By Your Side
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Notas iniciais
Ela estava tocando seu rosto
Eu não serei responsabilizado.
Ela se apaixonou em primeiro lugar"
The Freshmen - The Verve Pipe
Dentre tantos lugares em que eu poderia estar aquele estava talvez entre os últimos ou os mais improváveis. Mas ali eu estava, sentado numa banqueta, rodopiando o copo levemente gélido de bebida. Apreciando a sensação úmida das gotículas que escorregavam pelo vidro. Tentando entender o que havia me levado àquele bar mais uma vez.
Talvez fosse aquela necessidade extremamente humana de esquecer-se do pesar de ser quem é por uns minutos ou horas, bebendo descontroladamente até que o mundo pare de rodopiar e que a minha realidade seja tão infantil e risonha quanto a de um recém-nascido.
Ou talvez fosse apenas aquela sensação de estar amarrado a uma vida falsa. Completamente inútil e perfeitamente moldável a minha situação precariamente humana. E ainda assim, totalmente necessária.
– Não vai beber? — ouvi a voz cautelosa atrás de mim. Virei um pouco a cabeça e ali estava ela. E naquele momento eu não sabia se lhe sorria minimamente ou se apenas continuava em silêncio, recitando mentalmente frases que eu jamais diria a ninguém. Especialmente à Sakura.
– Eu... Não pensei mesmo em encontrar você aqui. — respondi e ela ergueu os ombros. Os fios louros agitaram-se brevemente, foram desarrumados suavemente enquanto os olhos dela me encaravam com curiosidade.
– Uma garota não pode ir a um bar de vez em quando? — ela questionou e sentou-se na banqueta ao lado da minha sem cerimônias. Fitei o copo em minhas mãos mais uma vez. — E, além disso, eu meio que queria ver você. Naquele dia...
– Desculpe por aquele dia. — a interrompi e desviei minha atenção para o rosto dela. — Eu... É só que eu bebi demais, entende?
– Eu também. Então, desculpe por usar seu corpo nu sobre o meu na minha casa durante a madrugada. — ela rebateu com um sorriso devasso nos lábios, como se pronunciar aquelas palavras fosse uma espécie de segredo contido separadamente.
E simplesmente sorri. Involuntariamente. Gratificantemente de modo involuntário.
– Agora é sério. — ela falou animada. — Eu queria mesmo ver você. E não sei exatamente o porquê, mas eu pensei que talvez você pudesse estar aqui... Bebendo ou então conversando com seus amigos. Eu não sei.
– E o que a levou a querer me ver? — questionei curioso. Levemente curioso. Ou talvez fosse aquela necessidade de ser imprevisível, comum, involuntariamente humano. Agir como qualquer pessoa agiria diante daquelas palavras. Diante daquele par de olhos similarmente prejudiciais.
– Nada sexual, eu garanto. Mas só a curiosidade de saber o seu nome. — ela disse. E em seguida ela sorriu convidativa a um sorriso em resposta. Ela ergueu a mão ligeiramente pálida. — Yue Shaw.
Apertei com cuidado sua mão e ergui uma sobrancelha.
– Shaw? Isso não é um sobrenome... — tentei concluir, porém ela bufou e revirou levemente os olhos.
– Britânico? Sim. Tenho dupla nacionalidade, se é que posso chamar assim. — ela respondeu e soltou minha mão. — Um pai oriental e uma mãe altamente britânica... Então, aqui estou senhor desconhecido.
Por alguns instantes continuei encarando aquele par de olhos esverdeados. E minha mente não conseguia parar de compará-los aos de Sakura. Pares diferenciados e igualmente caóticos. Peguei o copo e o levei aos lábios. Engoli um pouco do uísque ali contido e depois depositei o copo sobre o balcão.
– Então... Aquela Sakura... É esse o nome dela, certo? — ela começou a dizer.
Nitidamente era apenas uma maneira de iniciar uma conversa banal. Ou apenas uma simples curiosidade escondida debaixo daquelas palavras; mas eu não conseguia encarar aquilo como uma pergunta de uma desconhecida a outro desconhecido. Importunamente eu ouvia aquelas palavras como um simples e verídico lembrete.
– Sim... — balbuciei em resposta. Minha voz soava arrastada. Não passava de um fio fino e invisível de um cansaço que não acabava e esgotava minhas energias e forças, e simplesmente escorregava pelas palavras.
