Burning Love
16 Confissões
Notas iniciais
Anteriormente…
—Eu amo-te tanto Jane! – afirmou Maura com a maior das certezas.
—Mas eu não… — respondeu ela com um sentimento de culpa tão grande como a mentira que acabara de sair da sua boca.
Maura gelou ao ouvir aquelas palavras. Mirou-a nos olhos tentando encontrar a falsidade da sua afirmação e Jane, ao olhá-la tentou fazer transparecer passividade, em vão, pois naquele momento a sua cara encontrava-se encharcada das lágrimas que caiam continuamente dos seus olhos.
Por breves momentos a patologista sentiu-se sem chão e sem força nos braços, só a manteve para poder continuar a suportar John. Agora as caras das meninas estavam repletas de lágrimas de todos os sentimentos negativos possíveis.
—Acabou Maura, isto não vai resultar – a cada palavra que Jane dizia a determinação no seu tom aumentava, mas ela tinha consciência que da sua boca só saia besteira.
—N… não Jane, porque é que estás a dizer isso? Porquê???
—Acabou, eu não te amo mais! – gritou a morena com toda a força que conseguiu o que assustou o bebé que berrou ainda mais alto do que ela.
Maura tentava acalmar o filho e assimilar tudo o que a noiva dizia ao mesmo tempo, mas era difícil, ela sentia-se a pessoa mais frágil do mundo! Jane não disse mais nada, pegou na sua mala e foi andando, sem destino certo, ouvindo, as cada vez mais distantes, palavras desesperadas de Maura. A patologista sentou-se no chão, encostada às grades da ponte. Apoiou John nas suas pernas para soltar um pouco os braços… sentia-se completamente desorientada. Não percebia o porquê de Jane estar a fazer aquilo, elas iam casar, ter uma família, o que havia mudado de Londres para Boston? A loira não gostava de especular, mas naquele momento muitas teorias assaltavam a sua cabeça, cada uma pior que a outra. Depois de ficar por um bom tempo sentada naquela ponte deserta levantou-se, pois começava a ficar demasiado frio para o filho ficar ali ao frio, só por isso. Sentia as pernas ainda fracas do cansaço psicológico que agora se transmitia para a parte emocional. Pegou nas duas grandes malas e comprimiu John contra o peito. Caminhou pesarosamente até casa com uma expressão impassível no rosto, assim que chegou abriu a porta e foi surpreendida por todos os seus amigos, Korsak, Frankie, Tommy, Kent, Cavanaugh, Nina, Angela, Hope e Cailin!
—Surpresa!!! – gritaram eles alegres sem parecerem surpreendidos com o facto de Maura ostentar um bebé nos braços.
Todos correram para ela e começaram a acariciar o menino e a dar abraços e felicitações à patologista. Angela confessou a Maura que não resistira a contar a Korsak e que a notícia se propagara. Maura manteve um rosto impassível mas tentou sorrir perante todos embora por dentro estivesse num choro compulsivo. Quando lhe perguntaram o nome e ela respondeu John todos gostaram, Korsak até ofereceu ao bebé um chapéu de polícia (da parte de todos) que mal cabia na sua cabeça. Hope e Cailin deram-lhe um grande abraço… elas não parecia chateadas por não terem sabido da boca da loira que ia ter um filho.
—Então quer dizer que agora sou avó! – disse Hope.
—E eu tia – acrescentou Cailin com um grande sorriso no rosto.
Hope perguntou-lhe quem era o pai mas ela não respondeu e a mãe biológica percebeu que aquela gravidez não tinha sido planeada. Porém, ofereceu todo o seu apoio, não estava disposta a deixar a filha passar por tudo o que lhe tinha acontecido a ela.
—Bem vinda de volta Drª. Isles – cumprimentou Cavanaugh dando-lhe um beijo em cada lado da face depois de todo o aparato.
—Obrigada…
—Suponho que a senhora e a detetive Rizzoli estejam prontas a entrar ao serviço, todos sentimos a vossa falta.
Maura ainda se sentiu pior ao ouvir o nome da noiva (que pelos vistos já não o era) mas fez um esforço para responder a todas as perguntas do comandante com um sorrisinho na face. A seguir foi a vez de Angela perguntar pela filha. Maura arranjou a desculpa de que ela estava cansada e fora para a casa de Frankie, mas na verdade Maura nem sequer fazia a menor ideia de onde Jane se encontrava. Angela não pareceu convencida com a resposta mas achou que era melhor não insistir.
—E esse anel hein? – questionou Angela curiosa.
—Ah isto… não, não é nada – mentiu Maura que não foi capaz de permanecer ali mais tempo – eu vou para o meu quarto, estou muito cansada da viagem.
—Tudo bem, eu depois deito o John!
Assim foi. Mara foi até ao seu quarto e fechou a porta. Nessas alturas ela achava que o seu espaço para dormir deveria ser no andar de cima pois conseguia ouvir todo o que se passava na sala. Estendeu-se na cama e transferiu para fora um choro que estava guardado para dentro desde que entrara em sua casa. Estava preocupada, não sabia onde estava Jane mas sobretudo estava desiludida, ela tinha-a deixado, assim, do nada, tudo tinha terminado. Afogou a sua face na almofada da cama e chorou, chorou tudo o que tinha a chorar, porque no dia seguinte tudo teria de votar ao normal.
