Céu Cinzento
1 Prólogo - The Meadow
Notas iniciais
Espero que gostem dessa história, e é só isso que tenho a dizer,
Enjoy =*
Eu estava correndo em meio a corredores escuros, cheios de portas, mas nunca encontrando o que queria. Meu irmão, Dan.
- DAN! DAN, ONDE ESTÁ VOCÊ? DAN ME RESPONDA!
Continuei correndo até uma porta bem iluminada, e lá estava, Dan, sorridente. Porém seu sorriso era triste. Ele parecia magoado.
- Dan... Pensei que nunca mais te veria...
- Emily, eu tenho que ir.
- Não! Por favor, não! Não me deixe de novo!
Tentei segurar seu braço, ou até mesmo abraça-lo, qualquer coisa para impedi-lo de ir. Mas foi em vão, qualquer coisa que eu tentasse para me aproximar faziam-no ficar cada vez mais distante, até ele sumir de vista. Meus joelhos cederam e comecei a chorar sofregamente, de algum jeito eu sabia que aquela tinha sido a última vez que eu veria meu irmão.
Acordo com a face molhada pelas lágrimas que ainda escorriam livremente pelo rosto, não me importando deixo as lágrimas saírem e molharem a frente do meu pijama. São 10h39min. Uma boa hora para levantar, só que prefiro encarar meu pesadelo novamente a encarar o sorriso triste de minha mãe e o olhar carinhoso de meus tios. O que eu faço aqui? Meu lugar não é aqui! Mas também não posso ficar chorando, esse é meu último dia de férias. Amanhã eu conhecerei minha nova escola, High School of Hays City. Que saudade da minha vida em Atlanta, atualmente eu moro com meus tios, que vivem em uma grande chácara na cidade de Hays, Kansas. Minha mãe, Carmen e eu nos mudamos para cá a mais ou menos um mês. Só que como diz minha mãe, é hora de esquecer o passado. Mas é difícil com um passado tão perto e doloroso. Balanço a cabeça. Nada disso hoje Emily! Hoje você vai sair e ir dar uma volta naquela Campina com a árvore, quem sabe levar algum livro. Vou perguntar para tia Megan se ela tem algum. Levanto-me e abro a janela, aqui o ar é tão puro. Ando em direção ao espelho e de algum jeito consigo domar meu cabelo loiro encaracolado, ponho uma roupa confortável e desço para pegar alguma coisa. Antes de sair pego meu livro, “A Última Música” para ler na Campina. Lá é tão quieto, consigo até afastar pensamentos ruins por lá. Minha mãe está sentada na cozinha com uma xícara de chá, creio eu. Dou-lhe um sorriso e ela me retribui com o seu sorriso animado e contagiante, porém só eu percebo que seu sorriso tem algo de triste. Algo se quebrou ali, e talvez nunca possa ser consertado, seus olhos verdes como os meus, antes tão brilhantes, agora são um pouco mais distantes e opacos. Nunca mais voltaremos ao que éramos antes. Pego uma fatia de pão com manteiga e saio com o meu livro para fazer o caminho longo até a Campina da Árvore. É um caminho longo e sem muito o que olhar, por isso volto a pensar no passado. Uma lágrima solitária escorre pela minha bochecha e deixa uma trilha salgada em meu rosto. O caminho se torna mais familiar e chego em um campo aberto com uma pequena colina no centro, onde há uma árvore. A Campina da Árvore, como eu chamo agora. Subo a pequena inclinação que leva até a árvore e lá sento para ler. O tempo vai passando até que paro de ler, pois estou lendo o mesmo parágrafo a 3 minutos. Suspiro cansada de tudo. O Sol já está quase na linha do horizonte e o céu já se colore de laranja. A quanto tempo estou aqui? Meu Deus, nem vi as horas passarem. Olho novamente para o céu colorido. Um céu tão colorido parece um insulto enquanto minha vida está tão cinzenta. Nem percebo que lágrimas estão descendo livremente pelo meu rosto. A dor não é apenas emocional, ela parece ser física. Como se alguém estivesse arrancando um pedaço do meu peito todos os dias. É insuportável. Nesse momento percebo um movimento ao meu lado. Um labrador aparece.
- Ei garoto. Calma. Calma. – Digo rindo da empolgação do animal ao me ver.
- Fred! Ei garoto! – Escuto um assobio e o cachorro para com as orelhas levantadas.
De repente aparece um garoto de cabelos castanhos rebeldes e olhos castanhos travessos.
- Ah aí está você Fred! Hã.. oh desculpe moça, eu não tinha te visto aí. – Disse o garoto me analisando. – Tudo bem? Como é o seu nome?
- Emily Waters, e o seu?
- Waters? É parente da Sra Megan?
- Sim, ela é minha tia, por quê?
- Curiosidade. Você se mudou durante o verão, certo? É que nunca te vi por aqui.
- Sim, me mudei à um mês. Mas você não me disse seu nome.
- Ah, me desculpe. Jonathan Mascon. Ou Johnny se preferir.
Dou um pequeno sorriso para Jonathan.
- Então, vai estudar na High?
- Ah, sim. – Digo. – Em que ano você está?
- Vou entrar no primeiro.
- Eu também.
- Que coincidência. Mas, tudo bem com você? Pelo que pude ver, andou chorando.
- Problemas pessoais. Não se preocupe, vou sobreviver.
Ele da uma risada e fico fascinada com o som doce. Também começo a rir e quando vejo estamos gargalhando. Que cena devemos estar fazendo.
- Oh, tenho que ir, Johnny. Eu já estava planejando sair, só que me perdi no pôr-do-sol. – Digo sonhadora. Percebo que ele está me encarando e penso “ele deve achar que sou maluca”, mas ele enrubesce quando olho para ele. Franzo as sombrancelhas em confusão. – Tenho que ir, até amanhã.
- Espere! Você vai a pé amanhã?
- Sim, por quê?
- Então eu vou com você! Eu passo ali normalmente as sete!
- Ok, até a amanhã!
Ele desaparece correndo junto com seu cachorro e olho em direção ao pôr-do-sol. O céu agora está vermelho-sangue e meus cabelos parecem ser ruivos, e não loiros. Pego meu livro no chão e me ponho a voltar para casa. Amanhã o dia será longo. Chego em casa e pego apenas uma bolacha para comer, tomo uma ducha e vou dormir. Mais uma noite de pesadelos com aquele céu cinzento.
Notas finais
Até o próximo! =*
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