– Você e ela... Você disse a ela? — Yue perguntou e pela primeira vez eu quis sair daquele lugar. Mas havia uma estranha necessidade de gesticular uma resposta, de apenas dizer o que me cansava e o que me feria. Porém eu não chegaria a tanto... Nunca.
Ela tomou meu silêncio como uma resposta. Afinal, ela não precisaria de palavras pronunciadas por meus lábios para entender aquilo. Era nítido. Claramente visível.
– Mas, por quê? Eu quero dizer... Parece que, eu não sei... Você gosta mesmo dela. Qual é o problema? — Yue questionou aparentemente confusa. Levei o copo aos lábios novamente. Senti a bebida rasgar minha garganta conforme eu consumia o uísque sem qualquer tipo de moderação.
E talvez, naquele longo arrastar das horas e do anoitecer, moderação e limites não deveriam existir. Uma pequena parte em meu corpo implorava por um pouco mais daquela sensação de tranquilidade barata e acessível.
– O problema é que ela já escolheu outro, Yue. — respondi-lhe e a encarei. Ela apenas arqueou a sobrancelha enquanto ajeitava rapidamente os cabelos. — E não há nada que eu possa fazer.
– Será que você não entende que você não deu a ela qualquer tipo de opção? — ela rebateu. — Quando você gosta de alguém, você tem que dizer isso. Não importa se ela tem alguém ou não. Você nunca vai saber se ela realmente gosta de você se não der a ela a escolha.
Delicadamente, aquilo queimou mais em meus tímpanos do que o álcool na minha garganta. De certo modo, era um ponto de vista realista e fracassado. Porém, verdadeiro. Eu tinha que admitir aquilo. E perante aquelas palavras, eu simplesmente pedi outra bebida.
Soava perigosamente estúpido considerar aquilo como um meio de me livrar daquela tortura que eu mesmo havia me imposto. Mas eu não queria aceitar aquilo, pois simplesmente não se encaixava a minha maneira de ser. Ou a minha maneira de fingir.
– Não é bem assim. — murmurei. — As coisas não funcionam desse jeito.
– E o que impede que elas funcionem assim? — ela questionou rapidamente. Avidamente curiosa e ainda assim confusa.
O fato do meu irmão mais novo estar com ela. O fato de ela amá-lo e de beijá-lo. E a inegável verdade de que eu mesmo impeço que algo mude.
– Muitas coisas. — retruquei e a encarei antes de beber mais um pouco. — E eu não quero mais falar sobre isso. Não num lugar como esse.
– Ótimo. Vamos jantar então. — ela respondeu com um sorriso convicto nos lábios. — Estou com fome de qualquer jeito, e como você não quer falar sobre assuntos pessoais num bar, vamos para um restaurante.
Talvez fosse algum tipo de efeito relativo do uísque ardendo suavemente na minha garganta ou algo relacionado com aquela típica sensação incômoda de solidão que me fez apenas sorrir perante aquela proposta normalmente anormal. Eu poderia rotular aquela sensação calorosa de companhia que me abateu no instante em que ela me puxou para longe dali.
Mas de certo modo eu não queria me sentir atado às minhas próprias expectativas e perspectivas sobre uma sensação até então nova. Como normalmente estava...
Permiti a mim mesmo um tempo, uma pausa indefinida das crenças que eu alimentava e das mentiras que eu ostentava sujamente sob um sorriso. E ainda havia uma pergunta em minha mente, um sussurro que me questionava o porquê de tantas permissões em tão pouco tempo.
Talvez fosse o álcool. Ou algum efeito colateral da minha própria existência que se resumia em permitir que uma estranha me proporcionasse experiências reais, sem necessidades de sorrisos quebrados e de um coração batendo falhamente acelerado. E eu quero acreditar nisso. Urgente e desesperadamente.
{ ... }
Só por uma hora ou duas, ou três... Ou até mesmo por um tempo indefinido eu quis que aquele agradável ar de comida, bebida suave e conversas banais fosse parte da minha rotina. Eu queria que aqueles sorrisos debochados, tímidos ou expressões calmas que eu esboçava estivessem diariamente no meu rosto. No meu cotidiano, ou que preenchessem uma pequena e cinzenta parte dele.
