Burning Red
3 Capítulo 3: Barcelona - Parte I
Notas iniciais
Anyway, aqui está o cap! E garanto muitas risadas! Hahahaha'
Créditos à minha baby e beta Aline Bomfim. Sem ela, humpf! --'
Hahahaha' LOL
Enjoy it.
Capítulo 3: Barcelona — Parte 1
Você disse: "Hey, qual é o seu nome?"
Só bastou um olhar
E agora nós não somos mais os mesmos
(Avril Lavigne — Smile)
Barcelona, Espanha – Gran Via de les Corts Catalanes
09h55min
–“Shine bright like a diamond, shine bright like a diamond...”
– Jane, o que diabos é isso?
– Música, ué! – A loura revirou os olhos em um tom de voz óbvio, voltando a cantar e se remexer com a canção que estourava dos seus fones de ouvido.
– Eu me referia a sua doidura mesmo, mas tudo bem...
A garota empurrou Bella, fazendo uma careta divertida enquanto a outra apenas ria. Elas haviam saído do aeroportoEl Prathá alguns minutos e já podiam sentir o perfume de Barcelona no ar.
A cidade estava quente com sua costumeira brisa de verão, e a morena deixou a amiga e a música da Rihanna lhe contagiarem enquanto sentia o vento através do vidro do táxi. O senhor que dirigia fornecia uma curiosidade e outra a respeito de alguns monumentos que viam por onde passavam, e a morena sentia-se estranhamente em casa em um lugar tão encantador como aquele.
Um toque chatinho, que lembrava uma canção chiclete de Natal, soou do bolso dojeansde Jane, fazendo-a encarar a tela doiPhonecom uma daquelas caretas de nojofeat.medo.
– É quem estou pensando que é? – Bella perguntou, tentando segurar uma risada enquanto recebia um olhar mortal da loura.
– Na boa, por que esse garoto não larga do meu pé? – questionou exasperada e com uma cara de sofrida de quase dar dó.Quase.
– O menino tá apaixonado, coitadinho! – ela gargalhou, não perdendo a chance de tirar sarro da amiga.
– Ai, meu saco! E sou eu que sofro... – Jane choramingou, e a morena riu ainda mais, lembrando-se do nerd que vivia perseguindo a parceira.
Talvez se ele tirasse os óculos fundo-de-garrafa, lavasse aquele cabelo e deixasse de ser tão brega, ele até poderia ficar bonitin...Não!Nem assim.
– OMG! Leia isso. – A loura arregalou os olhos, entregando o celular para que a morena pudesse ler a mensagem de texto.Okay, ela teve que rir com aquilo!
"Asa de frango, perna de galinha, se quiser ficar comigo, dê uma risadinha!"
– Não sei o que é pior, ele ter inventado essa frase ou ter tido o trabalho de pesquisar algo assim! – A amiga continuou, perguntando-se o que havia feito de errado na vida passada para ser compensada de tal modo. – E O QUE VOCÊ TÁ DIGITANDO AÍ, SUA LOUCA?
Jane teve um mini ataque cardíaco ao ver Bella respondendo o SMS com um sorriso sapeca, pulando em cima dela pra arrancar o celular de sua mão.
– Ahhh, devolve isso, devolve, devolve, devolve! – ela gritou, cheia de folia no colo da amiga.
– Só estou respondendo carinhosamente... – A outra provocou em meio às gargalhadas, sem ao menos perceber a cara assustada do senhorzinho que dirigia o táxi.
– Swan, sua vaca! – ela ralhou ao conseguir recuperar oiPhone, quase encenandoO Senhor dos Anéise dizendo“my precious”. Mas ela criou vergonha na cara e se conteve.
– E o que você vai responder então? – Bella perguntou com uma risadinha, deitando a cabeça no colo da loura.
– Algo simples e elegante. – Falou com um beicinho de metida, jogando os cabelos.
“Seu recalque bate e volta na minha belezura lésbica.
2bjs na bunda!”
– Ui, elegância define! – A escritora riu enquanto lia a mensagem.
– Sou chique, fazer o quê?
