Meu nome é Alan Turing, estou esperando para fazer uma entrevista de emprego.

Um homem abriu a porta e olhou surpreso para mim.

– Olá senhor...?

– Alan. Alan Turing.

– Olá senhor Turing, sou o capitão Denniston.

O homem, que aparentava ter lá pros 60 anos, foi até sua mesa e se sentou.

– A sua secretaria me pediu para esperar aqui.

– Na minha sala?

– Sim.

Ele pegou minha ficha e deu uma olhada.

– Você não tem registros militares.

– É um matemático, estudou em Cambridge. Você parece ser bem inteligente.

– Acho que não sou tão bom assim.

– Como é? Tem que ser inteligente, quantos anos você tem?

–27

– Tem vários projetos bem sucedidos.

– Posso ter alguns mas não são tantos. Mesmo várias pessoas me dizendo que sou um dos melhores matemáticos do mundo.

– Do mundo?!

– Sim.

– E o por que você quer trabalhar para vossa majestade?

– Eu não quero.

– Não quer?

– Não.

– Sem registros militares, e não tem vontade de trabalhar para a majestade. Bom senhor Turing, acho que ganho o titulo de entrevista de emprego mais curta.

– Na semana passada recusamos um dos melhores lingüistas de nosso país.

– Eu não falo alemão.

– O que?!

– Eu, não, falo, alemão. Eu disse, pausadamente.

Denniston se levantou e se dirigiu até a porta lentamente.

– Não é necessário falar muito alemão, isso vai ser como um quebra-cabeças.

– Margaret!

– Eu sou muito bom em quebra-cabeças.

– MARGARET!

A secretaria entrou na sala.

– O que foi senhor Denniston?

Antes que ele pudesse responder eu disse:

– Enigma!

Ele dispensou a secretaria e fechou a porta, depois, voltar a se sentar.

– O que você sabe sobre Enigma?

– Eu não preciso falar alemão para decodificar essa máquina.

Denniston me levou para outra sala, onde na mesa tinha uma Enigma e algumas pessoas ao redor.

– Está é sua equipe senhor Turing.

– Eu não quero equipe. Digo, eu não quero ficar explicando o que eu faço conforme vou progredindo.

– Ou trabalha em grupo ou não trabalha. Disse Menzis, um agente do governo.

– Calma ai Turing, não é o único que está interessado no trabalho.

– Esse é Hugh Alexander, é o líder da equipe.

– Esse outro é Peter Hilton, aquele é John Cairncross e os outros dois são Bob e George. Disse Denniston.

– E cavalheiros, em cima da mesa temos a máquina Enigma, é o que vocês devem decifrar, todas as cartas são escritas através dessa máquina.

Cairncross, nervoso, disse:

– E por que nós não simplesmente colocamos as cartas que decifrarmos na Enigma?

– Não é tão fácil assim. Eu respondi.

Comecei a pensar comigo mesmo.

3 rotores, 12 cordas.

– Essa máquina tem duas funções, codificar, e decodificar.

– Antes de eu ir em bora, só mais uma coisa.

– Todos os dias, a meia-noite, os alemães mudam a Enigma, ou seja, toda hora o meio de codificar vai ser diferente, e eles começam a mandar mensagens as 6 da manhã, o que lhes da cerca de... 18 horas por dia.

***

Começamos a trabalhar faz uma semana, e só conseguimos decodificar mensagens sobre o clima.

"O clima está bom, mas tem previsão de chuva para as 9 da manhã.

Salve Hitler"

Todos estavam estressados, sempre que achávamos que iríamos conseguir alguma coisa, chegava meia-noite.

Até que bolei um plano para construir uma máquina que decodificasse qualquer mensagem, o único problema era o custo, foi ai que resolvi falar com Denniston.

– Denniston, o Hugh recusou o meu pedido para construir minha máquina.

– Se ele é o líder, e recusou, é a ultima palavra.

Respirei fundo

– Você não faz idéia do que eu estou planejando construir!

– E quanto vai custar essa sua máquina?

– Digamos, 100 mil libras.

Ele arregalou os olhos

– 100 mil libras? Isso é muito dinheiro senhor Turing.

– Mas já que Hugh recusou não posso fazer nada, ele é seu líder.

– E quem é SEU líder Denniston?

– É um dos homens mais poderosos da Inglaterra, se quiser reclamar de minha decisão vai falar com ele.

Denniston foi para a sala dele e eu corri até o carro de Menzis, que estava de saída.

– Senhor Menzis!

– Diga Turing.

– Você está indo para Londres?

– Digamos que sim.

– Pode entregar essa carta para mim?

Entreguei a carta a ele

– Vou ver o que posso fazer.

***

Hugh Alexander indignado disse:

– Como assim o Turing vai ser o líder?!

– Essa ordem é de meu chefe, sinto muito.

– Então está dizendo que eu posso dar ordens a eles?

– Eu não disse isso, quem disse foi meu chefe.

– Certe, para começar, Bob e George estão demitidos.

– Como é que é? Disse George

– Eles são péssimos lingüistas e decodificadores.

Os dois mostraram o dedo para mim e saíram da sala.

Hugh murmurou:

– Isso é desumano até para você Turing.

O resto do time foi em bora.

