Burning Red
5 Capítulo 5: Barcelona - Parte III
Notas iniciais
Mais uma vez, perdão pela demora e blablabla, vocês já sabem! --'
Vamos ler o cap? Prometo muita diversão, pequenas safadezas e, claro, suspiros! ♥33
Hahahahahaha'
Muita coisa legal aqui são créditos da nossa beta fodex, Aline Bomfim! o/
Enjoy it.
Capítulo 5: Barcelona – Parte 3
Você será meu William
Eu serei sua Kate
Vivendo como em um conto de fadas
(Bridgit Mendler — Ready Or Not)
Barcelona, Espanha – NH Belagua Hotel
10h14min
Uma pilha de roupas estava espalhada pelo quarto de hotel com uma Bella bufando e uma Jane risonha. Depois de tomarem um reforçado café da manhã com direto a muitos morangos e croissants, as amigas tagarelavam enquanto a morena revirava suas malas em busca de algo sexy-sem-ser-vulgar.
– Edward e Bella debaixo de uma árvore, b-e-i-j-a-n-d-o, primeiro vem o amor, depois o casamento, depois...
– Jane Volturi, pela milésima vez, pare com essa maldita música! – A escritora ralhou, tacando a primeira peça de roupa que estava em seu alcance, na cara da loura, que gargalhava horrores.
– Ai, amiga, eu não consigo me conter! – ela riu, rodando a blusinha em seus dedos, toda esparramada na cama – Nunca vi você tão girly assim, procurando uma roupa pra agradar um homem.
– E quem disse que quero agradar alguém? – Bella repuxou os lábios em um beicinho teimoso, sentada no chão com um par de malas reviradas. – Só quero me sentir bonita...
–... Pra um certo britânico! – Completou a frase, fazendo a outra revirar os olhos enquanto bufava.
– Sério, não achei nada pra vestir, eu vou pelada mesmo.
– Ui, assim vai arrasar corações! – A loura gargalhou antes de olhar surpresa para a delicada blusinha que girava em sua mão. – Olha essa aqui! Por que não usa essa?
– Top cropped, Jay? – ela inquiriu hesitante, mordendo o lábio – Não é muito revelador?
– Não se você usar um shortinho de cintura mais alta! – A amiga sorriu, jogando a peça para a morena. – E que mané revelador o quê... Está super na moda!
– Se você diz...
Alguns minutos depois, com as malas já arrumadas e um sol lindo invadindo as janelas mediterrâneas do quarto, Bella estava simples e maravilhosa com a blusinha curta e colada, esboçando um suave decote em harmonia com as alças finas. O tom claro de azul e a estampa florida deixavam ainda mais reluzente a maciez dos seus seios e a parte superior da barriga que estava de fora, combinando perfeitamente com o short jeans batido e seus velhos All Stars pretos.
Assim que viu o look completo da garota, Jane sorriu maliciosa.
– Acho melhor o Edward levar uma cueca extra, se é que me entende.
A romancista soltou uma risada alta, tentando imaginar como funcionava a mente nada puritana da sua melhor amiga.
Barcelona, Espanha – Parc d'atracciones del Tibidabo 10h41min
Após pegarem um táxi e, depois, um funicular, as garotas apreciavam a vista belíssima para toda a cidade, no alto de Tibidabo – uma montanha pertencente à serra Collserola. Por ficar situado ali, o parque possuía uma visão panorâmica para Barcelona assim como o Mar Mediterrâneo ao longe. Era de tirar o fôlego.
Muitas pessoas passeavam naquela manhã ensolarada, conversando alto, rindo, e alguns gritos eram ouvidos vindos da montanha russa e da roda gigante, assim como a música Barcelona, de Giulia & Los Tellarini, ao fundo.
– Ai, eu amo essa música! – Jane começou a se remexer de um lado para o outro assim que adentraram o parque. – É do filme do Woody Allen, qual o nome mesmo...?
– Vicky Cristina Barcelona. – A amiga disse, rindo da louca, caminhando até o parapeito gigantesco que dividia a montanha da cidade.
– Isso! A Scarlett Johansson ficou tão safada naquele filme, meu Deus! – ela moveu as sobrancelhas sugestivamente, ainda dançando – “Hace un calor que me deja fría por dentro con este vicio de vivir mintiendo, que bonito sería tu mar si supiera yo nadar. Barcelonaaaa...”.
– Ai, que vergonha, se alguém perguntar, não te conheço! – Bella murmurou, ainda rindo ao colocar seu Ray Ban por conta do sol que irradiava por toda a parte. O dia estava quente, animado e radiante, e ela adorava isso.
– Alegria de pobre dura pouco mesmo... – A loura resmungou, encostando-se ao anteparo enquanto prendia os cabelos em um rabo de cavalo alto. – E o seu bofe inglês, hein? Quando é que ele vai chegar?
– Não sei, ele...
E como se estivesse pressentindo o assunto, o iPhone da morena vibrou com uma nova mensagem de texto.
Bom dia, milady =)
Você e Jane já chegaram ao parque? Estamos esperando vocês.
Edward.
Bella sorriu com a saudação, mordendo o lábio inferior enquanto teclava rapidamente uma resposta.
Bom dia, milord ;)
Acabamos de chegar.
Estamos perto do parapeito, ao lado da montanha-russa!
B.
– Sorriso safado mais bochechas coradas é igual a Isabella Swan paquerando alguém! – Certa monstrinha começou, cheia de segundas intenções, fazendo a escritora revirar os olhos e sorrir ao dar um soco em seu ombro.
– Nem comece, desde ontem você não me deixa em paz por causa disso!
– Baby, você sabe o quanto eu gosto de ver você assim, mais leve e empolgada. – Jane sorriu, apertando a pontinha do nariz arrebitado da morena.