Barcelona, Espanha – Las Ramblas
21h04min
Isabella sentia-se uma verdadeira espanhola – tirando o fato da sua pele extremamente branca, o péssimo espanhol e seu horrível senso de coordenação para danças, incluindo flamenco. Mas o que vale é a intenção. O que salvava mesmo era Jane, já que ela falava espanhol fluentemente desde pequena.
Mentira, ela também não salvava... Só sabia passar vergonha andando pra baixo e pra cima com aquelas castanholas nas mãos.
–Clac, clac, clac...
– Quando é que você vai parar com isso? – Bella perguntou, olhando a amiga de soslaio enquanto caminhavam por uma das mais famosas vias da cidade.
– Talvez nunca, eu tenho talento pra coisa! – ela sorriu, pulando como uma criança e, claro, batendo as castanholas naquele barulhinho...
– Senhor, tenha piedade! – A morena suspirou, não sabendo se pegava aquelas coisas para jogar na primeira lata de lixo que aparecesse ou se simplesmente revirava os olhos em descrença.
Ela ainda amava a loura, então escolheu a segunda opção.
Ainda ouvindo aquele barulho – irritante quando mal tocado, o que era seu caso –, Bella admirava a arquitetura maravilhosa dali. A larga rua de pedras continha inúmeras barracas dos dois lados, repletos de vendedores de flores, revistas, discos, cafeterias e restaurantes de calçadas. Era tudo tão encantador por ali que quase fazia a morena perder o fôlego.
Obviamente havia lugares mais ricos quando o assunto era história e arquitetura, masLas Ramblaspossuía uma magia incapaz de explicações. A escritora e a estudante deHistória da Artepassaram o dia no Palácio Nacional, desfrutando das variadas obras do museu da Catalunha, ganhando um pouco de tempo para passearam pelo Bairro Gótico – um dos recintos mais antigos de Barcelona, esbanjando construções do estilo gótico.
Mas elas decidiram tirar a noite para passearem pelasLas Ramblas, e não poderiam estar mais animadas. Esse nome originava do áraberamla, consistindo em um tipo de rua larga cheia de pedestres, algo bem típico da Catalunha. E a via onde estávamos era a mais famosa da cidade.
As luminárias em estilo vitoriano davam um toque todo especial e único aos paralelepípedos que revestiam toda a rua, junto da iluminação natural das inúmeras estrelas que irrompiam a estrelada noite espanhola. Era possível ouvir alguma música tradicional vinda de um dos restaurantes ou cafés ali perto, o som característico de um violão ao longe deixando tudo ainda mais encantador.
O cheirinho do mar ao longe acariciava o ambiente, trazida pela brisa através das dezenas de árvores que formavam grandiosos arcos ao longo do caminho. E, apesar de tantos turistas e barceloneses circularem por ali, era como se as amigas estivessem sozinhas, desfrutando cada pedacinho daquela cultura tão distinta e exoticamente maravilhosa.
–¿Yo podría pintar una imagen de las señoritas?– perguntou um senhor de sorriso simpático, próximo de algumas telas em branco e outras belamente esculpidas com suntuosos retratos.
–Sí, ¿por qué no?– Jane sorriu ao seu lado, dando um cutucão nas costelas da amiga quando ela iria abrir a boca para rejeitar o convite, em seu espanhol de quinta. – Vai ser legal, Swan!
– Pensando bem até que pode ser mesmo! – Deu de ombros enquanto se esquivava de um acrobata que entretinha algumas pessoas com seu malabarismo de tochas – Se isso significa que você vai parar de dançar como uma louca com essas castanholas nas mãos...
Bella ignorou seu olhar deperdeu o medo da morte, vadia?, rindo ao passo em que se sentava em uma banqueta e deixava o homem de cabelos brancos e olhos castanhos fazer um desenho seu. E a coisa parecia estar boa já que, a cada dois minutos, Jane formava um biquinho impressionado e levantava umjoinhapara ela, fazendo-a ter que concentrar mais que o necessário para segurar uma gargalhada.
Há alguns metros dali, no entanto, mal sabiam as amigas que dois belos rapazes caminhavam tranquilamente pela famosa rua.
–Puta que pariu, esse lugar é louco! – Emmett exclamou, abrindo os lábios carnudos em um “o” ao ver um malabarista fazer alguns truques com tochas, ao longe.
