Burning Desire - Bade
1 Prólogo
Notas iniciais
P.O.V Da Jade
Olhei para o relógio digital, eu ainda estava grogue de sono. 08h:29min. Merda. Eu estava atrasada. Super atrasada. Acabei esquecendo de colocar o maldito despertador para tocar. Saí da cama às pressas, eu devia estar na Editora já que meu expediente havia começado há 1 hora e 28 minutos atrás. Eu ia ter que inventar uma boa desculpa para justificar o meu atraso.
Tomei apenas uma ducha fria, aquilo nem poderia se chamar de banho. Durou uns 5 minutos, me enrolei na toalha e tirei a touca plástica, o meu cabelo estava todo desgrenhado. Consegui desembaraçar algumas madeixas, eu não tinha tempo e nem paciência para fazer algum penteado. Fiz um coque simples, foi só o que deu para fazer, escovei os dentes e saí do banheiro, eu precisava me arrumar o mais rápido possível.
Abri o guarda-roupa, a Editora não exigia que os funcionários usassem trajes sociais ou algo mais formal ou careta. Mas todos os funcionários deveriam ir devidamente apresentáveis e bem-vestidos. Jared Oliver não tolerava que seus funcionários fossem trabalhar desleixados, não era preciso está impecável, e sim apresentável.
Peguei o primeiro vestido que vi pela frente. Era um pretinho básico, com decote discreto, comprimento um pouco acima dos joelhos e mangas longas rendadas. Calcei meus Ankles Boots pretos com saltos de 6 cm. Passei um batom cor de vinho e esborrifei um pouco de perfume, apanhei a minha bolsa e saí do quarto.
Cheguei na garagem e tirei o meu carro em tempo recorde. Dirigi feito louca, ultrapassando um ou dois sinais vermelhos. Peguei um atalho, as ruas de Los Angeles estavam movimentadas como sempre. Eu não queria pegar nenhuma porcaria de trânsito. Peguei um segundo atalho, meu estômago roncava, não dava tempo para parar e comprar café. E naquele momento eu daria tudo para poder sentir aquele líquido delicioso e quente que aquecia o meu estômago, me dava energia e ainda alegrava o meu dia. Café era tudo para mim. Era o meu maior vício. Na minha opinião, era simplesmente a bebida quente mais saborosa do mundo.
Cheguei na Editora, eu trabalhava como secretária para Jared Ray Oliver. Sim, eu trabalhava, isso quer dizer que eu não iria trabalhar mais para o Sr. Oliver, pois ele decidiu se aposentar e deixou o cargo de CEO para o herdeiro, seu único filho e o cara sequer morava em LA. Nunca vi o filho do Sr. Oliver, e eu só sabia da existência do cara porque o Sr. Oliver se gabava do filho que morava no Canadá. O Sr. Oliver também era canadense assim como a esposa, mas se mudou para LA com a esposa há cerca de 10 anos. E ele disse que o filho não quis vir com eles, e que preferiu ficar morando no Canadá com os avós maternos.
Eu já estava trabalhando na Olicity Ray Books há cerca de 2 anos. O Sr. Oliver havia me dado uma chance, eu não tinha experiência nenhuma quando cheguei ali, mas eu estava disposta a dar tudo de mim. Eu precisava urgentemente de um emprego, eu tinha contas e também precisava pagar a minha faculdade na época.
Eu estava cursando Advocacia e acabei desistindo no 3° semestre. Tentei Arquitetura, Publicidade, Engenharia e até Psicologia. Mas acabei desistindo de todos os cursos antes de terminar o 3° semestre de todos. Medicina, Gastronomia e Jornalismo estava fora de cogitação. Eu não tinha achado minha vocação, mas quando cheguei na ORB me apaixonei pela arte da escrita.
Primeiro estagiei por cerca de 6 meses, a antiga secretária do Sr. Oliver acabou pedindo demissão, ela ficou noiva e se mudou para Chicago. E foi assim que passei de estagiária para secretária do CEO de uma das Editoras mais importantes de LA.
Desisti de fazer faculdade, tranquei todos os meus cursos e comecei a me dedicar no meu primeiro livro de terror/suspense. Eu estava prestes a enviar o meu material para o Sr. Oliver analisar, eu já tinha concluído o meu primeiro livro. Tudo estava indo bem até que acabei recebendo uma péssima notícia... Sr. Oliver decidiu se aposentar e minha chance de mostrar o conteúdo do meu livro foi por água abaixo. O homem era o CEO e o Editor chefe, era ele que mandava em tudo na ORB. Analisava textos, livros, obras literárias e tudo mais.
Eu estava super animada, aquela era a minha chance. Se ele gostasse do meu livro, iria me promover e os primeiros exemplares de 'O Vizinho Da Casa 79' iriam ser publicados na próxima edição.
E se o meu livro fosse um sucesso, eu subiria de cargo e de bônus ganharia um aumento, e uma grana extra com a venda dos livros. Fiquei muito triste, eu gostava de trabalhar para o Sr. Oliver. Ele era um bom chefe.
Por quê o Sr. Oliver tinha que se aposentar e deixar a Editora nas mãos do filho?
Eu já estava com receio de ser demitida. E chegar atrasada logo no meu primeiro dia trabalhando para meu novo chefe só aumentaria minhas chances de ser despachada dali. Ótimo. Por quê eu tinha esquecer de botar o maldito despertador para me acordar? Maldita noite de bebedeira. E aquilo era culpa da minha melhor amiga. Foi ela que me arrastou para enchermos a cara. Eu estava lamentando pois não iria mais trabalhar com o Sr. Oliver e ela estava na bad porque levou um baita "enfeite" na cabeça. Eu mesma o vi com outra saindo do cinema e mandei uma foto para a minha a amiga.