– Bom, vou começar a construir minha máquina.

Fui até nosso local de trabalho e fui direto para os fundos, começar a construir.

Depois de algumas horas John veio falar comigo.

– Ei Alan, quer almoçar conosco?

– Ei, Alan!

– Oi?

– Quer almoçar conosco?

– Alan!

– Oi?

– Quer... Olha, isso está ficando muito repetitivo.

– Deixa ele John. Deixa ele ficar com essa neurose dele.

– Não comecem, quem está com fome? Perguntou Peter

– Eu. Respondi.

Eles olharam pra mim

– Peter perguntou se eu estava com fome, respondi que sim. Podem me trazer uma sopa?

Eles foram em bora, John assentiu com a cabeça.

2 semanas depois começamos a perceber que a equipe estava pequena.

– Ei Alan, precisamos de mais gente na equipe. Disse John

– Então, vamos arrumar mais gente. Respondi

– Como pretende fazer isso senhor gênio? Perguntou Hugh

Prendi uma espécie de quebra cabeça no parede.

"Quem resolver isso em 10 minutos ou menos, ligue para uma oportunidade."

Dois dias depois, recebemos as pessoas que conseguiram resolver aquilo.

– Bom, cavalheiros, esse livro verde do lado de vocês é um caderno com algumas dicas e serve de rascunho e...

Fui interrompido por uma dama que chegou atrasada.

Um segurança a parou.

– Posso continuar? Perguntei

Os dois não paravam de conversar, então eu fui ver o que aconteceu.

– O que está acontecendo aqui?

– Eu recebi uma carta misteriosa, dizendo que eu tinha uma chance de participar de um emprego misterioso, mas acabei me atrasando.

– Qual seu nome, senhorita? Perguntei

– Joan Clarke

– Olhe Joan, uma coisa que acho inaceitável é o atraso.

Ela olhou para baixo com um olhar de tristeza.

– A senhorita gostaria de se sentar para que eu continue explicando? Perguntei, com um sorriso no rosto.

Ela abriu um sorriso de ponta a ponta e foi se sentar, eu voltei até a frente pra continuar explicando.

– Desculpem cavalheiros e senhorita. Como eu disse, esse caderno verde vai conter as instruções e o problema que vocês vão resolver. Vocês tem 6 minutos, podem começar.

O tempo começou e as pessoas começaram a resolver.

Menzis estava inquieto e resolveu vir falar comigo depois de um tempo.

– Esse problema, é possível resolver nesse tempo?

– Não, eu levo 8 minutos para resolver.

Foi ai que me surpreendi, Joan levantou a mão.

– V-Você terminou? Perguntei.

– Sim

Olhei meu relógio.

– 5 minutos e 34 segundos.

– Você disse pra resolver em menos de 6.

Ela me entregou sua folha e incrivelmente tinha resolvido o problema.

Olhei para ela e ela abriu um sorriso no rosto.

No final daquilo, só ela e mais um rapaz tinham terminado e acertado.

Menzis começou a falar com os dois.

– Vocês vão mentir pra sua família e amigos sobre o que farão aqui. Se revelarem alguma coisa sobre o que vão fazer aqui, serão executados por traição.

– E o que vamos fazer aqui? Perguntou Joan

Sem exitar, eu respondi:

– Nós vamos quebrar um código nazista inquebrável e ganhar a guerra.

Os dois arregalaram os olhos.

– Okay... Disse Joan.

– O trabalho de você começa amanhã.

Os dois se levantaram, nós 4 fomos em bora.

No dia seguinte, estava em outro galpão, construindo minha máquina, e os homens estavam trazendo mais peças.

– Cuidado com isso, não é nenhum brinquedo.

Hugh entrou aqui com outro homem.

– Ei Alan, esse é seu novo ajudante.

Era aquele rapaz de ontem.

– Seu nome é Jack Good.

– Onde está Joan? Perguntei, ignorando o aperto de mão que Jack queria me dar.

***

JOAN'S POV

Fui entrar em minha casa e ouvi uma voz que não me era estranha.

–... e então o teorema de...

Era Alan.

Ele olhou pra mim e sorriu.

Eu o levei para outro lugar pra conversar.

ALAN'S POV

–Joan, pegue suas malas e vamos voltar para Bletchley Park.

– Obrigado por vir a minha casa senhor Turing.

– Joan, não me ignore.

– Desculpe mas vou ter que recusar a oferta.

Os pais dela estavam na sala ao lado, ouvindo tudo.

– O ambiente de trabalho onde estou, só tem homens, e ficaria meio estranho para mim.

Suspirei

– Olha Joan, lá tem um lugar só de mulheres, onde todas trabalham juntas, seria melhor ficar lá?

– Eu poderia ficar lá?

– Com certeza.

***

Ela pegou as malas e fomos para fora da casa dela.

– Senhor Turing.

– Me chame de Alan por favor. Pode falar.

– Por que está me ajudando?

– Porque só tem uma coisa que importa no mundo agora, entende?

Ela suspirou e quando eu estava indo pra dentro do carro ela segurou meu braço.

– Por que, está me ajudando?

– Ah...

Fiquei em silencio um tempo e disse:

– As vezes, aqueles que as pessoas menos esperam, fazem coisas que ninguém pode imaginar.

***

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.