Círculo de Fogo
2 Capítulo 01
Notas iniciais
Bem, tentarei manter a frequência de um capítulo por semana.
E aqui está, mais um capítulo fresquinho!
Capítulo 01
“As fechaduras quebradas era um aviso que você estava na minha cabeça”
Ichigo
200
Era um pesadelo! Só podia ser um pesadelo! Mas se era, por que diabos eu não acordava? Como vim parar nessa situação? Ah sim! Por que o louco do xerife me obrigou a vigiar essa psicopata assassina sem ao menos deixar eu recusar! Foi assim que parei nessa situação!
Ah, merda, merda e merda! AAAAAAAAAH!
Já havia passado uma hora desde que chegamos a casa de confinamento nas montanhas. Poucos criminosos costumavam ser mandados para cá, e para dizer a verdade, a casa era um aposento bom demais para criminosos.
Dois quartos, uma enorme cozinha, um lávabo e uma gigante sala. Além disso, havia um rio nos fundos da casa. Sim, confortável demais para quem iria morrer em “breve”.
Em todo o caminho para cá, a prisioneira não havia dito nada, apenas assobiou uma música que realmente não fiz questão de reconhecer. O silêncio predominava sobre nós. Afinal, o que eu iria dizer?
“Olha, viva direitinho seus últimos duzentos dias e seja uma boa menina!”?
Ah tá.
Além disso, não tinha o menor interesse em compartilhar uma conversa com ela, falaria apenas o necessário.
Fazia uma hora que ela estava sentada no sofá de frente para mim, com os olhos fechados. Provavelmente dormindo. Ainda continuava com as mesmas roupas e acorrentada nas mãos e nos pés. O suficiente para que desse passos curtos e o suficiente para que não desse conta de correr.
Fechei os olhos por um tempo que pareceu infinito, abri-os novamente quando o barulho das correntes se movendo chegou aos meus ouvidos. Ela tinha levantado. Observei-a dar passos curtos na minha direção mas não levantei.
— O que está fazendo? Pare aí — ordenei sério, encarando-a profundamente, ela não me obedeceu. — Mandei você parar. — Rukia abriu um sorriso e continuou vindo na minha direção. Soltei um longo suspiro de irritação e levantei do sofá. Sem se importar com isso, continuou vindo, não fiz nada aguardando sua ação. Apenas um metro nos separava. — O que quer?
— Tira minha roupa. — Hã? Ela era doida? Do que ela estava falando? — Ande logo com isso.
Espera... Ela falou! A voz dela era diferente da aparência inocente. Era autoritária e ao mesmo tempo delicada, grossa e suave? Que diabos! Foco Ichigo! Foco! Ignorando isso, a olhei sem entender
— Por que diabos eu faria isso? Já enlouqueceu? — Soltei com indiferença e ela franziu o cenho
— Então tire essa corrente do meu braço para que eu mesma tire. — Oh, céus. Além de assassina e o diabo a quatro, era uma maníaca sexual! Ela estaria planejando me atacar? — Não vai tirar?
— Claro que não. Volte para o seu lugar.
Rukia estalou a língua e de repente abriu um sorriso estranho.
— Me dê um banho então, não quero cheirar a bacalhau em conserva. — Ri mesmo sem querer, então era isso? Ela queria um banho? O alívio que senti por saber que além de conviver com uma criminosa, não teria que conviver com uma maníaca sexual durou pouco. — Se quiser, posso ajudar nos seus banhos também. — Oh! Tinha certeza que corei. Não sabia lidar com mulheres e naquele momento me odiei por isso. Meu rosto estava em chamas e isso era constrangedor. E a pior parte, era que a maldita havia dito aquilo como se tivesse dito um mero “ bom dia”. — Que bonitinho, ficou com vergonha, xerife?
Passei a mão pelo cabelo em um gesto nervoso. Já estava vendo que lidar com aquela mulher seria um saco. Não tinha escolha. Ou a soltava ou eu teria que dar um banho nela — e eu não faria isso — ou a mandava calar a boca e deixava-a ficar suja.
Não era tão mau para deixá-la ficar suja e não era nenhum pervertido.
— Tudo bem. Irei soltá-la apenas nos braços, mas se tentar fazer algo não irei relutar em usar a força e fazer você perder seus preciosos duzentos dias — falei com sarcasmo e ela riu daquilo por algum motivo. — Além disso, estarei vigiando.
— Não precisa se preocupar com isso. Se quisesse fugir, já teria feito isso há tempos. — Olhei-a desconfiado por suas palavras. O que ela queria dizer com isso? Estava insinuando que deixou-se ser pega? — Vamos. Tire isso logo.
Peguei o molho de chaves do bolso da minha calça e a soltei. Ela massageou os pulsos que estavam roxos e espreguiçou-se com vontade a ponto de vários ossos estralarem. Apontei para a porta do lávabo e continuei a olhá-la desconfiado. Dei um passo para trás e dei espaço para que passasse.
