Buying A Love
5 Capítulo 4: O contrato
Notas iniciais
Capítulo 4: O contrato
– Como assim não podemos mais ir à sua casa no final de semana? – Eli perguntou surpresa. Nico tinha um sorriso sem graça nos lábios.
– O que aconteceu Nico chan? – Honoka perguntou sem entender.
– Bem... Aconteceram umas coisas e no final de semana eu combinei de me encontrar com uma pessoa. – Nico evitava olhar para as demais, estava nervosa. Não queria contar que agora tinha uma namorada, e muito menos que era de aluguel.
– Nicocchi. – Nozomi começou. – Pode nos dizer com quem vai sair? – A cartomante perguntou seria.
– Com uma amiga de outra escola. – A morena respondeu se curvando para trás por conta do medo. Nozomi era assustadora. Cruzou os braços sobre o peito, algo dizia para fazê-lo ou se arrependeria.
– Nicocchi. – Nozmi disse mais uma vez.
– Nico, você não começou a trabalhar como estocadora em uma loja de conveniências aos finais de semana não é? – Eli perguntou preocupada.
– Não se preocupe com isso Eli. Não é isso. E se não for pedir muito, poderiam olhar os meus irmãos no sábado? – E então Nozomi bufou.
– Nozomi? – Eli olhou sem entender para a cartomante.
– Nicocchi, é injusto isso. Diga o que está acontecendo imediatamente. Não confia mais em nós? – Perguntou visivelmente ofendida.
– Nico chan... – Kotori tinha o cenho franzido.
– Tudo bem, tudo bem. Nico vai contar para vocês, mas me prometam que não vão rir, e nem criticar. – E então o quinteto concluiu que deveria ser algo extremo.
– Não me diga que Nico chan começou a se prostituir. – Honoka levou ao extremo.
–N-Nico jamais faria algo assim. Que coisa. – A morena exclamou irritada com o pensamento da outra.
– Então o que é? – Umi perguntou calmamente, mas havia um pouco de preocupação em sua voz.
– Ehehe... – Nico começou a rir pelo nervosismo, ter todas olhando tão atentas em sua direção era um pouco constrangedor. – Nico Nico Nii! – E então disse seu famoso bordão, fazendo suas poses de mãos.
– Nico! – Eli a repreendeu. – Fale logo o que é. – A loira pediu em um tom mais ameno.
– Nico começou um novo trabalho. – Ela murmurou olhando para baixo.
– Se é só isso podia ter dito logo. – Umi finalmente respirou mais tranquila.
– Do que vai trabalhar, Nico chan? – Kotori perguntou com seu usual calmo sorriso.
– Isso é... – Nico desviou o olhar fitando o chão. Mais uma vez suas amigas pareceram ficar apreensivas sobre a resposta da menor. – Nico vai ser a namorada de aluguel de uma garota rica. – Murmurou enquanto desenhava círculos no chão com a ponta do pé direito.
– Ah... Apenas isso. – Honoka disse aliviada. E então as mais novas do grupo se entre olharam.
– O QUE? – Umi, Honoka, e Kotori gritaram ao mesmo tempo.
– Como assim, Nico senpai? – Típico de Umi usar o tom formal quando estava nervosa.
– Nico chan... como... – Kotori estava sem palavras.
– Honoka disse que a Nico chan estava se prostituindo. – Honoka escandalizou.
– Não é isso! – Nico exclamou contra o comentário de Honoka. – Apenas... – Começou sem saber direito por onde começar.
– Nico, conte tudo para elas. – Eli incentivou a colega de sala.
– Nos contar o que? – Umi perguntou preocupada. Agora realmente tinha um motivo para se preocupar.
– Estão querendo despejar a Nicocchi e os seus irmãos por aluguéis atrasados. – Nozomi foi que respondeu uma vez que Nico não fez menção de fazê-lo.
– Mas eles não disseram ter entendido devido à situação da sua mãe? – Honoka perguntou sem entender.
– Aparentemente alguns inquilinos disseram que era injusto eles pagarem corretamente se alguém não pagava. – Nico explicou. – A proprietária me deu um tempo, e Nozomi e Eli me emprestaram dinheiro, mas de qualquer forma, o que eu ganho no café mal dá para pagar as outras coisas. – Nico explicou.
– Por isso fez algo tão extremo assim... – Kotori lançou um olhar de pena para sua senpai.
– Não me olhe dessa forma Kotori, Nico não quer ser alvo de pena de ninguém. – Retrucou emburrando.
– Mas você deveria ter nos dito isso, poderíamos ter ajudado também. – Umi disse colocando a mão no ombro de Nico.
– O que está feito já está feito. – A morena disse claramente. – Nesse sábado eu irei encontrar com a Maki chan para acertamos a quantia. – o quinteto se entre olhou.
– Quando tiver que fazer o papel de namorada me avise, eu posso cuidar dos seus irmãos. – Umi ofereceu.
