Busca De Um Amor
17 Uma inimiga quase se torna amiga
Notas iniciais
No instante em que voltei, eu senti que minhas mãos tremiam, e Dock estava na mesma posição de antes.
"O que aconteceu?" perguntei.
"Por enquanto, nada" ele respondeu "Acho que faz um minuto que estamos aqui".
Um momento! Meu pai me teletransportara para seu reino, dera um presente, mas nada disso passou diante aos olhos de Dock?
Olhei meus machucados. Não doíam, porém, a aparência dizia que aquilo não era nada bom. Minha coxa estava roxa em volta do pequeno buraco, que se você se aprofundasse mais, poderia achar meu osso. A canela, que já não estava lá grandes coisas, conseguiu ficar pior. A cor do sangue era uma mistura de vermelho com preto, e eu nunca tive tanta repugnância. Virei, e dei de cara com o meu braço. Tinha apenas um corte, profundo.
Como se tudo isso não fosse o suficiente, sentia minha cabeça latejando de dor, e meus músculos imploravam por descanso. Só me restava um pequeno pedaço de Ambrosia, então, come-lo não seria a melhor das minhas decisões. Guardei e me obriguei a dormir, o que não foi assim tão difícil.
...
As horas que eu dormira, pareceram minutos. Acordei com a luz do sol na direção exata do meu rosto. Me sentei, e senti que minha perna direita, cuja estava toda ferida, parecia querer explodir, mas me recusei a olhar.
Ouvi passos fora da caverna, e eu comecei a sentir medo. Estava impossibilitada de até mesmo me colocar de pé.
Uma garota entrou, e ela trazia uma tigela com água.
- Luiza? — falei, confusa demais para acreditar.
Ela sorriu, e seu olho ainda estava um pouco roxo, por culpa da briga que tivemos alguns dias antes.
- A própria — respondeu — Não iria deixar a pequena e frágil Alice, sem nenhum cuidado. Olhe, eu trouxe Ambrosia!
Eu não estava entendendo nada. É impossível uma pessoa mudar do dia para noite, seja qual for a pessoa ou motivo, principalmente quando se tratava de uma garota, que apanhou mais do que deveria.
- Por que está fazendo isso? — perguntei, com a voz seca.
- Não vou deixar você sair assim, sem nenhum suporte para poder lutar com tantos monstros que há lá fora, e que provavelmente virá — nesse instante, ela retirou um celular do bolso, mexeu um pouco e guardou.
- Você usa? — ri — Mesmo sabendo que isso é, a mesma coisa que, sair com uma megafone gritando para os monstros que você está por aí.
Luiza deu de ombros.
- Existe coisas piores do que monstros, minha cara Alice, e costumam chama-los de seres humanos — seu olhar penetrava nos meus, como se quisesse que eu me sentisse mal com suas palavras.
Não me importei nem um pouco com aquilo, afinal, não devia nada à ela. Nunca desejei fazer o mal para nenhuma pessoa, e Luiza encaixava nessa lista. Por mais que me irritasse, e que toda hora que eu olhava, a raiva me consumia, nada me convencia a agir de maneira errada. Uma coisa que eu aprendera com a minha mãe, é que você nunca deve se rebaixar ao inimigo.
- Me agradeça mais tarde pela sua perna — ela falou.
Olhei, e estava com ataduras. Por mais que doesse, não infeccionaria.
- Obrigada — murmurei.
- Água — entregou. Fiquei encarando por alguns minutos — Vamos lá, Alice! Não seja tão infantil a ponto de recusar.
Bebi, com relutância, mas devo admitir que fora uma benção. Meu corpo se eletrizara.
- Um pouco de Ambrosia lhe fará bem — Luiza colocou-a do meu lado.
Aceitei, e vi que minha dor amenizou.
- Repito a pergunta, pelo fato de sua resposta não me convencer — falei — Por qual razão está fazendo tudo isso?
A garota abaixou a cabeça, e vi um sorriso melancólico se abrir em seu rosto. Os olhos dela ficaram em um castanho escuro, com uma intensidade que eu nunca imaginaria. Juntando tudo, se poderia afirmar, que parecia uma psicopata.
O silêncio me incomodava, porque ela parecia pensar em alguma coisa para dizer, mas não achasse a maneira certa.
- Porque — ela levantou a cabeça — Quero que você possa, pelo menos, tentar lutar para sobreviver.
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