Notas iniciais
Olá! Nem demorei tanto dessa vez, né? hehe Estou rezando para que a inspiração não vá embora e eu consigo terminar essa fic logo! Mas então, eu gostei bastante de escrever esse capítulo, porque tive a oportunidade de ligar alguns pontos que estavam soltos. E também demonstrar um pouco desse personagem, que apesar de não ter aparecido muitas vezes, é essencial para a história. Estou falando do Byakuya. ♥ Um pouquinho de outros personagens que eu amo e depois desses capítulos sem aparecer, nosso casal principal finalmente volta! ♥ Agradeço de todo o meu coração por todos os reviews, vocês são uns amores por não me abandonarem, mesmo depois de tanto tempo. Isso me incentiva e continua incentivando pra caramba! Sério, muito obrigada. :') Agradecimentos especiais para a Rafaela, por ter deixado a 16ª recomendação para a fic! Muito obrigada, sua linda! *-* ♥ Ok. Chega de falar nas notas iniciais, vou deixar para tagarelar e deixar vocês lerem o capítulo! Boa leitura e até lá embaixo! ps: quase ia esquecendo! Mas eu atualizei a trilha sonora da fic. Juntei todas as músicas até agora, inclusive tem a do próximo capítulo! hehe. Passem lá depois. :) Agradecimentos a capivara da minha beta por ter betado o capítulo! Beijo, vadia, te amo! 29/07/14.

Capítulo 29

Todas as imagens foram banhadas de preto, tatuando tudo. Todo o amor tornou-se mal, transformou meu mundo em escuridão [...]. Eu sei que algum dia você terá uma vida maravilhosa, eu sei que você será uma estrela no céu de outro alguém, mas porquê? Por que não pode ser no meu?”

Black — Pearl Jam

— Vinte ave-marias e quinze pai-nossos — Ryuken murmurou através da cabine do confessionário. — Vá em paz, filha.

— Obrigada, Padre — a moça murmurou de volta e se retirou.

Ele continuou ali, parado, esperando o próximo fiel. Ouviu o ranger do banco quando alguém se sentou e puxou a fina cortina que ocultava a identidade do fiel para que pudesse vê-lo.

Byakuya.

— Durante todos esses anos você sempre soube e não me contou — afirmou com convicção e continuou no mesmo tom: — Você escondeu a verdade de mim.

Não precisou dizer mais para que Ryuken soubesse exatamente do que falava, para que soubesse que havia um grande “por que” no final daquela frase. Soltou um suspiro cansado e se levantou do cubículo, para depois dar a volta e encontrar Byakuya já de pé.

O olhar frio sobre si o fez sorrir.

— Parece que depois de tantos anos — divagou —, finalmente chegou a hora de conversarmos. Venha, filho.

Byakuya seguiu Ryuken sem contestar e ficaram em completo silêncio até alcançarem uma pequena e estreita porta do outro lado da Igreja. Quando o padre a abriu para que ele passasse, o Kuchiki atravessou para a sala desconfiado, depois ouviu a porta ser fechada. Passou os olhos pelo lugar rapidamente: as paredes amarelas estavam descascando e davam um ar mais iluminado para o cômodo, o piso era de madeira e algumas tábuas jaziam soltas, provocando rangidos incômodos quando se pisavam em cima delas. Havia candelabros embutidos na velha parede, as velas pela metade. Apesar de tudo, não havia nenhuma poeira ali. Estava tudo perfeitamente limpo e organizado.

Uma mesa de madeira razoavelmente média guardava uma pilha de papéis, um tinteiro borrado, o que denunciava que tinha sido usado há pouco, uma moringa, um copo e alguns livros. Havia duas cadeiras, uma encaixada na mesa e outra encostada à parede, bem perto da porta. Do lado oposto à mesa, uma estante com poucos livros estava postada. Um único crucifixo de mais ou menos trinta centímetros adornava a parede. Era um cômodo bem simples.

Byakuya continuou de pé, próximo a porta, enquanto observava o padre puxar a cadeira da mesa e se sentar, depois, encheu o copo com água e tomou tudo a grandes e rápidas goladas. Abaixou o copo e voltou os olhos claros para o Kuchiki.

— Quer alguma coisa, filho? — O silêncio foi a única resposta que obteve. Suspirou. — Sente-se, por favor, meu filho.

