Cálice Voraz
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Beijos
Deh Atanes
Annie apertou o anel contra o peito. Não sabia o que estava fazendo, nem onde estava se metendo. Continuou passando pelas roupas peludas de inverno, até que teve aquela sensação de frio na barriga e parou subitamente. Observou a relva, que agora estava coberta por uma fina camada branca de neve, a uns poucos metros havia uma pequena cabana caindo aos pedaços, fumaça saía pela chaminé, sinal de que alguém já havia chegado há um tempo. Ajeitou seu casaco e continuou andando.
-Está atrasada — disse Você Sabe Quem, enquanto Annie tirava suas luvas e as pendurava.
-Eu não tenho medo de você, Voldemort.
-Ah, sério? Então por que está aqui?
-Para lhe devolver isso — respondeu e jogou o anel dourado em cima da mesa, o mesmo que o bruxo lhe dera, garantindo proteção em troca de sua preciosa lealdade. — Como você pôde? Você me prometeu!
-Pare com isso, eu falei que você estaria a salvo da capital... não disse nada sobre ele.
-Claro que disse! E agora ele está morto!
-Hahahaha, eu acho tão engraçado como vocês, trouxas, podem se apaixonar uns pelos outros. Por exemplo, você está muito melhor sem aquele inútil do Finnick Odair...
-O quê? Como ousa?!
Lágrimas rolavam pelo seu rosto, ela não podia acreditar no que tinha acabado de ouvir. Sacou sua adaga e lançou contra aquele bruxo imprestável, inutilmente, ela se desintegrou a um simples gesto de varinha.
-Seu covarde! Fica se escondendo atrás desse graveto! O nosso acordo está oficialmente quebrado, eu nunca mais quero olhar nessa sua cara de lagartixa!
-Tem certeza? Pagará as consequências por quebrar o trato, levará o mesmo destino dos outros que não se juntaram a mim e... peraê, LAGARTIXA??
-Sim, e o que você vai fazer, hein? Lançar um feitiço para eu morrer? Na boa, pode vir!
-Não me subestime, garota. Mas, por hora, digamos que vou fazer o seu pior pesadelo virar realidade.
E essa foi a última coisa que ela ouviu antes de Voldemort evaporar em uma poeira verde. Ela não conseguia acreditar, aquele cretino se aproveitou dela e ainda conseguiu sair na melhor. Bem, quase na melhor. Ele podia não desconfiar, mas ela era mais esperta do que imaginava, sabia exatamente o que poderia usar contra aquele bruxo das sombras.
Voltou, seguindo a trilha que a levaria até o guarda-roupas e depois até o acampamento, que deveria estar uma zona devido a colheita. Dito e feito, os campos de morango estavam cheios de serpentinas, confetes e cartazes que saíam dos chalés e davam a volta em todo o perímetro, parecia uma grande festa feliz, apesar do motivo da festa não ser nada feliz.
Continuou andando pelo acampamento quando sentiu um grande puxão em sua manga.
- Annie, você está atrasada! A colheita! Agora! Onde você estava?
- O quê? Ah, Grover, calma, assim você me mata de susto! Como assim? Já começou? Há quanto tempo?
- Já está quase começando, onde você estava? — Ele a encarou com aqueles olhos que só os sátiros têm e que nunca deixavam passar nada, era impossível mentir para eles. — Ah não, você não estava na cabana de novo, estava?
- Bem, eu...
- O quê? Annie, eu já te avisei para não ir mais lá! Os bruxos são do mal, merecem morrer, todos eles, seres desprezíveis. Vai me dizer que tentou negociar com eles de novo...
- Claro que não, Grover! Eu percebi que fui uma tonta e fui até lá quebrar o pacto. Agora está tudo bem.
-Você fez o quê? Você não pode ter feito isso, você acha mesmo que dá para quebrar um pacto? Ninguém nunca... — Foi interrompido pela estrondosa sirene da Capital, que anunciava o início da colheita. — Bem, espero que você saiba o que está fazendo.
E saiu correndo em direção à casa grande.
Já era quase noite, o céu estava tingido em vermelho e roxo devido ao crepúsculo e a casa grande estava totalmente lotada. Eram milhares de campistas torcendo para não ir para a arena, onde ocorriam as mais sanguinárias lutas de toda Panem, poucos dos que saíram vitoriosos ainda estão sãos para contar a história.
Effie Trinket, a representante da capital, acompanhada por Quíron, o mentor, entrou e saudou a todos com sua voz aguda e afetada com o sotaque "capitalense". A colheita havia começado. O cálice de fogo foi posicionado bem ao centro do salão, todos ficaram em silêncio enquanto observavam um papelzinho que ardia em chamas sair voando do meio dos outros e parar na mão de Effie.
- Lee Fletcher! — Anunciou ela, com um sorriso exagerado no rosto.
Vários murmurinhos se seguiram enquanto o pobre garoto ia para o centro, estupefato, sem nem conseguir andar direito. Effie o recebeu no palco com enorme satisfação.
-Vamos continuar? — Perguntou.
- Não! — Os Stoll gritaram lá do fundo, o que fez com que todos caíssem na gargalhada.
- Foi uma pergunta retórica! — Respondeu indignada, tentando não perder a compostura, e lançou um olhar gélido em direção aos gêmeos, que saíram correndo com o que conseguiram levar da comida. — Continuemos.
Quase instantaneamente, outro papel carbonizado pulou para as mãos de Effie, que ficou mais meia hora tentado desdobrá-lo.
- Annabeth Chase! — Gritou finalmente. — Não, esperem.
Espremeu os olhos e fitou a pequena tira de papel chamuscado.
- Ah, desculpem, campistas, não está escrito Annabeth Chase, a nossa tributa feminina desse ano é Annie Cresta!
Annie desabou, sentiu seu mundo caindo, sentiu todos a quem amava sendo deixados para trás. E enquanto os outros corriam desesperados para socorrê-la só conseguia pensar em uma coisa, uma única frase que provava o quanto ela era ingênua,uma voz sibilante retumbando em sua cabeça: "Não me subestime, Annie Cresta. Mas, por hora, digamos que vou fazer o seu pior pesadelo virar realidade"...
- Deh Atanes
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