Burning Desire

1 Capítulo 1 - Savannah Houson


Notas iniciais
Oi, pessoal! Essa é a minha primeira fanfic aqui no Nyah! e tô bem animada para começar a postar!
Espero que gostem!

Atlanta — Georgia.
07:00am

As luzes do Sol entram no quarto, deixando o ambiente mais quente, mas Savannah não se importava.
O calor já estava em seu corpo e já havia se tornado algo comum, sua pele parda e quente deslizava sobre o macio lençol de seda branco e seus cabelos castanhos estavam presos numa trança que Savannah sempre fazia antes de acordar, mas não sabia exatamente o porquê disso. Talvez seja apenas um vício, como o cigarro, Savannah fumava, mas não sabia direito porque fumava, mas aquilo a satisfazia, por um tempo.

O despertador toca num som agudo e alto, fazendo Savannah pular da cama e cair de cara no chão.
Droga, ela sempre caía.

— Merda, eu já ouvi. — Tirou seu tapa olhos vermelho.

Assim que ela disse isso, o despertador tocou de novo, e para Savannah, tocou mais alto ainda.

— Eu disse que já ouvi! — O despertador nem parou de tocar quando Savannah pegou o mesmo e o jogou pra qualquer canto do quarto.

O barulho do silêncio parecia um alívio para ela.

Savannah se olhou o espelho que havia em seu grande e espaçoso closet, que era revestido de branco, com um piso de madeira vernizado e um lustre branco bem no meio.

— Vocé parece um lixo, garota. — Seus cabelos, que estavam presos na trança, tinham vários fios arrrepiados e na lateral da sua boca, havia um risco branco de saliva seca.

— Nossa, preciso concertar urgentemente isso.

Savannah sempre foi rica, mas nunca foi perfeita. Na verdade, Savannah tinha como referência a confusão.
Assim que terminou o ensino médio, passou um ano viajando pelo mundo. Com a desculpa de tentar se conhecer melhor, Savannah foi a Paris, Londres, Africa do Sul, Rio de Janeiro e Alemanha. Mas de nada adiantou.
Ela voltou pra casa e aceitou fazer uma faculdade. Primeiro tentou fazer Medicina, mas ela não aguentava ver uma misera gota de sangue quando caía de bicicleta aos dez anos. Definitivamente, ela não seria médica.
Tentou a carreira em direito, mas os únicos argumentos que ela sabia dar eram sobre ela ser independete o suficiente para seus pais lhe darem um apartamento. E ainda nem havia feito eles concordarem com isso.
Tentou psicologia, mas Savannah não podia enfrentar nem mesmo os seus problemas, imagine os dos outros? É, definitivamente, ela não seria uma boa psicóloga.
Então, a menina rica e problemática, desistiu de procurar se encaixar e aceitou ser sustentada pelos pais.
Savannah jamais aceitou trabalhar para o pai, ela acha que trabalhar para o homem que a sustenta não faz muito sentido.

— Save. — Uma batida na porta tira Savannah de seus devaneios.

Ela desfez sua trança rápido, mostrando seus cabelos castanhos ficarem tudo, menos ondulados.
Ótimo, ela teria que lavar essa bagunça.

— Savannah, o café está pronto. — A voz doce e calma de sua mãe, Jenna ecoou pelo quarto.

— Ok, mamãe, estou descendo. Talvez eu demore um pouco aqui. — Se olhou no espelho e revirou os olhos para si mesma.
Não se ouviu mais barulho algum de sua mãe. Ela sempre entendia tudo de primeira e nunca precisava falar duas vezes.
Com passos pesados, Savannah entrou no banheiro, despiu-se de suas roupas e olhou no espelho seus seios, que não eram tão fartos, mas também não eram pequenos, com pequenas marcas roxas. Ela ainda iria matar William por aquilo.
Ela riu, se lembrando dos momentos que teve com seu amigo, na noite passada. Quando Savannah e William foram para uma das boates mais badaladas de Atlanta: Vanquish Lounge.
Doses de tequila, Vodca e muita cerveja.
Corpos se esfregando, suor pingando e sexo selvagem com seu melhor amigo.
Na primeira vez, foi um susto completo para ambos os lados, mas depois de alguns meses e várias transas depois, com promessas de que isso nunca mais aconteceria novamente, eles dois aceitaram rotular sua amizade como: "Amizade colorida".
O que os dois teriam a perder, afinal? Savannah nunca se apaixonou, e não seriam umas doses de tequilla e transas que já haviam se tornado programadas que a fariam se apaixonar.

