Notas iniciais
Hello! Podem me bater, eu deixo. Era para esse capítulo ter sido postado semana passada. Porém, eu fui pra farra ao invés de terminar o capítulo. KKKKK Me desculpem, mas também me deem um desconto, era meu aniversário! (Estou aceitando presentes ou reviews atrasados, hein!) Agradecimento a Lus Couto pela décima primeira recomendação, muito obrigada! Mesmo! Obrigada pelos reviews, amei todos, e desejo as boas vindas aos novos leitores! Sejam bem vindos! E agradeço a Lara capivara-bitch por ter betado o cap. Qualquer erro que encontrem a culpa é minha que não deixei ela fazer o trabalho direito, mas também não tem problema culpar a capivara. KKKKK ♥ Chega de conversinha nas notas iniciais e vamos para a leitura! Capítulo menor do que o habitual, me perdoem por isso. Boa leitura! Até as notas finais.

Capítulo 23

“Não é o mesmo quando olho nos olhos dela, a magia não está lá.”

Always Gonna Love You — Gary Moore

Rukia

166

Deixei que Ichigo ficasse a sós com Orihime. Fiquei um pouco enciumada, mas o que eu poderia fazer? Ela era a noiva dele afinal de contas. Eu não tinha nenhum direito de me sentir assim. Sem contar que eu havia ajudado ele a traí-la. Senti-me um pouco mal com isso e, por um momento, desconfiei que ela já sabia. O jeito que ela me olhou e a maneira que forçava uma expressão comum. Orihime estava estranha — mais do que eu acho que era.

Além disso, essa história de carta e Ulquiorra me deixaram com uma pulga atrás da orelha. Que maldição isso queria dizer?

Fui para o quarto e deitei na cama. Abri a carta e antes mesmo de lê-la, sabia que não era coisa boa. Comecei a ler com pressa.

“Olha aqui sua maldita, chega disso!”

Opa! Eu achava que cartas sempre começavam com bons cumprimentos, mas parece que Yoruichi se esqueceu disso. Continuei:

”Você precisa voltar agora mesmo! Eu não sei exatamente o que está acontecendo, mas surgiu uma história de que você está apaixonada pelo sub-xerife e que nem por reza vai voltar sem um motivo convincente.”

Como eles sabem disso? Arqueei a sobrancelha, desconfiada. Mais que raios era isso? Como isso chegou até eles? E por que eles querem tanto que eu volte? Isso tudo é saudade?

“E bem, aqui está um motivo muito bom para que você volte: O governador Yamamoto irá matar Byakuya para assumir o governo militar do Arizona. Você sabe, a família dele já está de olho no Arizona faz tempo. Ele espera que você acredite que Shinji fez isso para que você se livrasse dele e dos Vaizards.”

Parei de ler. Estava horrorizada.

Aquele desgraçado! Ele me prometeu que não faria nada ao meu irmão! Eu fiz tudo que ele queria! E eu jamais machucaria Shinji, eu o odeio a maior parte do tempo, mas também o amo. E também nunca machucaria os seus companheiros!

“Pior que isso, é o fato dele querer nos usar para derrubar o presidente e assumir o posto. Ele planeja cumprir o destino manifesto, a missão de civilizar toda a América, por bem ou por mal. Ele espera que os EUA domine o mundo. Se não o impedirmos, o país com certeza entrará em guerra. E em grande escala.”

“Seremos um bode expiatório para seu plano, vamos ser executados assim que Yamamoto tiver a chance de nos pegar.”

Deixei um grunhido ensandecido escapar. Esse homem é um podre! Como ele tem coragem de fazer algo assim? Eu sempre achei que aquele velho se limitaria a desviar dinheiro dos bancos — que nós tínhamos que roubar — e acabar com seus oponentes de forma suja — o que nós também fazíamos por ele, o que, sinceramente, não era tão ruim. Eram velhos tão ruins ou até piores que ele. Molestadores, assassinos e corruptos.

Eu não posso deixar que ele mate meu irmão.

Continuei lendo, com medo do que mais poderia estar acontecendo.

“Enquanto você estiver aí dentro dessa casa de confinamento, dará tudo certo para que os planos dele funcionem. Você precisa voltar. Eu sei o quão importante seu irmão é, e você deve fazer parte disso. É algo que você deve fazer, você sabe disso.

Olha querida, eu realmente não sei o que realmente está acontecendo entre você e o sub-xerife, e custei a acreditar quando soube que estava apaixonada. Se isso for realmente verdade, infelizmente devo dizer que você terá que escolher entre o sub-xerife e a vida de seu irmão. Eu imagino o quão difícil isso vai ser, mas você precisa decidir rápido.