No dia seguinte Maura acordou com os olhos a doerem. Só tinha conseguido parar de chorar umas 4 horas antes. Levantou-se e vestiu uma roupa confortável, nada muito chamativo. Saiu do quarto preparada para enfrentar “o mundo lá fora”. Assim que cruzou a porta do quarto sentiu o quente sol a irradiar na sua face e ouviu uns risos agradáveis vindos do sofá. Era Angela que estava a mudar a fralda de John, e ele parecia gostar muito dela. Ela disse que não se preocupasse e que podia ir trabalhar à vontade pois ela cuidaria do pequeno. Maura sorriu e pegou um pouco John ao colo antes de sair. Acariciou-o lentamente. O bebé fazia-lhe lembrar constantemente Jane e ela já não sabia se isso era uma coisa má ou boa.
—Ficas muito bem assim… — comentou Angela.
—Obrigada.
—Maura… está tudo bem? Desde ontem que andas estranha.
—Aconteceram umas coisas em Londres e… agora não interessa.
Mais uma vez Angela não insistiu mais e deixou Maura sair, ela iria ter uma longa conversa com a loira no momento certo. John fez um som de género “chau” quando ela cruzou a porta ao que a loira respondeu “a mamã volta logo”.
Assim que entrou dentro do carro Maura recebeu uma chamada da esquadra a dizer que havia um corpo na zona Norte da cidade. Ela ligou o veículo, e preparou-se para enfrentar mais um cenário do crime como tantos outros… só esperava não estar enferrujada.
No local do homicídio Maura deparou-se com um corpo completamente esventrado. Fez uma rápida autópsia e deu a ordem aos paramédicos para que levassem o corpo daí a uns minutos. De longe, a patologista ouviu uma voz familiar e grave. Virou-se e encarou Jane com um olhar triste e pouco usual.
—Dr.ª Isles – cumprimentou Jane como se nada tivesse acontecido no dia anterior. Todos estranharam o tom da morena, mas as saudades falaram mais alto e Korsak e Frankie não tardaram a dar-lhe abraços e a iniciar uma longa conversa. A morena nem ligou mais a Maura, o que ainda a enervou mais. Pela primeira vez ela sentiu vontade de bater em alguém, de preferência na mulher que a tinha deixado completamente desamparada no dia anterior e que já não ostentava uma aliança no dedo, agora, só restava a sua marca.
Maura iniciou a autópsia. Como sempre, pedia mentalmente ao morto que falasse com ela antes de começar a analisar o cadáver. Enquanto trabalhava, a patologista tentava perceber as razões que levaram Jane a abandoná-la. Só lhe ocorria o facto de a detetive ter medo do preconceito, mas isso seria razão suficiente para a deixar?
No departamento dos homicídios a equipa tentava resolver o homicídio com as informações que tinha. Parecia ser um crime passional, daqueles que a morena apreciava tentar juntar as peças, mas nesse momento isso não estava a acontecer. Ela sabia que mais cedo ou mais tarde teria de falar com a ex-noiva, possivelmente até nesse dia pois seria um pouco suspeito mandar Frankie ou Korsak à morgue para saber informações sobre o cadáver. Assim aconteceu. Eram seis da tarde quando Maura foi até à ala dos detetives pedir que alguém fosse à morgue para explicar a causa de morte.
—Qual foi a causa da morte? – questionou uma Jane com uma cara séria e triste já sozinha com a loira na morgue.
—Foi claramente a segunda facada… atingiu o baço e a vítima não resistiu – respondeu Maura com o mesmo tom de voz frio e insensível da morena.
—E esta cicatriz (Jane apontou para uma marca que a assassinada tinha no rosto)?
—Por quanto tempo é que vamos continuar assim? – perguntou a loira repentinamente.
—Por favor Maura…
—Não! Não Jane! Se o teu problema é que as pessoas não nos aceitem como nós somos eu não quero saber! Eu já disse, eu amo-te e não quero saber o que os outros vão pensar.
—Eu já te expliquei que não te amo mais!
—Duvido… o que é que te fez mudar de ideias assim? E não me venhas com a conversa do preconceito porque eu conheço-te há muitos anos e sei que tu não és mulher de te deitares abaixo por uma coisa destas, e…
—CHEGA MAURA! Aceita de uma vez por todas que acabou tudo. Eu não quero que tu sofras por uma relação que pode nem vir a dar certo!
Lágrimas começavam a cair do rosto da morena e foi quando Maura adotou uma expressão nobre e convicta.
—Todas as vezes que nós dormíamos na mesma cama, lado a lado, depois de um dia de trabalho e de um copo, ainda vestidas, eu sentia uma vontade de te beijar que ainda hoje não consigo explicar. E… eu ria para dentro e ignorava, pensei que fosse só algo passageira. Tu eras a minha melhor amiga, a minha confidente, não fazia sentido eu querer dormir contigo – Jane ouvia atentamente cada palavra da loira – mas a verdade é que eu queria.
—Eu também – confessou Jane – mas essa vontade não era tão grande como a de te querer ver feliz.
Jane não disse nem mais uma palavra e saiu a correr do laboratório com a cara lavada em lágrimas deixando Maura a refletir sobre tudo e sobre todos.
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