No seu Ipod, algo que Savannah levava de cima para baixo consigo, ela colocou a música "Elastic Heart" de uma de suas cantores favoritas: Sia.

Ela conectou seu aparelho à pequena caixa de som que havia em seu banheiro e entrou debaixo da água fria. E de repente, toda a ressaca da noite passada bateu em sua cabeça como uma grande bola de basquete.

Seu corpo já devia ter criado um tipo de resistência com isso tudo, não?

O pior de tudo, é que as memórias vieram junto, mas não só as que teve com William.
Savannah tinha tido na noite passada sua experiência sexual com uma mulher e um homem ao mesmo tempo.
Seus casos com mulheres sempre foram amassos, beijos quentes, e nada além disso.
Mas na noite passada, Savannah atingiu um nível que jamais pensou que atingiria.
Definitivamente, ela havia gostado de transar com uma mulher e com um homem ao mesmo tempo.

Sua cabeça, que doía como se um gongo estivesse sendo tocado dentro de seu cérebro, foi ficando cada vez mais pesada. Mas Savannah não ligou. Na verdade, Savannah até gostava da dor da ressaca que ela sentia. Para ela, quanto mais forte a dor é, mais incrível e inesquecível a noite passada foi.

Após quinze minutos de cabeça baixa, decidiu sair do banheiro e tentar socializar com todos a sua volta. Ela decidiu tentar.

— Bom dia, gente. — Jogou os braços em cima da mesa e apoiou sua cabeça em suas mãos. Não aguento sentir cheiro de nada. Parece que vou desmaiar.

— Oras, querida, tenho a solução para isso. — Jenna chegou por trás de Save e pelo seu lado esquerdo, entregou um copo de água com uma aspirina.

— Oh, mamãe, você é um anjo. — Sorriu em agradecimento e virou o líquido que estava no copo, esperando que aquilo fizesse a dor que já estava insuportável, passar logo.

— Na verdade, eu deveria deixar você sofrer, Savannah. Sabe que horas você chegou? Caramba, você sabe que têm que acordar cedo hoje, filha.

— Ah, mãe, foi mal. Eu nem percebi que o tempo havia passado, acho que meu relógio quebrou. — Assim que viu seu relógio dourado, que estava no seu pulso direito, viu que estava tudo completamente certo. — Foi muito legal ontem, nunca me diverti tanto. — Sorriu com as lembranças de William tentando fazer mágicas enquanto estava bêbado.

"- Juro pra vocês que não tem truque nenhum! — Um soluço. — É só mágica, baby. — Sussurrou no ouvido de uma loira gostosa, com seios fartos, mas uma bunda nem tão grande assim.

— Você já está bêbado e chato, William. — Savannah revirou os olhos. — Não adivinhou as duas últimas cartas que ela e eu escolhemos.

— Querida, ainda estou em treinamento. — Piscou para Savannah. — Então, Anne, topa ir pro meu apartamento depois?

— Nossa, que droga, William! — Savannah virou uma dose de tequila e tirou sua jaqueta de couro. — Anne, querida, depois daqui, eu e meu melhor amigo William, vamos para o apartamento dele transar feito animais, mas temos uma vaga, caso você queira se divertir conosco.

Anne olhou para William, depois olhou para Savannah, que já estava um pouco tonta devido as 5 doses de tequilla que já estavam fazendo efeito no seu organismo.

— É claro. — Sorriu para William. — Vai ser muito divertido! — Bebeu um pouco do seu drink azul e se esfregou mais no William."

— Savannah. — Janne estalava os dedos na frente do rosto da filha, que estava perdida em seus devaneios.

— Hum? — Com um semblante confuso, Save olhou para sua mãe que estava com uma cara mais confusa ainda.

— Estou falando que você tem que começar a ser mais responsável.

— Eu sei, mamãe. — Savannah encheu uma xicara de café preto e forte, que encheu suas narinas com a cafeína. Só aquilo, havia feito a ressaca sair de seu corpo pela metade. — Me desculpa, ok?

— Temos trinta minutos. — Jenna se levantou da mesa e sumiu por dentro do grande apartamento.

