Notas iniciais
Galera um avisozinho antes do cap. Bem, para os que leram Harry Potter até o final e sabem mais ou menos sobre essa segunda geração, sinto muito pelo erro que cometi e descobri apenas recentemente. Na verdade, Rose é mais velha que Hugo, ela estuda com James, enquanto Hugo tem a idade da Lily; Scorpius também, que aparecerá mais para frente, teria a idade de James e Rose. Entretanto, para manter os fatos ligados na história eu vou manter com os erros que cometi mesmo, espero que não tenha nenhum problema quanto a isso para ninguém. Bem, vamos ao capitulo!

Hagrid

Quando seus irmãos comentaram, antes mesmo de seu primeiro dia, sobre os professores de Hogwarts, sinceramente pensou que eles estavam exagerando. Afinal, estava em uma escola de magia e não em uma instituição de apoio para pessoas com problemas mentais! Escusado será dizer que essa primeira semana que havia passado dentro dos enormes portões de tão incrível instituição de ensino foram os dias mais loucos que já teve durante toda sua vida.

Muitos dos professores que seus pais chegaram a ter não estavam mais presentes, seja por terem perecido na guerra contra o Lorde das Trevas ou por simplesmente terem se aposentado. Seja como for, Mcgonagall conseguiu encontrar os mais loucos professores que a Inglaterra mágica poderia oferecer nos atuais tempos. E olha que viviam em uma ambiente recheado de magia, loucura maior do que essa não deveria existir.

Começando sua lista, em uma retrospectiva sobre o que havia passado em suas aulas, estava o professor de poções.

Charlies Wolddy.

Em uma palavra: excêntrico.

Um homem de não mais de trinta anos, cabelos esbranquiçados e arrepiados sobre sua cabeça de forma permanente, como se em algum momento de sua vida tivesse sido acertado por um raio e nunca mais os fios de sua cabeça poderiam cair sobre seus ombros, crescendo como grama sobre sua cabeça, bastante inchada por assim dizer. Havia entrado na sala com os enormes olhos arregalados e atitude suspeita, encarando a todos os alunos presentes com um nervosismo que fazia todos suas mãos e braços se moverem para todos os lados, não necessariamente pela tremedeira. Seus pés sapateavam pelo chão, sempre agitado, afobado, nervoso.

Talvez a teoria do raio não estivesse muito errada, afinal. Ele poderia muito bem ter sido atingido e ter ficado com a energia acumulada em seu corpo.

Ele chegou a se embolar um pouco em suas próprias roupas mal arrumadas enquanto procurava o óculos para conseguir ler a chamada. Não deveria ser surpreendente ver que, quando encontrado o objeto, ele se tratava de uma enorme armação redonda com lentes fundo de garrafa que aumentavam ainda mais o tamanho de seus olhos arregalados. Compará-lo aos olhos de uma coruja seria eufemismo.

Assim que os nomes foram ditos em ordem, começando por Corvinal, pulando para Sonserina, em seguida Lufa-lufa e por fim terminando com Grifinoria o homem se deteve em um dos nomes, franzindo o cenho ligeiramente, lendo uma e outra vez o próximo nome que iria pronunciar.

– Ace D. Portgas? — seus enormes olhos procuraram o rapaz que, desesperadamente, procurava sufocar as gargalhadas em sua boca ao mesmo tempo que erguia a mão.

Ace era alto, os olhos acinzentados chamavam a atenção, o brilho cansado e envelhecido sempre presentes nele, como se tivesse vivido mais do que sua aparência pudesse permitir, seus cabelos, compridos para os de um garoto, caiam um pouco abaixo de seu maxilar, partidos ao meio e ligeiramente ondulados e espigados, parecia nunca querer penteá-los. Seu rosto, moreno pelo sol, era salpicado com sardas pela bochecha, não era tantas como a família Weasley, mas chegava a ter uma boa quantidade. Ele por si só já se destacava, sua aparência havia feito suspirar mais de uma garota pelo colégio.