O Kuchiki fez o que ele pediu, puxou a cadeira de perto da porta e a colocou de frente para o padre e sentou. Poderia ter mil e um motivos para que Ryuken lhe tivesse escondido tudo e ele tinha muito bem o direito de ficar irritado por isso, mas ali, na sua frente, estava o homem que lhe tinha criado e ensinado boa parte do que sabia. O mínimo que devia a ele era respeito.

Aguardou em silêncio.

— Que tipo de respostas você espera? — o padre perguntou com a expressão serena.

Ele se remexeu na cadeira e tirou do bolso da camisa um papel muito bem dobrado, entregou-o para o padre, que pegou rapidamente. Ele o abriu, um tanto hesitante, e percebeu como as linhas das dobras estavam evidentes, como se tivesse sido aberto e fechado incontáveis vezes. Suas mãos tremeram um pouco ao reconhecer a letra na carta. Apertou os lábios ressecados em uma linha reta.

Leu atentamente toda a carta, atentando-se a alguns trechos. Os olhos repararam em alguns borrões que tinham se formado pelo excesso de tinta, como se Rukia tivesse se demorado na escolha das palavras — ou se arrependido de usá-las, mas já era tarde para mudá-las. Às vezes prendia a respiração, para só segundos depois voltar a soltar. Quando finalmente terminou, teve que fechar os olhos por um momento para refletir.

Os olhos se fixaram na figura do Kuchiki e o analisou com perícia, observando e guardando muito bem cada expressão que atravessava seu rosto geralmente estoico. Teve que encher mais um copo de água para tirar a secura que se apoderava de sua garganta. Ryuken começou com a voz calma, apesar de firme:

— Há muitos anos, recebi uma carta. — Parecia que ele tinha sido transportado para um tempo muito distante, imerso em lembranças. — Ah! Aqueles tempos! Ainda me lembro do papel amarelado, manchado de lágrimas... Lúccia me pedia para cuidar de você, para que nada de ruim acontecesse. Que fizesse o possível e o impossível para que ficasse seguro e feliz. Só O Pai sabe o quanto essa pobre menina sofreu — deu uma pausa e respirou fundo.

“Ela rogou por perdão pelo que tinha feito. Implorou tanto... Mas eu fiz o que me pediu. Alimentei-o, eduquei-o e fiz o possível para que percebesse o quanto era amado. E sempre que podia, escrevia de volta para Lúccia, informando sobre tudo, contando-lhe como as coisas estavam. Isso perdurou por alguns anos.” Outra pausa. “Mas em um ano as cartas mudaram. Antes Lúccia era apenas Lúccia. Isso mudou quando essa carta chegou. Ainda estava assinada com o nome dela, mas dizia que a partir daquele momento, ela seria outra pessoa”.

“A menina teria que fazer coisas ruins e faria pelo seu bem. Não me deu nenhum motivo, apenas que era necessário para que pudesse garantir sua vida. Não demorou para que eu soubesse sobre o que ela falava. Os cartazes se espalharam como água. “Rukia” era o que dizia. Naquele tempo o apelido de “ceifadora” ainda não existia.” Observou a calma com que Byakuya escutava sua história e o agradeceu por isso. “Aquela criança precisou sujar as mãos de sangue para que o seu não fosse derramado”.

“Lúccia nunca pôde me explicar os reais motivos por trás de tudo, por mais que eu tenha insistido. Sempre dizia que isso colocaria minha vida em perigo e que deles ela não poderia me proteger. E que eu deveria continuar vivo, porque eu era a única pessoa com quem ela poderia contar e confiar que cuidaria de você. Pobre criança... Os anos continuaram passando e mais cartazes foram aparecendo. E a única coisa que eu sempre soube é que não importava, não importa o que as pessoas dizem. Lúccia ou Rukia não é essa pessoa que falam. Ela é uma menina boa que sempre se sacrificou”.

Respirou fundo novamente e esperou por uma reação. Qualquer coisa que demonstrasse que a verdade finalmente tinha o alcançado. Era extremamente difícil lê-lo. Às vezes se perguntava se aquela criança animada, brigona e temperamental que outrora fora Byakuya, não passava de um fruto de sua imaginação.

Byakuya se manteve impassível. Não sabia o que pensar, muitas dúvidas o corroíam. Claro que não deixaria isso evidente, mas precisava ficar sozinho para pensar. Conteve um suspiro e se levantou.

