By my side
4 Capítulo 4
Notas iniciais
O barulho do tiro ecoou pelo lugar, fazendo Emma soltar um grito assustado. O tiro havia atingido o braço de August que estava próximo à porta principal. Com o amigo ferido, Graham se aproximou dele tentando protegê-lo e pediu aos outros homens que o tirassem dali. Por um descuido, Neal se afastou e fugiu pela porta dos fundos, Emma gritou para que Graham percebesse o fugitivo. O chefe da polícia comunicou pelo rádio os policiais que estavam do lado de fora para perseguirem Neal. Os policiais que estavam do lado de fora da sala foram atrás dele também. Graham ficou encarregado de levar August até a ambulância que estava do lado de fora e Regina entrou na sala em que Emma estava.
A morena se aproximou da loira, que ainda estava presa às cordas e começou a desamarrá-la. Emma sabia que ela era a mulher de seu chefe pelas inúmeras vezes que viu porta-retratos na mesa do chefe. Regina deu um leve sorriso para a mulher que retribuiu um pouco aliviada por não ter mais nenhuma corda apertando seus braços e pernas. A morena cobriu Emma com o cobertor que havia trago consigo, passando por cima dos ombros dela e abraçando a loira por um instante, intencionalmente.
– Seu filho está bem! Ele é um menino de ouro. – A morena falou sorrindo relembrando a noite anterior em que o menino pedira para dormir com ela.
– Onde ele está? Eu quero vê-lo! – Os olhos da loira brilharam por um instante esquecendo-se completamente do local onde estava.
– Ele está com uma amiga minha, totalmente confiável. Eu cuidei dele desde seu desaparecimento. – Regina tentava medir as palavras para não ofender Emma. – Ele falou muito sobre você. – A loira sorriu e esperou a morena prosseguir. – Emma, você deverá ir ao hospital. Você precisa fazer exames, para sua saúde e para poder incriminar Neal pelo o que ele fez com você. – A mais nova assentiu e seus olhos começavam a ficar marejados novamente.
– Eu não sei o que fazer.. Não sei mesmo. – Ela sussurrava as palavras.
– Vai ficar tudo bem.. – Não era a melhor coisa a dizer num momento desses, mas foi tudo o que a morena conseguiu dizer. Ela segurou a mão da loira e a levou para fora daquela sala horrenda que tinha tantas lembranças ruins e todas as dores físicas e emocionais que poderia ter. A loira estava segurando a mão de Regina que tinha a mão nas costas da loira conduzindo-a para a outra ambulância que estava no local. August já havia sido levado para o hospital para cuidarem do braço atingido. Emma estava sentada na maca quando viu Graham se aproximar ofegante.
– Neal fugiu. – Ele colocou a mão no ombro da loira. – Sinto muito. Nós fizemos o que foi possível. – A loira apenas assentiu e se permitiu a chorar, sabia o quanto era difícil a vida de policial, sabia o que era perseguir bandidos, sabia o que era se meter com gente do mal.
Minutos depois, Emma foi levada ao hospital. Regina foi junto com ela. Elas mal se conheciam, mas Regina tinha uma necessidade enorme de ajudar aquela mulher tão frágil e vulnerável à sua frente e Emma se sentia tão bem com a ajuda da morena que aliviava um pouco a tensão da situação.
A loira teve que deitar naquela cama branca de lençóis brancos do hospital e duas mulheres – além de Regina – estavam na sala para curar e recolher provas do corpo de Emma. A loira estava com a cabeça virada para o lado, olhando para o nada. Não conseguia encarar ninguém. Ela que um dia fora uma mulher tão forte e determinada, agora estava perdida. Não entendia o porquê de Neal ter feito isso. Ele mal se importava com a criança. Ah.. Seu filho. Quando se lembrou de Henry o coração da loira apertou, queria abraçar seu pequeno e escondê-lo de todo o mal que podia machucá-lo. A loira sentiu a médica tocar sua intimidade e fez uma cara de dor. Ela estava bastante machucada, naquele local não era diferente. Neal a machucou estocando-a violentamente. Regina, que estava ao lado de Emma, percebeu a inquietação da loira e segurou a mão dela dizendo que tudo ficaria bem.