– Eu sei, e é por isso que eu amo você, sua enxerida insuportável! – ela prendeu a amiga em um abraço, incapaz de não sorrir junto com a pequena.
– Claro, claro. Todos me amam, sou irresistível!
E antes que pudesse devolver um comentário irônico para a amiga, a romancista avistou o fotógrafo caminhando até ela, ao lado de Emmett. Bella se desvencilhou da loura, sorrindo para os dois que logo se viam a sua frente.
Emmett estava com seu costumeiro chapéu cinza, bermuda, camiseta e sorriso cafajeste, à medida que Edward também trajava uma bermuda, embora com uma camisa de flanela aberta por cima da camiseta branca – ele estava lindo olhando para ela como se não houvesse amanhã, mas isso era óbvio.
O britânico, no entanto, tentava controlar sua ansiedade pré-adolescente quando recebeu a resposta de Bella e correu para encontrá-la na entrada do parque de diversões. A morena estava fodidamente maravilhosa em seus jeans curtos e naquele decote enviado por algum escravo de Hades. Como poderia ter um ar tão jovial e ser sexy como o inferno?
– Há quanto tempo, amigos! – Jane estourou a pequena bolha que começava a se formar ao redor do casal, abraçando os britânicos, assim como a amiga.
– Muito tempo, tipo umas doze horas. – Emmett provocou, recebendo um olhar raivoso da loura. – Mas o Edward sentia falta da Bella como se não a visse há mil e uma noites, ou qualquer frase gay assim.
– Meu amigo é um exímio piadista, vamos rir pra ele não ficar no vácuo. – O companheiro murmurou com uma falsa carranca, arrancando uma risadinha das meninas.
– Sou inesquecível mesmo, eu sei – A morena piscou divertida, atiçando ao abraçar o inglês.
Edward riu com a provocadora, sentindo-se bem de imediato em sua companhia; era incrível a capacidade que aquela pentelha de Hollywood o fazia sentir. Pentelha no bom sentido, é claro, já que ele ainda tentava se recuperar da visão privilegiada que aquela blusinha dava aos seios pequenos e tentadores demais para o bem de qualquer ser humano.
– Então você trouxe seu parque de diversões particular para conhecer um parque de diversões oficial? – ele brincou, impossível de conter aquelas palavras para si mesmo.
Bella olhou-o totalmente confusa.
– Você tomou café batizado antes de vir pra cá? – Perguntou com um sorriso, tentando entender o que diabos ele quis dizer com aquela pergunta ridícula.
Como resposta, ele somente olhou para baixo – rumo ao seu decote, mais especificamente. A morena arregalou os olhos quando 2+2 virou 4.
– OMG, Edward, seu pervertido! – ela brigou, cobrindo os seios com as mãos antes de cair na gargalhada com o britânico – Parque de diversões, hein? Pode ficar bem longe daqui, mocinho.
– Relaxa, hoje o único parque de diversões que eu quero é o Tibidabo. – Sua voz foi alta com uma risada, jogando seu braço distraidamente por sobre os ombros da garota.
– Acho bom mesmo. – A americana riu, abraçando a cintura do homem sem ao menos notar a proximidade tão íntima entre eles. Era como se conhecessem há anos.
– Okay, quero um sorvete pra aplacar o calor e ver o que esse parque nos reserva! – Jane falou dramática, abanando o rosto com sua bolsa de franjas.
– Até que enfim a loura falou algo que preste! – O britânico galinha concordou, empurrando a baixinha de cabelos platinados ao passo que os outros dois seguiam logo atrás.
Chegando ao Tibifresh, uma das sorveterias aconchegantes e abertas que havia ali, os quatro logo trataram de fazer seus pedidos, sentindo uma suave ventania amenizar a temperatura veraneia. No entanto, Bella sentia o olhar do atendente jovem e bonito seguir todos os seus passos do outro lado do balcão enquanto atendia às demandas dos amigos.
– E você, bela senhorita, o que vai querer? – ele questionou com seus grandes olhos castanhos e um sorriso branco em seus lábios carnudos. A escritora até o consideraria muito charmoso senão estivesse lhe deixando tão desconfortável com seu jeito nada discreto de fitá-la de cima a baixo.
A historiadora e o ator saíram de fininho com suas casquinhas no instante que Bella sentiu o olhar perfurador de Edwardsobre o rapaz.
– Err... – Balbuciou, encarando rapidamente o cardápio sobre o balcão de granito. – Uma bola de morango e outra de baunilha, por favor, sem calda.
– Será um prazer – O moreno de pele bronzeada sorriu sedutor, fazendo-a sorrir sem graça antes de receber seu pedido. – Mais alguma coisa, delícia? Uma tortilla ou, quem sabe, meu telefone?
– Não, eu...
– A moça não está interessada. – O fotógrafo foi curto e grosso com o assanhado que nem notara sua presença ali.
– E quem você pensa que é pra responder por ela? – ele retrucou, arqueando uma sobrancelha. Edward sentiu seu sangue ferver com aquele garoto abusado.
– E quem você pensa que é pra dar em cima da garota de alguém? – O britânico alfinetou de volta, passando o braço direito ao redor da cintura da jovem, deixando-a de olhos arregalados.
O moreno do outro lado do balcão apenas cerrou os lábios à medida que Edward jogava uma nota de euro antes de puxar uma Bella embasbacada para fora do estabelecimento.
– O que foi tudo aquilo? – ela perguntou confusa e levemente admirada, mordendo o interior das bochechas para conter um sorriso divertido. O inglês ficava totalmente irresistível com aquela carinha de bravo e um beicinho teimoso.
– Bella, me desculpe por agir daquela forma e dar a entender que você é minha namorada, é só que ver aquele garoto atrevido a tratando daquele jeito, me tirou do sério!
