Butterfly

5 Sobre espíritos na biblioteca - parte 2


Naquela tarde Ben não seguiu até o ponto de ônibus de sempre, que era apenas uma rua mais à frente do colégio. Despediu-se brevemente de Gustavo que, já que estava rodeado de alguns amigos, limitou-se a responder-lhe com um “tchau” e “boa sorte” antes de voltar a rir de alguma história que um deles contava animadamente, à caminho de casa. Respirando fundo, o rapaz agarrou as alças da mochila e caminhou em sentido contrário aos colegas que saíam aos montes do interior do prédio, loucos para ir para casa após suportar mais um dia de aulas.

Ben, pelo visto, não planejava voltar para casa tão cedo – e de fato não o fez. Passou uma boa parte da tarde pesquisando sobre comunicação espiritual na sala de informática, o que resultou em vários rituais compilados e adaptados em seu caderninho e algum dinheiro gasto em poucos materiais para convocação e proteção. Em sua sacolinha pesavam velas e sal grosso quando caminhava para a biblioteca desativada. Estava decidido a continuar com aquilo, e não pararia até se livrar de vez daquele tormento, não importava quanto medo sentisse.

Enquanto caminhava, olhava nervosamente ao redor, procurando pela garota que o assombrava. Por incrível que pareça, justo agora ela parecia ter resolvido largar um pouco do seu pé. Isso complicava pouco as coisas...

Com um suspiro, o garoto parou um pouco ao deparar-se com a porta acinzentada da biblioteca naquele último corredor sempre tão deserto. Nada ali parecia ter mudado – exceto que haviam obviamente substituído a tranca. Sorte então que ele já havia contado com essa possibilidade: sacando um pequeno canivete do bolso, foram precisos apenas alguns golpes na madeira gasta do batente da porta para que a mesma enfim acabasse quebrando um pouco, o suficiente para que a tranca não tivesse mais efeito nenhum. Então, prendendo a respiração, Ben viu-se entrando novamente naquela biblioteca empoeirada, dessa vez um tanto mais escura graças ao sol mais baixo que quase não alcançava suas janelas. Fechou a porta atrás de si, tentando controlar os nervos que saltitavam.

Foi impossível não pensar naquela borboletinha – a verdadeira culpada por tudo aquilo estar acontecendo.

— certo, acho que assim está bom. – ele murmurou para si mesmo, apoiando os punhos na cintura após alguns minutos para observar seu trabalho recém-terminado. Estava agora dentro de um pequeno círculo de sal grosso, com duas velas acesas à sua frente e duas atrás. Ali perto, o caderninho com as suas frases anotadas esperava apenas o momento certo para entrar em cena.

Ben sentou-se, cruzando as pernas dentro do círculo. Pegou o caderninho e abriu-o na página certa, mordendo os lábios de tensão e já um tanto arrependido. Tudo aquilo parecia mais cenário de algum daqueles filmes de terror barato, e ele certamente seria aquele mocinho idiota que é o primeiro a morrer.

Ele pegou uma velinha acesa, respirou fundo e fechou os olhos com força. Estava na hora.

Com a voz meio trêmula, Ben repetiu as palavras que tinha anotado, meio incerto se a pronúncia estaria correta já que não conhecia aquela língua. Devia ser latim, ou algo parecido. De qualquer jeito, ao pronunciar a última frase, o garoto voltou a morder os lábios e fechou as mãos suadas em punhos, esperando o que quer que fosse.

Nada se ouvia naquele lugar além da sua respiração ansiosa e, talvez, até mesmo as batidas frenéticas do próprio coração.

Alguns segundos já haviam se passado mergulhados no mais profundo silêncio. Quieto, imóvel e à beira de ter um ataque, o garoto mal podia aguentar tamanho suspense. Será que ela não apareceria mesmo? Ou já estaria lá, de pé, diante dele em silêncio como um daqueles espíritos malignos dos filmes?

Ele já não se aguentava mais. Abrindo um dos olhos bem devagarzinho, deu uma espiada para a biblioteca vazia e escura – nem sinal da Thalia. Franzindo o cenho, o garoto abriu os dois olhos finalmente e virou o rosto em todas as direções, procurando. Não sabia se estava feliz ou irritado por o ritual não ter funcionado. O que ele tinha feito de errado?