– Talvez não mais que aquele disco do John Lennon ali. – O amigo, de cabelos castanhos claros e corpo esguio, sorriu, apontando para a vitrine da discoteca ao mesmo tempo em que entravam no local singelo, mas cheio de preciosidades da música.
–Caralho, Edward, você tem um olho biônico! – ele disse, pegando o disco antes do amigo para ler as faixas.
–Caralho, Emmett, você só fala palavrão. – Edward retrucou, resistindo a tentação de rolar os olhos enquanto tomava o disco das mãos do outro britânico. – Eu estava atrás desse álbum há séculos!
– Sou muito mais o Paul McCartney!
– Nem vou me dar ao trabalho de discutir isso com você. – ele riu, babando na compilação das 20 melhores músicas da carreira solo do cantor, no álbum“Lennon Legend”.
Antes de ir para o caixa e pagar pelo disco do vocalista dos Beatles, Edward decidiu passar pelo corredor de rock alternativo. Um DVD do Muse chamou sua atenção enquanto uma música pop/dance começou a soar pelos alto-falantes da lojavintage, quando ele viu Emmett levantar as mãos no ritmo da melodia e cantar:
–“Putting my defenses up, ‘cause I don’t wanna fall in love...”– O britânico de cabelos escuros e olhar de manguaceiro começou a rebolar com as mãos para o alto, fazendo o amigo colocar a mão no rosto e rir da vergonha alheia. –“If I ever did that, I think I’d have a heart atta-a-a-ack...”.
– Larga de viadagem, Emmett! – ele riu, dando um tapa na cabeça do desajustado – Que porra de música é essa?
– Como assim? – respondeu; os olhos arregalados em visível surpresa – É Demi,cara! DemiGostosonaLovato!
– E eu já ouvi falar?
– Já que está solteiro, deveria! Não sabe quantas gatinhas já peguei só por dizer que curto Demi Lovato...
– Bom saber. – Edward meneou a cabeça, entre risos, pegando o álbum do Muse com o objetivo de pagar e sair dali o quanto antes, já que Emmett continuava a dançar e cantar a tal música.
Com os discos devidamente guardados na bolsa masculinaForestbound– uma grife norte-americana focada em criar bolsas de materiais reciclados –, Edward firmou a alça em seu ombro direito enquanto admirava a beleza de cada canto deLas Ramblas. O Palácio da Vice-Rainha já havia ficado para trás, bem como o Grande Teatro do Liceu.
Os amigos haviam passado o dia fotografando a região – exceto o Emmett, é claro, que só sabia azarar as espanholas. Mas depois que se formou em Fotografia, Edward precisava de tudo aquilo, precisava se encontrar, mergulhar dentro de si mesmo e ter a certeza de que aquilo era o que realmente o completava. Obviamente ele não tinha dúvidas de que amava fotografar e pausar o mundo através de suas lentes, mas ele tinha medo de não ser o bastante.
A sociedade sempre cobra tanto, esmaga o ser humano e aliena seu cérebro a tal ponto em que o faz julgar se sua grande paixão o levaria ao sucesso profissional. Grande meio de controlar a população, que, com suas mentes direcionadas pela generalização, segue carreiras tradicionais já saturadas de trabalhadores, mas com o falso ideal de felicidade e sucesso.
Contudo, é sempre assim, não é? A mídia controla as pessoas, alienam seus cérebros e liquidam as diferenças de cada um, transformando suas personalidades pensantes em exércitos pateticamente iguais e vulneráveis. Uma forma bastante simples de controlar a massa para que ela continue gerando lucros em uma sociedade capitalista cada vez mais degradante.
Até porque já dizia Darwin que “o mais forte sobrevive”, o que a sociedade interpretava como “o mais rico sobrevive, o mais influente, o mais importante, o mais feliz sobrevive”. Péssima comparação. Terrivelmente péssima.
Riqueza e felicidade? Bem, são altamente úteis, exceto quando se está em seu leito de morte, perguntando-se quais sonhos você já realizou. Mas sonhos de verdade – como aquele sonho de adolescência de beijar a garota mais bonita da festa, ter uma casa à beira-mar ou viajar pelo mundo. Rios de dinheiro não são necessários quando há verdadeira força de vontade. É apenas uma consequência.
