Notas iniciais
E aqui vai a segunda ronda!

16-01-2012

Diogo;

Já passaram duas semanas e ainda não voltaste... E começa a ser complicado manter a calma cá em casa.

A mãe pegou numa fotografia tua e rasgou-a. E não sei bem porquê mas não a impedi. Fiquei estática na ombreira da porta a chorar e a vê-la rasgar a tua foto em mil pedacinhos. Se tivesse conseguido mover um único musculo, impedi-la-ia, mas não consegui e arrependo-me muito disso. Desculpa.

Depois pegou no álbum — no azul às riscas brancas — e deixou-o cair no chão. Agarrou numa tesoura e ajoelhou-se à sua frente erguendo a mão que a segurava e, não sei como, deixou-a cair também. E a seguir voltou a chorar.

Desde que saíste que ela já não chora devagarinho... Agora, sempre que olho para si, está com os olhos vermelhos e o rosto inchado e o seu choro é tão alto que tenho o receio que se afogue nos próprios lamentos.

O pai continua na mesma.

Hoje, ao vê-la junto das tuas coisas, correu até ela e gritou. Gritou demasiado porque fê-la assustar-se e a mim também. Mas acho que ainda não me viram... Ela levantou-se e pediu desculpa.

Por que é que ela pediu desculpa?

O pai prendeu-lhe os pulsos e gritou ainda mais. A mãe encolheu-se um bocado e cerrou os olhos. Eu também fechei os meus. E quando os abri fiquei paralisada pois o pai estava a abraçá-la e também chorava.

Lembras-te de ver o pai a chorar?

Eu não me lembro...

Até sempre;

Crazy Maddie.