By The Way
2 Capítulo 2 - Scar Tissue
Notas iniciais
“Scar tissue that I wished you saw, sarcastic Mister know-it-all. Close your eyes and I'll kiss you, 'cause with the birds I'll share this lonely view”
Jessie PDV
Atirei-me na cama, completamente cansada, meu curativo no pulso agora latejava, e o mundo inteiro parecia girar incansavelmente. Puta vida de merda mesmo.
Resmunguei me virando na cama outra vez, puxando as mangas do meu pijama de manga comprida mais pra baixo, fechando minha mão forte, sentindo a dor apontar mais uma vez, enquanto sentia meus olhos lacrimejarem.
- Superestrela? Está aí? Eu e John queremos falar com você! – Ouvi a voz um tanto irritante da mamãe vir da escada, rosnei limpando meu rosto e me levantando.
Respirei fundo e saí do quarto.
- Onde vocês estão? – Perguntei alto, parada no meio da escada.
- Aqui no escritório. – Pude escutar a voz grossa e autoritária de meu pai, revirei os olhos dando uma corridinha até o antigo escritório dele, que agora que os dois haviam se divorciado tinha virado praticamente um mausoléu para mamãe e seus vestidos caríssimos de marca.
- O que foi? – Perguntei entrando no escritório, vendo papai sentado na enorme cadeira preta atrás de sua mesa, com um de seus ternos finíssimos e sua expressão séria e fria de sempre, estava com os braços cruzados e não me encarava com a mínima expressão emocionada.
E olha que a gente não se via há dois meses.
Mamãe estava parada em pé ao seu lado, com a mão direita em seu ombro, ela usava um vestido cinza com um decote discreto, os cabelos bem penteados em um coque maravilhoso, e claro, as várias jóias costumeiras.
Aquela cena era no mínimo intimidadora.
Respirei fundo dando uma caminhada até o meio da sala, parando de braços cruzados, encarando ambos um tanto cuidadosa.
- Que roupas são essas? – Minha mãe perguntou encarando meu pijama preto, que se resumia a um short curtinho e uma blusa de manga comprida escrita “Maroon 5” em cinza na frente, suspirei.
- Um pijama? – Disse irônica, mostrando o óbvio, ela apenas suspirou revirando os olhos.
- São quatro e meia da tarde, trate de trocar essas roupas assim que sair daqui, e aliás, já às taque isso no lixo.
- Mas... – Tentei argumentar dando um passo a frente, mas ela me cortou com um olhar sério.
- Jéssica Lilian Hudson.
- Tudo bem. – Suspirei derrotada, dando um passo para trás outra vez, com a cabeça encurvada, encarando meus pés.
- Tudo bem, não tenho tempo para as bobagens de vocês duas, só vim avisar que eu e sua mãe vamos dar o jantar mais importante do ano nesse final de semana, está a par disso, não é? – Papai perguntou se levantando, afirmei com a cabeça me sentindo idiota feito um filhotinho em frente a dois leões.
- Sim, mamãe já tinha me dito isso há um mês atrás. – E como eu ia esquecer? Era por causa deste maldito jantar que eu estava vomitando e parando de comer a praticamente um mês, tudo para estar bonita o bastante, para entrar naquele maldito vestido que mamãe havia comprado.
Pensei em verbalizar o pensamento, mas sabia que a coisa iria ficar preta pro meu lado, então apenas fiquei quieta.
Meus pais eram tão estranhamos, haviam se separado há um pouco mais de um ano, porém sempre andavam juntos, ah claro, todos os negócios e o império da família eram de ambos, dividido em partes iguais.
Dinheiro. Claro, era isso que os faziam se suportar ainda, típico.
- Que bom, quero que você saiba que isso é muito importante Jéssica, um dos governadores vai vir aqui! E você precisa ser gentil com o filho dele.
Encarei papai com um olhar magoado e revoltado, não acreditava que eles eram tão sujos filhos da mãe, que iam me jogar pra cima do playboy filho do governador.
- Como é? Não creio! Não era o Justin pra quem vocês me atiravam? Eu realmente não entendo toda essa...essa porcaria. – Disse irônica e revoltada, papai me olhou desaprovador.
- Jéssica, olha o tom que fala comigo! E não nos contrarei, seja gentil com todos e faça companhia para Logan, estamos entendidos?
- Ah, então o nome do idiota é Logan. – Falei baixinho comigo mesma, sentindo meu sangue ferver.
- Estamos entendidos, Jéssica? – Papai disse aumentando a voz, fechei os olhos respirando fundo e relaxando os ombros.