– Não vejo a diferença disso com se vender, mas Honoka também se esforçará bastante para ajudar a Nico chan. – Apoiou a amiga.
– Honoka chan... – Kotori murmurou sem graça. – Qualquer coisa que precisar pode contar comigo também. Eu não preciso do meu salário, então posso te dar. – Ofereceu.
– Não aceitarei dinheiro de vocês. – Nico deixou claro.
– Mesmo com essa dificuldade financeira a Nico continua com o orgulho em alta. – Eli cochichou para Nozomi.
– Nicocchi está apenas agindo como a Nicocchi. – Nozomi disse por fim com um sorriso tranquilo. – Logo ela vai ter uma grande surpresa. – Declarou segurando uma de suas cartas de tarot entre os dedos. — Pelo menos é o que as cartas me dizem. – Concluiu.
– Então posso contar com vocês para olhar meus irmãos? – Nico perguntou esboçando um sorriso.
– Claro. – As demais responderam juntas.
~*~
– Maki já marquei seu encontro para domingo. – O homem anunciou parado na porta do quanto da ruiva. Maki por sua vez respirou fundo. Agora era a hora.
– Desculpe, mas creio que o senhor terá que desmarcar papai. – Disse sem coragem de olhar para o homem. – Eu arranjei uma namorada. – Não mentiu sobre o sexo de Nico. Uma hora ela teria que enfrentar, então que fosse logo de cara.
– Você o que? – O homem perguntou irritado. – Não aturarei brincadeiras de mau gosto Maki. – Ele avisou fazendo a garota se encolher.
– Não estou fazendo brincadeiras. Ela será minha senpai ano que vem, apenas aconteceu de nos conhecer por acaso. – Mentiu descaradamente. Sentia se mal por ter que mentir para seu pai, mas ela realmente preferia isso a se ver compromissada com alguém que nem sabia como era.
– Maki... – Era claro que ele estava irritado. – Eu não vou cancelar coisa alguma, não posso imaginar minha filha com outra garota. Isso não é normal, além de ser nojento. E se é alguém da antiga escola da sua mãe deve ser uma suja morta de fome. – O homem declarou com desprezo.
– Não fale assim da Nico chan! – Maki exclamou defendendo a morena. Não entendia o porquê de o estar fazendo, apenas não gostara de ouvir a opinião de seu pai a respeito da morena. – Nico chan não é nenhuma suja morta de fome. – Disse por fim e viu seu pai estreitar os olhos.
– Ela deve estar apenas atrás do seu dinheiro. Mesmo que fosse um garoto eu não aceitaria, pois não seria um garoto de classe. – Ele começou a discursar. – Uma garota Maki? Ainda que fosse rica eu não aceitaria. – Exclamou.
– Querido, o que está acontecendo aqui? – A mãe de Maki apareceu na porta.
– Papai está insultando a minha namorada, apenas por ela estudar no colégio Otonokizaka. – Maki respondeu.
– Namorada? Maki! – A mãe da ruiva parecia surpresa. – Depois conversaremos sobre isso minha filha. Querido venha se acalmar um pouco. – E então ela começou a puxar o marido para fora do quarto.
Maki soltou um longo e cansado suspiro. Se perguntava de onde tirara coragem para encarar seu pai para defender Nico. Sabia que ela era pobre, caso contrario não teria aceitado, mas não era suja e morta de fome como ele dissera. Esticou sua mão para pegar seu celular. Havia colocado uma foto de Nico como papel de parede para a farsa parecer mais real.
– Droga. – Murmurou fechando os olhos. Sentia um pequeno incomodo em seu peito. Seria sua consciência pesando?
~*~
Maki estava sentada ao lado de Nico no banco de um parque ecológico. Haviam escolhido tal lugar porque era calmo, e poucas pessoas passavam ali. Nico podia ver as olheiras sob os olhos da ruiva. Se perguntava se ela estaria bem.
– Aconteceu alguma coisa? – A morena foi quem começou a conversa.
– Apenas tive que enfrentar meu pai durante toda essa semana. – Maki murmurou cansada. – Ele não acredita que tenho uma namorada. – Já era de se esperar.
– Nico entenderá se Maki chan não quiser continuar com isso. – A morena disse imparcial. Maki olhou para a outra. – Nico precisa de dinheiro, mas se Maki chan não quiser mais, Nico vai procurar trabalho em alguma loja. – Tentou tranquilizar a ruiva.
– Seus pais não trabalham? – Maki perguntou indelicadamente e Nico ficou quieta.
Maki se chutou mentalmente, havia estragado a conversa com a sua pergunta indelicada, Nico não tinha culpa de seus problemas com seu pai, e além disso a morena parecia estar bem abatida também.
– Meu pai morreu quando eu entrei no colegial. – Nico disse depois de um longo tempo em silencio. – Meu irmão caçula não tinha nem um ano de idade ainda, e então minha mãe teve que assumir toda a responsabilidade. – Não entendia o porquê de estar contando aquilo para Maki.
