Burning Fire
19 Capitulo 19
Notas iniciais
Ignorei tudo. As batidas insistentes dos meus pais na minha porta, ameaçando até arrombá-la. As 23 mensagens de texto de Johnny. Os telefonemas dele. Mas quando ele bateu na minha janela, as 3 da madrugada, eu não pude ignorar.
Acordei com as batidas inquietantes na janela. Meus olhos estavam doendo e inchados de chorar. Abri a cortina, e o vi. Sua aparência não estava melhor que a minha, pois havia círculos negros em volta de seus olhos, como se tivesse passado noites e mais noites acordado. Após ver minha situação, seu rosto pareceu mais triste do que já estava. Abri a janela.
– O que você quer? – perguntei – É madrugada, e eu preciso dormir!
– Você não atende minhas ligações, nem responde minhas mensagens. Pensei que tivesse acontecido algo grave.
– Aconteceu sim. Algo muito grave – ele arqueou a sobrancelha, preocupado e ao mesmo tempo perguntando o que havia acontecido – Eu conheci você. Isso aconteceu.
Dito isso, fechei a janela, a cortina, coloquei meus fones de ouvido, e voltei a dormir.
Acordei com o barulho do meu despertador. Estava sem os fones, então provavelmente, minha mãe havia tirado durante a noite. Levantei, me sentindo péssima. Aquilo era como um pesadelo, no qual eu não acordava nunca.
Levantei e fiz minha rotina matinal e passei bastante maquiagem nas olheiras. Ignorei o máximo as perguntas dos meus pais, dando respostas rápidas e as quais não me comprometessem. Eu precisava esquecer Johnny, e aquelas perguntas faziam meu coração doer ainda mais.
Não sei porque fiquei surpresa quando percebi que o carro de Vitor estava me seguindo no caminho para o trabalho. Coloquei meus fones, e fingi que não vi nada. Mas consegui despista-lo, entrando no metrô. Apesar de ser mais demorado do que ir a pé, nesse caso, seria mais seguro.
Chegando lá, me preparei física e psicologicamente para encarar todos. Eu havia saído correndo, sem dar explicações. Não atendi nenhum telefone, e estava torcendo para que Johnny não tivesse contado do incidente da madrugada.
Logo que o elevador parou no andar de Reed e as portas se abriram, fui cercada por Sue, que não parava de perguntar se eu estava bem, porque havia saído daquele jeito no dia anterior, e no final, a bomba:
– Foi a cena do beijo do Johnny, não foi? – ela disse, seriamente olhando nos meus olhos – você viu a cena pela TV?
Quando desviei o olhar para o chão, e meus olhos se encheram de lágrima novamente, ela percebeu o que estava errada e me abraçou. Engoli o choro, pois aquele babaca não merecia nada disso. Quando ela me soltou, eu o vi.
Ele estava sentado no sofá, devorando um pote gigante de pipoca e vendo um filme qualquer. Quando Sue parou de falar, ele se virou e me encarou. Abriu um sorriso fraco no canto da boca, o qual eu não retribuí.
Ele se levantou e veio até mim. Sue deu uma desculpa esfarrapada para dar o fora dali o mais rápido possível. A última coisa que eu queria era ficar sozinha com aquele traste.
– Oi – ele disse.
– Oi – respondi, desviando novamente o olhar para o chão.
– Amber, eu não queria que você ficasse mal, eu só...
Balancei a cabeça em sinal de negação e o deixei falando sozinho. Contornei o local onde ele estava e fui em direção ao escritório onde tinha uma papelada me esperando. Mas era óbvio que eu não conseguiria ir embora tão fácil. No exato momento ele puxou meu braço (que, a propósito, ainda estava sensível onde Victor apertou. Não era frescura, ok?), e me beijou.
Foi um beijo doce, suave, como se fosse um pedido de desculpas. Me deixei levar naquele momento, por alguns segundos, antes de recobrar a consciência. Então o empurrei o mais forte possível, e involuntariamente, minha mão foi em direção ao seu rosto. A raiva era tanta, que ia ser uma baita tapa. Mas eu parei na metade do caminho. Não podia bater nele. Eu não queria bater nele.
– Amber, todos me conhecem por ser um pegador, por mudar mais de mulher do que de roupa. Mas... é difícil falar isso... Mas eu estou completamente apaixonado por você.
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