— Precisa de mais alguma coisa, filho? — Ryuken também se levantou e esperou por uma resposta além do silêncio.

— Não, já ouvi o suficiente — declarou monótono e segurou a maçaneta da pequena porta.

— O que você vai fazer agora?

O xerife pensou se deveria responder tal pergunta. Confiava nele, mas...

Deixou a luta interna de lado e decidiu falar. Depois de tudo, também precisava lhe dar uma resposta sincera:

— Se realmente estiverem conspirando para tomar o poder do país, preciso fazer alguma coisa. Tenho que estar um passo à frente deles.

— Certo. Cuidado, meu filho. Rezarei para que tudo dê certo — disse com um sorriso tranquilo. — Se precisar de algo, sabe onde me encontrar.

Ele assentiu, concordando e saiu sem dizer mais uma palavra. Precisava tirar umas coisas a limpo... E rápido.

I&R

Não tardou para que Byakuya chegasse a delegacia. Ali poderia colocar seus pensamentos em ordem. Não estava completamente vazia, vários oficiais trabalhavam, e uma hora ou outra a sala se enchia de burburinhos; isso não o incomodava. O trabalho o ajudava a pensar melhor.

Distraiu-se com um papel na mesa e começou sua reflexão: a história do padre o encheu de sentimentos que não se recordava. Lembrou-se de como amava sua irmã. Ainda que tivesse assassinado seus pais, isso nunca tinha sido o suficiente para mudar o que sentia por ela. O que realmente o fez desprezá-la, foram todas aquelas coisas horríveis que diziam que ela tinha feito. Poderia soar cruel, mas sabia que seus pais não eram santos e Rukia jamais tinha recebido afeto como ele. Sua irmã tinha todos os motivos para matá-los. Mas... Pessoas inocentes?

Isso não poderia perdoar jamais. Tinha decidido se tornar xerife para que seu país não fosse infestado de mais pessoas da corja dela. E agora, pensar nisso, fazia seu estômago revirar. A ideia de que estivera odiando a irmã, enquanto ela estava o protegendo e se sacrificando, fazia-o se sentir terrível. Embora alguns fatos continuassem a não se encaixar, como ela ter se envolvido com um bando realmente criminoso.

Não o surpreendia muito que alguns xerifes citados estivessem conspirando contra o governo. Não ia com a cara da maior parte deles. Principalmente com Kenpachi Zaraki, que era um homem desprezível e que não merecia o cargo que tinha. Era um selvagem sem escrúpulos e, por coincidência ou não, era o xerife mais próximo do governador. Não duvidava que algum deles seria capaz de algo assim, e o fato de terem ordenado que quase um ano fosse esperado para a execução de Rukia, só fortalecia suas desconfianças.

Precisava investigar isso.

Outra coisa que o perturbava era tentar entender como Rukia tinha mandado a carta. Porque a tinta denunciava que não era antiga, e sim, escrita recentemente. Como ela continuava tendo acesso a esse tipo de informação se estava confinada? Como tinha conseguido fazer contato com seu bando? Sabia que tinha sido Yoruichi a entregar a mensagem. Então, o que raios Ichigo Kurosaki estava fazendo?

Tinha deixado a irmã sob seus cuidados porque confiava nele. Sabia que faria um bom trabalho. Entretanto, agora já tinha suas dúvidas. Se Rukia tinha conseguido acesso a informações com tanta facilidade, isso só podia significar duas coisas: Ichigo não estava cuidando dela direito ou eles tinham criado intimidade o suficiente para que ele confiasse nela.

E as duas possibilidades eram inaceitáveis.

Para terminar, havia a fuga inexplicável da irmã de Sora Inoue. Já fazia um tempo que ela tinha desaparecido sem deixar nada além de um bilhete, que dizia estar fugindo com um homem que amava. O que era completamente estranho, porque todos sabiam o quanto ela era devota e apaixonada pelo sub-xerife. A garota era um livro aberto.

Tudo era muito estranho e suspeito. Precisava pensar no que faria antes que fosse tarde demais. Não podia se dar ao luxo de esperar e deixar que seus inimigos dessem o primeiro passo.