– Essa partícula D... Ela também tem em outro aluno... Quem... — antes que ele pudesse terminar a pergunta uma pequena mão na Sonserina se ergueu, indicando a pequena Blue, um enorme sorriso felino desenhado em seu rosto enquanto sentava-se de pernas cruzadas sobre o banco. Em suas mãos estava um papel onde se destacava seu nome. — Oh! Sim, a senhorita Kuroo. Estou curioso, vocês são parentes?

– Não. — respondeu prontamente Ace, enquanto a pequena na Sonserina simplesmente maneava a cabeça de um lado para o outro.

– Entendo. Então essa partícula em seus nomes, o que significa? É alguma abreviação? — questionou novamente o professor, estranhamente interessado.

– Shiranai* – respondeu novamente o moreno, enquanto a pequena simplesmente dava de ombros.

A aula prosseguiu sem mais qualquer comentário ou assunto que pudesse divergir da criação de poções.

O próximo professor que lhe marcou a lista, com toda certeza, era o professor de transfiguração e também vice-diretor da escola.

Mayhard Adler.

O simples fato de que quando chegaram uma enorme águia com penas negras em seu corpo e brancas em sua cabeça, bico amarelado e extensas garras ameaçadoras estivesse pousada elegantemente sobre um poleiro qualquer na frente da sala já era o suficiente para impressionar.

Pride chegou a piar descontente, elevando-se em suas pequenas patas e inflando as penas flamejantes de seu peito enquanto agitava um pouco as asas, um ar desafiante. Seus olhos cansados e semi-fechados haviam, por alguns instantes, aberto-se um pouco mais, mostrando seus bilhantes olhos verde água, os quais pareciam bastante ameaçadores no momento. Lily descobriu tempos depois, com uma pequeno aviazinho de papel enviado por Blue durante a aula, que sua ave avisava para a águia que aquele era seu território.

Todavia, mais impressionante ainda foi o fato de dita águia ter prontamente se transformado em seu professor, alto e imponente diante de todos os estupefados alunos que se mantinham sentados em suas cadeiras. Lily reforçava sua impressão de que tal homem nunca parecia sorrir. O vinco em sua testa era bastante notório mesmo quando não estava a franzir o cenho.

Mesmo assim, a parte de todo seu ar mal humorado, era um homem bonito, não deveria ter chegado ao seus trinta anos ainda.

E como era exigente! Agora compreendia porque Albus sempre reclamava da matéria de Transfiguração. Se até mesmo um pio fosse soltado durante sua aula o aluno já corria o risco de levar uns bons dias de detenção. Não era preciso dizer que ele se deu bem com Blue, afinal, a garota não poderia fazer ruidos de qualquer jeito.

Na verdade, agora que pensava no assunto, Lily realmente não ouvia sons vindos da pequena sonserina. Mais de uma vez havia assustado algum que outro aluno do primeiro ano com aparições repentinas, furtivas e rápidas. Ace não era muito diferente, deveria admitir, quase matou o pobre James do coração quando se aproximou na Sala Comum para falar sobre alguma coisa relacionado ao professor de poções. Mas Blue era diferente, seu nível era mais assustador. Era quase como se seus pés não tocassem o chão e por tal motivo não produzia o costumeiro som de passos.

Por sua parte, Ace também havia se interessado na história de Animagos apresentada na aula e como parecia ter adquirido o agrado do professor depois de entregar-lhe o dever feito de forma exemplar, Lily não duvidava que em pouco tempo o moreno já estaria tendo aulas particulares para se tornar um.

O próximo professor em sua lista e com toda certeza a que chegava no topo dela, com todas as indicações e unanimidades, era a professora de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Merida era seu nome, sobrenome era desconhecido até mesmo por seus colegas de trabalho. Existiam boatos de que apenas Mcgonagall sabia sobre tal sobrenome, o qual não era revelado porque a professora era uma fugitiva e tinha se escondido em Hogwarts.

