Meu coração se apertava ainda mais. Nunca precisei tanto de Simon, como aquela hora. Ele saberia o que fazer para me ajudar, para me animar.

"Estamos em uma floresta afastada da cidade" Dock avisou.

"Desça" pedi.

Ele obedeceu. Estávamos pairando em um lugar totalmente rodeado de árvores. A trilha era estreita, então qualquer sinal de monstro seria detectado.

De repente, Dock começou a descer em total velocidade. Para me segurar estava difícil. Antes de chegarmos ao chão, eu cai de dois metros de altura. Não era lá tão alto, mas o impacto foi forte. Como se não fosse o bastante, eu rolei um barranco, batendo as minhas costas na árvore.

Como eu não morri?

Minha visão estava embasada, e eu não conseguia distinguir o que era aquilo à minha frente. Não era Dock, e afinal, o que havia acontecido com ele?

- Então minha queridinha decidiu trair Simon? — a voz feminina falou. Ela me era familiar — Acho que ele não vai ficar muito feliz.

- Quem é você? — perguntei com a voz fraca.

De relance, olhei para as minhas ataduras, e estavam rasgadas, e o machucado sangrava.

- Vou te dar tempo para me reconhecer.

E realmente, eu precisei dele. Alguns poucos minutos depois, eu vi. E não acreditava.

A fúria que me atacara antes.

- Como me achou? — falei, tentando me colocar de pé.

- Com isso — ela me mostrou o cabelo que eu tinha cortado — Da próxima vez que tentar se esconder, não deixe rastros. Eu te segui. Fui até aquela cidade. Vi você com aquele garoto. Como ele se chama mesmo? Brathan? Kathan? Nathan?

Meu estômago se revirou, ao descobrir que ela estava atrás de mim o tempo todo.

- Se cansou do Simon? — a fúria se divertia — Eu fiquei com dó do pobre garoto. Como você é! Simon te ama, não se lembra? — ela riu — Então eu tinha que o defender. Consegui arrastar aquele Minotauro até lá. Não foi fácil, mas o resultado foi o melhor. Ouvir seus soluços era como músicas para os meus ouvidos.

- Então você o matou? — a raiva invadia a minha voz. Quando percebi, estava de pé, e a dor amenizara. Ver quem provocara todo aquele estrago, e saber, que eu poderia acabar com ela, me deu forças.

- Tecnicamente — concordou — Nathan não merecia morrer por você.

Senti a consciência conspirando ao favor dela, mas logo deixei esse pensamento de lado. Apertei meu bracelete.

Com rapidez, cortei seu braço, profundamente, que se fosse de um mortal, eu teria arrancado-o.

– Essa, é por você ter dito, que eu me cansei de Simon — gritei.

A fúria tentou me jogar, mas fui mais ágil. Me abaixei, antes que as garras conseguissem me acertar. Me virei, e fiquei de frente com suas costas. Como eu estava conseguindo ser tão boa, sem estar na água, seria uma pergunta sem resposta no momento.

– E essa — gritei, fazendo com que ela se voltasse para mim — É por ter matado Nathan.

A fúria fez uma expressão de horror, então enfiei a lâmina em seu pescoço, sem angústia ou pavor. A sede de vingança estava me deixando louca. Não conseguia suportar a ideia de que ela estragara toda aquela cidade. Que tirara o filho de uma mulher tão dócil.

Eu estava exausta. Meus músculos latejavam, e eu acabei caindo. Me arrastei até minha bolsa, que por incrível que pareça, ainda estava lá, e peguei Ambrosia. Comi um pouco, até sentir que era o suficiente. Me encostei em uma árvore, e com dificuldade, examinei o machucado. Piorara, desde que eu havia visto pela última vez. O sol já estava nascendo, e eu não tinha descansado nada. Minha noite havia sido pura luta.


...


Me sentia mais descansada, e decidi subir o barranco, para tentar procurar Dock. Chegando lá, o encontrei deitado. O pânico se fez presente em mim.

Corri em sua direção, e me ajoelhei.

"Dock" falei, em desespero.

"Alice" ele disse.

"O que aconteceu?" perguntei "Por Zeus! O que está fazendo deitado?"

"Dê uma olhada em minha pata, e diga se conseguiria ficar de pé".

Realmente, sua pata dianteira estava totalmente ferida. Quando eu falo totalmente, é porque parecia que ele havia mergulhado no sangue.

"Quem fez isso?" disse, com desprezo em minha voz.

"Eu também queria saber" Dock respondeu.

Então me lembrei de algo que Percy me ensinara. Procurei em minha bolsa, e achei.

O dracma que jogaram para mim na escola.

Fiquei em silêncio por um tempo, e não muito longe, ouvi o que procurava.

"Não saia daqui" pedi.

Corri em direção ao som da cascata. O bem estar que me dominava, não deixava dúvidas que aquele era o caminho.

E eu estava certa.

A água era cristalina, e a vontade de entrar debaixo dela era uma dar melhores opções que eu tinha no momento.

Respirei fundo, então disse:

- Íris, deusa do arco-íris, aceite minha oferenda.

Joguei o dracma, então uma imagem começou a tremeluzir em minha frente, e ele apareceu.

Notas finais
Deixem a opinião de vocês ^^