Demorou cerca de uma hora para fazerem todos os tipos de exames. Emma estava exausta, só queria ir para casa, tomar um banho, cuidar de seu baixinho e dormir. Fugir daquela loucura toda. Queria acordar daquilo que parecia ser um sonho ruim, um pesadelo horrível. Queria que não estivesse acontecendo nada daquilo com ela. Agora, mais do que nunca, Emma não sabia o que fazer. Levantou-se do leito do hospital e foi para a porta principal acompanhada por Regina.
– Onde está Henry? – Emma perguntou um pouco eufórica. A morena sorriu.
– Ele está na minha casa. Vamos lá? – A policial assentiu. Entraram no carro da morena e foram até a casa dela. Demoraram apenas dez minutos, que para Emma pareceu uma eternidade. Entraram no apartamento e Henry veio correndo e pulou no colo de Emma.
– MAMÃÃÃÃÃEEEEE!!! – Ele gritava, Emma sorria abertamente com lágrimas nos olhos.
– Meu amor!! Eu estava sentindo sua falta. Sentindo muito. – Emma mudou a voz para falar com a criança.
– Eu também, mamãe. – a criança sorriu. – Tia Re..Gina disse que você tava viajado. – A loira sorriu olhando na direção de Regina e mexendo a boca formulando um ‘’Obrigada’’.
A loira não poderia estar mais grata à morena e sua família. Logo alguns minutos, outra loira entrou na sala, apresentando-se como Tinker. As duas se familiarizaram e conversavam coisas banais sentadas no sofá da sala. O menino estava no colo da mãe, deitado no pescoço da loira que balançava e segurava o menino firmemente matando toda a saudade que sentia.
– Emma. – Regina chamou-a tirando a loira de seus devaneios. – Você pode ficar aqui em casa por algum tempo.
– Regina.. Eu sou muito grata a você, mas não posso incomodá-la dessa forma. – A loira sorriu apertando os lábios.
– Você não vai me incomodar nem você nem Henry. Eu adoro menino e agora estou adorando você. Tenho certeza que Graham não irá se importar, nós temos quartos sobrando. – Neste instante, Graham entrou na casa cumprimentando Emma e perguntando-lhe como a loira estava.
– Estou indo. Estou traumatizada. – A loira falava olhando para baixo sentindo as lágrimas se formar em seus olhos.
– Emma, Regina é psicóloga. Ela vai te ajudar em tudo o que for preciso, eu vou te ajudar também. – Ele segurou a mão da loira.
– Muito obrigada. Mesmo! Nem sei como agradecer a vocês. – Nesse momento, Graham puxou a loira para um abraço. Com o aperto, Henry acordou. Os presentes riram da expressão do menino.
– Mamãe, eu to com fome. – Ele sussurrou a última parte segurando o rosto de Emma que riu baixinho.
– Fale isso para a tia Gina, meu amor. – A loira falou piscando para Regina. O menino saiu do colo da mãe, aproximando-se de Regina devagar. Fez com as mãozinhas gestos para que a morena se abaixasse e sussurrou no ouvido dela a mesma coisa que falou no ouvido de Emma. A mulher mais velha sorriu pegando Henry no colo e brincando com o menino o fazendo rir.
– Então vamos comer, criança! – Levou o menino para a cozinha.
– Eu e Henry vamos ficar um tempo por aqui. Tudo bem por você? – A loira falou receosa.
– Claro, Emma. Não se preocupe.
– Tudo bem. Graham, como está o August?
– Aquele homem é mais forte que muita gente, Emma! – Sorriu. – Daqui dois dias ele receberá alta, mas ficará um tempo sem trabalhar.
– Como você fará agora? Bom.. Porque eu não vou conseguir voltar tão cedo e August demorará um pouco e..
– Emma. – Ele a interrompeu. – Ficará tudo bem. Nós vamos dar um jeito. – Sorriu novamente transmitindo segurança para a mulher à sua frente.
– Venham comer! Está pronto. – Regina gritou da cozinha.