Mas eram apenas boatos, e esse era o mais "normal" que havia escutado.

Seja como for a mulher não era nada mais nada menos que a bela loira que soltara um divertido comentário na primeira noite na escola pelo apetite voraz de Ace e Blue.

Era uma mulher bem animada, um pequeno sorriso sempre estava desenhado em seus lábios enquanto os olhos estavam quase sempre semi-cerrados, escondendo o quão atenta poderia ser. Também era uma mulher bem misteriosa e indiscreta. Em seu primeiro dia o mais marcante foi seus estranhos e impertinentes comentários, ela não parecia ter escrupulos para falar exatamente o que queria.

Defesa Contra as Artes das Trevas era um dos unicos cursos os quais não eram acompanhados de outra casa, por tal motivo Lily não viu Blue naquela vez. A garota havia se afastado por um tempo, não sabia se era pelo que havia acontecido na enfermaria com Ace ou qualquer outra coisa, ela poderia estar sendo intimidada por ter ajudado uma pessoa da grifinoria, afinal o acontecido já tinha se espalhado por toda a escola. Todavia, ver o rosto ligeiramente ensombrecido e pensativo de seu companheiro provava que não apenas ela estava estranha depois do ocorrido.

A professora então tinha entrado na sala, toda formosa com suas vestes lergas e esvoaçantes. Lily não poderia negar que a professora tinha um ar poderoso, de liderança o qual atraia os olhares de todos na sala para ela. Seu sorriso leve e calmo mostrava que não tinha problema nenhum para lidar com os alunos dentro da sala de aula.

Cruzando os braços na frente do peito, um pouco abaixo do seios, marcando-os ainda mais e vendo a ansiedade dos alunos ela começou:

– Alguém poderia me dizer por que, em tempos de paz, como os que estamos, precisamos aprender a nos defender contra as artes das trevas?

Várias mãos se levantaram, Rose era uma delas, e os olhos da bela mulher percorreram todos até encontrar-se com uma mão em especial a qual ninguém esperava que iria aparecer entre aqueles que pediriam para responder. O sorriso da professora se alargou, um brilho estranho surgiu em seus olhos.

– Senhor Portgas. — chamou, os olhos focados nos do rapaz que sorriu maroto, erguendo uma sobrancelha.

– Antes posso perguntar como a senhora sabe meu nome sem nem ao menos ter feito a chamada?

– E qual o problema de procurar saber o nome do rapaz que se destacou tanto na primeira noite com seu enorme apatetite e maneiras tão marcantes a mesa? — retrucou a bela mulher, um sorriso sugestivo em seu rosto que provocou um pequeno riso em Ace.

Lily pensava estar enlouquecendo naquele momento, porque tinha quase certeza que presenciava uma estranha cena de uma professora cortejando um aluno que deveria ser no mínimo quinze anos mais novo do que ela.

– Bem, para responder a sua pergunta, devemos aprender a nos defender porque, por mais que os tempos sejam aparentemente de paz, sempre vai existir aquela pessoa que, por algum motivo ou outro, quer fazer alguma coisa que prejudica outras pessoas. Não importa se é com magia ou não, ladrões, estupradores, assassinos e bandidos sempre vão existir em qualquer tipo de mundo e por isso devemos aprender a nos defender. Crianças ingênuas são mais fáceis de atacar do que adultos bem preparados.

– Dez pontos para a Grifinoria por essa grande resposta! — exclamou a professora com um sorriso feliz. — Sim, não podemos nos descuidar simplesmente porque pensamos que tudo está seguro. Nada vai nos grarantir que um novo Lorde das Trevas irá dar as caras. E é por isso que nós estamos aqui hoje e porque esse curso não se tornou obsoleto. Eu os ensinarei a usar essa magia que tem em seus frágeis corpos para se defender.