- Sim senhor.- Minha voz saiu baixa e cheia de sarcasmo, ele suspirou resmungando algo, ele colocou uma das mãos no bolso da calça do terno e com a outra pegou sua pasta preta, caminhando com passos largos até a porta do escritório.
- Tenho que ir, até mais, foi bom te ver superestrela. – Disse acenando com a cabeça, mamãe caminhou com ele para fora do escritório e eu finalmente respirei direito, sentindo meu coração desacelerar, escorreguei até cair sentada em uma das poltronas ao outro lado da mesa.
Incrível a capacidade com que eles tinham em fazer que eu me sentisse um brinquedinho em suas mãos.
Como eles me faziam sentir como um nada.
Um nada.
[...]
- Diabinha, senti sua falta hoje, você me deve algumas desculpas sabe.- Justin disse apontando para suas partes baixas assim que entrei no quarto, bufei irritada vendo o idiota deitado na minha cama, apenas com uma calça jeans preta, com os cabelos um tanto molhados e os pés cruzados pra cima, em uma expressão relaxada.
Ele trocava distraidamente os canais na TV. Revirei os olhos desviando o olhar para a porta da minha varanda, que aliás eu tinha que começar a lembrar de trancar.
- Olha Bieber, não estou pra gracinhas, falou? – Disse irritada, trancando a porta do quarto atrás de mim, caminhando até a beirada da cama e parando em pé na frente do folgado.
- Você é tão esquentadinha!
- Por que tenho problemas, não sou uma inútil como você, seu maconheiro. – Disse ríspida, praticamente cuspindo as palavras na cara dele, Justin me encarou com ódio, podia jurar que ele estava a um passo de me dar um tabefe.
O bichinha adorava fazer piadinhas, mas escutar a verdade sobre o que ele realmente era “feria seus sentimentos”.
Ah me poupe. Já que é um filho da puta burro, pelo menos tenha a dignidade de assumir.
- E aí, não vai se mandar? – Perguntei já sem paciência assim que o silêncio ficou extremamente pesado e desconfortável.
- Venho aqui te fazer uma visitinha e é assim que me trata, vadia? – Disse irônico e raivoso, soltando uma risadinha no final da frase, revirei os olhos enquanto ele espalmava as mãos em minhas coxas me puxando pra cima dele, fazendo-me cair deitada.
Que se foda também.
Agarrei seus cabelos e ali mesmo começamos um beijo quente, suas mãos geladas acariciaram minhas costas por debaixo da blusa, fazendo meu corpo se arrepiar, Bieber sorriu pretensioso em meio ao beijo e eu me ajeitei em cima dele, colocando uma perna de cada lado do seu corpo, me inclinando mais ainda em sua direção, sentando em cima de seu amiguinho, o que o fez gemer, gargalhei. As mãos dele subiram pelas minhas costas, levando minha blusa e meu sutiã junto, com um tanto de dificuldade.
Logo Justin jogou as peças no chão do quarto e nos virou na cama, ainda me beijando acariciou meus seios, os apertando forte, gemi na sua boca e ele sorriu se afastando, me encarando milimetricamente.
Mas de repente sua expressão mudou, e logo eu segui seu olhar que encarava especulador o meu curativo no pulso, droga, arregalei os olhos virando o braço, Justin então desviou o olhar para mim.
- Que merda é essa?
- Me arranhei na quina da mesa. – Disse o puxando pra perto outra vez, o beijando com urgência, Justin pareceu entender o recado de “cala a boca e me pega logo”, descendo beijos pelo meu pescoço e colo, logo chegando ao meu seio direito, o abocanhando com mordidas e chupões.
Agarrei seus cabelos sentindo meu corpo inteiro borbulhar de desejo, tudo agora já não era o bastante.
- Que tal uma massagem no Bieber Jr., hum? Você realmente machucou ele hoje de manhã. – Disse na maior cara de pau, fazendo biquinho e cara de coitado, ri pelo nariz, revirando os olhos.
- Você é um pervertido nada sutil né? Vai se fuder Bieber.
- Não sei se você notou, mas é isso mesmo que estou tentando fazer. – Disse malicioso, enfiando a mão dentro do meu short, soltei um gemido o sentindo acariciar minha intimidade.
E lá vamos nós outra vez...
[...]
- Você vai vir na porra de jantar que o meu pai vai fazer? – Perguntei dando mais um gole na garrafa de uísque, Justin deu de ombros dando uma tragada no cigarro, logo soltando a fumaça bem na minha cara.
Tossi abanando o ar e o idiota gargalhou.