— Xerife Kuchiki. — Era um dos oficiais. Ele estava de pé na frente da mesa, segurando um papel. Uma expressão cansada tomava todo o seu rosto. Byakuya deu permissão para que ele prosseguisse: — Fiz o que o senhor mandou. Todos a quem perguntei disseram que ainda pela manhã forasteiros foram vistos deixando a cidade pelo sul. Mas um deles não era tão forasteiro assim.

— Prossiga — ordenou curioso.

— A senhorita Orihime estava com eles, senhor — esclareceu e depois seus lábios se tencionaram em uma linha reta. — Não posso garantir que a informação seja verídica, mas todos disseram o mesmo e que se não fosse ela, era uma mulher muito parecida.

Byakuya assentiu, pensativo. Sua mente processou tudo muito rápido e em questão de segundos pensou em algo. Levantou-se da cadeira.

— Mais alguma coisa que eu precise saber?

— Não, senhor.

— Estou saindo — avisou e ajeitou o chapéu em cima da cabeça. O sol estava quente e o caminho era longo. — Já sabe o que fazer se algo acontecer. Estarei de volta logo.

Saiu em passos apressados e arrumou o cavalo. Já sabia a quem deveria fazer perguntas e dependendo de suas respostas, teria que ir visitar o sub-xerife e sua irmã e ver tudo com os próprios olhos.

I&R

Yamamoto desceu as escadas para receber seus convidados. A casa estava lotada de pessoas bem arrumadas, o som das risadas enchia o ar e a banda tocava animadamente. O governador possuía um sorriso condescendente e enquanto atravessava no meio das pessoas, apertava as mãos de alguns e murmurava cumprimentos para outros. Às vezes parava para trocar uma palavra rápida.

Pegou um copo de conhaque e procurou Zaraki com os olhos, tarefa que não foi muito difícil, considerando o tamanho dele. Alcançou-o em segundos.

— Apreciando a festa, Xerife Zaraki? — Ergueu o copo para um brinde silencioso.

— Sabe que não ligo para essas merdas — retrucou, dando de ombros. — Estou aqui pela comida, bebida e pelas mulheres.

Yamamoto quase riu com a falta de cortesia do homem, mas já estava acostumado com suas grosserias, então se irritava com menos frequência. Olhou para os lados para ver se alguém estava atento a conversa deles, mas todos pareciam entretidos com seus próprios assuntos para querer lhes dar atenção.

— Está chegando a hora, vamos agir em breve — informou com seu tom grave e solene.

— Já? — Zaraki estava surpreso, pensou que demoraria mais para que isso acontecesse.

— Mudança de planos — começou a esclarecer em um tom mais baixo. — Desde o começo estava decidido que faríamos isso enquanto Rukia estivesse confinada, para que ela não estragasse os planos. Mas os Kuchiki são uma raça desgraçada e eu previ que Byakuya iria começar a investigar as coisas. Até porquê, um tempo tão grande até um julgamento tão previsível levanta suspeitas em qualquer um — alfinetou com os olhos apertados de acusação. — Meus contatos disseram tê-lo visto fazendo algumas perguntas.

— Está falando daquela criada magrela que você colocou para espionar Rukia e o sub-xerife — deduziu e deu outra golada no uísque que bebia. — Que tipo de pergunta ele andou fazendo?

— Está desconfiado que possa ter algo a mais entre o sub-xerife e a irmã — esclareceu. — Ainda não pode ter a ver com nosso plano, mas se ele já está fazendo essas perguntas, não tardará para que comece a cutucar o que não deve. E podemos ser muitos, mas ele é um Kuchiki e é influente. Basta abrir a boca e tudo pode ir por água abaixo.

— E você está se borrando agora, velho? — Zaraki provocou com um sorriso quase animalesco.

— Temos que eliminá-lo e colocar um dos nossos em seu lugar até que tudo fique nos eixos — concluiu, ignorando as provocações do xerife. — Quero a cabeça dele! Em breve mandarei alguns capangas para assassiná-lo e, claro, vão pensar que foi aquele bando estúpido da “ceifadora”. — riu.

— Faz sentido — concordou com um aceno. — Vão achar que queriam libertar a líder e por isso o mataram.

— Dois coelhos em uma cajadada só. Aqueles idiotas andam fazendo uns movimentos bem suspeitos. Não sei o que estão tramando, mas vou destruí-los antes que consigam o que querem. Depois faço Rukia se livrar dos Vaizards e depois eu mesmo me livro dela.

— Você é um velho perverso — Zaraki declarou.