– Tudo bem, Edward, você se livrou dele melhor do que eu conseguiria! – Sua risada fez o jovem londrino se acalmar e esboçar um sorriso torto em resposta.
Estar ao lado daquela linda californiana era como ser Ícaro voando em suas asas de cera – se voasse alto demais, queimaria ao sol; se voasse baixo demais, afogaria no mar. Era a sensação dúbia mais viva e apaixonante que já havia sentido.
– Além do mais, isso não é a forma correta de se tratar uma dama! – ele prontificou, vendo as maçãs do rosto da morena ficarem levemente ruborizadas – Eu posso falar muita besteira e fazer comentários inapropriados, mas porque me sinto íntimo de você, Bella, como se nos conhecêssemos há muitos anos.
Ela, como uma boa amante de clássicos românticos da literatura inglesa, não deixou de apreciar cada uma das palavras do fotógrafo. E aquilo a fazia sentir um pequeno comichão misturado às inquietas borboletas em seu estômago. Puta merda, ela não queria pensar na palavra a-p-a-i-x-o-n-a-d-a. Não, não! Quietinha aí, Swan!
Como retorno, ela apenas esbanjou seu belo sorriso de menina, encantando os olhos acinzentados do rapaz.
– Eu também me sinto como se o conhecesse há anos, Edward.
Ele sorriu.
– Então, por onde começamos? – Jane perguntou, chegando do nada perto do casal, junto do outro inglês.
– Que tal o Piratta primeiro? – Edward inquiriu, abrindo os braços para o parque, sem querer assustar Bella com um brinquedo mais radical. Ela era tão miúda e delicada.
– Aquela barca? Qual é, Edward? Só 180º não é diversão! – ela reclamou, fazendo-o fitá-la surpreso – Vamos pra uma aventura de verdade! – A jovem pegou sua mão e começou a arrastá-lo rumo à montanha-russa.
Ele começou a rir da baixinha que de delicada não tinha nada, na verdade. Jane e Emm apenas se entreolharam, sorrindo com aqueles dois que se derretiam com o olhar um do outro.
– Hmm, esse sorvete valeu o esforço... – Bella comentou com a boca cheia do doce enquanto aguardava na fila do brinquedo. – Experimenta, Edward, você nem ao menos comprou um pra você!
– O que você não pede sorrindo que eu faço chorando? – ele provocou, rindo ao pegar uma quantia generosa do gelado.
– Não é bom? – Questionou com um sorriso juvenil, lambendo o dedo com o sorvete que escorria da casquinha, movimento que não passou despercebido pelos atentos olhos do britânico.
– Muito bom. – ele assentiu, olhando para a boca cor vermelho morango da garota. Seriam apenas alguns centímetros para poder experimentar o sorvete em sua melhor essência, direto dos lábios que aparentavam ser tão macios.
– Tem mais um lugar no carrinho. Venham vocês dois aí da fila! – Um senhor de cabelos brancos e sorriso amigável chamou o fotógrafo e a escritora, fazendo Edward sobressaltar e seguir para a cadeira da frente da montanha-russa.
– Que povo mais bundão, ninguém quis sentar na primeira fileira! – Bella revirou os olhos quando apertou seu cinto.
– É porque isso vai além de 500 metros acima do mar. – O inglês explicou com uma risada, esperando o olhar de susto que nunca veio.
– 500 metros? Isso fica cada vez melhor! – ela levantou os braços, colocando pilha em todo mundo – Vocês estão prontas, crianças?
– Sim, capitão! – Responderam as pessoas das fileiras atrás, fazendo Edward soltar uma gargalhada com a animação ali.
– Vamos, vamos, quero ver a altura disso aqui!
E não é que Bella não tinha medo mesmo? O jovem ficou surpreso com a empolgação da morena ao seu lado, que gritava feito uma louca e, logo em seguida, começava a gargalhar. Era simplesmente uma delícia estar ao lado daquela pequena aventureira que de convencional não tinha nada.
– E eu esperando que você fosse começar a chorar ou qualquer coisa assim... – ele murmurou enquanto caminhavam para fora do brinquedo, ainda zonzos pela velocidade e inconstância do brinquedo.
– Assim você destrói meus sentimentos! – A garota fez sua falsa carinha de magoada, repuxando os lábios e olhando por sobre os cílios. O fotógrafo riu ainda mais, sendo seguido por ela. – Fui criada com três irmãos mais velhos, lembra? Todo mundo achava que eu era um menino até meus quinze anos de idade.
– Não acredito! – Edward abriu a boca, tentando imaginar uma Bella estilo gangster.
– É sério! – ela riu enquanto caminhavam até o Castelo Mistério – Eu sempre fui do tipo que andava com os garotos e usava jeans largos, blusas de moletom, camisetas de banda e cabelo curtinho! Comecei a ser mais feminina só depois da minha primeira paixonite adolescente.
– E quem foi o felizardo? – Perguntou com uma risada divertida.
– Um amigo idiota do Seth. Sério, meu irmão tem cada amigo tapado que dá até dó!
– E se eu te disser que minhas irmãs me vestiam de garota só pra tomar chá das cinco? – ele confessou com uma careta ao se recordar, arrancando uma risada deliciada da romancista ao seu lado.
– Isso é verdade?
– Infelizmente. As gêmeas me colocavam dentro de um vestido, passava uma coisa rosa nas minhas bochechas e me levavam pra casinha da árvore com suas bonecas!
– Que trágico. Coitadinho dele, gente! – Bella provocou com uma vozinha baby-talk, apertando as maçãs do rosto dele.
– Eu tinha nome e tudo, era a irmã Cláudia!
E a americana riu ainda mais com aquela frase, imaginando aquele homem maravilhoso ao melhor estilo Audrey Hepburn em Bonequinha de Luxo.