Daqui a cinco dias, algum de nós irá até a casa de confinamento, espere perto do penhasco à noite. Boa sorte, nós te amamos. Fique bem.

E mais uma coisa, não se esqueça do Grimmjow. Você já entendeu, certo?”

Deixei que a carta caísse no chão.

Eram coisas demais para absorver. Ainda estava em choque. Jamais imaginaria que isso iria acontecer. Enquanto eu estava aqui me “divertindo”, a vida do meu irmão corria perigo.

Definitivamente, as coisas não foram feitas para darem certo para mim.

Eu sei exatamente o que tenho que fazer, mas pensar em me afastar do Ichigo faz meu peito doer. Estou tão angustiada. Afundei meu rosto no travesseiro e gritei de frustação. Que maldição! Eu teria mais uma semana com o sub-xerife, talvez duas. E então, sairia de sua vida para sempre e deixaria que ele se casasse com Orihime.

Então, esta é a dor de apenas imaginar a pessoa que você ama com outra? Sério, que irônico. De todas as pessoas que eu poderia amar, “eu” escolhi justamente Ichigo. O mais distante, o mais impossível. Justo alguém que não poderia ficar comigo por já ter tudo que desejava.

A vida é injusta demais, não que eu já não soubesse disso, mas ainda assim... Ainda assim eu queria ao menos ter esperança. Um raio de luz, qualquer coisa.

Levantei da cama e peguei a carta a enfiando no bolso de qualquer jeito. Fui para a cozinha pegar cigarros. Já fazia um tempo que não fumava, Ichigo não gostava e, além disso, eu não estava ansiosa ou com raiva como antigamente, estava só... Triste. Cheguei no balcão e risquei um palito de fósforo acendendo meu cigarro logo em seguida. Ia andar de volta para o quarto, mas parei quando ouvi Ichigo dizer:

— E você é uma boa mulher vai encontrar alguém que te faça feliz.

O que diabos estava acontecendo?

Minha curiosidade foi maior que meu bom senso. Fiquei parada ali, bisbilhotando, esperando ouvir algo que esclarecesse o que eu tinha acabado de ouvir.

— Adeus, Ichigo — disse Orihime, com uma voz de choro.

Mas que raios estava acontecendo? Por que eles estavam falando como se não fossem se ver novamente? Fiquei encostada na porta sem saber se deveria ir discretamente para o quarto ou se ficaria ali mesmo esperando Ichigo aparecer e — talvez — me dizer o que tinha acontecido.

Porém, logo algo decidiu por mim. Senti algo queimar minha mão e soltei um gemido — bem alto — de dor e larguei o maldito cigarro no chão.

Ah, que maldição!

Espiei pela porta e Ichigo permanecia de costas para mim parecia imerso em pensamentos, tão imerso que acho que não ouviu meu gemido de dor. Fiquei ali o observando. Alguém poderia me culpar por amá-lo?

Ichigo era todo que uma mulher poderia querer: bonito, gentil, carinhoso, bom de cama — é... Muito bom! — e tinha caráter. Tirando seu defeito de julgar tudo muito rapidamente, ele era praticamente perfeito.

Suspirei. Estar amando é uma droga, porque constantemente me pego soltando suspiros sem nenhum motivo e corando por menos ainda! E isso é ridículo demais! Acho que nunca irei me acostumar, caso esses sejam “sintomas” de amar. Notei que Ichigo ameaçava se virar e rapidamente corri para a cozinha — não sem antes esbarrar com força em um móvel qualquer, o que doeu pra caramba — e fiquei atrás do balcão como se nada tivesse acontecido.

Coloquei a expressão mais deslavada no rosto e esperei que ele entrasse. Quando entrou e vi sua expressão, foi como se meu coração partisse ao meio. Ele parecia tão... Não sei. Culpado? Eu não saberia dizer, mas algo em sua expressão me fazia querer abraçá-lo com força. Esforcei-me para ficar em silêncio e esperar que ele dissesse algo.

Um. Dois. Três.

— Rukia? — chamou, parecendo me notar. — Você estava fumando aqui dentro? — perguntou. Seus olhos alternando entre mim e o resto de cigarro que eu não tinha nem fumado.

Sem saber o que dizer, apenas assenti. O silêncio se instalou e optei por quebrá-lo dessa vez.

— Eu sei que não gosta que eu fume aqui dentro, mas... Sabe. Você estava lá fora e eu não queria atrapalhar a con... — minha voz foi sumindo aos poucos e o silêncio caiu novamente. — O que aconteceu, Ichigo?

— Nada demais. Não se preocupe, está tudo bem! — disse, com um sorriso forçado. — E está tudo bem com você? Se você estava fumando é porque estava ansiosa. Aconteceu algo?

