cerrado os punhos. Mostrava claramente que o seu falso equilíbrio virava facilmente raiva. Se esse professor conseguiu irritar ela, ele já é meu favorito. Sinto um prazer estranho em vê-la irritada.

Karma começou a recitar algum mantra antigo enquanto Viktor ainda ria. O professor foi atingido por uma explosão de energia, mas uma máquina de sua estrutura bloqueou o golpe, deixando-a mais irritada. Se eu tivesse uma boca visível, eu provavelmente estaria sorrindo diante dessa discórdia. Foi então que Viktor devolveu o golpe com um laser, que destruiu a carteira de Karma. Convenientemente para ela, um monitor passara pela porta e viu o ataque.

Resumo: Karma fingiu a coitada, e o meu professor favorito foi despedido. Tenho que parar de agir tão fielmente como um humano, ao tomar partido e ter um preferido. As consequências deste teste não foram devidamente calculadas. Mas um fato recente agora me impede de cancelar este experimento.

Ontem, ou seja, segunda feira, ao final da aula matutina, foi avisado que os calouros deveriam se inscrever em algum clube, e, desde então, veteranos espalham panfletos, chamando (em geral, desesperados) quantos puderem para seus grupos vespertinos para acumular fundos. Um total incômodo. Porém, por insistência do meu novo aliado, Lee Sin, no intervalo de ontem, fomos ver alguns grupos. Haviam diversas vozes anunciando seus grupos, alguns fantasiados, com cartazes coloridos, e coisas miseravelmente semelhantes. Como por exemplo, Lux, uma estudante lunática. Ele comumente invade as salas durante os intervalos, apontando conspiradores e alertando supostos perigos sobre o uso de lapiseiras e a sua dominação global. Ela anuncia gritando e sacudindo outros estudantes pela gola do uniforme, chamando-os para a L.U.M.I.N.E.S.C.Ê.N.C.I.A, um grupo escolar vespertino com uma sigla sem nenhum significado em suas iniciais, destinado à inútil resistência contra a manipulação. Lee Sin se mostrou interessado porque ele diz que os gritos dela o lembram uma bela moça que ele conheceu uma vez, embora ele não lembre se ela era mesmo uma moça.

– Não estou interessado em lapiseiras, não consigo segurar elas direito — respondi quando ele me chamou para o grupo. Acredita que minha pior nota é em redação? Fiquei indignado ao saber que escrita ao laser não era permitida, e devido à oleosidade de meu tentáculos (uso creme para hidratação) minha caligrafia é "ilegível", segundo a corretora de redações. Escrita rudimentar.

Continuamos vagando, procurando algum grupo que seja pelo menos atraente de alguma forma.

Então, a encontrei.

Ela pregava no painel de panfletos um aviso. Digo, no painel de avisos um panfleto. O mundo pareceu parar por um instante. Deve ter sido algum dispositivo de Zilean, embora não tenho notado nenhum motivo para a sua aparição neste infame colégio, salvo apenas por aquela criatura metálica majestosa. Qualquer um pararia diante de sua presença. Seus movimentos mecânicos graciosos e levemente quebradiços, seguida por aquela esfera de aço.

– Quem é aquela? — Pergunto a Lee.

– Aquela quem? A lunática? — rebate, procurando Lux.

– Não, aquela prendendo o panfleto. — Aponto para a obra prima.

– Não consigo ver qual!

– Aquela ali! — Insisto, posicionando a cabeça dele em direção à divindade.

– Você sabe que não adianta apontar, né? Sou cego, não sei de quem você está falando.

Foi então que percebi que precisaria descobrir quem é esta. Esta que me fez esquecer até fatos irrelevantes como a condição física de meu único e pouco valorizado amigo. Quando ela se retira ao longo do corredor, sigo até o quadro de avisos e leio o panfleto: "Clube de Balé, junte-se a esta arte da dança marcial — Quartas e Quintas, após a aula, no Salão da Quadra de Esportes."

Ô coração de nove átrios, por que dói diante de praticadora de tão fútil arte? Por que amoleço diante de sentimento tão banal e cliché? Por que vacilo ao cogitar a ideia de me encontrar com este ser inferior e desejo me rebaixar a ela? Relembrarei então dos antigos mestres dessa paixonite juvenil, não posso ser capaz de ser disposto ao inútil amor. É apenas uma pequena paixão consequencial da dieta de hormônios femininos que ingeri para total decorrência do experimento. Só seguirei com a busca para descobrir que fator nela me atraiu.

Invadi o servidor escolar em busca da ficha estudantil. Seu nome é Orianna, do 2-C. Ela está um ano à minha frente, o que significa, segundo minhas anotações de garota de colegial, que ela é minha senpai. Consultei então minha coleção de quadrinhos primitivos. De acordo a sabedoria destes sábios da paixão juvenil, devo fazer meu senpai me notar. Não acho nenhum manual explícito, então decidi adicionar isto à minha pesquisa, como Código Informacional para Senpai me notar. Temo que está será uma de minhas práticas mais complicadas. Me divido entre a ciência e o prazer carnal. Tenho de me fortificar para não me perder do objetivo. A enfrentarei amanhã, e me juntarei a seu clube. E Lee Sin vem junto para me lembrar sempre do meu objetivo. Minha experiência se complexifica, e se torna mais interessante, levemente apaixonante. Meu coração deverá se curar e minha mente se saciar de conhecimento.

Deseje-me sucesso, como se eu já não tivesse certeza dele, querido diário.

Notas finais
Está aí a complicação de nosso inconvencional shoujo. Vel'koz agradece à vocês, nosso diário e queridos runeterráqueos, por acompanhar essa história. Aguardem ;)