– Vai, ria da desgraça alheia, Ela é o Cara!
– Olha quem fala, As Branquelas!
– Como você é chata! – ele riu, bagunçando os cabelos longos e acobreados por causa da luz do sol.
– Digo o mesmo! – Replicou, gargalhando com o rapaz.
E assim seguiram os dois, vez ou outra, perdidos de Jane e Emmett, que ficavam cheios de risadinhas para o casal que se perdia um no outro. Se não fosse tão romântico e fofo, seria engraçado o jeito encantador que se olhavam.
Ambos se divertiram, como nunca antes, nas pontes levadiças e nas torres do Castelo Mistério, assistiram um curta-metragem de animação no pequeno cinema 4D, deram uma de crianças no bate-bate, foram expulsos do show de mágica por revelarem todos os truques aos pirralhos que estavam sentados perto deles, e se equilibraram no carrossel para tirar fotos e mais fotos, ignorando as carrancas dos pais e as risadas divertidas das crianças.
– Ai, eu não sabia se a mãe daquele garotinho iria te expulsar dali ou se atirar nos seus braços, porque, né? – Bella disse entre um riso, andando com o fotógrafo que agora carregava sua câmera fotográfica para todo o lado. Chegava a ser incontável o número de retratos da morena armazenados nos filmes do objeto.
– O quê? – ele perguntou, espantado – Se atirar nos meus braços? Só se fosse pra me fazer cair, porque a careta dela era de assustar!
– Aham, Cláudia... – A morena ignorou o olhar do britânico, rindo do apelido ridículo. – Vamos ao corredor de espelhos agora? Eu sempre quis ver um de pertinho...
E assim seguiram até lá, mal notando que o dia já se esvaía aos poucos em uma tarde mais fresca com o sol ao longe, cada vez mais perto do Mediterrâneo. Ficaram fazendo caretas um para o outro com os espelhos que engordavam e achatavam o rosto, mostravam a língua para o reflexo medonho e depois soltavam altas gargalhadas antes de Bella pular nas costas do inglês e fazê-lo a arrastar até a roda gigante.
Enquanto o sol se punha, a californiana se embebia dos raios que atravessavam o parque e refletia no cabelo do homem, salpicando cores louras e arruivadas por entre os fios tão claros de castanho. Edward parecia deliciosamente quente e aconchegante, segurando as pernas da garota que, por sua vez, firmava-se nos ombros largos que ele possuía. Ela podia sentir o perfume fresco e suave quando aproximava seu nariz perigosamente do pescoço dele, usando provavelmente algum cítrico da Dior.
O londrino só a colocou no chão assim que chegou o momento deles de embarcarem em uma das cabines abertas da roda gigante, com uma espécie de guarda-chuva em cima, lembrando aqueles balões de ar de filmes antigos, coloridos e adoráveis. Um casal que estava logo atrás dos dois, fitou-os com um olhar carinhoso e cúmplice – não do tipo de olhar de eu sei o que vocês fizeram no verão passado, mas sim de eu sei o que vão fazer nesse verão, então aproveitem. Bella poderia até corar se não estivesse tão absorta em sua própria bolha com o britânico.
Quando o brinquedo começou a se movimentar, eles sorriram um para o outro, admirando a vista esplendorosa que poucas pessoas no mundo teriam a dádiva de admirar. Principalmente ao lado de alguém particularmente especial.
– Você sabia que eu nunca tive realmente vontade de conhecer Barcelona até o momento em que coloquei meus pés aqui? – A romancista murmurou, suspirando levemente ao passo que seus olhos verdes e sedutores brilhavam para o Mar Mediterrâneo tão azul e esbelto ao longe.
– Eu também não – Edward compartilhou, sorrindo para a morena que o encarou então. – Acho que é comum a gente querer conhecer Paris, Roma, Veneza ou até Londres, apesar de eu ter crescido lá. São cidades mais conhecidas e com algum marco mundial importante.
– Exatamente – ela sorriu calmamente, tirando uma mecha teimosa de sua testa, trazida pela brisa – Mas as cidades não tão conhecidas são tão encantadoras quanto. Caramba, estou apenas começando a conhecer a Espanha e já estou amando tudo isso aqui.
– Eu também. – ele riu, umedecendo os lábios enquanto sentia a pele do braço da morena deleitosamente contra a sua – Quando você deixa Barcelona?
– Amanhã bem cedinho – Bella respondeu amortecida pelos olhos do rapaz. – Vou seguir de trem para Madrid.
– Madrid? – Questionou surpreso e com seu peito rapidamente aquecido. – É minha próxima parada!
– Jura?
– Sim, eu pegaria o trem desta madrugada, mas posso adiar para amanhã – Sorriu – Se você não se opuser, é claro.
– Imagina, eu adoraria! – ela o encarou, embevecida, fazendo-o se perder naquele sorriso infantil e brilhante que só ela era capaz de esboçar.
E eles simplesmente ficaram perdidos um no outro, hipnotizados por aquele encanto que parecia envolvê-los como magia. Era o clichê mais real e verdadeiro que suas almas já puderam experimentar, como se nada mais importasse além de seus sentimentos tão entrelaçados de uma maneira tão intrínseca que eles jamais poderiam definir, narrar ou sequer detalhar. Era como se as palavras fossem superficiais demais para explicitar toda a aura que os mantinham presos um ao outro.
Não foi surpresa alguma quando os olhos de Edward, agora azulados pela luz do sol, fitaram os lábios sutilmente cheios e avermelhados da garota de Los Angeles – era se como eles esperassem por aquilo a vida toda. E quando suas bocas estavam prestes a se tocarem, uma alma nada caridosa – e que provavelmente não iria para o Céu depois dessa – começou a esgoelar, chamando pela Bella.
