But... I Love You
7 Capítulo 7 - Dobro
Notas iniciais
Mesmo depois de tudo o que aconteceu, tentei me focar ao máximo nas aulas. Mas, infelizmente, “tentar” não é sinônimo de “conseguir”. Aquilo tudo ficou rodando na minha cabeça, e eu precisava me concentrar para entender as matérias. Por isso continuei com a ideia inicial de estudar na biblioteca depois da aula, mesmo achando que não adiantaria em nada.
Depois da aula, então, permaneci na escola. Almocei, descansei um pouco e segui para a biblioteca. A biblioteca ficava no final do corredor das salas de aula. Eu nunca tinha ido lá, na verdade. Na porta da mesma havia uma pintura de uma mulher com o dedo em riste em frente aos lábios, indicando silêncio. Em caso de dúvida, ainda tinha uma placa acima dessa mulher, escrita exatamente isso: “SILÊNCIO”. Olhando aquilo eu não sabia se estava prestes a entrar em uma biblioteca ou em um consultório médico.
Quando eu abri a porta, mal acreditei no que vi. A biblioteca era extremamente grande. Enorme. Prateleiras e mais prateleiras, tão altas que pensei que, para pegar alguns livros, os bibliotecários teriam que alugar um helicóptero ou coisa do tipo. Logo na entrada também tinha a mesa da recepcionista que, por sinal, não estava lá. Entrei mesmo assim. Avistei as mesas de leitura, que surpreendentemente, estavam vazias. Só havia uma garota em uma mesa e dois garotos em outra. Todos perdidos em suas leituras. Procurei alguém pra me ajudar a achar os livros que precisava, algum funcionário ou até algum professor, mas não avistei ninguém. O jeito foi entrar naquele labirinto sozinha. Andei, andei e andei. Procurei por vários cantos, mas quanto mais eu procurava, mais eu me perdia. Passei pelas mesas de leitura diversas vezes. De cá pra lá, de lá pra cá. Até que um dos garotos me parou:
– Ei, garota! Não quero ser rude, mas você está atrapalhando a minha leitura.
Fiquei sem reação. Dava para perceber no rosto do garoto que ele realmente não quis ser rude. Mas acabou sendo.
– Thommy, seu babaca! – O garoto que estava do lado dele lhe deu um soco no braço. – Olha o jeito que fala com a menina, não vê que ela está meio... Perdida?
– Tanto faz. Eu disse que não quis ser rude. Só quero conseguir ler o meu livro, sabe...
– ... Você me dá nos nervos. – Disse o garoto, frustrado.
– Me desculpem... Eu cheguei aqui e não vi a bibliotecária e nem ninguém que pudesse me ajudar, então decidi procurar meus livros sozinha e...
– Não ligue pra ele. – O garoto sorriu. Quando o observei com mais calma, vi que era idêntico ao seu amigo. Exceto pelo cabelo. Ambos tinham a pele branquinha e com sardas pelo rosto, olhos castanhos, lábios finos. Mas um tinha o cabelo ruivo e o outro, preto. E o ruivo usava óculos. Ele continuou lendo, enquanto o moreno estendeu a mão para mim. – Eu sou Théo, e esse é meu irmão, Thomas.
– Muito prazer... Sou Melody.
– É a primeira vez que você vem aqui?
– Sim...
– Ah, imaginei. Bom, a bibliotecária nunca está. Geralmente ela fica na enfermaria, ou conversando com a conselheira. Mas... Procurar seus livros, sem ajuda, nessa biblioteca enorme...
– Tem razão, é meio impossível... – Completei, meio sem graça. — Mas eu preciso revisar o máximo possível até amanhã...
Thomas levantou a cabeça e olhou para mim. Depois voltou à sua leitura.
– Quer revisar conosco? – Théo perguntou.
– Vocês também estão revisando?
– Estamos... Sabe com é... – Théo tentou terminar a frase, mas Thomas o cortou.
– Você não está revisando, Théo. Quando nós revisamos, reforçamos o que já aprendemos. Mas você não tinha aprendido nada antes. – Thomas ajeitou os óculos.
– Não queima meu filme, cara. – Théo suspirou e depois continuou a conversa, só que sussurrando. – Ele é o maior CDF. Mas é legal. Só é mal-educado quando está estudando. Ele não gosta que o atrapalhem, a não ser para pedir ajuda.
– Théo, estou ouvindo tudo, só para constar.
Thomas e Théo formam uma dupla de gêmeos realmente engraçados. Depois de conversarmos mais um pouco, Théo me ajudou a achar os livros, e Thomas me ajudou a estudar. Descobri que eles estão na mesma sala que eu, mas eu nunca os tinha visto antes. Eles disseram que sempre andam juntos, mas sem mais ninguém. Gostei de tê-los conhecido. Eles são gente boa. Consegui revisar bastante, já que Thommy explica muito bem. E o melhor de tudo: Consegui me distrair um pouco e parar de pensar com o coração.
Por incrível que pareça me diverti muito enquanto estudava. Vez ou outra os gêmeos se desentendiam, e aquilo era engraçado. Dava pra notar o quanto eles eram unidos, justamente pelas intriguinhas. E não estou sendo irônica. Théo brincava, Thommy não achava graça. Mas os dois estavam em perfeita sincronia. Era bonito de se ver.
O tempo passou e eu nem percebi. Me despedi dos meus novos amigos e fui para casa quando já estava anoitecendo. Essa revisão me deixou mais confiante.
Educacionalmente falando.
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