Mas a gente se vingou do cara, foi hilário quando ele chegou no apartamento dela e nos flagrou na cama. Ideia minha. A cara dele foi impagável.
Tori topou na hora, a gente fingiu que estava transando e o imbecil do Steven acreditou. Ele chegou cantando como sempre, a gente já estava sem roupa mesmo, a porta estava destrancada e ele nos pegou na maior pegação. Mas tudo não passava de fingimento.
[...]
— Você está ferrada, Jade! O filho do seu Jared já chegou faz um tempão e perguntou pela secretária, eu disse a ele que você era pontual, e que o seu atraso tinha uma boa justificativa. — Alexandra, umas das minhas poucas colegas de trabalho avisou assim que cheguei na recepção.
Ela estava ali me aguardando, segurando um copo médio de café e uma sacolinha com uma fatia de torta doce. A minha favorita e ela sabia que eu só tomava café puro, forte e sem leite ou creme. Eu amava café tradicional, nem tão doce e nem tão amargo. Tinha que ser puro mesmo.
— Obrigada, Alex. Você é demais. O almoço de hoje fica por minha conta. — Peguei o café e a sacolinha de papel, a fatia de torta vinha naquelas "embalagens" de isopor e com uma colher de plástico.
Corri para o elevador, a sala do Editor chefe ficava no último andar. Comecei a tomar o meu café, eu simplesmente odiava aquelas musiquinhas que tocavam nos elevadores.
Assim que cheguei no 6° e último andar, saí do elevador às pressas. Minha vontade era de tirar os sapatos e correr, eu devia estar muito ferrada mesmo. 'Ferrada' até que era uma palavra bonitinha. Mas eu estava mesmo era fodida. Muito fodida. Fodida pra caralho. O filho do seu Jared com certeza iria me demitir.
Terminei de tomar meu café, amassei o copo de plástico e joguei na lixeira que tinha ali no corredor. Apressei os passos.
E tudo aconteceu num piscar de olhos. Não sei quem "atropelou" quem. Só sei que os dois foram parar no chão do corredor.
'Merda. Merda. Merda. Merda.'
E de repente havia um corpo embaixo do meu. O baque me deixou atordoada. Nem sei aonde foi parar minha sacolinha com a minha fatia de torta. Maldição... É, parece que eu havia acordado com o pé esquerdo aquele dia.
— Oh, droga! Eu... — Perdi a fala quando a pessoa resmungou e nossos olhares se encontraram pela primeira vez.
Era um homem. Era a porra de um homem lindo. E eu havia caído em cima dele.
— Está confortável aí? Deve estar não, é? Já que você não moveu um músculo para se levantar. Maravilha! Pelo visto nós vamos ficar nessa posição o dia todo. — Que voz era aquela? Que sotaque... Que olhos castanhos. E que boquinha linda. Ah, a cor da pele, então...
Era um lindo moreno e com sotaque.
Ele segurou minha cintura e me tirou de cima dele com facilidade, me deixando ali no chão e se levantou. Reparei nas vestes sociais e nos sapatos que pareciam caríssimos.
Os cabelos eram escuros e levemente ondulados, e as pontas tocavam os ombros. A pele morena dele era igual a do Sr. Oliver... Oh, não. Não poderia ser. Será que aquele era o... Como era o nome do filho do seu Jared, mesmo?
Observei ele bater na calça social para limpá-la, me deu as costas e me deixou ali largada no chão e entrou na sala do Editor chefe. Ah, só podia ser o tal filho do seu Jared.
Merda. Mil vezes merda...
— Filho da mãe... Deixa, eu me levanto sozinha, não preciso de ajuda mesmo. — Me levantei, eu estava um pouco desorientada com o baque, a queda e... Deixa pra lá.
Ajeitei meu vestido e apanhei primeiro a minha bolsa. Peguei a sacolinha com a fatia da torta e marchei até a sala com a plaquinha indicando: 'Sala do CEO'.
Bati na porta, ouvi um 'Entre' e adentrei a sala.
— Ora, ora se não é a desastrada que me "atropelou". Suponho que seja a secretária. — Um sorrisinho debochado surgiu na boca daquele homem que por sinal não foi nenhum pouco gentil comigo.
— Você deve ser a Jadelina West, certo? Prazer, sou Albert Oliver, o seu novo chefe! — Ele sorriu, estava sentado em cima da mesa, todo descontraído. Era jovem e charmoso. Devia ter entre 26 à 28 anos.
— O nome correto é Jadelyn. Jadelyn West, senhor. — O corrigi.
Jadelina? De onde ele havia tirado aquele nome medonho?
— Muito bem, Jadelina. — O imbecil abriu um sorrisinho sacana. Ah, ele estava tirando uma com a minha cara?
— É Ja-de-lyn. Jadelyn. — Falei em alto e bom som.
— Ah, tanto faz... Agora poderia me explicar o motivo do seu atraso, Srta. West? — Perguntou assumindo uma postura séria e um tom arrogante.
Respirei fundo e contei até 10 mentalmente. Eu precisava urgentemente de uma boa desculpa ou o Sr. Arrogante iria me botar no olho da rua. Perfeito, Jade, perfeito. Por quê eu tinha que chegar atrasada logo naquele dia?
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