– Bella, sua vadia, olha quem está aqui! – Óbvio que era Jane Volturi, mais conhecida como empata-encontro em Roma/Milão/Barcelona. Agora também, empata-beijo.
A morena desvencilhou-se rapidamente do londrino, olhando para metros abaixo da roda gigante em busca da cabeleira platinada.
– Que foi? – Perguntou mal-humorada, revirando os olhos ao identificar a amiga, que apenas mexeu as mãos como quem diz “vem aqui, já!”.
Depois de olhar para o Edward com sua expressão risonha, logo o brinquedo parou e eles puderam caminhar em direção à louquinha. O britânico tentava esquecer o momento de segundos antes, mas era meio impossível com o cheiro de morangos silvestres vindo de Bella – era entorpecente.
– O que você quer, loura?
– Adivinhe quem eu encontrei por aqui! – ela exclamou com um sorriso sapeca nos lábios finos e enormes olhos azuis.
– Sei lá, Brad Pitt? – A morena murmurou sem vontade, ouvindo uma risada de Edward enquanto Jane revirava os olhos em descrença.
– Não! Eu encontrei a Kate! – ela gritou, começando a quicar e bater palmas com um sorriso de orelha a orelha, o que fazia seu vestido florido quase voar.
– Kate? – Seu cenho franziu em confusão e surpresa. – Kate Denali?
– E eu lá conheço outra Kate? Se bem que agora é Kate Standen...
– Como assim? Cadê ela?
– Vem que eu mostro pra vocês! – A garota riu, puxando uma Bella confusa e um Edward mais confuso ainda, por nem saber de quem elas falavam.
Ao se aproximarem de um quiosque ao lado do parapeito para o pôr do sol da Catalunha, a americana logo vislumbrou uma mulher jovem de longos cabelos ondulados em um louro dourado, olhos marcados com delineador e sua famosa saia longa e top cropped que gritava “sou hipster e vou a Coachella todo ano!”.
– Oh, Deus, não acredito que é você! – A escritora surtou ao encontrar a amiga de anos, pulando em seu colo ao se abraçarem.
– Swan, minha LA girl! – ela gritou de volta, apertando a morena em seus braços antes de soltá-la e fitar seu rosto com um sorriso largo.
– Onde você se meteu, sua louca? Não tenho notícia alguma sua há semanas!
– Você não vai acreditar na merda que eu fiz! – Kate riu escancarada. – Mas garanto que foi a melhor merda que eu já fiz!
– Devo ficar com medo? – Bella perguntou; uma risada presa na garganta.
– Diga por si mesma. – ela sorriu, puxando um rapaz pela mão que a amiga não havia notado estar ali perto até então, conversando com Emm – Garrett, essa é minha amiga Bella Swan. B, esse é meu marido, Garrett Standen.
– Marido? – A escritora arregalou os olhos, extremamente surpresa por não se lembrar de um namorado sequer de Kate nos anos anteriores. – É um prazer conhecê-lo, Garrett.
– O quê? Garrett?! – Edward se pronunciou, fazendo as meninas encará-lo pasmas, como se as surpresas daquele dia não tivessem sido o bastante.
– Edward, cara, quanto tempo! – O jovem respondeu com um sorriso aberto, abraçando o amigo em um daqueles cumprimentos de caras. O sotaque britânico na voz de Garrett meio que explicou tudo.
– De onde vocês se conhecem? – Bella perguntou com uma risada de incredulidade.
– Pubs da vida. – O fotógrafo respondeu, mexendo as sobrancelhas sugestivamente para a morena, recordando a breve conversa alfinetada que tiveram na mesa de sinuca, na noite anterior. Ela revirou os olhos, risonha.
– A noite em Londres é uma criança! – Emmett entrou na conversa, batendo nas mãos dos outros dois com um sorriso típico de... Bem, de Emmett.
– Mas que história de casamento é essa, hein, Kate? – A romancista inquiriu, vendo a loura abraçar amorosamente o moreno de pele levemente bronzeada, olhos verdes e uma barba por fazer. Bem parecido com Bradley Cooper, ela tinha que admitir.
– Bem... Vegas, baby! – ela riu, beijando a bochecha do recém-marido.
– Você fugiu pra Vegas? – Bella não conteve a gargalhada gostosa que arrancou, assim como os amigos.
– Você sabia que eu estava apaixonada por um britânico que conheci outro dia, em San Diego, durante a Comic-Con. Então nos reencontramos em Los Angeles, fomos aproveitar uns dias loucos em Vegas e não resistimos!
– Se pudesse ter uma trilha sonora, acho que a de vocês seria “Waking Up In Vegas”, da Katy Perry, ou qualquer coisa assim! – Jane comentou com uma risada, abraçando a cintura de Kate.
– Eu também acho! – Garrett riu, bagunçando os cabelos da loura baixinha. – Depois, juntamos os trapinhos e viemos passar uns dias em Barcelona, em lua de mel.
– Muita coincidência a gente se encontrar aqui, ainda não acredito! – A morena falou abismada, sorrindo pra todo mundo ali.
Na verdade, ela ainda não acreditava que Edward e Emmett eram amigos de Garrett, casado com Kate, uma de suas grandes amigas. Era como se o círculo de amizade deles estivesse sentenciado a se encontrar, independente daquela viagem ou não. Era como se o destino quisesse que ela e Edward se conhecessem de qualquer jeito, em qualquer tempo, em qualquer lugar.
– Vocês têm algum compromisso pra hoje? Estamos indo ver os fogos do Festival de Solstício, vamos? – O fotógrafo os convidou, adorando aquele clima de intimidade que havia se instalado ali. Era como se todos eles fossem amigos há séculos.
– Vai ser maravilhoso, vamos, amor? – Kate perguntou, e era inegável que apesar de meteórico, ela era completamente apaixonada pelo homem ao seu lado. E era mais que recíproco.