Sem respostas, ele repetiu as frases, de novo, de novo, e de novo. Nada parecia funcionar.

— ... tem alguém aqui? – apelou baixinho, pela última vez.

Não teve nenhuma resposta.

Numa onda repentina de angústia, o rapaz soltou a respiração que havia prendido sem nem se dar conta. Levou as mãos à nuca, incrédulo com o que estava fazendo ali.

— por que isso tá acontecendo comigo? – murmurou consigo. – Por que comigo? Meu Deus, o que foi que eu fiz pra, além de tudo, ainda ficar aqui fazendo papel de idiota tentando falar com a porra de um fantasminha que só existe na minha cabeça?

O moreno afundou o rosto nas mãos, apertando-se angustiado, querendo quebrar a primeira coisa que visse pela frente. Ergueu-se então de súbito, derrubando uma das velinhas que estava ao seu redor.

— pois eu quero é que você apodreça no inferno! – gritou de repente, olhando para os livros mas querendo que aquela droga de garota ouvisse. Certo que ela não estava lá. Mas ele precisava gritar com alguma coisa, qualquer coisa. – some da minha vida de vez, desaparece de uma vez por todas! Já estava tudo difícil o suficiente antes de você chegar pra me foder o juízo, eu não preciso agora ter que quebrar a cabeça com alguém que sequer existe mais. Vai se foder, Thalia! – ergueu os dedos do meio em riste. – vai se foder!

— nossa, mas que boca suja, hein?

Com um grito, Ben recuou num pulo antes de tropeçar nos próprios pés e cair sentado no chão. Havia escutado uma voz feminina bem perto de si, assim de repente. Agora via-se caído no chão, inclinado sobre os cotovelos, encarando com os olhos arregalados a figura esguia de Thalia, que o olhava com os braços cruzados e uma expressão nada amigável no rosto.

Era ela... A garota da fotografia, e de todas as assombrações das últimas vinte e quatro horas. Ela era real!

— o que foi, o gato comeu a sua língua? – a jovem ergueu uma sobrancelha, inclinando-se para ele. O garoto encolheu-se em reflexo. – ou você só cansou de ser rude gratuitamente mesmo?

— v-você... você tá aqui... – ele gaguejou, incrédulo.

Thalia revirou os olhos.

— infelizmente! – respondeu ela. – e ainda sou obrigada a ouvir pirralhinho me mandando me foder, não é mesmo? Pois ouse gritar comigo de novo que eu te garanto que sei gritar mais alto que você!

Ben não conseguiu responder. Se fosse em qualquer outra ocasião normal certamente não deixaria barato, mas aquela definitivamente não era bem o que podemos chamar de “uma ocasião normal”. Ele estava literalmente levando um esporro de um fantasma. O que tem de normal nisso, Jesus?

Thalia estava visivelmente irritada, conforme seus braços cruzados e expressão carrancuda indicavam. Detestava palavrões, mais ainda quando eles eram dirigidos a ela própria, e especialmente quando não tinha feito nada de errado. Quem aquele cara pensava que era para falar com ela daquele jeito? Ninguém, absolutamente ninguém tinha o direito de lhe tratar daquele jeito. Em ocasiões normais, a menina não hesitaria em virar as costas e ir embora, mas para ela, aquilo também não era bem “uma ocasião normal”. Sabia que algo estava errado consigo, não era idiota. Só não sabia exatamente o quê... e nem o porquê de aquele rapazinho ser o único que aparentemente conseguia lhe ver.

Infelizmente, ela sabia que precisava dele. Pelo menos por agora.

Com um suspiro, a menina resolveu acalmar os ânimos. Não resolveria nada daquele jeito. Desviou os olhos do olhar ainda atônito do garoto e com uma careta encarou as velas acesas e o círculo de sal grosso, que combinado com aquela atmosfera sinistra da biblioteca empoeirada não soava lá algo tão acolhedor. Que diabos ele estava querendo com aquilo tudo? Invocar o capiroto?