– Também vai nos ajudar a ter corpos menos frágeis? — questionou Ace, sem nem ao menos preocupar-se em erguer a mão. Um sorriso de escarnio desenhado em seu rosto, tão presunçoso quanto era possível. Lily teve que se forçar para não revirar os olhos em pura exasperação.

– Infelizmente não, meu rapaz! Mas, admito, estou surpresa com sua sujestão. Gosto de pessoas obstinadas como você. — comentou a professora, ainda mais animada do que inicialmente, um enorme sorriso travesso em seus lábios. — Se fosse uns dez anos mais velho não duvidaria em adicioná-lo a minha lista de interesses.

Não cabia duvidas de que os interesses não tinham um significado puritano, principalmente com o brilho que os olhos azuis da professora haviam adquirido durante sua fala, nunca deixando o aluno da grifinoria. Ace retribuiu com um erguer divertido da sobrancelha, ele não parecia incomodado com o fato de que a professora acabou de, quase explicitamente, sugerir que estava interessada nele de forma supostamente imoral.

Rose a seu lado parecia prestes a ter um ataque.

– Ela não pode estar falando sério. — escutou a si mesma sussurrar, tão exasperada quanto estava antes, os olhos arregalados em surpresa. E poderia notar que não era a unica a ter tal reação. Alguns de seus colegas do sexo masculino pareciam até mesmo ciumentos com o assunto.

– Agora que mencionou, professora. Quantos anos a senhora tem? — perguntou um dos meninos, um pouco mais atrás no pequeno monte de alunos que se aglomerava na espaçosa sala. Lily não conseguiu ver quem era, mas isso não importava mais. Todos os alunos já haviam se interessado na pergunta e exigiam a resposta.

– Ora! Que pergunta mais impertinente de se fazer! — exclamou a professora em um tom falsamente indignado, o pequeno sorriso contido em seus lábios quebravam completamente o ar irritado que queria passar. — Não faça essas perguntas para uma mulher. Mas, tudo bem, deixarei essa passar e não direi minha idade! Podem parar de reclamar, eu deixo que vocês pelo menos tentem adivinhar.

– Vinte! — especulou um, sua mão erguendo-se ao ar com um sorriso divertido em seu rosto. Ele havia aceitado o desafio.

– Obrigada, mas não.

– Vinte e cinco! — outro gritou, mais ao fundo da turma. A professora apenas sorriu e todos já sabiam que essa não era a resposta.

– Uma dica pelo menos? — pediu uma garota, ao lado de Lily. Era alta, cabelos compridos e negros, os olhos castanhos e bem desenvolvida para sua idade. Se não estivesse na mesma turma Lily com toda certeza acharia que estaria em seu terceiro ano em Hogwarts.

– Não, sem dicas. Vocês vão ter que acertar sozinhos.

– Trinta e dois!

Mais um sorriso negativo.

– Trinta e cinco!

Novamente o sorriso.

– Vamos professora! Você não deve ter mais de trinta e cinco anos! — reclamou uma garota mais ao fundo, a voz em um tom irritado, como se acusasse a professora de mentir o resultado. — Você por acaso usa magia para parecer mais jovem?

– Minha cara, não conheço nenhuma magia que possa fazer isso. Acredito que se existisse nunca mais as pessoas teriam aparencias de velhos. — comentou divertida a professora pouco se importando com a indgnação da garota. Seria realmente impressionante se ela tivesse mais de quarenta anos e ainda tivesse essa aparencia de uma bela jovem de vinte e poucos anos. — E olha! Nosso tempo está correndo e não comecei minha aula! — exclamou, olhando para o pulso descoberto, sem nenhum sinal de um relogio que realmente poderia lhe dizer a hora. — Sobre minha idade, é um segredo que levarei ao tumulo! Agora, chega de conversa! Quero todos em duplas, vamos aprender a como desarmar o adversário.