E Edward sentia-se extremamente grato por ter um amigo como o Emmett, que – embora pareça ser uma péssima influência na maioria das vezes – era o elo que ele tinha com o passado e que o fazia sempre pensar nele mesmo antes de seguir qualquer caminho pré-estabelecido. E foi esse amigo que o incentivou a fazer otourpela Europa.
O objetivo: acabar com essa crise existencial. Lugares novos, gente nova, uma enxurrada de detalhes para qualquer fotógrafo se esbanjar. A oportunidade perfeita para Edward colocar a vida, as ideias e sua carreira profissional em perspectiva.
E, claro, as economias de três anos dos ingleses.
–Brother, essa viagem foi a melhor ideia que eu já tive! E olha que eu já tive muitas ideias boas ao decorrer da minha vida – Emmett e sua amiga modéstia começaram a aparecer – Está vendo só essas gatinhas? Isso é o paraíso!
– Tirando o fato que você tem a Camilla o esperando em Londres... – Edward mexeu sugestivamente as sobrancelhas, fazendo o amigo revirar os olhos.
– Ela conhece o homem que tem – Esbanjou seu sorriso ao melhor estilo cafajeste, umedecendo os lábios enquanto observava uma morena à lá Penélope Cruz passar ao seu lado – Além do mais, o que os olhos não veem, o coração não sente!
– Você precisa criar vergonha nessa cara, isso sim! – Eles riram – Ou de uma mulher que o pegue de jeito.
– Rá! Espere sentado.
Ao menear a cabeça em meio a uma risada, Edward avistou um simpático artista de rua e seus belíssimos retratos feitos a carvão. Os traços delineados com tanta maestria formavam imagens dignas doLouvre, esculpindo lindas mulheres nas telas esbranquiçadas. Era a coisa mais pura a que colocara os olhos.
No entanto, uma imagem em especial chamou sua atenção. Um rosto angelical com um sorriso sapeca iluminava o retrato, harmonizado com olhos expressivos e aquele cabelo esvoaçante que caía por sobre delicados ombros.Era ela. Era a garota que vinha atormentando cada milímetro quadrado de sua mente, fazendo-o ter os mais diversos sonhos e pesadelos. Ela o levava ao pico do Paraíso e depois o afundava nas profundezas do Tártaro.
Antes, ele se perguntaria se seria possível alguém foder com sua mente de uma maneira tão inesperada assim. Agora, ele tinha certeza que aquela garota era seu pequeno anjo demoníaco. E ele ansiava, com todas as forças, qualquer minuto a mais com ela. O fotógrafo tinha sede por cada detalhe da garota, cada expressão, cara sorriso, cada palavra, cada inspiração. Ela o instigava e, como qualquer outro artista, seu maior desejo era ver mais uma vez sua musa.
Quando percebeu, seus pés se moviam rumo à tela ainda sobre o suporte de madeira, em meio a tantas outras que, naquele instante, não passavam de meros rabiscos. Edward teve que se conter para não tocar à obra de arte, precisando ter certeza que não estava sonhando.
–Ella es hermosa, ¿no es así?– Uma voz quase o fez sobressaltar antes de olhar para o lado e notar o pintor, de cabelos pálidos, com um sorriso ao elogiar a garota da pintura –Estaba aquí hace un momento.
– De tirar o fôlego! – Ele concordou, sorrindo como um bobo para, então, arregalar os olhos em um milésimo de segundo, balbuciando: –¿Qué dice usted?
–Que ella estaba aquí hace un momento.
Então sua pequena rebelde estava em Barcelona. Um sorriso invadiu o rosto de Edward enquanto tentava desvendar o que o destino queria dizer com aquilo. Sendo sorte ou pura coincidência, ele tinha certeza que não desperdiçaria aquela chance.
–Gracias. – murmurou para o artista em um aceno distraído, voltando a caminhar tranquilamente pela extensa avenida repleta de quinquilharias. Seus pensamentos a milhas dali, à medida que seus olhos ficavam atentos a qualquer evidência de certos hipnotizantes íris verdes.
