Burning Up a Sun Just to Say Goodbye
7 Escondendo-se
Rose acordou e logo soube que estava sozinha na TARDIS. Ela havia caído de sua cama, enquanto dormia, e agora estava deitada no chão, completamente vestida. Ela virou de costas, sentindo seus músculos doerem um pouco.
Ela ainda estava cansada, e por isso tinha aquela sensação de que não havia dormido muito. Ela conferiu o relógio que estava na mesinha de cabeceira — havia mantido-o com o fuso-horário de Londres, assim não correria o risco de ligar para sua mãe no meio da noite -. Ela esteve dormindo por três horas.
Três horas e o Doutor não tinha voltado. Ela deveria procurá-lo. Ela deveria levantar-se, agora, e ir lá pra fora, começar a procurá-lo. Mas algo a impedia. Algo grande.
Ele estava... diferente. O que ela havia visto em sua mente provara isso. O Lobo Mau já tinha visto tudo. Mas ver e saber, sentir e saber: são coisas muito diferentes.
Sentindo o seu... alegre desespero quando ele decidiu que poderia fazer o que quisesse, não haveria ninguém para detê-lo, e por muito pouco valia a pena parar... ela sentiu que ele a temia. Pior que a idéia de que ele iria abandoná-la novamente. Que ele não a queria aqui. Não conseguia aceitá-la como ela é agora. Ele sempre esteve lá – no limite da insanidade, da mania. Em todas as regenerações que ele teve. Mas essa atual? Ele sentia muito mais as coisas. Vivia mais perto desse limite. Lembrou-se de seus pensamentos mais cedo, antes que ele despertasse. Ele era mais perigoso do que o seu primeiro Doutor. Mais cheio de luz, risos e brilho. Mas ela sabia que havia tido vezes, muitas vezes, em que ele escorregara. Deixara a escuridão tomar conta, empurrá-lo para mais e mais perto da borda.
No entanto, ela sempre olhou por ele. Sempre ficou com ele. `Quanto tempo você vai ficar comigo? Para sempre. ´ Ele não tinha dito nada depois disso, apenas sorriu e continuou olhando para a vista na frente deles. Se na lhe dissesse que era impossível, não teria lembrado que ela morreria – cedo demais – e que ele ficaria sozinho novamente.
Ele pediu para ela ficar, ela se lembrava. Quase implorou. `Ele precisa de você. Isso é muito eu.´ Ele pediu a ela para ficar, e ele estava apavorado.
Ele estava se escondendo dela, ela sabia. Idiota. Ela se levantou e se espreguiçou. Ela lhe daria uma hora, e depois iria atrás dele. Verdade seja dita, ela não tinha certeza de como o encontraria quando ela o encontrou.
***
As coisas tinham corrido bem com Sarah Jane. Ela entendeu que ele não queria ser questionado. Tinha compreendido que algumas coisas não podiam ser ditas. Ela pediu para ver Rose, no entanto. Perceptiva Sarah Jane. Ela sabia conscientemente o que os outros, Martha e Mickey, só estavam cientes em um nível subconsciente. Ele poderia dizer o que quisesse, no entanto, o que ele mais queria era agir. Tudo o que ele tinha que fazer era observar Rose. Observar seu comportamento, sua linguagem corporal quando estivesse com Rose. Vendo Rose, veria o Doutor.
E agora? Agora ele estava se escondendo. Preocupado com o que veria quando olhasse para Rose. Sentado num café a algumas ruas de distância da TARDIS. A TARDIS com seus infinitos disfarces e ele estava escondido em um café, bebendo um chá que era abaixo do preço comum na melhor das hipóteses. Ele deveria esta na TARDIS, bebendo chá com Rose. Não se escondendo. Não fazia sentido se esconder aqui. Talvez ele não estivesse se escondendo. Talvez... sim. Talvez ele devesse estar aqui. Talvez algo estivesse para acontecer.