– Eu sinto muito. E eu não quis ofender a sua família... – Maki se desculpou. Então Nico estava trabalhando para ajudar a mãe, mas mesmo assim, porque a morena precisaria de dois trabalhos?
– Minha mãe foi diagnosticada com leucemia há alguns meses atrás. – Maki agora lançou um olhar assustada para a mais velha. – Desde então Nico tem pagado todas as contas de casa, mas não está sendo o suficiente, além disso, todas as economias da minha mãe estão indo no tratamento. Nico não quer dar mais preocupações à ela. – Explicou a situação em que estava.
– Comparados aos seus problemas, os meus parecem apenas criancices. – Maki admitiu. A ruiva então olhou para Nico. Via a preocupação, o cansaço, e o medo no rosto da mesma. Por algum motivo sentiu vontade de ajudar a mais velha. – Vamos combinar de eu pagar uns vinte mil ienes por encontro, e dez mil por semana para usar seu nome. – Propos.
– Maki chan quer mesmo continuar com isso? Além disso me pagando tanto. – A morena perguntou assustada.
– Vai me ajudar. – A ruiva respondeu dando de ombros. – Papai nunca sabe no que gasto meu dinheiro, e o que eu estou te propondo não fará tanta falta. – Nico piscou algumas vezes. Maki deveria ser realmente muito rica.
– Obrigada. – Nico murmurou olhando nos orbes violetas de Maki.
– A propósito Nico chan, minha mãe sabe da farsa e quer te conhecer. – A ruiva murmurou desviando o olhar. – Talvez quando ela ouvir sua história ela te ajude um pouco, sabe, meus pais tem um hospital. – Murmurou a ultima parte.
– Nico não vai aceitar. – A morena respondeu seriamente. – Nico agradece muito, mas recusará se a mãe da Maki chan propuser algo assim. – Maki olhou sem entender para a morena.
– Por que? – Perguntou. Geralmente em casos assim as pessoas aceitariam de imediato. Era isso que seu pai sempre a ensinou. Pessoas pobres quando se tratavam de dinheiro jogavam fora até mesmo sua honra e dignidade.
– Nico não gosta de aceitar dinheiro dos outros sem ter feito nada para merecê-lo. – A morena respondeu. – Para Nico, aceitar dinheiro dos outros é como aceitar uma esmola, e Nico não quer mendigar ou algo assim. – Explicou. Maki então entre abriu os lábios.
– Mesmo que isso signifique passar fome? – Maki perguntou surpresa.
– Por isso que Nico trabalha, para que meus irmãos não precisem passar fome e tenham um lugar para morar. – Respondeu orgulhosa. – Nico não importa em passar fome se for para dar para eles comerem. – Maki deu um sorriso terno.
– Eu nunca vou entender esse senso de altruísmo. – Maki murmurou e Nico rodou os olhos. – Eu sou filha única então não sei o que é isso, além disso, nunca me faltou nada na vida. – Nico então olhou sem entender para a ruiva, parecia que ela estava se queixando.
– Maki chan tem sorte. – A morena comentou olhando para o céu. – Mas quando minha mãe sair do hospital, Nico poderá se dedicar ao que gosta e aos seus sonhos, mas por enquanto Nico tem que se dedicar em cuidar dos irmãos. – Disse sonhadora e ao mesmo tempo com garra.
– Eu já tenho que voltar para casa. – Maki disse olhando para o pequeno relógio em seu pulso. — Antes disso. – E então ela tirou algumas notas de sua carteira. – Seu pagamento por hoje. – Disse empurrando o dinheiro para Nico.
– Não era apenas algo como o contrato hoje? – Nico perguntou sem entender.
– Já usei seu nome essa semana. Este é o seu pagamento, o tal contrato já foi feito no outro dia. – A ruiva explicou. – Agora eu tenho que ir. – Disse antes de começar a andar.
– Maki chan! – Nico chamou a ruiva. – Vamos trocar nossos e-mails e numero de telefone. – Nico pegou seu celular do bolso da blusa.
– Assim fica mais fácil para me comunicar com você. Pelo menos até eu me transferir para o Otonokizaka no ano que vem. – A ruiva tinha um pequeno sorriso nos lábios, enquanto anotava o e-mail e o numero de Nico.
– Você vai para o Otonokizaka? – Nico perguntou surpresa. – Então eu serei a sua senpai no ano que vem. – A morena exclamou.
– Será. – A ruiva concordou. – Vou indo agora. – E mais uma vez Maki começou a andar.
Nico observou a ruiva tomar distancia. Agora não tinha mais volta. O que Maki propôs jamais ganharia em uma loja de conveniência. Respirou fundo vendo os primeiros flocos de neve começarem a cair. Enfim o inverno, assim como o final de ano se aproximavam.
– Espero realmente que tudo de certo dessa vez. – Murmurou cansada antes de começar a andar.
Fale com o autor