— é, você sabe bem como impressionar uma garota... – ela arqueou uma sobrancelha em um leve tom de deboche, olhando para ele após observar os materiais do seu pequeno ritual. – mas me diz, por que na biblioteca? Pensei que desse pra invocar o demônio até mesmo no próprio quarto, se quisesse. Sem falar que isso daqui... – apontou a velinha caída, com seu pavio curtinho tremulando ao lado de um livro velho. – ... tem um baita risco de incêndio. Tá a fim de se matar, garoto?

Ben piscou, sem saber como responder. A verdade é que estava ridiculamente apavorado – e sempre que se sentia assim, a única reação do seu corpo era basicamente não ter reação nenhuma. Aquela sala toda podia até pegar fogo mesmo e ele permaneceria parado no mesmo lugar, esperando quietinho que as chamas o consumissem. Só respirava e bombeava sangue porque era algo automático.

Certo... era agora que ela giraria a cabeça como a menina do exorcista e gritaria até ele morrer?

— ei, você tá me ignorando? – Thalia franziu o cenho, aproximando-se um passo. O moreno sentiu o coração errar uma batida. – isso não é nada educado da sua parte.

Ela aproximou-se novamente. Num instinto, Ben recolheu os pés para si.

— ah... – a moça sorriu com ironia. – você está com medo!

Mais um passo.

— f-fique longe de mim! – Ben conseguiu reagir, embora bastante trêmulo.

— defina... “longe”. – ela sorriu, inclinando-se sobre os joelhos para observá-lo bem de perto. Seus rostos se encontraram a menos de um palmo de distância.

Ben encarou sem querer aqueles olhos pequenos, tão pretinhos, tão terrivelmente invasivos. Sentia-os lendo seus pensamentos, enxergando cada lampejo de pânico, tal como os vira pela primeira vez no quadro de avisos do campus.

Aqueles olhos o bastavam como identificação ainda mais que a tal borboleta que ela teria tatuada nas costas. Eram perturbadores.

Thalia soltou uma risadinha, prensando seus olhinhos quase numa linha reta.

— isso é tão patético! – exclamou ela. – você parece uma criancinha assustada. Acha que eu vou fazer o quê? Te matar?

Ben piscou, como que acordando de um sonho. Ela estava rindo da sua cara?

— ai desculpa, eu esqueci de trazer a minha faca. – a jovem continuou, levando uma mão ao peito em ressentimento. – vai ter que ficar pra próxima, tá?

E ela ria, tapando a boca ao se erguer novamente. Ainda sentado no chão, o garoto finalmente conseguiu reagir, franzindo o cenho ao se sentir ofendido. Não tinha coisa que detestasse mais do que não ser levado a sério.

— você acha isso engraçado? – conseguiu protestar, sentindo uma súbita onda de raiva tornar-se mais forte que o medo. Mesmo assim, suas mãos ainda tremiam sem parar numa mistura de sentimentos. – você me assombra por quase dois dias, fica me espionando de longe, me faz duvidar da minha própria sanidade e ainda quer rir da minha cara?

Thalia parou de rir, notando a face do garoto que começava a recuperar um toque de cor com a repentina onda de ódio que o invadia. Foi como se, naquele minuto, todo aquele sentimento de estresse que se acumulava dentro dele há semanas (e que havia praticamente dobrado de intensidade após o aparecimento da Thalia) explodisse de uma só vez dentro de si, fazendo ferver cada vaso sanguíneo antes gelados de pavor.

E no momento, todos os seus problemas pareceram se resumir a um par de olhos pequenos e pretos que agora o fitavam surpresos.

— se quer saber, eu não me importo com o que quer que você ainda tenha pra resolver nessa droga de planeta. – ele ergueu-se, nervoso. Sem perceber, recuou uns dois passos, ainda trêmulo. – e-eu só quero que você me deixe em paz. Pare de me perseguir por aí como um encosto!

— eu não estou te perseguindo.

— não? E como você chama ficar no meu pé por quase dois dias, não me deixando dormir, comer, ou fazer qualquer outra coisa direito?

— eu só estava tentando conversar!

— não é exatamente assim que se puxa uma conversa!

Thalia desviou os olhos, começando a se incomodar com aquilo. Preferia o garoto medroso de antes ao invés desse aí, respondão e terrivelmente inconveniente jogando aquelas verdades bem na sua cara.