E apesar de tudo, eu não queria voltar para casa. Não queria voltar para aquele apartamento. Não queria voltar para a minha realidade, da qual havia fugido covardemente sem olhar para trás. Não queria voltar a encarar Sasuke, Pain, Konan ou qualquer outro. Nem mesmo ela.
– Então, quer dizer que você não trabalha? — o barulho quase irritante da porcelana do prato sendo arranhada pelo garfo me distraiu. — Como é que consegue isso? Porque, meio que eu preciso desse truque também. — a voz ainda animada e interessada de Yue me fez encará-la.
E pela segunda ou terceira vez naquele período eu não consegui comparar os olhos dela com os olhos de Sakura. Não houve parentesco além da cor de seus olhos, e ali morriam as semelhanças entre ambas. Nitidamente, ela não era a minha falsa Sakura.
Ela simplesmente não era minha. E sorri perante aquilo. Não por pura decepção, surpresa ou algo relacionado àquilo. Apenas por um estranho alívio. Subitamente sereno e tranquilizador.
– E sinceramente eu ficaria bem feliz se você respondesse as minhas perguntas sem sorrir tanto. Parece que você está bêbado ou é um tarado. — ela disse calmamente antes de espetar mais uma porção de yakisoba.
– Como eu posso dizer... Digamos que eu trabalhava numa determinada área um pouco perigosa, e quando percebi que não tinha como continuar ali, eu simplesmente parei. E o dinheiro que eu conseguia ali é o suficiente até o hoje. Ou era. Não sei. — respondi e espetei o garfo contra a porção de teriyaki.
– Então, você é oficialmente um desempregado rico? É mais ou menos isso? — ela perguntou e arqueou uma sobrancelha. Comeu um pouco dos vegetais e girou o garfo.
– Sim. — falei. — Agora, eu tenho uma pergunta para você. Por que não come com os hashis? — questionei e ela apenas me encarou levemente incomodada. — Se é mesmo metade oriental, deveria ter uma leve noção de como usá-los...
– Muito engraçado, senhor sem nome. Hilário. — ela disse. — Não uso hashis porque nunca usei um par. Na verdade, nunca precisei usá-los. Então não tive tal lição de vida... Feliz? — apenas balancei um pouco a cabeça em resposta. — Agora, eu tenho uma pergunta... — lentamente a voz dela foi adquirindo um tom claramente cauteloso. — Por que sempre que eu toco no nome da Sakura você fica tenso? Triste?
E aquele era o momento em que eu queria me retirar. Aquela era a vez em que todas as partes em meu cérebro gritavam que eu tinha que simplesmente agir como se nada pudesse me abalar e como se tudo estivesse em sua natural ordem.
A partir daquele instante, parecia que todos os minutos, segundos e milésimos de segundos que haviam me proporcionado uma opção completamente distinta da realidade haviam sido tomados de mim. E então o meu cotidiano me saudava e as verdades me abraçavam.
E perante aquilo, meus sorrisos se foram. O meu silêncio surgiu enquanto meus olhos encaravam a comida. E o desconforto ficou exposto sobre minha pele.
– Está escrito na sua testa que você precisa falar alguma coisa. Entende? Está na cara que você fica péssimo. — ela continuou a dizer. — Por que você fica assim sempre que...
– Assim como, Yue? Irritado? Frustrado? Triste, como você disse? — falei interrompendo-a. — Não é um pouco óbvio? Como você mesma disse, isso não está escrito na minha testa? Não parece um pouco claro que ela simplesmente... — senti as palavras morrendo lentamente na minha boca. Adormecendo na minha garganta e queimando em meu cérebro.
Eu tinha a total e plena consciência de que eu estava com as mãos tremendo, a verdade corroendo os poucos momentos de satisfação que eu havia construído e com as mentiras vacilando uma após a outra, tombando ocas e velhas. E eu tinha a consciência de que não adiantaria quantas vezes eu me exaltasse, tremesse, sorrisse ou até mesmo gritasse.
Seriam apenas gritos, apenas tremores comuns, sensações nervosas, sorrisos mórbidos, exaltações desnecessárias e apenas gestos e palavras jogadas fora sem utilidade alguma. Seria apenas eu, querendo que o mundo mudasse. Querendo uma mudança que não viria. No fundo, seria apenas eu. E não o mundo.
– Eu sei que não é da minha conta, mas você já parou com isso? — ela perguntou com cuidado, como se tivesse medo do que eu poderia fazer. — Já tentou entender por que você fica desse jeito por uma pessoa que nem sabe o que você sente?