E apesar de todos os comentários e zombarias que escaparam durante o resto da aula, Lily não poderia negar que se divertiu. Mesmo nos próximos dias da semana que se seguiram tendo sua aula a professora parecia não diminuir seus comentários indiscretos. Ace era o maior alvo deles e o rapaz pouco se importava, pelo contrário, respondia a altura ou simplesmentes ria divertido.

Agora, depois que a semana havia acabado, em um entediante final de semana sem nada para fazer, com todos os seus deveres feitos e prontos para entregar, cortesia aliás de Rose e Portgas, esparramada em um sofá qualquer da Sala Comum da Grifinoria, pensava em todas as loucuras que haviam acontecido em sua vida logo após a chegada de sua carta de ingressão em Hogwarts. Ainda tinha muitas duvidas em sua cabeça, outros assuntos a incomodavam, mas fora isso sentia-se terrivelmente entediada.

Queria algum tipo de emoção! Não sabia o que exatamente, apenas queria alguma coisa. Talvez não como no Beco Diagonal, o qual teve a terrível sensação que morreria...

Pensando nisso agora, não sabia o que eram aquelas coisas. Andavam sobre duas patas, tinham uma forma que recordava-se a de uma pessoa, mas não pareciam pessoas ou qualquer criatura mágica que já tenha ouvido falar. Naquela ocasião, antes de serem queimadas, conseguiu contar pelo menos três. Todas elas deveriam ser resistentes a magia de alguma maneira, pois nenhum bruxo consguiu pará-las até a chegada de Portgas. Tinham dentes afiados, os conseguiu ver muito bem e bastante perto para seu gosto, manchados do sangue daqueles que já havia matado. Os olhos... Brr, nem ao menos queria se lembrar. Davam a impressão de pura insanidade... Puro... Instinto animal.

– Ace.

– Portgas, Potter-chan. Eu não te dei intimidade ainda para se referir a mim pelo meu nome. Você sabe muito bem que em minha cultura é rude usar o primeiro nome se não for intimo da pessoa.

– Nem ao menos sabemos de onde veio para termos alguma ideia de qual sua cultura. — retrucou Rose, erguendo por alguns instantes o olhar do livro que lia e girava o pescoço para encarar o rapaz um pouco mais distante de onde estavam, sentado em uma mesa de forma preguiçosa. — E você nem se lembra de onde você é, como pode saber qual é sua cultura.

– Apenas sei.

Rose fez que falaria mais, todavia Lily não estava com cabeça para escutar os dois discutindo. Ela também tinha perguntas a fazer.

– Portgas, então. Você sabe o que eram aquelas coisas no Beco diagonal?

– Iie *.

– Por que tem que me proteger?

– Wakaranai*.

– De quem?

– Wakaranai.

– Do que tem que me proteger?

– Wakaranai.

– Você sabe de alguma coisa, pelo menos? O motivo de você ter que me proteger especificamente, por exemplo.

O rapaz suspirou, sentou-se corretamente na cadeira em que havia se acomodado e a encarou com os olhos cinzentos profundos, o cenho ligeiramente franzido.

– Potter-chan, você já tentou colocar-se em minha situação? — o tom era calmo, mas Lily se estremeceu pela profundidade das palavras. Às vezes ela se esquecia que Portgas era bem mais velho do que parecia e sabia bem como usar as palavras a seu favor, apesar de ser obviamente alguém que aparentava não pensar muito. — Antes de estar aqui eu estava em um lugar escuro e apertado, acorrentado a alguma coisa a qual não tinha conhecimento. Quando despertei, porque a senhorita me chamou, eu só tinha duas coisas em minha mente: Proteger você e meu nome. Sem saber o porquê nem como, sem qualquer memória do que me aconteceu antes, de onde estava ou se quer tenho uma família, venho parar em um lugar estranho onde bruxos e bruxas vivem, apesar de eu ter a impreção de que já vi coisas mais loucas. Seja como for, como você estaria no meu lugar?