Um silêncio desconfortável se instaurou na biblioteca por alguns segundos, enquanto os dois jovens se recuperavam daquele primeiro contato não muito agradável. Thalia foi a primeira a resolver ceder um pouco. Passando uma mão pela franja, a penteando rapidamente para trás, ela respirou fundo antes de enfim voltar-se para o jovem à sua frente.

— tudo bem, acho que começamos com o pé errado... – disse num suspiro, mais calma. – vamos voltar pro começo, tá legal?

— não, não tem começo. Eu só quero acabar com isso.

— por favor, me desculpe, eu reconheço que estou sendo uma idiota desde aquele dia em que a gente se viu aqui mesmo, nessa biblioteca horrorosa. E pensar que você foi o único a ser gentil comigo desde...

Não concluiu a frase, desfazendo-se num novo suspiro. Ben olhou-a de soslaio, estranhando aquela garota nervosa e irônica parecer tão frágil de repente.

— do que você está falando...? – arriscou perguntar, num tom ainda defensivo.

Thalia mordeu os lábios, encarando o teto.

— sinceramente, eu não sei. – respondeu. – está tudo tão, tão confuso! A verdade é que eu não sei o que está acontecendo comigo, eu não sei bem onde estou, mas sei que de algum modo eu pertenço a esse lugar. É como um instinto, sabe? – ela o olhou, os braços cruzados como se abraçasse o próprio corpo. – eu me sinto vazia... sozinha, perdida... e por algum motivo, você é a única pessoa que consegue me ver ou me ouvir.

— você já tentou conversar com outra pessoa antes?

— sim... Foi horrível.

Ela desviou o olhar novamente. Não parecia querer falar no assunto.

— escuta... – Ben suspirou, umedecendo os lábios. Sabia que entraria num assunto meio delicado, mas era preciso, e aquela parecia no mínimo a hora certa. – eu sinto muito pelo que está acontecendo com você. Mas você precisa aceitar o que aconteceu. Precisa partir, e finalmente descansar em paz.

Aquilo foi como se a atingissem com um raio. Thalia voltou-se subitamente para ele, os olhos arregalados numa mistura de indignação e surpresa.

— do que você está falando? – reagiu, um tanto mais rude do que pretendia. – partir pra onde?

— você deve estar vendo uma luz brilhante em algum lugar.

— luz? Mas não tem luz nenhuma!

— vá para a luz, não precisa ter medo!

— eu já falei que não tem luz nenhuma! – ela gritou de repente, fechando as mãos em punhos. Ben recuou um passo desajeitadamente. – pare com isso!

— Thalia...

— pare de me chamar assim!

Ele piscou, pego de surpresa. Era impressão sua ou ela não reconhecia o próprio nome?

— você não se lembra... de nada?

Thalia abriu ainda mais os olhos, recuando instintivamente. Sentia uma energia estranha e nada agradável lhe envolver, e por algum motivo aquelas perguntas todas só faziam essa sensação ruim piorar, se apossar cada vez mais de si. O que estava acontecendo?

— eu... – ela piscou várias vezes, nervosa, ainda recuando. Não queria aceitar a própria resposta.

Thalia... é esse o seu nome, não é? – Ben aproximou-se, enquanto ela tentava ainda se afastar. – não se lembra do que aconteceu com você?

— do que você tá falando? Não aconteceu nada comigo!

— os arrecifes... a praia... numa tarde de quinta-feira...

— você não está fazendo o menor sentido!

— você pulou para o mar aberto, Thalia. Ficou desaparecida por quase três meses. – ele parou, relaxando os ombros em piedade. À sua frente a menina também tinha parado, em choque. – você tirou a própria vida.

Ela meneou a cabeça levemente, fechando os olhos úmidos com força. Não, não era verdade. Não podia ser verdade. Afundou o rosto nas mãos, negando com ainda mais veemência, se recusando a acreditar naquela história absurda.

Jamais faria aquilo!

— por que você tá me dizendo isso?! – explodiu num grito, como se pudesse rasgar os próprios pulmões de uma vez só. – por que está fazendo isso comigo?! Eu não estou morta! Eu nunca me mataria!

— encare os fatos! Você mesma disse que ninguém mais consegue te ver, que se sente vazia, sequer lembra direito o próprio nome!

— eu não estou morta!!

