Burning In Red
3 Bagunça.
Notas iniciais
Escutar a Rebecca me chamando pra sair foi meio chocante e eu não sabia o que responder. Eu precisava de ajuda, alguém que pudesse me ajudar. Mas não tinha ninguém. Naquelas alturas só estávamos eu e Rebecca no corredor. Ela me encarou esperando uma resposta e tudo o que eu conseguir responder foi:
- Vou pensar sobre. – Ainda sério, falei olhando diretamente pra ela. Em seguida corri para a sala, antes que ela pudesse falar algo. Aquilo foi muito confuso pra mim. Eu deveria dizer que sim na hora, ela é uma menina e eu um menino. Supostamente, era para ficarmos juntos. Mas eu não sentia aquele sentimento que eu tenho com o Kevin. Acho que definitivamente, eu precisava descobrir o que estava passando comigo. Quando o clube de história acabou, eu não fui pra casa. Decidi ir para casa de Tia Vanessa, pra pedir alguns conselhos sobre isso que está acontecendo comigo. Ela é a única pessoa, além do Arthur, que eu poderia conversar sobre essas coisas. Ela tem uma mente bem aberta. Ao chegar a casa dela, abracei-a e me sentei à mesa com ela.
- Então Will, o que trás aqui?
- Eu preciso conversar com a senhora, sobre algumas coisas que andam acontecendo comigo. E você é a única pessoa com quem eu posso contar e guardar esse segredo. – Ela me olhou pensativa.
- O que está acontecendo? – Ela falou. Minhas mãos começaram a suar e eu fiquei muito nervoso.
- Tia, eu acho que... Sou... Sou gay. – Olhei pra baixo, com medo da reação dela.
- E qual é o problema com isso? Ser gay é normal, Will. Eu não vejo nenhum problema nisso, você vê? – Eu sorri para ela.
- Claro que não, mas é que uma menina me chamou para sair e eu não sei o que dizer para ela. Além do mais, eu acho que estou meio que gostando do irmão dela. –Ela olhou para mim.
- Você tem que dispensá-la, Will. Talvez se você não quiser dizer o real motivo, você poderia falar para ela que vocês são só amigos. Acho que isso não vai magoá-la tanto. E sobre o irmão dela, ele também é gay?
- Eu não sei tia, não mesmo. – Falei em um tom triste. Ela se aproximou de mim e pegou na minha mão.
- Will, você pode conversar com ele, mas existe uma possibilidade de que ele não seja. Você quer falar com ele mesmo assim. – Ela alisou minha mão. Eu pensei por um momento, se isso era a coisa certa a se fazer. Então, eu tomei uma decisão.
- Sim. Eu vou falar com ela. – Tia Vanessa sorriu e me deu um abraço. Eu me levantei e dei um beijo na testa dela. Eu estava decidido a falar com o Kevin. Enquanto eu estava fechando a porta eu ainda escutei a Tia V falando que me amava e que sempre iria me apoiar. Eu sorri.
Enquanto eu caminhava para a casa do Kevin, eu estava pensando em qual desculpa eu daria para Rebecca e se ela ficaria chateada comigo. Pelo jeito ela iria, mas eu queria correr atrás da minha felicidade, há muito tempo eu não sabia o que era isso de verdade. Finalmente eu cheguei a casa dele. Toquei a campainha. Rebecca atendeu a porta toda entusiasmada.
- Will! Você por aqui! – Ela sorriu para mim e me deu um abraço. Eu fiquei sem ação. Apenas dei um sorriso meio forçado. Infelizmente eu teria que acabar com toda essa felicidade.
- Olha Rebecca, infelizmente eu não vou poder sair contigo. Problemas pessoais. Espero que ainda possamos ser amigos. –Ela me soltou e abaixou a cabeça.
- Tudo bem. – Falou em uma voz fria e triste. – O que você veio fazer aqui?
- Eu queria falar com o Kevin. Ele está?
- Sim. Pode subir. – Ela apontou para as escadas e eu assenti com a cabeça. Fui entrando e bati a porta dele. Ele abriu e deu um sorriso para mim.
- E aí Will! O que você veio fazer aqui? – Ele estava com uma camisa do Foster The People, uma de minhas bandas preferidas. E de samba canção.
- Oi, Kev. Eu queria dar uma passada aqui, porque eu precisava falar contigo. – Ele assentiu com a cabeça e pediu pra eu entrar no quarto. Não pude deixar de notar que o quarto estava cheio de pôster de bandas Indie e Pop. Sentei-me em uma cadeira perto da janela e ele sentou-se na cama. Olhei pra ele com bem sério e ele percebeu.
- Está acontecendo alguma coisa, Will? – Eu estremeci. Como eu iria contar pra ele que estou gostando dele em tão pouco tempo. Será que ele acreditaria em mim. Eu tinha que contar, não poderia esperar.
- Eu preciso te contar uma coisa. Um segredo na verdade. Eu sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas... – Eu parei e respirei fundo. Ele olhou pra mim com um ar de curiosidade. – Eu... Eu acho que estou gostando... Gostando de você. – Falei e abaixei a cabeça. Não queria observar a reação dele. O quarto ficou em um grande silêncio, tanto que nós escutamos o barulho da televisão ligada na sala de estar, que ficava no andar de baixo. Depois que alguns minutos se passaram, ele se levantou. Colocou uma bermuda e falou:
- Me segue. – Eu o olhei espantado, mas fiz o que ele pediu. Passamos pela sala, seus pais estavam sentando assistindo a um programa que eu não sabia qual era. Ele avisou que íamos dar uma volta pelo bairro e eu apenas assenti com a cabeça, com medo do que estava pra acontecer. Nós saímos e andamos até um lugar atrás da casa dele, bem escuro por sinal. Eu mal conseguia enxergar meus pés. Ao chegarmos lar, ele acendeu um cigarro. Eu já fiquei surpreso, pois não sabia que ele fumava. Mas ainda assim, fiquei calado. Depois de alguns minutos, ele deu uma tragada e quebrou o silêncio.
- Eu também sou gay. – Ele falou e olhou pra mim. Fiquei sem reação. Não sabia o que fazer naquele momento. Se sorria, ou se saía correndo daquele lugar.
- Você é? – Falei.
- Sim. Mas não assumido. Meu pai é homofóbico, ele poderia me expulsar de casa se soubesse disso. Além do mais, Rebecca poderia espalhar por todo o colégio. Ela aparenta ser legal, mas na verdade não passa de uma vadia. – Ele disse. Ele chamou sua própria irmã de vadia, então ela realmente deve ser uma vadia.
- Ela me chamou pra sair.
- E você aceitou?! – Ele falou em um tom alto.
- Claro que não. Eu decidi que deveria resolver isso contigo antes. – Olhei pra ele e sorri de lado. Ele soltou o cigarro no chão, apagou com o pé e aproximou-se de mim. Fiquei excitado. Ele passou a mão pelo meu rosto, deu um sorriso de lado e passou o dedo indicador em meus lábios. Após isso, ele puxou meu corpo e nossos corpos ficaram colados. Minha respiração começou a ficar ofegante e meu coração acelerado. Ele seria o primeiro homem que eu beijaria na minha vida. Aos poucos ele aproximou seu rosto ao meu. Senti o cheiro de seu perfume, era amadeirado. Quando estávamos com os rostos colados ele falou:
- Eu realmente quero te beijar. Posso? – Sua respiração ficou ofegante.
- Pode. – E ele tocou os seus lábios ao meu. Todos os meus problemas, tudo sumiu e só existia ele e eu naquele lugar. Em todo o mundo.
Fale com o autor