- Imbecil. – Disse dando um soco no ombro dele, me virando na cama e encarando as nossas roupas jogadas que qualquer jeito pelo quarto.
- E sim, é óbvio que eu vou no jantar, você sabe como as nossas famílias são. Minha mãe até mesmo está organizando a decoração e essas porcarias aí com a sua mãe, ou seja, estamos juntos nessa vadia. – Disse me dando um tapa na bunda, virei de volta pra ele, o encarando brava e mostrando o dedo do meio, o idiota apenas riu revirando os olhos, colocando a mão na minha cintura me puxando pra mais perto e colando nossos corpos nus.
- Rá duvido, vou estar ocupada demais dando boas-vindas para o filho do governador. Humm. – Soltei um gemido ao final da frase, enquanto ele mordia meu pescoço, Justin se afastou um tanto bruscamente, me encarando com uma sobrancelha erguida e espremendo seu cigarro no cinzeiro dourado ao lado da cama, em cima do meu criado mudo.
- Vai ter que trovar o viadinho? Hilário! – Disse irônico, soltando uma leve risada enquanto apertava mais sua mão na minha cintura.
- Rá, ta com ciuminhos, é? Aposto que ele é um gostoso. – Falei mordendo os lábios, Bieber me lançou um olhar desaprovador.
- Ele é um viado idiota que se acha bonzão.
- Olha, então vocês tem muito em comum. – Disse levantando as sobrancelhas e gargalhando logo em seguida, Justin rosnou se levantando e colocando sua cueca boxer preta.
- Cala a boca sua vaca. – Disse irritado, ainda sem me encarar, me levantei rindo ainda.
- Ui Bieber, ficou bravinho é? Não enche saco e se manda logo seu viado. – Disse colocando minha roupa íntima enquanto Justin fechava o botão da sua calça, que devo admitir, o deixava mais gostoso ainda.
- Eu teria cuidado se fosse você Hudson, posso muito bem contar como você anda se "arranhando" por aí. – Disse irônico, colando nossos corpos, me encarando com aquela cara de sínico dele.
- Vá em frente Bieber, garanto que a tia Pattie vai adorar saber que esses seus sangramentos nasais não são renite.
- Filha da puta.
- Drogado. – Devolvi na mesma moeda o encarando sínica, sabia que estava pegando pesado, Justin só tinha se drogado uma vez mesmo, mas continuava a beber e fumar, então não fazia tanta diferença. O Bieber rosnou me encarando com raiva, agarrou meus cabelos e me empurrou com tudo na cama, subindo em cima de mim, me dando um beijo rude e apressado.
Arranhei sua barriga definida e senti ele apertar com força minha coxa, aquilo definitivamente deixaria um hematoma.
- Agora fui, até mais diabinha. – Disse me largando arfante ali e indo pular pra sacada ao lado, revirei os olhos respirando fundo.
- Como assim “até mais”? – Perguntei pra mim mesma, franzindo a testa e lembrando do que Justin havia dito.
Standing in line to see the show tonight and there's a light on, Heavy glow, by the way I tried to say I'd be there...waiting for. Black Jack, Dope Dick, Pawn Shop Quick Pick...
Levei um susto com o meu celular praticamente se esgoelando na música do RHCP e pulei da cama, correndo pra atender.
Cait bitch 1 ♥
Ri sozinha, só podia ser ela mesmo.
- Fala chata.
- Seu carisma me impressiona Jessie, nossa! – Caitlin disse irônica, gargalhamos juntas.
- Haha fala logo!
- Você está pronta? – Perguntou um tanto apressada, franzi a testa me jogando na cama outra vez e encarando o teto.
- Hã? Pronta pra que mulher?
- É, eu sabia que você ia responder isso por isso liguei meia hora antes. Amiga, você é muito louca e desligada, por isso eu te perdôo. Hoje na aula combinamos que todos nós íamos sair juntos pra balada, lembra? Comemorar o dia do amigo!
- Puta que pariu! – Xinguei me dando um tapa na testa, quase podia ver Caitlin revirando os olhos do outro lado do telefone, e rindo logo em seguida.
- Pois é, a gente vai se encontrar na frente da casa do Jus, então nos vemos em meia hora!
- Casa do “Jus”? Quando você diz toda a galera é...
- Sim Jessie, todos nós. Aliás, tenho que ir, beijinhos, te vejo depois. – Disse desligando na minha cara, bufei tacando o celular de lado, por isso então que o idiota disse “até mais”.
Suspirei indo até o closet arrumar alguma roupa que abalasse, pois eu bem conhecia Caitlin e os lugares que ela costumava levar todo mundo.
A noite ia ser longa, muuuito longa.
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