– Ai, essa mulher ainda vai ser minha ruína! – ele brincou, beijando-a nos lábios antes de todos seguirem animados para a praia a fim de desfrutarem mais um pouco daquele dia que apenas melhorava.
Barcelona, Espanha – Barceloneta
20h34min
A praia começava a se encher de turistas e moradores da região, um fogo de artifício e outro estouravam em algum ponto do céu enquanto as ruas estavam decoradas com fitas coloridas, famílias e amigos divertiam-se nas varandas e nos terraços das casas coloridas e feitas de pedras. Músicas tipicamente espanholas soavam de algum lugar e seria impossível dizer que a cidade não estava absolutamente encantadora naquele final de tarde.
Após muitas paradas para tirar fotos, papearem e rodopiarem ao redor das decorações que enfeitavam Barcelona, as meninas acompanharam os garotos para a praia principal perto do porto no setor central.
O objetivo era que naquela noite de Sant Joan, o sol alcançava o ponto mais alto para, depois, começar a cair, visto como um símbolo de fertilidade que fornecia força – força essa que provinha das fogueiras e fogos de artifícios que rodeavam todo o lugar. Por isso o Festival de Solstício era permeado por fogos, além do que se tratava de um dos três símbolos daquela data – água, ervas e fogo.
– E, então, quando eu vi, o Elvis perguntou “você aceita Garrett Standen como seu legítimo esposo?” e eu comecei a cantar “you make me wanna say I do, I do, I do, do do do do do do doo”! – Kate cantarolou toda trabalhada na animação assim que pisaram na areia da praia, arrancando uma risada do grupo de amigos.
– Mentira?! Não acredito que você começou a cantar Colbie Caillat! – Bella colocou as mãos no rosto, imaginando o momento vexame.
– Seríssimo! Cheguei até o segundo refrão da música e tudo!
– Pura verdade, minha esposa é louquinha, fazer o quê? – O britânico de olhos verdes murmurou, abraçando-a.
Eles se sentaram na areia grossa de Barceloneta, apreciando o sol cair vagarosamente no horizonte. Bella olhou para Edward ao seu lado, retribuindo o sorriso lindo que lhe enviou. Ele deslizou um de seus braços carinhosamente até a cintura esbelta da escritora, que deitou a cabeça em seu ombro, admirando o lento pôr do sol. A carinha feliz que Kate lançou para o casal fez a escritora morder o lábio em singela alegria. Era como se tudo estivesse encontrando o encaixe perfeito.
– E aí, muitos projetos pela frente, Garrett? – Emmett perguntou ao amigo.
– O que você faz? – Jane questionou curiosa, deitada sobre um lençol que havia guardado em sua bolsa mais cedo naquele dia.
– Eu sou músico, faço apresentações em alguns pubs e casas de show em Londres, componho pra alguns artistas. – Respondeu empolgado. – Estou com uns projetos de composições; aquele ganhador do American Idol, o Phillip Phillips, me chamou pra trabalhar com ele agora, e tem o Carlisle e o Demitri também que estão emplacando no Reino Unido.
– Você é músico? Isso é muito legal! – A romancista sorriu, ainda aconchegada contra o fotógrafo.
– Sou completamente apaixonado pela minha profissão, estudei na BRIT School com esses dois desordeiros aqui! – ele empurrou o chapéu cinza do Emmett e bagunçou os cabelos do Edward ao falar.
– BRIT School? Não brinca! – A garota perguntou estupefata com um sorriso largo ao imaginar o inglês ao seu lado tocando violão e fazendo aulas de canto na melhor escola de Artes Cênicas de Londres.
– Eu pensava em levar a carreira de músico adiante, já que tocava e compunha algumas coisas desde muito jovem – Edward sorriu, dando de ombros. –, mas então percebi que a Fotografia era realmente minha paixão e comecei a levar a música mais como um hobbie.
– Uau, mas a BRIT School é incrível! – Jane concordou. – Quem diria esse Zé Ruela aqui sendo um graduado na BRIT School... – Apontou para o Emmett, fazendo todos rirem.
– Até tivemos uma aula ou duas na mesma turma que a Adele e a Jessie J! – Tirou vantagem, todo metido e estufando o peito.
– O Edward era o maior galinhão, pegava todas as gatinhas da escola e depois as levava a algum pub do centro... – Garrett disse com um sorriso de lado, fitando o artista. – Tinha a maior fama de sedutor!
Todos riram enquanto Edward sentiu o corpo pequeno e feminino ao seu lado se endireitar, junto do olhar inquieto que Bellatentou esconder no mesmo instante. Ela sabia que ele era lindo e tinha todo aquele charme inglês que era irresistível, mas ouvir isso em voz alta, meio que a pegou de guarda baixa. Não era como se ela fosse a garota mais bonita do mundo que pudesse prender um homem perfeito como o fotógrafo ou que ele se interessasse realmente por ela e quisesse algo mais que uma transa fácil numa viagem.
Aquilo a deixou hesitante de repente.
– Hey, tudo bem com você? – ele sussurrou no ouvido da jovem, fazendo-a estremecer.
– Claro, eu só...
– Olha, não dê bola pro que o Garrett diz, ele só estava zoando. – Sua voz foi clara e baixa ao esclarecer, ganhando toda a atenção dos olhos verdes e felinos da morena. – Ele diz essas merdas de vez em quando só porque eu não gosto, mas eu falei sério quando disse que sou homem de uma mulher só, Bella. Eu não brincaria com alguém, muito menos com você.
E foi como se ela enxergasse a verdade através dos olhos cinza azulados daquele homem tão encantador. Ela nunca agira como uma bonequinha de porcelana e sabia dos riscos que sempre poderia haver, mas ela sabia também que, quando se tratava daquele britânico que a tirava do sério, ela raramente errava.