Eu queria que houvesse o som de um estalo contra a minha pele. Porque, claramente, aquilo era um doloroso tapa contra meu rosto. E doía, não por ser uma estranha a dizer aquilo, mas por ser verdade.
– Porque eu... — tentei responder. Mas simplesmente não havia o que dizer. — É complicado.
Ouvi um suspiro aparentemente cansado. Encarei-a e ela me observava com certo pesar. E em silêncio apenas terminamos nossas confissões. Presos naquele desconfortável confronto cauteloso de olhares similarmente gritante.
O tempo passou tão rápido quanto eu gostaria. O garçom havia se aproximado, retirado os pratos e talheres sujos, se retirado após o pedido da conta. Encarei Yue. Ela também me encarava e então ela sorriu minimamente.
– Desculpe por me intrometer desse jeito na sua vida. É a sua vida. — ela murmurou como se estivesse envergonhada. — Afinal, é você quem deve cuidar dela. E não eu.
– Mas algumas vezes, é bom que alguém faça isso. — murmurei em resposta. E ela exibiu um sorriso machucado. E exuberantemente orgulhoso. — E de qualquer modo, você... Eu preciso falar. Mas não agora, entende?
– E quando é que você vai achar que é a hora? — ela perguntou. E eu fiquei em silêncio, tentando encontrar uma resposta para aquela pergunta. E apenas sorri perante a minha silenciosa reação. — E por que você sorri tanto?
– Porque é um hábito. Um péssimo hábito. — respondi. Na verdade, é mais fácil sorrir e acreditar que sou forte para superar minhas dores do que admitir que eu sou fraco e ter que conviver com isso.
– Ao menos eu sei uma coisa sobre você. — ela disse e me encarou com certa fascinação e curiosidade. — Você não sorri por ser um hábito ou uma mania, na verdade... Soa mais como uma obrigação, sabe? Ficar sorrindo. E o problema é que depois de um tempo, você não sabe mais se você sorri porque quer ou porque deve.
Outra verdade. E mais uma vontade de levantar e abandonar aquele lugar. Mas apenas permaneci com um mínimo sorriso acanhado e levemente doído. Porque aquela era uma parte minha que eu não conseguiria ficar sem.
Sim, era uma verdadeira mania doentia e compulsiva, como se pudesse tornar o mundo mais fácil de ser encarado. Como se um sorriso pudesse mudar a minha vida, sendo que havia desconstruído-a de novo e de novo, por inúmeras vezes.
– E parece que você sabe tudo sobre mim, Yue. — retruquei. — Mas, nem ao menos, me conhece.
– Algumas coisas são claras. Especialmente quando você as conhece. — ela respondeu com cautela e baixou os olhos. — Como sorrir por obrigação. Porque você simplesmente não pode fugir daquilo, então tem que chorar ou sorrir. E sorrir é mais fácil e muito mais mentiroso do que derramar lágrimas.
– E mesmo assim, não é o suficiente. — balbuciei. — Certo?
– Errado. Na verdade, é o suficiente sorrir por umas horas. O problema é parar com isso. — ela rebateu. — E então parece que sorrir nunca vai ser o suficiente para amenizar a dor de ser quem você é. E é aí que qualquer coisa que te distraia serve apenas para te fazer sentir bem ou normal. Como se ninguém no mundo sofresse, e toda a dor da humanidade estivesse nos seus ombros até você não aguentar mais. — ela me encarou com uma expressão gentil. — E você só tem duas opções, fingir que nada daquilo importa ou tentar suportar. E você faz a escolha mais estúpida de todas. Você tenta suportar e finge que nada daquilo importa.
Naquele momento eu quis acreditar que nenhumas daquelas palavras vinham de uma desconhecida, de uma garota com expressão gentil e palavras vorazes. Eu quis acreditar que ela não falava do mundo em ruínas ao qual eu pertencia e da rotina infeliz que eu aceitara por Sakura.
E ela não falava de mim. Falava de si. De sua vida, da sua rotina, do seu mundo e do seu modo tolo de sorrir. E estranhamente, eu me senti aborrecidamente confortável e familiarizado com aquelas palavras.
Pois as palavras dela não doíam. Não machucavam e nem mesmo arranhavam. Descreviam alegremente e melancolicamente uma vida tão comum e fixa no mesmo parâmetro, nas mesmas crenças e nos mesmos meios de mentiras e ilusões quanto a de qualquer outro ser humano.