— Pela nação. — Yamamoto levantou o copo para um brinde, que foi aceito rapidamente.

— Pela nação — Kenpachi murmurou de volta e bebeu o restante do uísque em um gole só.

I&R

153

A chuva caia insistente, às vezes os trovões enchiam o ar em um estrondo tão alto que parecia fazer as coisas tremerem. Os relâmpagos iluminavam o céu de tempos em tempos. A casa de confinamento era castigada pelo temporal e em vários pontos caíam goteiras, deixando o chão bem escorregadio. Rukia quase caiu em uma das poças enquanto voltava para o quarto.

— Essa chuva foi completamente inesperada — murmurou assim que encontrou a ponta da cama no escuro. Subiu e engatinhou para o lado de Ichigo.

— Verdade. Não consigo me lembrar qual foi a última vez que choveu tanto — concordou com um breve sorriso que ela não era capaz de ver na escuridão.

Ela se aconchegou bem pertinho dele e o sentiu passar o braço por debaixo de seus ombros para que ela pudesse encaixar a cabeça em seu peito. Aceitou o convite de bom grado, gostava de ficar desse modo com ele. Gostava do calor do corpo de Ichigo.

— No que está pensando? — Ichigo perguntou de repente, a ponta dos dedos acariciando o braço dela devagar. — Você parece tensa. Medo de trovões? — Havia um sorriso em sua voz.

Rukia amaldiçoou Ichigo mentalmente. Amava-o, mas odiava o fato de ele ter aprendido a ver por trás de todas suas ações. Ele começara a prestar bem mais atenção em tudo e isso a fazia tomar bem mais cuidado com o que dizia e fazia. Isso era absurdamente irritante. Talvez ele soubesse que ainda escondia coisas.

Poderia mentir e dizer que odiava trovões, mas o desgraçado saberia que não era verdade e ainda ficaria fazendo perguntas que não queria responder.

— Não, estúpido! — guinchou e beliscou sua barriga com mais força que o necessário. Ele gemeu. — Para ser sincera — decidiu que contaria parte do que a afligia —, estava pensando no meu irmão. Ainda é difícil para mim, fiquei anos sem vê-lo e quando isso finalmente acontece, mal posso conversar com ele.

O sub-xerife ficou em silêncio por um tempo, sem saber o que dizer. Não tinha irmãos, não era capaz de entendê-la completamente. Subiu a mão do braço até o cabelo dela e afagou ali, até pensar em algo. Mas foi ela mesma quem quebrou o silêncio:

— Você acha que se eu tentasse falar com ele ou contar algo, ele acreditaria em mim? — Engoliu em seco, teve vontade de chorar. — Estou perguntando, porque meu irmão não é mais o mesmo. Ele não é a criança que conheci. Sei que ele cresceu, mas ele mudou tanto... De onde saiu aquele olhar tão frio?

— Ele não foi sempre assim. Mudou depois de um tempo... Foram os cartazes que fizeram ele virar um homem amargurado. Ele te admirava, Rukia — disse com a voz branda. — E apesar de tudo, sei que ainda te ama.

— Então se eu mandasse uma carta, digo, é uma suposição — Ela tremeu e preferiu achar que era de frio —, mas se eu escrevesse uma carta contando as coisas para ele, acha que acreditaria em mim?

— Difícil dizer. — Foi sincero. — Não sou capaz de garantir isso, Rukia. Mas acho que no mínimo faria ele pensar.

— Entendo. — Balançou a cabeça, pensativa. Espero que você acredite em mim, irmão.

Estava tão aflita. Precisava de qualquer sinal de que Byakuya tinha ao menos considerado a hipótese de que tudo que ela escrevera fosse verdade. Se seu plano não desse certo, todos — inclusive ela — iriam morrer. O pensamento a fazia ter arrepios.

Tentou parar de pensar nisso pelo menos naquele momento. Estava ficando doida. Subiu os dedos pelo peitoral de Ichigo e esperou que ele reagisse a leve carícia. Não demorou muito e ele se virou para beijá-la profundamente. Seus lábios se encontraram com vontade, ambos gostavam do sabor agridoce daquele contato.

