Câncer
1 Câncer
Eu conseguia ouvir o vento passar, e sentir o calor das minhas lágrimas percorrerem meu rosto. Estava simplesmente sem ação, estático. Não conseguia entender o que estava acontecendo, eu estava com medo, não sabia o que fazer. Diante dele quase sem vida, se esvaindo a cada gota de sangue que derramava por aquele tão profundo corte, e a culpa era toda minha. Se eu não tivesse feito aquilo, se eu não o tivesse ferido daquele jeito, talvez isso não tivesse acontecido. Eu o via partir sem poder fazer absolutamente nada, estava indo embora, já se distanciava de mim, seu rosto ficara pálido e sem vida, seu coração aos poucos parava de bater e sua respiração enfraquecia cada vez mais a cada palavra que ele tentara me dizer. Foram poucas as palavras que consegui decifrar entre ofegos de dor que ele se permitia dar... Eu o amava muito, e amo até hoje. Ele me disse as seguintes palavras:
- Posso sobreviver o dia sem você, mas só passo a viver quando olho nos seus olhos, Yuu. Eu te amo..
Foram as únicas coisas que pude entender entres os baixos gemidos de dor que ele deixava escapar por entre seus lábios bem desenhado. Eu chorava compulsivamente, estava completamente imobilizado, aquilo que acabara de acontecer era culpa minha, eu o tinha ferido tanto que ele acabou por se matar. Depois de algumas horas já me via abraçado a um corpo seco, gelado, sem vida. Sua vida tinha se esvaído por completo, e mesmo assim não conseguia sair dali.
Naquele dia eu estava drogado,além de bêbado, cheguei em casa e forcei Kouyou a transar comigo,mesmo sabendo que ele tivera me visto com Mizuki na gravadora. Nós íamos fazer três anos de namoro exatamente naquele dia. E eu estraguei tudo, eu já o traia a meses e ele sabia, e eu, como se não bastasse o trair, fazia questão de faze-lo na sua frente, fazia questão de magoa-lo, e ele nem sequer dizia uma palavra, tamanho era seu medo de me perder. Hoje eu entendo o porquê dele ter se matado... Ele não queria me perder mais, não queria ter a certeza de que jamais o amaria de novo como amava a três meses atrás. Ele tinha medo, tinha vergonha de dizer o que sentia quando me via com outros homens, e mesmo assim, permanecia ao meu lado, sem reclamar, me dando carinho, sem cobrar absolutamente nada em troca. Ele era persistente, mesmo quando eu o enxotava, ele segurava com todas as suas forças as lágrimas que teimavam em extravasar e sorria fraco com soluços presos na garganta fazendo de tudo para que eu ficasse feliz. Mas... Eu nunca fiz nada... Nunca dei atenção... Nunca mostrei pra ele o quanto eu o amava. Pra ser sincero, nem mesmo eu, sabia o quanto o amava... Eu sinto muito sua falta, jamais me perdoarei por ter feito isso com ele. Eu o ridicularizava na frente de todos, eu ... Deus, eu o estuprei várias vezes. Eu já o feri incontáveis vezes, bati nele, e... ele nunca... sequer respondeu, ele apenas aceitava ser meu brinquedo, não se importando com mais nada, ele só queria estar ao meu lado. Ele sempre dizia que me amava, e eu nunca respondia a essas palavras de afeto...
Hoje? Hoje eu sou um cadáver vivo, não como, não durmo desde que o vi morrer em meus braços, desenvolvi um câncer, e me resta um mês e meio de vida, os médicos me disseram que é irreversível e que meu pulmão já está sangrando. Eu não sei se vou agüentar mais um mês, não sei se vou conseguir suportar a dor insuportável de viver sem o meu namorado, sem a pessoa que realmente mais amei durante um mês e meio. Tentei me matar algumas vezes, depois disso saí da banda, e Reita me internou numa clínica de esquizofrênicos, disseram que eu estava louco. Mas eu sei que não estou nunca estive. Depois de um ano que Kouyou morreu, eu já tinha tentado me matar umas 15 vezes, impressionantemente as 15 foram frustradas por Reita ou Ruki. Eu realmente não sei se isso foi sorte ou azar. Preferia estar morto ao ter que viver com esse maldito peso na consciência. Essa maldita saudade que eu tenho dele. O que um dia eu chamei de vida, se tornou uma desgraça.
Agora estou na minha cama, agarrado a uma garrafa de vodka e com um marlboro vermelho na mão direita, olhando para cima, é a única coisa que eu tenho conseguido fazer, desde que ele se matou. Já se passou um ano... Um ano... E eu moro nos meus pensamentos e lembranças que eu tenho dele. Lembro de cada dia que pude olha para seu rosto, vendo-o sorrir, estando feliz de simplesmente estar ao meu lado. Mas eu remoia mais o dia que ele tivera feito... a besteira.
-Kouyou! Fica longe de mim! Já disse que não gosto de você, que só te aturo por comodismo, nada mais.
Dei um forte soco em seu rosto, fazendo-o cair no chão com os lábios sangrando.
-Já disse, fique longe de mim, eu tenho nojo de você, não quero que encoste em mim, você não vale nada pra mim, nada.
Eu o vi abaixando a cabeça deixando as lágrimas escorrerem pelo seu belo rosto. Ele então olhou pra mim e disse com a voz fraca:
-Yuu... P-por que? O que foi que eu fiz pra você, afinal?
Ele sorriu fraco, como o de costume, e eu o respondi olhando para cima com ambas as mãos na cinturasorrindo de canto:
Porque você é um lixo, não serve para nada. E me satisfaz a hora que eu bem entender. Agora, sai da minha frente, eu tenho mais o que fazer do que escutar essas suas bobagens.
Como sempre, eu estava sob efeito de drogas. Nunca usava uma coisa só, sempre fazia misturas fortes, e sempre ficava agressivo, e ele era o único que não se afastava de mim, mesmo eu batendo nele sem dó. Ele se levantoue foi para a cozinha. Eu não me importei muito com seus movimentos, eu estava indo para a cozinha pegar algo para beber, quando cheguei logo atrás dele, ele já tivera enfiado em seu próprio estomago uma faca que eu guardava a anos, tinha 35 centímetros de comprimento. Eu corri até ele tentando evitar o que já tinha acontecido, ele segurou na minha mão e enterrou mais a fundo a faca em seu abdome, e logo em seguida caiu sobre mim, tirando a faca de seu próprio corpo, fazendo a hemorragia piorar. Eu o abracei com força já no chão, ele commuito esforço passou o braço por de trás do meu pescoço e sorriu, beijou meu rosto e disse que me amava.
Eu já não agüento mais, a banda não existe mais, não tenho mais amigos... Não tenho mais o meu Kouyou... Não tenho mais a o que me prender, essa vida desgraçada não me valeu de nada. Tudo que eu quero agora é morrer o mais rápido possível... Me livrar dessa maldita dor que é não ter tudo que eu mais amei, e não sabia.
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