Busca De Um Amor
1 O dracma voador
Notas iniciais
Alice
A aula de física estava exatamente do jeito que me lembrava. Todos os alunos usavam os celulares, enquanto a pequena professora gritava na frente da sala. Eu era a única que prestava atenção, porque não queria que monstros me achassem e atacassem a escola. Vai saber o que os mortais pensariam.
Os raios solares entravam pela janela, que era onde minha carteira se encostava. Minha pele branca ficaria queimada se passasse mais alguns minutos ali. Meu colar, que ganhara de Simon, brilhava, e esquentava meu pescoço.
Afinal, onde ele estava?
Fazia três semanas que Simon não ia para a escola. Sua mãe dissera que estava na casa de um tio, mas as férias estavam chegando, e tínhamos que ir ao acampamento naquele final de semana.
A Sra. Listy continuava gritando com todos, e já havia recolhido seis telefones, apesar de todos terem um reserva.
Olhei pela janela, e vi duas pessoas paradas, apoiadas no poste. Minha visão estava péssima por conta do sol, então não consegui distinguir quem era.
Um deles jogou algo em minha direção, e como meus sentidos já melhoraram, escorreguei rapidamente pela cadeira, para não acertar a minha cabeça.
O pequeno objeto caíra, calculadamente, no centro de minha mesa. Levantei o olhar, e por causa de todos os livros que li sobre mitologia (só para me sentir familiarizada) reconheci.
Haviam jogado um dracma.
Peguei, e guardei em minha bolsa. As pessoas lá fora, queriam falar comigo, e era algo sobre o meu mundo.
Lembrei que um pouco antes, minha cabeça latejava por culpa da insônia. Tinha pedido para a professora se podia ir embora, mas ela pediu para esperar, e que se não passasse, era para avisar.
Fui até ela, e disse:
- Preciso ir agora. Minha cabeça vai explodir.
Ela me olhou, como se tentasse farejar alguma mentira.
- Vá para a enfermaria, e de lá, vá para a sua casa.
Assenti e saí da sala.
Passei direto da enfermaria, não importava se minha mãe enlouquecesse quando descobrisse, não era normal alguém jogar um dracma.
Virei a esquina, indo para o lugar onde havia visto as pessoas. Quanto mais me aproximava, consegui perceber quem eram. Soltei um sorriso, e fui retribuída.
Annabeth me abraçou forte, e Percy veio por trás.
- O que estão fazendo aqui? — perguntei, ofegante, já que o abraço de urso que acabara de receber, necessitou de todo o ar que restava em meus pulmões.
- Precisa ir para o acampamento agora – Percy falou, com um olhar sério.
- O quê? — exclamei — Mas eu iria essa semana ainda, e...
- Alice — Annabeth interrompeu — Há algo muito estranho acontecendo, e Quíron precisa conversar com você — ela parou por um momento — Pensei que Simon viria junto.
Senti meu coração apertando, e consegui sussurrar:
- Ele sumiu. Já faz três semanas.
Percy assumiu uma expressão de compaixão, como se entendesse o que eu estava sentindo.
- Então vamos ao acampamento — ele pediu — E lá saberemos o que fazer.
Concordei, mas logo hesitei.
- Não posso ir, sem falar com a minha mãe — disse.
- Estamos sem tempo — Annabeth suspirou.
- Tenho que avisa-lá! — retruquei — Da ultima vez, eu não disse nada à ela, e quando cheguei, havia cartazes de desaparecida pelas ruas. Ela entendeu o que acontecera, mas ainda não está muito feliz com o fato de eu ter que sair para lutar contra monstros. Se eu não falar nada, ela vai... pirar.
- Mande uma mensagem de Íris quando chegarmos — Percy me lembrou da fonte.
Contra a minha vontade, concordei novamente. Para ser sincera, não estava nem um pouco afim de ir ao acampamento, enquanto Simon desaparecera. Não queria ir ao acampamento, sem a minha mãe saber. Ela era a única pessoa da minha família que eu tinha, não podia fazer isso. Porém, quando chegasse, todos os problemas seriam resolvidos, certo?
- E como vamos? — perguntei.
Como uma resposta, Blackjack pousou ao meu lado.
"Ah! Olá" ele disse.
Ainda não tinha me acostumado com o fato de entender o que dizia.
"Hum... oi" respondi.
"Não precisa ser tímida" Blackjack falou "Venha, hoje eu estou á seu favor".
Montei em seu dorso, Annabeth e Percy vieram atrás.
- Então hoje eu estou de folga? — Percy falou sorrindo.
Soltei uma leve risada, e o pégaso começou a voar.
Fale com o autor