— Sem gracinhas. Entendeu? —murmurei retoricamente em meu tom mais sério.
— Que pena. Achei que podíamos fazer umas pequenas gracinhas. — Fez um bico que a deixou totalmente infantil.
Oh céus! Duzentos dias era muita coisa! Eu não aguentaria isso por todo esse tempo! Ela era uma tarada! TA-RA-DA! E novamente, tinha certeza que havia corado violentamente. Maldição!
Rukia gargalhou alto.
— Ca-cale a boca. Vá logo antes que eu desista de deixar você ir. — Virei o rosto para esconder meu constrangimento, que aliás, era bem visível. — Não esqueça. Estarei vigiando.
— Sem problemas. Não ligo se quiser dar uma espiadinha. — Oh! Um homem em sã consciência não resistiria a esse tipo de provocação, ela sendo uma criminosa ou não, mas eu era um exceção.
Mentira Ichigo! Mentira! Ela ainda era mulher! E eu ainda era homem! Suspirei fundo. Uma, duas, três vezes.
— Vá logo! — Apontei para a porta já nervoso.
Essa mulher sabia como irritar uma pessoa. Em menos de um minuto ela conseguiu me deixar constrangido três vezes. O que seria de mim?
Rukia andou devagar até o lávabo e eu a segui numa distância confortável. Parei na porta quando ela entrou e fiquei esperando do lado de fora, enquanto ela terminava o maldito banho. Suspirei cansado e era só o primeiro dia, já começava a imaginar o que viria nos próximos.
Fiquei em pé por vinte minutos e a ouvi me chamando.
— Querido — A voz estava repleta de sarcasmo —, xerife. Arrume uma roupa para mim, sim?
— Não vou pegar nada — respondi secamente. Ela achava que eu era o quê? A empregada dela? Eu hein!
— Então não vai se importar se eu ficar nua — falou cheia de malícia, o que me fez mudar de ideia imediatamente. Ouvi os seus passos vindo na minha direção e tratei de me pronunciar antes que algo realmente acontecesse.
— Espere aí. — Praticamente vooei até um dos quartos.
Havia um pequeno guardaroupa de mogmo encostado em uma parede estranha. Revirei a maioria das gavetas, mas tudo que tinha eram roupas masculinas, que sem dúvida alguma, ficariam gigantescas nela... Ainda mais que ela era pequena e proporcional...
Espera aí! Quando eu parei para observar isso? Ah! Mexi na última gaveta e por pura coincidência, ou não, haviam roupas femininas. Estranho.
Peguei uma muda de roupa avaliando uma por uma. Oh céus, o que eu estava fazendo? Estava sendo reduzido de um sub-xerife à uma empregada. Meu pensamento só piorou quando percebi que teria que pegar uma calcinha para a psicopata. Olhei na gaveta e vi umas peças menores e automaticamente presumi que seriam as... As... Isso mesmo!
Enfiei tudo debaixo do braço e comecei a voltar, parei quando lembrei-me de um pequeno e grande detalhe:
Se eu voltasse andando de frente, eu iria vê-la nua, e como eu andaria de olhos fechados? Diabos!
Suspirei fundo e sai do quarto com esperanças que tudo desse certo e eu não precisasse passar por outra situação constrangedora. Para o meu alívio, parecia que ela ainda estava enfurnada no lávabo. A uma distância razoável, atirei as roupas no chão e virei de costas.
— Belas roupas. — Provavelmente murmurou para si mesma. Ouvi o barulho dos botões sendo abertos com pouco cuidado e tratei de tentar me concentrar em outra coisa. — Pronto.
Olhei-a e WOW! Sem dúvida alguma, ela era a criminosa mais linda que eu já havia visto. A calça de couro marrom e a blusa branca de mangas longas caira perfeitamente no corpo feminino, ambos estavam muito coladas. Tentei disfarçar minha pseudo-atração desviando o olhar, mas quando ia fazer isso, ela lançou algo na minha direção que peguei ainda no ar. Era...
— Mas o quê...
— Não gosto de usar calcinhas. — Rukia arqueou as sobrancelhas e merda! Pensei um monte de porcaria. A maldita havia feito de novo! De novo! Sabia que estava rubro de vergonha.
— Tanto faz — murmurei e joguei a calcinha para qualquer lugar. Voltei a sentar em um dos sofás e ela me seguiu sentando no mesmo sofá. Encarei-a como um gesto reprovador, realmente me sentia incomodado com toda essa proximidade
— Você tem medo de mim, xerife? — Os lábios dela eram rosados de tal forma que chamou a minha atenção e me distrai por segundos.
