Mais uma vez Kamijou Kyosuke cumprimentou a platéia ao som de aplausos, mas como das últimas vezes, esses aplausos soavam como uma zombaria. Ele sentia que poderia ter escutado os erros que cometeu durante a peça mesmo que fosse surdo, não era possível que aquelas pessoas não tivessem percebido. Então por que batiam palmas tão vigorosamente?

Suas mãos tremiam enquanto ele voltava para casa. Desde que ele havia escutado a notícia de que Sayaka havia desaparecido seus dedos não pareciam mais o obedecer direito. Como que ele tinha apenas percebido a falta dela quando escutara a televisão? Pensando bem a respeito... Ela tinha começado a se distanciar dele pouco tempo depois de suas mão terem se curado milagrosamente. — Existem sim! Magia e milagres existem! — Essas foram as palavras que ela disse. Essa lembrança causou um grande sentimento de culpa.

Assim como ela havia dito, houve um milagre, mas depois disso eles pararam de se falar. Como que ele poderia ter a abandonado? Aquela que ficou ao lado dele durante o pior período de sua vida, aquela que ele suspeitava que tivesse alguma conexão com aquele milagre. Ao invés de ficar ao lado dela, ele aceitou os avanços de uma de suas amigas, sem perceber o que estava fazendo. Pouco tempo depois dele começar a namorar Hitomi, Sayaka parou de ir para a escola. Como que ele não havia percebido? Era esse o tipo de agradescimento que ela merecia? Claro que com Sayaka desaparecida, ficou difícil estar ao lado de Hitomi, como se ela fosse prova viva da culpa que Kyosuke sentia. Não pela primeira vez, ele murmurou baixinho.

- Sayaka, onde você está? — Uma voz respondeu, mas ela não pertencia a Sayaka.

- Eu vejo que você realmente se importa com ela. — Era uma voz estranha, seca, como a de alguém que tinha um resfriado. Kyosuke olhou em volta para achar a fonte de voz, mas percebeu que ela não parecia vir de nenhuma direção, era como se estivesse dentro de sua mente. — Aqui garoto... — Kyosuke sentiu que havia algo em uma direção, e começou a andar, mas ao chegar perto do banco no parque para o qual sentiu que havia sido chamado sentiu apenas confusão.

- Um bicho de pelúcia? — A primeira vista ele parecia algo como um pinguin de pelúcia, um corpo oval, grandes patas achatadas e braços que mais parecias asas. A grande diferença estava no rosto. Ao invés de olhos e um bico, havia algo que parecia o desenho de uma máscara tribal africana, mas havia algo além disso, aquela expressão parecia invocar um ódio incessante. Era desconfortável olhar para aquele "rosto" por muito tempo.

- Não, mas o que eu sou não importa nesse momento. O que importa é que posso te dar importantes informações a respeito de Miki Sayaka. — Kyosuke imediatamente pego o bicho de pelúcia em suas mãos, sem perceber o quão absurda era aquela situação. Apenas uma coisa estava em sua mente.

- Sayaka? Você sabe onde Saya está? Me diga! — Por um momento o "pinguin" ficou imóvel em suas mãos e Kyosuke achou que tivesse simplesmente alucinado toda aquela situação, mas a voz voltou.

- Onde ela está? Não sei dizer, mas eu posso te mostrar algo, e depois disso tenho certeza que você terá as perguntas corretas para descobrir o que houve com Miki Sayaka. Que tal? Ah, sim, eu me chamo Neunbey, prazer. — A mais de um mês atrás, Kyosuke teria rido numa situação dessas, ele acharia que era apenas algum tipo de piada ou imaginação sua, mas não depois que suas mão milagrosamente voltaram a se mexer. Afinal, Magia e milagres existem.

- Se me ajudar a achar Sayaka, eu posso fazer qualquer coisa! — Esse foi o primeiro passo, para o fim.

Notas finais
Neunbey, sendo neun nove em alemão, para "combinar" com o Kyubey. o nome é pronunciado nóinbey.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.