Ele sabia que aqueles olhos o perseguiriam desde que os fitou pela primeira vez, em Roma. Principalmente depois de desfrutar do maravilhoso senso se humor da bela morena, surpreendendo-o ao retrucar sua cantada incrivelmente brega. Embora as garotas fizessem filas para ter sua atenção – mesmo não tendo tido muitas a que pudesse atribuir o nome de namorada –, seus pensamentos simplesmente se embaralhavam quando estava perto da morena e sotaque californiano.
Era como se ela entrasse em sua mente e fodesse com cada sinapse nervosa, confundindo seus neurônios sempre que se aproximava. Ela o encantava de todas as maneiras impossíveis e inimagináveis.
Fitando ao redor, porém, Edward se dá conta de que o desvairado do Emmett não está ao seu lado. Mas antes que pensasse em ligar para a SWAT ou para a Legião Espanhola em busca do maluco, ele olha para trás e o vê correndo em sua direção com um embrulho em mãos e um sorriso besta no rosto.
– O que diabos você tem aí? – O fotógrafo questionou divertido, com medo da resposta.
– Cara, eu sou foda! – ele começou – um sorriso cortando os lábios cheios e rosados – E por todos esses anos de amizade, eu te comprei um presente!
– E o que você vai querer em troca? – Edward semicerrou os olhos – Não é o livro erótico da minha irmã, como da última vez, né?
– Não, se bem que eu aprendi muita coisa com o Christian Grey;Cinquenta Tons de Cinzaé um livro legal!
– Legal foi o soco que a Victoria me deu quando descobriu que peguei o livro dela só porque você estava curioso pra saber do assunto. – ele arqueou a sobrancelha, arrancando uma gargalhada do animal.
– Mas foi apenas para fins educacionais!
– Claro que foi, assim como quando você comprouSabrinae100 Escovadas Antes de Ir Para a Cama.
– Argh, pare de reclamar e pega logo esse presente!
O amigo riu enquanto pegava o pacote retangular um tanto quanto grande e, franzindo um pouco o cenho, abria o embrulho de papel pardo. Ele não podia acreditar naquilo. Embora fosse meio óbvio – ou não –, Emmett havia lhe comprado a tela com o belíssimo desenho chamuscado de sua pequena rebelde.
Edward olhou fascinado para o desenho antes de fitar o amigo.
– Caramba, Emm... – Abraçou o parceiro do mochilão, que logo olhou para ele com uma das mãos em seu ombro – Valeu.
– Quê isso,brother, eu sei o quanto você ficou louco por essa garota, era o mínimo que eu poderia fazer! – ele falou, derramando sinceridade em cada sílaba dita, antes de prosseguir com uma risada – É claro que eu desembolsei uma grana maior porque o velho não queria vender o quadro e sim dar de presente pra uma amiga, mas foda-se!
– Valeu mesmo,bro! – Edward riu, segurando com cuidado o retrato ao passo em que voltavam a caminhar.
– Disponha! – O britânico de cabelos negros e lisos respondeu, sorrindo – Mas vamos parar com essagayzisseporque eu sou macho!
Barcelona, Espanha – Parc Güell
19h16min
Os dois pares de olhos azuis e verdes encaravam, embevecidos, um dos patrimônios da humanidade, segundo a UNESCO, além de um dos mais conhecidos pontos turísticos da segunda maior cidade da Espanha. O Parc Güell foi projetado por Antônio Gaudi sob encomenda do empresário Euseb Güell, no início do século XX.
Isabella e Jane circularam pelo parque durante boa parte da tarde, mas sempre havia uma coisinha a mais para descobrir e desvendar, provocando o completo fascínio das duas.
O sol ainda era forte no céu de Barcelona e uma leve brisa amenizava o calor escaldante que irradiava. As amigas haviam entrado pelo portão secundário, já tendo se deslumbrado com oViaducte de las Jardineres. Os viadutos do parque foram construídos para facilitar a circulação de pessoas em carruagens, na época da projeção, esbanjando o estilo romântico cheio de enormes pedras e árvores rodeando todos os espaços.
Através das inúmeras escadarias de rocha, a céu aberto, o mineral cortava toda a arquitetura como grandes pilastras, quase lembrando os palácios greco-romanos. O relevo disforme dava a impressão de que a obra não duraria muito tempo – embora não passasse de mera ilusão devido à tamanha grandiosidade.