– Então... – ela sussurrou para ele, envolvendo-se em uma bolha que só atingia os dois, esquecendo qualquer dúvida ou hesitação – Quer dizer que você toca e compõe canções?
– Apenas piano, violão e guitarra, o básico... – ele brincou, sorrindo – Componho algumas canções melodramáticas suicidas, se quiser ouvir qualquer dia desses...
– Convite mais que aceito, milord.
Minutos depois, risadas e muitas gordices que os garotos buscaram em um restaurante ali perto, os seis sorriam animados para o início dos fogos que irrompiam o céu estrelado do início da noite espanhola. Eles haviam acendido uma fogueira entre eles e, ao longe, podiam ver uma fogueira ainda maior, quase no centro da praia, junto de várias outras ao longo da costa.
Vários grupos de pessoas circulavam animadas, iluminando os arredores com bastões de faíscas, dançavam ao redor das fogueiras ou simplesmente se sentavam na areia, admirando as cores e formas surpreendentes e indefiníveis dos fogos de artifícios. Era como se toda a cidade se unisse à festividade, fazendo Barcelona ganhar aquele clima de lar, como se todos estivessem em casa.
– É tão lindo, não é? – Bella perguntou baixinho, totalmente aprisionada no encanto das luzes e do brilho das fagulhas.
– Se já não tivesse visto você através das minhas lentes, diria que seria sim a visão mais linda que tive nos últimos dias. – Edward respondeu com um sorriso conquistador, arrancando uma risada da morena ao redirecionar sua Nikon do céu em chamas para a garota ao seu lado.
– Sempre com suas cantadas na ponta da língua...
– Deve ser um dom! – ele piscou, fazendo-a menear a cabeça com um sorriso adorável.
Talvez fosse um fetiche, mas do mesmo modo que ela o achava terrivelmente atraente escondido atrás de sua câmera fotográfica – com apenas os cabelos revoltos e o sorriso encantador à vista –, ele a achava uma visão digna do Louvre ou de algum museu histórico quando estava retratada através de suas lentes – com aqueles olhos de um bichano noturno pronto para entrelaçá-lo em fios de lã até que não houvesse qualquer escapatória.
Honestamente, se houvesse uma escapatória daquele olhar tão sedutor que aquela jovem distraidamente lançava, ele fingiria nem notar apenas para não ter que se livrar nunca.
Quando o relógio se aproximava da meia-noite e os fogos haviam cessado, uma Jane com carinha travessa, chamou Edward e Emmett para um canto afastado da praia, que já tinha poucas pessoas se movimentando por ali.
– Oh, seus desocupados, venham aqui! – ela disse toda educada, é claro.
Bella ficou curiosa ao ver a garota cochichando no ouvido dos dois, que arregalaram os olhos instantaneamente.
– O que essa louca pretende fazer? – Kate comentou, aproximando-se da amiga, sem tirar os olhos amendoados e ansiosos dos britânicos que pareciam argumentar com a historiadora.
– Vai saber o que se passa na mente da Jane... – Murmurou com um pouquinho de medo, rindo assim que viu a loura caminhar até a sua direção, deixando os rapazes com uma expressão tanto quanto assustada lá atrás.
– Girls, eu vou ali com os garotos e já volto; podem continuar fofocando aí, é rapidinho! – ela se prontificou antes de sair correndo com os dois, fazendo Kate e Bella se entreolharem. Garrett estava entretido em seu iPhone.
– Então, Kay, já sabe o que você vai fazer agora que casou com um londrino? – A escritora perguntou com um sorriso, brincando distraidamente com os anéis em seus dedos.
– Ainda estamos discutindo sobre isso, mas provavelmente vamos morar em LA, já que ele tem uns trabalhos novos por lá – ela assentiu, soltando uma risada em seguida – Além do mais, estou com umas ideias de abrir um restaurante, finalmente!
– Isso é sério? Meu Deus, Kate, vai ser incrível!
– Não vai? – ela sorriu, suspirando – Garrett está me dando muita força com isso e acho que vai me fazer muito bem ser dona do meu próprio negócio. Não foi à toa que quis levar adiante minha carreira de chef de cozinha!
– E você tem todo o meu apoio, baby! – A jovem a abraçou, não se lembrando de ver a loura tão confiante assim há um bom tempo.
E, falando em loura, logo ela avistou Jane retornar à praia com Emmett e Edward em seu encalço, cada um com suas latinhas de Extra, uma cerveja espanhola.
– Eles estão bebendo algo pra dar uma dose de coragem! – ela explicou assim que se sentou ao lado de Bella e Kate, deixando os garotos ao longe com suas bebidas.
– Dose de coragem pra quê? O que você está aprontando? – B questionou para a parceira de viagem, semicerrando os olhos.
– Espere e aprecie! – Murmurou somente, piscando sensualmente os olhos azuis e correndo em direção aos meninos que levantaram os polegares em um “okay”.
– Barbie, lembre-me de nunca mais perder qualquer coisa pra você! – ela ouviu Emmett sussurrar com uma carranca assassina para a loura, que os ignorou elegantemente.
– Pessoal, preparem-se para um espetáculo! – Jane falou alto com um sorriso todo feliz de quem está aprontando, chamando a atenção do grupo de amigos que estava praticamente sozinho ali. – Como nossos queridos ingleses aqui perderam a aposta ontem, eis o pagamento!
– OMG, o que ela vai fazer? – A voz de Bella questionou curiosa para longo seus lábios formarem um “o” perfeito quando os garotos começaram a tirar suas roupas.
– Striptease?! – Kate perguntou empolgada, fazendo Jane rir e um leve rubor aparecer nas bochechas dos dois. Era pouco perceptível por estar noite e a praia não ser exatamente uma referência de iluminação, mas as formas – o mais importante – eram visíveis o bastante.