As mãos dele subiram por suas costas, fazendo círculos com o polegar naquela área. Ela entrelaçou uma perna na dele e apertou os dedos entre seus cabelos ruivos, separou-se um pouco para respirar, apenas para começar novamente. Dessa vez a mão grande de Ichigo apalpou a carne macia de sua briga lisa, até alcançar um seio e acariciar ali com desejo. Ele separou os lábios dos dela e desceu, distribuindo beijos molhados por seu pescoço, onde deu leve mordidas.

Rukia gemeu e apertou-lhe os ombros. Sentiu os dedos da outra mão dele procurar o calor entre suas pernas.

O restante dos seus gemidos foram abafados pela chuva.

I&R

— Odeio ter que procurar por esses desgraçados — Grimmjow amaldiçoou pela milésima vez, enquanto o cavalo começava a dar os primeiros sinais de cansaço. — Há quantos dias estamos procurando esses merdas?

Ulquiorra se manteve impassível. Já estava acostumado a ter que lidar com aquele temperamento horrível de Grimmjow. Então resolveu ignorá-lo, era a melhor coisa a se fazer. Precisavam achar Shinji, mas dessa vez o maldito tinha se escondido muito bem. Já fazia quase uma semana. Toda vez que descobriam uma pista, era furada.

— Vamos dar água para esses cavalos antes que morram, porra — voltou a dizer diante do silêncio de Ulquiorra. — A próxima cidade está perto.

Ulquiorra murmurou um de seus monossílabos, assentindo. O pensamento vagou até Orihime. Esperava que ela estivesse bem. Também pensou em Nell e consequentemente olhou para Grimmjow, que parecia bem mais mal humorado que de costume. Já não saberia dizer se era por causa do que tinha acontecido entre ele e Nelliel — seja lá o que tivesse acontecido, mas sabia que algo tinha ocorrido — ou se tinha a ver com a decisão de Rukia.

A posição de Grimmjow era complicada. Provavelmente Rukia era a única mulher por quem ele tivesse realmente se apaixonado e chegado a amar. E agora a desgraçada estava o abandonando para ficar com aquele maricas do sub-xerife. Inacreditável. O que tinha acontecido com “eu sou apaixonada por você¹”? Tinha ido pra puta que pariu. Mas como amava aquela mulher, estava lá, procurando outro bando de maricas que usavam máscaras no meio do nada.

Estava com raiva.

E para terminar, tinha Nelliel. Precisava falar com ela.

Malditas mulheres.

Poucos minutos depois, chegaram em Oklahoma. Alcançaram um bar pouco movimentado e amarraram os cavalos perto da baia para que descansassem. Grimmjow passou a mão na crista de seu cavalo, enquanto ele bebia água. Os olhos se voltaram para a baia cheia de água e repleta de capim.

— Vamos, Grimmjow! — Ulquiorra chamou. — O que foi?

— Nada... Não é nada — resmungou antes de segui-lo.

Por um momento, foi afogado em lembranças de uma baia suja, grandes olhos azuis, olhos de gato, e um nariz quebrado.

Notas finais
¹ isso é uma coisa entre eles, porque o normal é dizer "estou apaixonada", mas tem uma explicação para tudo isso e será dada logo. O 'erro' é proposital. Aeee. Chegamos ao fim! hehehe. Ai, espero que tenham gostado e que não tenham achado tão chato. u_u É muito difícil escrever com/sobre o Byakuya sem deixá-lo OOC. Então foi um desafio para mim, que acabou sendo bem prazeroso no fim das contas. Aposto que ficaram querendo hentai, né? UAHAUHAUAHUAHA. Não se preocupem, em breve terá! Um IchiRuki e outro de um casal que não vou falar. Como isso é só um capricho, acabo priorizando outras coisas (sem falar que estou morrendo de preguiça de escrever um). Finalmente as coisas estão se encaixando e gosto disso! (UFA!). Tirando os capítulos do passado do banco, estamos bem próximos do fim. Chega de falar, né? Eu falo pra porra! UAHUAHAUHA. Só queria confessar uma coisa: estou orgulhosa de mim mesma por estar respondendo todos os reviews direitinho. KKKKKKKKK Prometi que jamais deixaria acumular e ficar sem responder novamente. Percebo o quanto isso é importante, não é? Chega! Obrigada por terem lido até o final! Esperarei pelos lindos reviews que costumo receber e até o próximo capítulo! Beijo! ♥ ps: Estava me perguntando se alguém sabe porque o nome da fic é "Círculo de Fogo". Será que alguém acerta? :D ♥
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.