E depois de passarem pelaCasa Museu de Gaudie suspirarem com a completa visão da cidade e do Mar Mediterrâneo pela varanda daCasa TriasePlaça de La Natura, as amigas descansavam naZona de Cesped– uma área cheia de gramas e vegetações rasteiras por entre as trilhas que levavam às mais variadas atrações do parque, com árvores que sombreavam os tantos jovens que conversavam e passeavam por ali.
– Como pode haver tanta história e arte guardadas no mesmo lugar? – Jane deliberou, perdida em pensamentos, deitada na grama ao lado da parceira.
– Nem sei... – A escritora murmurou, ajustando os óculosWayfarerpara proteger os olhos do sol. – Só sei que é meu lugar preferido em Barcelona, até agora!
– Meu também! – A loura riu junto dela, pegando uma delicada e pequenina flor vermelha ao seu lado, levando-a ao nariz –Ew, que coisa fedida! Presente pra você, Swan!
– Sempre tão meiga. – Bella revirou os olhos, enquanto a amiga colocava a flor sobre sua orelha, ajeitando os cabelos longos e levemente ondulados em volta.
– Ficou sua cara! – ela riu maldosa, ganhando um empurrão da morena como troco.
– E que fedida o quê, sua doida? – A morena questionou com divertimento, tirando rapidamente a flor de seu cabelo antes de colocá-la de volta ali – Você que é uma fresca!
– Falando em fresca, pensei em fresco, que pensei em frio e pensei na Inglaterra. Quando é que você vai ver seu bofe inglês de novo?
– Nossa, sua coerência me fascina! – Bella riu, logo voltando a ficar séria, no entanto, fazendo um biquinho – Mas não sei, loura! Não tenho a menor ideia.
–Ain, você nem pra perguntar o nome do menino também! – Jane meio que brigou e choramingou, abraçando a morena de lado.
– Foi a última coisa em que pensei quando estava perto dele; é como se nada mais importasse quando estamos perto um do outro.
– E ele é tão lindo... – A loura sorriu matreira, seus olhinhos brilhando.
– Isso é meio óbvio, eu acho! – ela riu, bagunçando os cabelos platinados em um rabo de cavalo alto – Mas ele é tãocult, sabe? Inteligente, divertido e tem uma voz meio rouca e macia...
– Não fala isso senão vou me apaixonar pelo seu homem! – Jane brincou, apoiando-se no cotovelo para ver o sorrisinho bobo da escritora.
– Que meu homem o quê? Ele é um conhecido apenas... – ela detalhou, não deixando de moldar seus lábios em um sorriso malicioso à lá Isabella Swan.
Jane soltou uma gargalhada, dando um beijinho na bochecha da amiga enquanto se levantando num salto.
– Então levante esse traseiro daí, preguiçosa, ainda temos muito pra desbravar! – ela puxou a morena, batendo as mãos noshort jeanse ignorando algumas pessoas que desviaram o olhar rumo à escandalosa.
Sobre seusAll Stars, as garotas seguiram tranquilamente através das arquiteturas de pedra, chegando a uma espécie de palácio anteposto a duas imensas escadarias de mármore paralelas – o local mais conhecido e fotografado de todo o parque. Era de encher os olhos.
– Uau, isso é incrível! – Bella comentou; sua boca formando um “o”.
– Eu pensei que a salamandra fosse maior! – A loura soltou um muxoxo, dando um peteleco na cabeça do animal esculpido entre as escadas, repleto de mosaicos em tons azuis e alaranjados. Não chegava a ter dois metros, mas era esplendoroso!
A morena estava prestes a revirar os olhos com o melodrama, quando eles foram puxados para algo muito mais interessante.Definitivamentemuito mais interessante.
Por entre tantos turistas que circulavam por ali, descendo a escadaria à sua esquerda, enquanto conversava distraidamente com um rapaz de bochechas rosadas pelo calor, estava o britânico que vinha circundando sua mente há dias. A luz do sol colidia adoravelmente com os fios de seu cabelo liso em um topete meio desarrumado, deixando o castanho claro em um tom alourado de tirar o fôlego.
Esqueça o palácio e as escadarias, ela pensou,isso sim é de encher os olhos.