Ela não direcionou as palavras dela a mim. Ela apenas deixou escapar uma verdade similar a minha. Apenas deixou escorregar de seus dedos uma verdade simples e altamente destrutiva. Ela só disse quem era e no que havia se tornado.
– E depois de um tempo, você quer culpar o mundo, as outras pessoas ou qualquer um que esteja te machucando ou te irritando pela situação em que você mesmo se colocou. — ela me encarou. — Mas a pior parte é saber que você sempre vai ser o culpado e não os outros.
– Talvez essa não seja a pior parte. — retruquei com cautela. — A pior parte não é saber quem é o culpado ou como tudo começou, mas sim no que você acaba se tornando com o tempo. Essa é a pior parte.
E ela apenas sorriu. Em concordância. Encerrando ali o assunto, pois não havia mais nada a ser acrescentado àquelas confissões patéticas e ainda assim sérias. E lhe sorri de volta, amigável e sinceramente, esperando que aquele simples e mentiroso ato pudesse resolver nossos problemas e nos afastar das nossas paralelas realidades.
– Eu sou Yue Shaw. — ela disse e estendeu a mão. Apertei sua mão com cautela.
– Itachi Uchiha. Prazer. — respondi e em seguida ela riu um pouco. Nossas mãos soltaram uma da outra, automaticamente.
E apenas prosseguimos com o silêncio por mais algumas horas. Permanecemos naquele restaurante, com o papel da conta depositado sobre a mesa há tempo indeterminado. Sentados naquelas cadeiras comuns, sentindo o calor confortável cedido pelos aquecedores. Ouvindo pedaços de conversas alheias, o som de talheres e pratos sendo usados constantemente.
Simplesmente, havia uma certeza de que aquela estranha garota, com traços orientais e sotaque britânico, entendia minha situação e minha existência. Sua existência e sua situação eram absolutamente ou parcialmente iguais as minhas.
E eu não quis rotular aquilo. Não quis comparar com o que os olhos dela se pareciam, ou o que o modo dela falar me lembrava. Não quis descobrir seus segredos, seus medos, seus sonhos ou suas vontades. Eu não precisava rotular aquela sensação agradável e de certo consolo que me preencheu nas palavras banais que trocávamos vez ou outra.
Eu precisava apenas daquilo. De uma estranha parecida e diferente de mim. De um par de olhos esverdeados diferentes. De um sorriso quebrado e conformado de uma desconhecida. Era só daquilo. E por hora, bastaria.
E eu queria aquilo; aquelas verdades sendo jogadas na minha cara de modo gentil e ardiloso. Pois despertava uma sensação estranha e familiar de igualdade. Com ela, com minhas questões e com a minha maneira tola de viver. A sensação velha de ser tão igual e comum quanto qualquer outro. Da desconhecida ideia de que, apesar de tudo, eu era o culpado por minha situação e ao mesmo tempo era o único capaz de reverter tal existência.
Tolamente eu considerei aquilo. E tolamente um sorriso desenhou-se em meu rosto. Puramente imbecil e leve. Contido naquele momento absurdo de que eu poderia ousar ser. Na verdade, eu devia tentar ser.
Ser mais do que um sorriso quebrado e um coração falho.
Notas finais
Antes de tudo, mais um capítulo. Espero que tenham gostado desse também e como prometido, algumas coisas vão começar a mudar. A primeira delas é o modo do Itachi encarar quem ele é. Ou seja, a maneira como ele julga a própria vida.
Outra coisa que vai mudar é a inserção da Yue na estória. Digamos que ela vai acabar sendo responsável por algumas mudanças no comportamento do Itachi, inclusive em relação ao Sasuke. E, além disso, também um pouco sobre quem o Itachi era antes de conhecer a Sakura vai ser explicado conforme o decorrer da fanfic.
Hã... Espero que tenham gostado do ritmo que a estória vai tomar e também da música. Desculpem-me se o tempo de postagem foi muito longo.
Vou tentar manter a fanfic atualizada sempre que possível, e agradeço os reviews do capítulo anterior. ^-^
Por enquanto é mais isso. Sugestões, críticas, dúvidas, opiniões... São bem-vindos.
Desculpem qualquer erro ortográfico. E espero que tenham gostado do capítulo.
E até o próximo!
o/
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