– Não tão sexy assim, mas os nossos garotos vão ter que nadar, bem... Do jeitinho que vieram ao mundo!
Todo mundo soltou uma risada divertida, inclusive Edward e Emmett que, apesar de estarem com caras de quem iria para a forca, acabavam rindo peripécias da lourinha.
E como se estivessem completamente sozinhos, os britânicos desligaram qualquer vergonha na cara que ainda poderiam ter e se livraram das últimas peças e roupa que lhes sobraram. Bella mordeu os lábios quando os olhos acinzentados do inglês encontraram os seus em meio à penumbra, soltando um riso engraçado com o olhar desafiador e levemente tímido que ele lhe lançou.
Com um sorriso de lado ao menear a cabeça, Edward arrancou rapidamente sua cueca boxer antes de correr de encontro ao mar com o Emmett xingando horrores com aquela água fria. Kate e Jane rolaram de rir na areia da praia enquanto Bella continuava a observar meio chocada.
Caramba, ela precisava admitir que o fotógrafo tinha um inferno de um peitoral, e um abdômen, e coxas e... Uau! Obviamente ele frequentava uma academia ou era fã de esportes, porque a garota teve que se lembrar de como se respirar ao fitar o corpo maravilhoso que ele possuía. Edward Cullen era fodidamente quente.
– E aí, gostosuras, a água está boa? – Garrett atiçou os dois que tinham que nadar até uma rocha próxima e voltarem ilesos.
– Vai pra puta que pariu, Standen! – Edward gritou de volta, mas era possível ouvir um leve traço de humor em sua voz. As meninas ainda rolavam de rir, literalmente, colocando a mão na barriga para conter os roncos e as gargalhadas. Bella ria divertidamente.
– Vai, Swan, diga logo que essa não foi a melhor ideia que eu já tive! – Jane pediu à escritora, arrastando-se até ela, ainda sem conseguir parar de rir.
– Jay, você se superou! – ela respondeu com um sorrisinho safado que fez os quatro ali rirem – Ele é gostoso!
– E eu não sei? – Suas sobrancelhas claras moveram-se sugestivamente, em diversão. – O melhor foi a cara do Emmett, ele estava parecendo um pinto no lixo quando o lembrei da aposta e falei minha ideia!
– Coitadinho! – Kate e Bella riram, logo vendo os garotos retornarem correndo à orla, tapando o caminho do paraíso antes de se enfiarem em suas bermudas e cuecas.
– Que corpão, hein, rapazes? Se eu não fosse casada... – A loura curtiu com os dois, rindo com os outros.
– Sacanagem da Barbie, fala sério. – O ator cafajeste resmungou, fechando o zíper do jeans, jogando-se ao lado da idealizadora do projeto. Ela começou a tirar sarro dele enquanto Edward se sentava ao lado da morena, que tentava furtivamente desviar os olhos verdes do peitoril do homem.
– Pode tirar uma com a minha cara também, eu deixo! – ele brincou com uma risada, fazendo-a rir junto.
– Mas foi engraçado, vai! – ela mordeu os lábios, divertida, olhando-o secar o rosto com sua camisa xadrez antes de deslizar a camiseta branca pelos braços, vestindo-a rapidamente. Uma gota insistente de água salgada escorregou de seus cabelos molhados sensualmente. Ai ai.
– Não vou esquecer disso tão cedo! – Riu deliciosamente com um olhar tanto quanto significativo para Bella.
– Nem eu. – ela murmurou, desviando os olhos para o mar assim que corou.
Barcelona, Espanha – Bogatell
06h05min
Um brilho irritante começou a bater na pálpebra de Bella, o que a fez soltar um palavrão seguido de um “merda, Seth, apaga a porra da luz”. Até que o som fino e melódico começou a soar ao longe, parecendo o cantar de algum passarinho...
Passarinho, manhã, Barcelona, praia, trem para pegar a Madrid!
– Meu Deus, já amanheceu! – ela gritou assustada, sentando-se rapidamente e escutando os resmungos de Jane, Emmett e Edward ao lado.
A areia da praia não parecia mais tão macia naquele momento, seus dedos se arrastando até encontrar o Ray Ban e proteger seus olhos claros daquela claridade cedo demais.
Depois de caminharem pelo litoral de madrugada e se despedirem de Kate e Garrett – que retornaram ao hotel que estavam –, os quatro pararam para sentar e beber um pouco, acabando por ficar por ali mesmo sem ao menos ver o tempo passar.
– Vamos, seus preguiçosos, a gente tem um trem pra pegar em 40 minutos!
– O quê? – Jane sentou num jato assim como os dois britânicos, atordoados.
–A gente acabou dormindo na praia, vamos voltar correndo pro hotel e fazer o check out! – A morena se levantou, puxando Edward e os outros. – Vamos, vamos, o trem não vai esperar a gente!
– Caralho, nós quatro juntos nunca dá certo! – O fotógrafo murmurou sonolento antes de correrem para um táxi mais próximo, os outros rindo rapidamente.
– Madrid vai dar merda, só acho! – Emm concordou com uma risada, sabendo que, quando eles se juntavam, realmente poderia se esperar de tudo.
Pronto ou não
Aqui vou eu, aqui vou eu
Você é como uma brisa
De ar fresco em meus pulmões
(Bridgit Mendler — Ready Or Not)
Notas finais
O que acharam da Bella seduzindo? E do dia no parque de diversões? hoho' Edward com ciúmes é um fofo! ♥3
Sem falar na Jane-empata, né? Hahaha'
E o que acharam da Kate e o Garrett dando o ar da graça? Sem falar, err... na aposta! LOOOOL
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REVIEW = PREVIEW! O que acham? ;)
Toodles honey
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