— Não. Nada. Eu só estava... Pensando — respondi.

— Hum — murmurou, desconfiado.

— Eu vou sair um pouco — avisei e caminhei em sua direção calmamente, quando estava próxima o suficiente, murmurei: — Você está bem, certo?

— Sim, não se preocupe, eu estou bem. Já disse! — insistiu.

Quanto mais ele insistia, menos eu acreditava. Era impossível acreditar. Aquela expressão em seu rosto e a voz chorosa de Orihime. Havia algo muito errado ali. Tinha algo que me incomodava, incomodava tanto a ponto de me fazer ficar interessada em algo que simplesmente não era da minha conta.

— Certo. Se você está dizendo — murmurei, dando de ombros. — Estou indo.

Quando ia passar pela porta, Ichigo bateu no meu traseiro. Parei no mesmo instante e uma expressão incrédula tomou conta do meu rosto.

— Hey! — exclamei verdadeiramente surpresa, dando uma risada.

Ichigo deu um sorriso amarelo e fez um gesto para que eu saísse. Revirei os olhos e fui na direção do rio. Essa casa me trazia más lembranças, mas com Ichigo ao meu lado eu sentia que poderia enterrar todas essas memórias revividas por eu ter voltado.

Só que até isso eu estava perdendo. Estava perdendo Ichigo. Mesmo que ele não fosse inteiramente meu e que a criminosa aqui não passasse de um mero passatempo. Retirei a carta do bolso a fim de lê-la outra vez, notei imediatamente que tinha algo escrito no verso da folha. Como eu não notei isso antes?

Abri a folha com pressa e li em voz alta:

“A esperança tem asas. Faz a alma voar. Canta a melodia mesmo sem saber a letra. E nunca desiste. Nunca.” — Emily Dickinson.

E o que raios era para ser isso?

O papel estava em falta para Yoruichi ter arrancado a folha de um dos livros? Ou era só uma brincadeira sem graça para me irritar?

Maldição!

I&R

Já estava tarde e eu não conseguia dormir. Estava deitada na cama com Ichigo que já estava dormindo há muito tempo. Já fazia um tempo que compartilhávamos a mesma cama. E devo admitir que adorava isso, fazia com que eu me sentisse próxima, íntima dele.

Sorri com isso.

A janela estava aberta por causa do calor, assim possibilitando a entrada da luz da lua cheia. Era uma bela noite. Fiquei observando Ichigo dormir. Ele estava tão tranquilo, tão diferente do que estava mais cedo. Isso não saia da minha cabeça de jeito nenhum. E junto a isso, a ideia de me afastar, de ir embora sem me despedir do sub-xerife... Estava cortando meu coração.

Atrevi-me a tocar sua face adormecida levemente, fazendo uma carícia em seguida. Oh Deus! Como eu o amava! Parei quando o senti se mexendo. Murmurou algo e logo voltou à tranquilidade.

— Eu amo você, sabia? — sussurrei naquele único momento de coragem.

Como eu era covarde!

— Rukia? — murmurou. Congelei. Ele tinha ouvido? — Ainda não está dormindo? Pesadelo? O que foi?

— Nada, apenas sem sono — murmurei de volta.

Apreciei seu sorriso sonolento.

Ele me puxou para perto e me abraçou, fazendo com que eu sentisse sua fragrância. Levantei meus olhos para ele foi surpreendida com um beijo deliciosamente preguiçoso e salgado... Como sempre. Durou apenas um instante, um instante que eu daria tudo para durar a eternidade.

— Agora durma — sussurrou, cheirando meu cabelo. — Eu estarei aqui quando você acordar.

— Obrigada — respondi, me aconchegando em seus braços.

Agora eu entendi o porquê de Yoruichi ter rasgado uma folha do livro. Não era porque estava faltando papel, era porque ela acreditava em mim. Ela me conhecia perfeitamente e sabia que eu escolheria meu irmão e que, ainda assim, meu coração ficaria machucado por isso. Ela entendia todos os sacrifícios que eu já fiz e não queria que eu fizesse mais um. A minha amiga esperava que eu lutasse pelo que eu queria.

Salvaria meu irmão e depois teria que lutar, lutar por Ichigo.

Mas a pergunta era: Como eu faria isso?

E então, as palavras ressoaram em minha mente:

“E nunca desiste, nunca.”

Notas finais
E aí? Gostaram? Espero que sim, porque mesmo estando menor que os outros, eu tentei colocar momentos IchiRukis para vocês! ♥ Aguardarei ansiosamente os reviews, tentarei não atrasar o próximo capítulo. Obrigada! Beijos e até o próximo!