Lily e Rose se calaram, realmente se colocando na situação do rapaz. Ace na maior parte do tempo parecia despreocupado com sua situação, mas ele se importava, ele deveria se sentir perdido. Lily se sentiu culpada, ela não tinha pensando nele, ela apenas queria saciar suas curiosidades. Foi egoista e seu rosto se tornou rubro apenas por pensar.

– Desculpe. — murmurou, desviando os olhos, não reparando no pequeno sorriso que havia surgido no rosto do moreno.

– Não tem que se desculpar. A curiosidade é natural e eu não a culpo por estar curiosa em descobrir o que acontece. Afinal, é sua vida que está envolvida nisso tudo, mesmo que ainda não sabemos o que. — o rapaz voltou a se acomodar e o silêncio rodeou os três por mais algum tempo.

Nesse tempo Flocos, o pequeno gato branco de pintas pretas de Rose, tinha arrumado uma briga com Pride. Aparentemente o felino queria almoçar o passaro que, supostamente, estaria em chamas, entretanto, Pride não estava muito contente com a ideia e inflava as penas cada vez mais para parecer maior do que realmente era, com toda a intenção de intimidar o predador que o encarava faminto. Para o azar do pobre gato, Pride não era uma ave comum, e assim que o primeiro bote foi dado uma poderosa pata o empurrou para longe ao mesmo tempo que recebia um olhar desdenhoso.

Lily deveria admitir que seu pequeno pássaro era extremamente confiante. Todo pomposo exibia sua força para o gato que o desafiava, mostrando quem realmente era o mais forte. Foi engraçado quando Flocos conseguiu pegá-lo desprevenido e derrubá-lo da barriga de Lily onde estava comodamente ajeitado em suas vestes, emboladas de tal maneira a parecer um ninho improvisado.

No chão a luta entre os dois animais tomou um rumo mais emocionante, obrigando Lily a ignorar por completo mais uma crise de narcolepsia do companheiro sentado na mesa.

Com uma patada Flocos foi empurrado para longe, permitindo a Pride ajeitar-se no chão, sacudindo as asas em forma de irritação, os olhos verdes com um brilho que só poderia ser classificado como assassino. Flocos estaria morto se olhares realmente matassem. Mais um avançar do felino e Pride piou alto, eriçando as penas, esticando o corpo e levantando as asas de forma ameaçadora, forçando ao pobre predador a encolher-se e retezar-se. Presas e garras a msotra enquanto chiava para o pássaro que tinha a frente, o pelo completamente arrepiado.

Pride deu um pulo para frente e o pobre felino se assustou, prontamente saltando para trás e disparando para o colo protetor de sua dona, lançando um olhar perigoso para seu oponente. Parecia dizer "perdi dessa vez, mas da proxima não será igual". Pride estufou o peito, o olhar desdenhoso retornando a suas feições enquanto voava agilmente até a barriga de Lily, voltando a se acomodar como se nada tivesse acontecido. A cabeça erguida em vitória.

Droga! Lá se ia a diversão a ruiva.

– Por que não fazemos uma visita a Hagrid? — perguntou de repente, simplesmente querendo escapar do tedio que continuava a incomodá-la.

– Quem? — Ace perguntou sonolento, esfregando os olhos e mostrando que havia acabado de acordar de sua nova crise. Lily e Rose nem mais se preocupava, desde que ele não fizesse a mesma coisa na aula de voo com vassouras novamente estando longe de Blue, elas sabiam que nenhuma sequela viria, mesmo que fosse muito engraçado ver os lugares estranhos em que ele acabava por dormir. Às vezes até mesmo sobre a comida.

