But... I Love You

13 Capítulo 13 - Complicações


Notas iniciais
Eu estava mexendo numa rede social esses dias e vi uma postagem que dizia que certas fics são tipo Copa do Mundo... Só tem atualização de quatro em quatro anos, haha. "But... I Love You" está quase assim, né? Me perdoem pela demora, pessoal. Eu sinto muito :(

Um baile. Era só o que faltava. Minha vida já estava complicada demais, não? Me desentendi com a Taty, não sei o que está acontecendo com o Théo, além de não saber o que fazer a respeito de Thomas e sua suposta queda pela Taty. Fora o fato de que preciso me resolver com Ronald... Resolvê-lo com a Taty, melhor dizendo. Afinal, sou só uma farpa incomodando o entendimento dos dois.

Mas... E quanto aos gêmeos? Se Thomas realmente gosta da Taty, temos um problema. Eu precisaria ter certeza disso para poder tomar alguma atitude... Seria bom se Théo não estivesse agindo de maneira estranha. Théo... Eu adoraria saber o que está acontecendo com ele. Será que Taty tem razão e ele realmente está sentindo algo por mim? O jeito como ele fica sem graça, vez ou outra, quando está comigo, a maneira como ele agiu da última vez que conversamos... Tenho que admitir que são atitudes suspeitas. Mas... Não, não pode ser. Somos amigos e... "Isso não o impede de gostar de você.". É, Taty tem razão. Isso não tem nada a ver.

Cheguei na entrada da escola esperando que Théo estivesse lá, para que pudéssemos conversar, mas ele não estava. Algo realmente estava errado, já que ultimamente ele sempre ficava por lá antes do sinal tocar. Talvez ele ainda não tivesse chegado, então esperei por ali mesmo. Eu precisava falar com ele, mas... Falar o que? Perguntar o que estava acontecendo não iria adiantar, e se eu não soubesse o que se passava, não teria como resolver. Não podia arriscar e tentar "adivinhar" o que está acontecendo, pois não queria, de maneira alguma, perder a amizade dele. O Théo era uma pessoa maravilhosa, não podia estragar tudo.

De qualquer forma, ele não chegou. Ele havia faltado? Também não vi Thomas...

Taty chegou logo depois. Me cumprimentou normalmente, sorridente como sempre. Ela não percebeu que me deixou chateada no dia anterior. Acenei e subi para a sala, pois o sinal tocou logo depois. Não a esperei.

Entrei na sala e avistei Théo e Thomas já nos seus lugares. Eles vieram. Deviam estar em outro lugar da escola, óbvio. Bem óbvio, embora isso não tivesse passado pela minha cabeça antes. Fui até eles e os cumprimentei:

– Bom dia, gente. Posso me sentar aqui? — Olhei para o Théo, apontando para o meu lugar de costume.

– Bom dia, Mel. — Thomas respondeu. — Claro que pode.

Théo, por sua vez, só disse "bom dia" e fez que sim com a cabeça. Apesar da quase indiferença, ele tinha um leve sorriso nos lábios.

Sentei e comecei a tirar os livros da mochila. Dei uma leve olhada para trás e percebi que Théo ainda me olhava. Assim que ele percebeu que eu o encarava, desviou o olhar. Quando voltou a me olhar, sibilei "preciso falar com você". Ele arqueou as sobrancelhas e em seguida fez um "joia" com a mão.

Taty entrou na sala e sentou-se conosco, no lugar onde ela também costumava sentar. Ela me olhava assustada, como se me perguntasse se tinha feito alguma coisa. O fato dela não ter percebido que tinha me deixado magoada me irritava, mas ao mesmo tempo fazia com que eu me sentisse cruel, chata, alguém que não sabe brincar. Mas o que ela fez não foi uma brincadeira boba. Sequer foi uma brincadeira.

O professor ainda não tinha chegado. Ela me puxou de leve e perguntou, em voz baixa, o que estava acontecendo. Quando abri a boca para responder, o professor entrou na sala. Então, ao invés de responder oralmente, escrevi em um pedaço de papel: "Odiei o que você fez ontem." e entreguei para ela. Taty leu e cerrou os lábios, finalmente "percebendo" que havia pisado na bola. Em seguida começou a escrever algo no papel, que voltou para as minhas mãos. "Me desculpe. Não queria te deixar constrangida ou irritada. Só queria retribuir o que está fazendo por mim, com o Ronald. Mas fui impulsiva e não fiz direito. Me desculpe, Mel."

Não consigo imaginar a cara que fiz após ler aquele papel. Olhei para Taty, que me encarava ansiosa e cabisbaixa ao mesmo tempo. Dei um sorriso sincero e sibilei "tudo bem". Ela também sorriu, e agradeceu. Parecia aliviada. No papel, acrescentei: "Mas não faça de novo, por favor.". Ela riu, e concordou, fazendo que sim com a cabeça.