Aquele grito por algum motivo soou muito mais agudo e estridente que o de uma pessoa normal, de modo que o garoto precisou tapar os ouvidos com força para não estourar os tímpanos. Uma brisa gelada repentinamente balançou seus cabelos, vinda sabe-se lá de onde, e não demorou para que as estantes velhas e empoeiradas começassem a crepitar e balançar como se de repente aquela pequena sala fosse atingida por um terremoto.

Ben recuou, agachando-se para tentar se proteger de algum modo enquanto Thalia ainda gritava, os longos cabelos negros e o vestido esvoaçando como se atingidos por um forte vendaval.

— por favor, pare!! – o rapaz gritou, sendo atingido por diversos livros que eram atirados por vontade própria das prateleiras onde estavam. Seus cabelos também esvoaçavam, e o vendaval tornava-se forte demais inclusive para que ele conseguisse se manter parado no mesmo lugar.

Temia ser arrastado pelo vento, ou que uma estante daquelas o esmagasse. Livros, poeira e madeira gasta voavam sobre suas cabeças enquanto ele tentava agarrar-se a alguma coisa.

— Thalia! – gritou, mal ouvindo a própria voz. – eu sei que é difícil, mas você precisa aceitar que sua jornada aqui acabou! Você precisa partir! Ficar vagando pelas sombras só vai te fazer sofrer ainda mais!

— cale a boca!! Eu não estou morta!!

— olhe ao seu redor, isso não é normal! Você está provocando tudo isso! – ele esquivou-se de uma tábua pontiaguda que passou raspando pelo seu braço, causando um leve arranhão que facilmente poderia ter virado uma coisa bem pior. O vento tornava-se insustentável, seus pés deslizavam pelo assoalho. Ele seria carregado a qualquer momento. – Thalia, pare! Por favor! Pare!

Ela não parecia mais escutá-lo. Desesperado, o rapaz ergueu-se e tentou aproximar-se dela, ziguezagueando enquanto lutava para dar um passo ou dois com muita cautela para não tropeçar e ser carregado de vez.

— eu sei que é difícil! Eu não tenho ideia do quanto que você está sofrendo! – gritou, tentando aproximar-se, mal conseguindo abrir os olhos. À sua frente, a moça pairava no ar, aos soluços. – mas você tem que ser forte, tem que tentar entender que tudo nessa vida tem um final. Uns acham o seu mais cedo, outro mais tarde, não é algo que a gente possa controlar! Eu sei que você deve ter tido uma vida incrível. As pessoas choram pela sua perda até hoje. Seus amigos sequer voltaram pra escola ainda! Muita gente te ama por aqui, e isso não vai mudar. Não estrague essas boas lembranças as tornando ruins assim!

A jovem mordeu os lábios, agarrando os cabelos. A agitação dos livros e dos móveis pareceu diminuir um pouco.

— você não entende! – ela gritou uma última vez, desfazendo-se em lágrimas. O vendaval diminuiu, seus cabelos voltaram a lhe cair sobre os ombros enquanto ela lentamente retornava ao chão, abraçando o próprio corpo. Ben conseguiu enfim equilibrar-se enquanto a voz da moça se tornava nada mais que um pequeno sopro. – você não entende...

E assim ela foi sumindo aos poucos, tornando-se cada vez mais transparente diante dos olhos arregalados do garoto. A biblioteca voltava ao seu estado pacato de sempre, embora consideravelmente mais bagunçada e destruída do que antes.

Thalia desapareceu enquanto seu lamento sumia num sussurro.

Boquiaberto e com o coração aos pulos, Ben deixou-se cair de joelhos no assoalho de madeira. Escorregando pesadamente uma mão pelo rosto como se ainda custasse a acreditar no que tinha acabado de acontecer, tentou recuperar o fôlego enquanto tentava também se convencer mentalmente de que estava tudo bem agora.

Ela tinha ido embora. Tinha partido, e com sorte seria para nunca mais voltar.

Notas finais
Pequena obs - eu literalmente inventei esse "ritual", apesar de ter pesquisado alguns na internet. ehuehuehu Achei melhor não copiar nada literalmente, por questão de respeito mesmo. Enfim, obrigada por ler até aqui ^^ Até o próximo capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.