E inconscientemente – talvez conscientemente lá no fundo –, ela se viu seguindo o fotógrafo, subindo lentamente os degraus antes que suas mãos tocassem displicentemente a camisa social surrada de suas costas. Isso se ela não tivesse tropeçado e feito sua mão ir parar no traseiro dele. No. Traseiro. Dele.
Traseiro, bunda, nádega, glúteo, assento.
O choque foi sua reação inicial.
Merda, merda, merda, merda, merda.
Edward girou sua cabeça em direção ao que ele achava ser uma tarada, molestadora, safada e derivados, quando seus olhos se arregalaram por detrás doRay Banao ver que ali, ao seu lado, estava a dona do rosto impecavelmente belo de seus filmes fotográficos. E ele sorriu.
O rosto a 135.682.937 tons de vermelho foi sua reação secundária.
– Oi. – ela sussurrou; mais corada que as lavas vulcânicas do Havaí – Me desculpe, minha mão foi pra onde não devia ter ido! Eu tropecei e... Ai, que vergonha!
O sorriso de divertimento do inglês aumentou.
–Milady, eu estou supondo que você é alguma maníaca sexual que quer me conquistar com cantadas baratas, palavras obscenas em locais proibidos, e sua adorada mão em uma região bastante suspeita da minha anatomia. – ele sorriu, pronunciando cada palavra em seu sotaquefodidamentebritânico. – Devo ter medo?
Bella soltou uma deleitosa risadinha, instantaneamente leve e distraída. Deliciada.
– Culpada! – Deu de ombros, mordendo o lábio em um sorriso. – Perdoe-me,Milord.
Edward sentiu-se extasiado ao vê-la outra vez, infinitas vezes mais linda que em sua memória, ou nas fotografias, ou no retrato. Seus olhos abraçaram cada traço impecável de seu rosto – coberto por óculos escuros idênticos aos seus –, perdendo-se nos lábios suavemente carnudos e rosados. E ele se pegou questionando se eles seriam tão doces quanto aparentavam.
– Você está me seguindo? – Ambos perguntaram ao mesmo tempo, rindo em seguida, feito dois bobos. E eles gostavam de se sentir assim, era como se eles se perdessem no sorriso um do outro, era uma forma agradável de aquecer o coração.
De repente, Edward arregalou os olhos, exasperado.
– Pelo amor de Deus, antes de tudo: QUAL É O SEU NOME?
A morena gargalhou com a pergunta, erguendo a mão direita em busca de um cumprimento finalmente decente entre eles.
– Isabella Swan, mas prefiro Bella – ela sorriu, sentindo um leve sopro de vento amenizar o calor que irradiava de sua pele assim que a mão do rapaz tocou a sua; e não tinha nada a ver com o clima quente de verão – E o seu é...?
– Edward Cullen – Seu sorriso em resposta foi contagiante, exibindo uma longa trilha de dentes brancos e perfeitos que quase a fez suspirar. – É um prazer finalmente conhecê-la, Bella.
A escritora sentiu seu rosto esquentar em um tom rubro, estranhamente bem ao ouvir seu nome dançando entre os lábios do fotógrafo. E ele sorriu ao poder, enfim, pronunciar o belo nome da bela garota à sua frente.Isabella. Propício, lindo, diferente.Perfeito.
– Igualmente, Edward. – Assentiu, apertando seus dedos entre a mão grande e firme. E quente.
– Ah, então essa é a garota que você não consegue tirar da cabeça? – A voz divertida de um implicante Emmett estourou a pequena bolha do casal, fazendo a morena olhá-lo com curiosidade e Edward querer socá-lo.
– Ignore-o, normalmente dá certo! – O britânico murmurou, sorrindo para a romancista, que riu. – Bella, este é Emmett McCarty, meu melhor amigo. E, Emm, esta é Isabella Swan.
– É um prazer conhecer a musa inspiradora do meu amigo aqui! – ele sorriu, batendo no ombro do fotógrafo antes de dar um suave abraço na californiana.
Ele tinha um jeito bem despojado, com seu sapatênis branco, bermuda de linho junto de uma camiseta, e chapéu cinza no melhor estilo Johnny Depp. Era bastante bonito e esguio – com seu rosto simétrico e de traços fortes – e esbanjava um sorriso tipicamente cafajeste.