Ele olhou ao redor do café. Nada. Nada a fazer. Estava se escondendo, então. Provavelmente deveria agir feito homem e voltar para a TARDIS. O problema era... cada vez que ele fechava os olhos, via a luz dourada que havia iluminado o topo do penhasco.
Seus olhos estavam brilhando. Ouviu-se falar, sua voz incrivelmente calma. "Tire as mãos de cima dela. " Advertiu-os. Afastem-se. Corram.
"Afastem-se dele", disse Rose, suas palavras soando como se viessem de muito longe.
"Agora veremos a verdadeira criatura. Só ameaçar o companheiro ela se revela." O líder disse, virando-se para enfrentar Rose. "Exponha sua espécie!"
Quando Rose não disse nada, o Doutor respondeu. "Você não pode sequer começar a entender. Por favor, se você quer sair dessa com vida, fuja dela. Mantenha-se longe dela."
O líder virou olhou para ele, seu olhar quase curioso. "Traga-o mais perto", ele ordenou.
O Doutor foi arrastado até ficar na frente de Rose. Emanava calor dela. Seus olhos estavam fixos nos seus, e ele não conseguia desviar o olhar. Ele podia sentir o calor dela em sua cabeça agora. Ele queria desesperadamente fechar os olhos, desviar o olhar.
"Tanto poder", disse o líder, apontando seu scanner para cima e para baixo do corpo de Rose. Ele examinou o Doutor. "Há vestígios de Senhor do Tempo, mas a fêmea? Tanto poder... " Ele olhou para Rose. "Eu sou um cientista", o Doutor bufou, incapaz de ajudar a si mesmo, mas o líder o ignorou e continuou. "Mostre-me."
"Não", o Doutor alertou. Seus olhos ainda presos nos dela. "Não pergunte".
O olhar de Rose foi parar o líder, liberando o Doutor. Ele cedeu, fisicamente drenado pelo contato. "Deixe ele ir", ela disse.
"Muito bem, um par para ser ignorado. Você vai voltar para o laboratório conosco para ser catalogada. "
"Não seja estúpido", o Doutor disse impaciente. "Você mesmo disse. Ela tem tanto poder. É o bastante. Deixe-a ir. Eu vou com você. É só deixá-la ir. "
"Não!" Rose disse, sua voz um sussurro que foi mais longe do que ele poderia. "Dói".
"Pegue-o", disse o líder, "e tragam-na".
Enquanto os guardas arrastavam o Doutor para longe, Rose abriu a boca e gritou.
Uma luz dourada tão brilhante que era quase branca surgiu, levando os sentidos do Doutor. Ele poderia ver-sentir-provar o gosto-ouvir a luz, externa e interiormente. Em seguida, ele foi liberado. A sensação da mão dela na sua o fez saltar. Então ela o puxou, e eles estavam correndo. Correndo e passando pelos corpos dos guardas que estavam no chão, as portas da TARDIS se abriram... as portas se abriram sem sequer terem sido empurradas.
Ele balançou a cabeça para limpá-la. Isto foi sua culpa. De tantas maneiras. Ela estava diferente. Alterada de alguma forma pelo vórtice que queimava dentro de si. O vórtice que ela havia absorvido para salvá-lo. Então ela deu as mãos para o Lobo para salvá-lo novamente. Mais e mais, puxando-o de volta da beira do abismo. Ela perdeu tudo, incluindo o seu direito de pertencer a uma espécie classificável, aparentemente. E tudo o que ele havia sido capaz de pensar, enquanto ele esteve com Sarah Jane e Luke, foi que ele esperava que ela ainda estivesse dormindo quando ele voltasse para a TARDIS, para que ele pudesse sentar ao lado dela e observá-la. E que esse era um pensamento ruim para ter, portanto, aqui estava ele agora: escondido.
Ele grunhiu em frustração e saiu do café, atraindo vários olhares perplexos dos outros clientes.
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