A aula começou. A sala estava muito mais silenciosa do que o de costume. Me concentrei na aula até o primeiro sinal tocar. Fim da primeira aula. O professor saiu, e Taty virou para trás.

– Oi, gente. — Ela se dirigia à Théo e Thomas. Desculpem pela falta de educação, eu estava distraída.

– Oi, Taty. — Os dois responderam juntos. — Sem problema.

Taty se aproximou de mim e disse:

– E aí, alguém já te chamou pro baile?

Ah... O baile. Por algumas horas eu o esqueci, mas imaginei que, naquele momento, deveria ser o assunto da escola. Quem será que Ronald chamaria? Taty? ... Eu?

– Não, ninguém. — Respondi. — E você?

– Também não, felizmente.

– Pois é... Infelizmente.

– Não, eu disse felizmente. — Ela sorriu.

– Felizmente? Ué, por quê? Você não quer ir ao baile?

– Claro que quero! Mas vou chamar o Ronald! — Os olhos dela brilharam de expectativa.

– Ah, entendi. — Tentei sorrir. — Quanta coragem! Geralmente são os garotos que convidam as garotas...

– E daí? Garotas também podem convidar garotos, sabia? — Ela riu enquanto me dava um tapinha no braço.

– Ok, ok... — Ri forçadamente.

– Por isso, se está afim de chamar alguém, chame. — Ela piscou, e com esse comentário, encerrou a conversa e virou-se para a frente.

Uma dor de cabeça fez com que eu deitasse na carteira e ignorasse tudo ao meu redor. Pelo menos tentasse ignorar. Taty chamaria Ronald para o baile e, pela sua euforia, devia estar planejando fazer isso no intervalo ou no final do dia. Eu deveria estar contente ou sentindo algo parecido quanto à isso, mas estava focada na conclusão de que jamais saberia quem Ronald chamaria para o baile. Jamais saberia se ele me chamaria para o baile.

Que pensamento egoísta!, me repreendi. Eu não podia pensar assim. Ronald e Taty têm que ficar juntos. Sei que estou fazendo o mesmo que Taty fez no ginásio, renegando o que sinto, mas é preciso. É por um bom motivo.

As aulas foram passando e, quando percebi, estávamos indo para o intervalo. Desci as escadas, fui ao banheiro e depois fui procurar o Théo. O encontrei no pátio, sentado num banco.

– Ei, Théo. — Sorri. — Podemos conversar agora?

– Claro, senta aí.

Sentei no banco, mas estava inquieta. Meus pés balançavam involuntariamente. Eu estava nervosa, e não sabia muito bem o porquê de estar assim.

– Então... — Era a hora. O que dizer e como dizer? — Ultimamente você tem estado meio... Distante... Bom, eu já perguntei isso uma vez, mas estou realmente preocupada, então vou perguntar novamente: o que está acontecendo?

Théo ficou quieto por alguns segundos, encarando o outro lado do pátio com uma expressão indecifrável. Ele parecia estar pensando.

– Eu sinto muito, Mel. Tenho me comportado de maneira infantil ultimamente, eu sei. É que eu gosto muito de você e não quero que... — Seja lá o que ele ia dizer, desistiu. — Enfim, eu realmente sinto muito. Não vai acontecer mais. Podemos esquecer isso?

– Claro, como quiser. — Ele ainda estava olhando para o outro lado do pátio. Também olhei e dei de cara com Taty e Ronald conversando. Então ela realmente decidiu convidá-lo durante o intervalo. Comecei a tremer involuntariamente. — ... Então está tudo bem? Eu pensei que eu tinha feito algo ou...

– Não. — Ele me interrompeu. — Você não fez nada. Está tudo bem. — Ele sorriu, e percebi que não foi um sorriso forçado. Foi um sorriso que estava fazendo falta, que há tempo eu não via.

Conversamos um pouco até que Théo voltou o olhar para Ronald e Taty. Ele sorriu, e parecia ter sorrido em vê-los juntos. Tive essa impressão, mas acho que não passou disso mesmo. Pura impressão minha.

– Ei, Mel... Você... — Ele estava vermelho, e visivelmente nervoso. — ... Já tem par pro baile?

– ... Oi? — Théo, me chamando pro baile? — Ah, não... Não tenho.

– Bom... Eu não estou muito afim de ficar em casa, mas também não queria ir sozinho, sabe. — Ele deu um risinho nervoso. — Então... Quer ser meu par no baile?

– Claro, vai ser legal. — Sorri, sem graça. — Obrigada por ter pensado em mim.

Ele murmurou algo que não consegui entender.

– O que disse? — Perguntei.

– Ah, não. Nada. — Ele riu. — Você anda ouvindo coisas ultimamente, hein Mel. — Ele me deu um leve empurrão, brincando.

Eu ri também, e mudamos de assunto.

Estranho. Pensei tê-lo ouvido dizer "eu sempre penso em você.".