— Não — respondi no tom mais confiante que consegui, os pelos da minha nuca estavam eriçados como em um sinal de alerta, o corpo dela estava inclinado na minha direção e foi impossível não reparar no seu físico.
— Isso é muito bom — pronunciou dando bastante ênfase no “muito”, o que me fez ficar desconfiado. — Tem cigarro?
— Não fumo — falei na defensiva e ela me olhou com um brilho estranho nos olhos.
— Ora, um homem perfeito. — Riu consigo mesma, fazendo-me achar que ela era mais louca do que parecia. — Não se sente à vontade para conversar comigo, não é?
— Exatamente — disse sem hesitar, olhando-a nos olhos. — Meu trabalho é apenas te monitorar, nada além disso. Não tenho a obrigação de conversar com você ou coisas do gênero — finalizei e ela se levantou.
— Isso é uma pena, querido xerife. — Fitou-me com aqueles olhos pertubadores e invasivos e aquela vontade de mergulhar dentro deles, invadiu-me mais uma vez de maneira mais intensa. — Eu gosto de você. — Inclinou-se na minha direção e simplesmente não conseguia reagir. — Não seja mau, você é a única pessoa viva nesse lugar e eu realmente odeio silêncio. Seja um bom xerife e converse comigo, okay?
Os olhos dela eram persuasivos, desviou os olhos dos meus, fazendo com que eu saísse do transe momêntaneo.
— Posso pensar. Não que você mereça, óbvio.
Rukia sorriu perante minha resposta.
— Pense com carinho. — Por algum motivo, estremeci. — E me chame de Rukia, gosto que me chamem pelo nome. — a voz saiu irritada e comecei a agradecer por ela não saber ler mentes, por razões óbvias. Assenti levemente. — Odeio os apelidos ridículos que põem em mim. Como “ceifadora”. Eu nem tenho uma foice!
— Certo. Mas para você, ainda é xerife Kurosaki.
— Certo, xerife Kurosaki. — Tive uma pequena imprenssão que ela debochava de mim. Afastou-se e sentou no outro sofá. Provavalmente já ciente que eu não me sentia confortável com toda aquela proximidade. — Estou com fome, tem como me dar algo?
— Tudo bem, fique ai. — Quanto tempo ela estaria sem comer?
— Faz uma semana que eu não como. — Parei assustado. Tinha pensado alto? Talvez ela lêsse mentes. — O que foi?
— N-nada. — É. Parecia que ela não lia mentes, fora apenas coincidência. Peguei duas maçãs que estavam na fruteira em cima da mesa e logo entreguei a ela que pegou de bom grado.
— Você é casado, xerife? — perguntou em meio a uma mordida e outra. Balancei a cabeça negativamente. — Que raro.
— O que? — repliquei, sem conter minha curiosidade pelo comentário.
— Você é sub-xerife, bonito e não fuma — murmurou de forma rápida. Ora, ela me achava bonito! Calma, eu não deveria estar feliz por isso. — Homens assim são casados com boas esposas, que os esperam chegar do trabalho com um sorriso estúpido no rosto e fazem tudo para agradá-los, mesmo que o dia delas tenham sido uma bosta. — Pela maneira como tinha dito, estava claro que menosprezava esse tipo de coisa. — E claro, a maioria ainda aguenta as relações extraconjugais nem tão discretas assim.
— O que uma menina da sua idade, pode saber disso? — A forma que ela tinha dito me irritou. Parecia, sei lá, que eu estava incluso nesse grupo. Ela gargalhou mais alto do que de costume.
— Você tem quantos anos, meu bem? — indagou quase desafiadora.
— Vinte e oito — respondi orgulhoso.
— Você acha que eu tenho quantos anos?
— Vinte e três, no máximo, vinte e cinco. — Na verdade, ela parecia uma adolescente, mas preferi não comentar isso.
— Fico lisonjeada, porém, sou mais velha que você, xerife. Eu tenho trinta e cinco anos, garoto. — Não consegui disfarçar minha surpresa. Trinta e cinco? Caralho! Nunca que eu daria essa idade para ela, nunca mesmo! Ela parecia uma boneca. — E eu sei da vida. Mas você pode ser diferente. — Passou os dedos entre os cabelos curtos em um gesto despreocupado e observei-a com mais interesse do que deveria.
— Imagino que sim — respondi, com os olhos ainda nela, que acabou soltando um suspiro.
— Julgar as pessoas é muito fácil, xerife. Ainda mais quando não conhecemos ela. — Não foi difícil perceber que ela falava sobre como eu estava a tratando. — Ou motivos.
— Acredito que mesmo que haja algum motivo, não justifica tirar vidas.
Rukia riu, quase, com escárnio.
— O destino é cruel, Kurosaki. Cruel. — Terminou uma das maças e me olhou profundamente. — Ainda mais quando não podemos fazer nada para lutar contra ele.
Notas finais
Beijo e até o próximo!
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