Regina havia colocado uma lasanha que estava congelada para assar e logo ficou pronta. Emma sentou ao lado de Henry que já estava sentado batendo o garfo na mesa. Regina ria encantada com o menino. Tinker sentou ao lado de Henry, Regina de frente para a loira e Graham ao lado da esposa. Comeram falando sobre assuntos que não lembrassem o transtorno que houve nos últimos dias. Depois de comerem, Emma e Regina ficaram na cozinha para guardar e lavar a louça, era o mínimo que a loira podia fazer para agradecer Regina.
Depois de tudo pronto, Emma voltou a puxar assunto com a morena.
– Regina, eu realmente quero te agradecer por tudo o que você está fazendo por mim e por Henry. Eu serei eternamente grata a você. – A morena sorriu ao ouvir as palavras a loira e segurou sua mão causando um certo frio na barriga.
– Como eu disse antes, Henry é um menino adorável, você também. Farei de tudo para te ajudar, Emma. Sempre estarei aqui para quando você querer conversar. Eu sou psicóloga, podemos fazer algumas consultas até você se sentir um pouco melhor, ok? – a loira assentiu. – Agora, você pode ir dormir que eu termino de guardar aqui. Você deve estar cansada, eu separei um pijama meu para você, toalha e outras coisas. Tem um banheiro no quarto, você pode tomar banho e relaxar lá. Durma sem preocupações, qualquer coisa poderá me chamar. Entendido?
– Sim! Muito obrigada novamente. – a loira deu um beijo na bochecha de Regina, outra vez, causando um formigamento em seus lábios e até mesmo na bochecha da morena. Saiu da cozinha sorrindo. Entrou no quarto, Henry estava atento à televisão.
– Meu amor, está na hora de dormir. – Ela falou para o menino.
– Ah mamãe... Mais um pouquinho! – Henry fez sua melhor cara de menino pidão. Claro que a loira não podia resistir àquilo.
– Tudo bem, mas só até a mamãe voltar do banho. Ok? – O menino assentiu animado e voltou a se deitar por cima das cobertas. Emma riu, pegou as coisas e foi para o banheiro.
Despiu-se lentamente, olhou-se no espelho. Havia marcas por todo o corpo. Arranhões, cortes, hematomas, chupões. A loira olhava para tudo aquilo enojada. Ligou o chuveiro e entrou. Esfregava-se rapidamente para poder tirar aquelas marcas do corpo e toda aquela sujeira que Neal deixou nela. Depois de quarenta minutos no banho, Emma achou o suficiente. Voltou para o quarto, viu o pequeno adormecido e sorriu. Ajeitou o menino nos seus braços e se permitiu a dormir tranquilamente. Ou pelo menos tentar dormir.
[...]
‘’- Eu vou destruir sua felicidade! Nem que seja a última coisa que eu faça. – Neal cuspia as palavras para cima de Emma que chorava incontrolavelmente.
Ele tirava a própria roupa, Emma já estava nua. Abriu as pernas dela e a estocou sem dó nem piedade. Ele gemia e ria da situação, enquanto a loira apenas chorava.’’
Emma acordou toda soada e chorava novamente. Olhou para Henry que ainda estava dormindo. A loira tirou os braços de Henry de sua cintura e se levantou, indo em direção à cozinha. Precisava de uma água. Tentou fazer o mínimo de barulho possível. Chegando à cozinha, viu que a morena estava lá tomando água também.
– Regina?! – A loira chamou, a morena se virou levando a mão ao coração, ela teria se assustado. – Desculpe! Não queria lhe assustar.
– Está tudo bem, Emma. – Ela sorriu. – O que houve? – A morena perguntou preocupada.
– Eu tive um sonho ruim. – A morena mudou de expressão, pegando a mão da loira puxando-a para o sofá.
– Oh Emma! Já passou. – Puxou-a para um abraço. – ficará tudo bem. – Voltou a falar e afagou os cabelos da loira. A cabeça dela estava apoiada no ombro dela. A loira levantou o rosto, que estava novamente coberto de lágrimas. Regina secou as lágrimas da loira beijando-lhe a testa. Logo após o carinho, Emma levantou a cabeça ficando totalmente próxima à Regina. A morena passou a mão levemente pelo rosto da loira que fechou os olhos apreciando o toque. Sorriu levemente e aproximou mais ainda, roçando levemente seus narizes e suas bocas. Abriram os olhos e se encararam ternamente.
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