– Musa inspiradora? – Bella inquiriu num misto de diversão e surpresa, desviando o olhar para Edward. O corar das maçãs de seu rosto foi quase imperceptível, fazendo-a morder o interior das bochechas para conter um riso.Ele era adorável.
– Bem, quem mais iria me inspirar a jogar cantadas bregas pras europeias? – ele sorriu, mexendo sugestivamente as sobrancelhas.
A deliciosa risada da morena foi um deleite para os ouvidos do jovem, que logo fez questão de completar:
– Mas as melhores cantadas ainda são as suas!
– Ah, sim! Eu já estava ficando com ciúmes.
– Aí está você, Swan! Me deixou sozinha vendo a salamandra, que coisa feia... – Jane surgiu do nada, subindo as escadas rumo à amiga. Ela estagnou assim que viu que ela estava na companhia do britânico, sorrindo maliciosamente.
–Hey,baby, esse é o Edward, lembra dele? – Bella perguntou, sorrindo para eles.
– Mas é claro que eu me lembro do britânico bonitão! – ela cantarolou, fazendo Bella amaldiçoar os sete mares, e os amigos rirem. – Sou Jane Volturi, amiga dessa ingrata aqui.
– É ótimo conhecê-la. – ele sorriu, apertando sua mão antes de se virar para o amigo – Esse é...
– Emmett McCarty – Apresentou-se com um sorriso, beijando a mão da loura, o que fez Edward e Bella se entreolharem em confusão – Encantado, doçura.
A historiadora simplesmente revirou os olhos, simulando o som do que parecia ser vômito.
– Olha aqui, gostosão, se você acha que vou cair nos seus gracejos, pode ir tirando o cavalinho da chuva! – ela sorriu diabolicamente, jogando seu rabo de cavalo para trás enquanto Emmett piscava assustado – Além do mais, sou bem lésbica e aposto que pego garotas muito mais bonitas que as suas.
O fotógrafo forjou uma tosse para conter a risada divertida, ao passo que Bella mordia os lábios.
– Rá-rá, duvido muito disso, loura! – Murmurou, escondendo a carranca com uma risadinha superior.
– Sinto muito se doeu no ego de alguém... – ela deu de ombros, voltando-se para Edward – De você eu gosto, do seu amigo, não.
– Já é algo que compartilhamos! – Sorriram cúmplices, fazendo Bella revirar os olhos.
– Não sejam maus, eu posso ver que Emmett é uma ótima pessoa.
– Obrigado por acreditar em mim, Bella! – O moreno agradeceu, não deixando de achar tudo aquilo divertido enquanto encarava a loura outra vez. – Mas se você é tão segura de si, que tal uma aposta?
– Hmm... Isso está ficando interessante. – ela arqueou a sobrancelha, curiosa – Que tipo de aposta?
– Vamos sair pelo parque, quem conseguir a garota mais linda, ganha!
– Feito! – Sorriu em seu famoso ar superior, apertando a mão do rapaz antes de saírem rumo à caçada.
Edward e Bella olharam um para o outro, dando uma gargalhada logo em seguida. Ser amigo daqueles dois não tinha preço!
– Não sei qual dos dois é mais desmiolado. – A americana se perguntou, girando os anéis em seus dedos distraidamente.
– Tenho medo de descobrir! – ele riu; uma ideia lhe vindo em mente quase que no mesmo segundo – Mas já que as crianças foram brincar, o que acha de dar uma volta? Conheço um ótimo café há alguns minutos daqui.
– Claro – Bella sorriu, descendo os degraus para acompanhá-lo. E ela não poderia estar mais certa sobre sua escolha.
Sim, você disse: "Hey!"
E desde aquele dia você roubou meu coração
E você é o único culpado
(Avril Lavigne – Smile)
Notas finais
Jane dando fora no nerd e apostando com Emmett, Beward cada vez mais fofos... Errr, tirando a parte do aperto na bunda, claro! Hahaha' LOLOL
E, poxa, comentem, gente! Temos 26128362712 leitores e poucos reviews... Assim, vou achar que a FF não está agradando e vou parar de postar, na boa! =/
Anyway, comentem e logo trago a Parte 2 ;)
Toodles honey
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