– Hagrid é um amigo da família. É o guarda-caças da escola. — respondeu Rose, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. Ela fechou o livro que tinha em mãos e o guardou em uma pequena bolsa que tinha ao lado, erguendo-se do sofá onde estava carregando Flocos em seus braços, ainda com os pelos um pouco arrepiados por sua recente briga. — Eu concordo em irmos vê-lo. Mamãe e Papai sempre falam dele em suas aventuras.

Ace deu de ombros, erguendo-se de sua cadeira, pronto para seguir as duas garota que prontamente estavam em pé, sorrindo de orelha a orelha. Elas já tinham escutado muito do guarda-caças de Hogwarts seja de seus irmãos ou de seus pais. Elas já o tinham visto algumas vezes, no Beco Diagonal, enquanto faziam compras com suas familias, ou em algum que outro encontro casual entre conhecidos. O enorme homem era demasiadamente bondoso, simples, não compreendiam como alguém não poderia ser cativado por ele.

Ele ainda vivia na pequena cabana nos arredores da escola, próximo a Floresta Proibida. Não demoraram a chegar, as meninas sorrindo uma para a outra enquanto ansiosamente batiam na porta a sua frente. O enorme homem barbudo abriu e encarou seus novos convidados, o sorriso que desenhou em seu rosto foi compleamente encoberto pelos pelos que tinha por todo o rosto.

Ace não sabia por que, mas aquele homem lhe agradou assim que o viu, seu tamanho não o impressionou nem um pouco, porém.

– Oh! Senhorita Lily e Senhorita Rose! Que bom vê-las em Hogwarts, e seus irmãos? — o enorme homem cumprimentou, abrindo espaço, o melhor que podia, para deixá-las passar.

– Estão bem, logo devem aparecer para cumprimentá-lo também. — respondeu Lily, sentando-se na mesa do enorme homem enquanto ele preparava-lhes o chá. Ace manteve-se de pé em um canto qualquer da casa.

Hagrid finalmente notou sua presença.

– Sinto muito, rapaz, não havia persebido que estava aí. — desculpou-se o enorme homem, encarando surpreendido o rapaz que apenas lhe sorriu de forma cortez. — E quem seria o senhor?

– Ace, Portgas D Ace. Hajimemashita*. — o rapaz cumprimentou, entretanto, aparentemente, ninguém no lugar parecia ter entendido. — Ah, desculpe. O tradutor às vezes não funciona direito. — ele apontou para uma gargantilha em seu pescoço, quase completamente escondida sobre as vestes. Negra, com estranhos detalhes salientes, como uma pedra entalhada. Lily sabia que eram runas, mas elas não serviam apenas como tradutor. — Sou japonês e por certas condições tive que me mudar de repente para cá. O tradutor me ajuda um pouco. É um prazer conhecê-lo.

– O mesmo, meu rapaz. Vocês está na mesma casa que as meninas? — Ace assentiu, recusando cordialmente o chá oferecido a ele. — Espero qu estejam se divertindo, James e Albus tem feito muitas piadas pra tentar Hogwarts mais animada, mas nada em comparação a seus tios. George ainda não se olha no espelho?

– Infelizmente não.

– Pobre rapaz, acho que nunca vai superar o que aconteceu. — Hagrid havia se sentado na mesa também, o olhar um pouco triste. — Mas não vamos falar dessas coisas tristes, não é? O que estão achando da escola? Não se meteram em encrencas, eu espero.

– Estamos na primeira semana ainda, Hagrid! Não acredito que conseguiríamos entrar em encrenca tão rápido. — riu Rose.

– Belo pássaro Lily. Uma Finix de Fogo, bem raras. — comentou o homem, o que fez Pride soltar um piado feliz. Oh, como ele adorava ser elogiado! Mesmo que Lily não pudesse entendê-lo como Blue, mas ela já tinha visto algumas manias do pássaro que quase nunca saia de seu ombro.

– Não o elogie de mais, Hagrid. Ele já é cheio de si de mais sem que as pessoas fiquem colocando mais lenha na fogueira. — reclamou Rose, tentando conter um sorriso quando o dito passara ergueu ainda mais a cabeça, mostrando que não se importava com seu comentário. — Sempre que Blue está perto dele não para de rir. Não sei como ela consegue manter uma conversa descente... Mesmo que não diga uma palavra.

– Quem é Blue? Uma outra colega de classe?

– Ela é da sonserina, primeiro ano como a gente. — respondeu Lily, um pequeno sorriso em seu rosto. — Ela não consegue falar e não é muito próxima de nós, mas é uma pessoa legal, mesmo sendo da sonserina. — um grunhido baixinho escapou em uma parte mais ao canto e todos se voltaram para Ace que havia perdido o sorriso para dar espaço a uma careta de desgosto. — Você ainda não conseguiu falar com ela?

Outro grunhido foi sua resposta. Blue realmente o estava evitando, o motivo nenhum deles sabia e Ace tentava descobrir, mas a garota era fácil de escapulir e seu tamanho cooperava bastante. Ace bagunçou os cabelos, exasperado pela situação. Ele sentia que conhecia a garota, ele precisava falar com ela para ter algumas respostas sobre ele mesmo, mas ela o evitava de todas as maneiras desde que conversaram na enfermaria.

Teria cometido um erro ao dizer-lhe a verdade? Ela teria descoberto de uma maneira ou de outra, então como conseguiria respostas?

Lily pretendia dizer alguma coisa qunado o rapaz se ajeitou sobre seus pés, o corpo tenso enquanto seus olhos voltaram-se para a janela, aberta naquele momento, permitindo ver a floresta. Lily virou-se para encarar o mesmo que ele, mas não viu nada além de árvores. Pride piou em seu ombro, Flocos chiou no colo de Rose e todos sabiam que tinha alguma coisa errada.

– Hagrid-san, tem alguma coisa na floresta? — Ace perguntou, os olhos ainda vidrados na jenala.

– Existe várias coisas meu rapaz. Desde unicórnios até lobisomens. — respondeu o guarda-caças, encarando o moreno sem compreender o que ele realmente queria.

– Isso eu já tinha sentindo. Mas o que sinto agora... Não sei nem como descrever, nunca tinha sentido nada igual. — murmurava. Lily se sentiu apreensiva e por instantes sentiu os pelos de sua nuca arrepiarem, como se alguém a estivesse vigiando. Ela estava com medo... Não, ela estava apavorada. — Tem alguma coisa errada com essa floresta e não é pelos motivos que vocês pensam. Eu não gosto disso.

As mãos do rapaz correram para o cabo de sua faca de caça escondida em suas vestes. Ele já sabia por onde começar a procurar respostas para o que acontecia.

Notas finais
Shiranai = não sei Iie = não Wakaranai = não sei. Sim, é igual Shiranai. Hajimemashita = prazer em conhecê-lo ou muito prazer. Alguns de vocês devem ter reparado que depois dos nomes, em algumas falas do Ace, eu acrescento partículas como "san", "chan" e "kun". Bem, no japonês isso é um costume de educação quando você não tem intimidade com a pessoa ou ela é mais velha ou mais nova que você. San seria equivalente a senhor, é um pouco mais formal. Chan costuma ser para meninas ou pessoas mais novas. Kun costuma ser para meninos, apesar que também pode ser usado em nomes femininos. Também aparecerão: Sensei que seria professor Sama que seria como se referir a alguém superior a você. Como um mordomo iria se referir ao seu patrão. Seria quase equivalente a mestre, mas não chega a tanto muitas vezes. Senpai você se refere a uma pessoa mais velha. Por exemplo James é senpai da Lily. Existem outras partículas, não sei se repararam no prologo dois (aqueles que não pularam, claro) um dos personagens terminou suas frases com "yoi". É como um vicio de linguagem igual ao "né" de algumas pessoas. Espero que tenha esclarecido as duvidas. Obrigada por lerem! Ja na~~~!