Depois de Savannah ter desistido de cursar faculdade, teve de escolher entre trabalhar para seu pai, ou ajudar sua mãe com o seu incrível projeto de ajudar os menos favorecidos: "Save the world". O que Savannah achava divertido, já que havia um "trocadilho" com seu nome. Ou achava que era.
Savannah ajuda os outros sem receber nada em troca. Normalmente, ela dá cursos de maquiagem, moda, doa roupas e faz brincadeiras com as crianças e suas mães.
Savannah sempre gostara daquilo, mas não era uma paixão.
Na verdade, ela nunca soube o que era sentir paixão por algo. Tanto que William sempre a chamou de "A Dama de ferro". Ela nunca reclamou desse apelido. Na verdade, até gostava.

Depois de três torradas e uma xicara de café, Save se levantou com uma maçã grande e vermelha na mão.
Sua roupa não era nada de diferente. Sempre no estilo de uma calça skinny, botas pretas de couro, uma blusa solta de cor neutra, um óculos escuro e um chapéu redondo, para fechar com chave de ouro.
Savannah ama moda, mas, ela nunca achou confortável estar com suas roupas de grife no meio da central do projeto.
Não que ela sentisse pena, mas ela sente que é como se fosse esfregar nas caras deles sobre o dinheiro dela.

Ela havia escolhido uma bolsa branca. Lá havia tudo que ela precisava: Celular, fone de ouvido, carregador, sua bolsa menor que continha sua maquiagem, sua escova de cabelo, seu perfume favorito e sua escova de dentes.

Central do projeto "Save the world".

10:07am

— Eu tô acabada. E sim, eu me lembro de tudo o que eu fiz. — Depois de horas numa sala com várias crianças, as ensinando a brincar com massinha de modelar, Save encontrou um tempo para comer e mexer um pouco no celular, sem ser atingida por algo gosmento.

— Querida, tenho fotos aqui no meu notebook que você amaria ver.

— O quê?! — Num tom alto, Savannah arregalou os olhos.

— É brincadeira, amorzinho. Você vai odiar.

— Vai se foder, William. — Encostou os lábios no microfone do celular e disse baixinho. — Eu não quero ver isso. Apenas apague. — Revirou os olhos e se encostou na parede branca que havia no corredor.

— Baby, eu já estou completamente fodido. Acredite. Aquela vadia nem ao menos deixou o número dela! Você sabe o quanto é difícil hoje em dia achar peitões que são naturais? — O tom que William usou na última palavra pareceu um apelo.

— Encontrar um cara que saiba foder bem é difícil também. — Olhando ao redor, Savannah viu sua mãe dando comida para um filhote de gato que estava doente. Aquilo a fez abrir um sorriso enorme.

— Hey! Ontem eu fiz você gozar três vezes, Srta Houston! — William disse num tom ofensivo.

— Eu fingi. — Save segurou um riso.

— Eu também fingi, vadia.

— Como você fingiu? Eu vi você gozar, porra.

— Era maionese. — Num tom seco, William soltou a última frase antes de Savannah entrar numa crise de risos repentina.

— Maionese? Qual- Qual o seu problema? — Saíam lágrimas de seus olhos, de tanto que Savannah ria.

— Enfim. Eu preciso terminar meu trabalho, Save. Ainda tenho que fazer isso tudo com essa ressaca fodida. Você pode passar aqui mais tarde pra um boquete das cinco?

— Oh, querido, acredite, não quero saber de chupar ninguém hoje. — Limpando seus olhos, Save respirou fundo e parou de rir repentinamente.

— Você é uma vadia má. Tchau. — William desligou.

— Ah, que fodido! — Olhando para o celular, Save disse num tom cético.

— Tia Save, a Maria tá comendo massinha de modelar! — George, um menino de 6 anos, negro com os verdes, disse puxando a calça de Savannah.

— Ah, meu Deus. — Guardando o celular e botando o pequeno George no colo, Savannah respirou fundo e entrou de novo naquela sala.

Atlanta.
13:29pm

Depois de cuidar de todas as crianças, Save propôs a Jenna uma saída para o shopping, já que todos tinham ido hoje para a central, não faria falta menos elas duas ali.

— Ah, mamãe, o papai sempre diz que tá saindo com várias. Mas todo mundo sabe que ele não pega nem gripe. — Com a boca cheia de sorvete, Save olhava para um homem de cabelos pretos e terno cinza que estava de costas, mas logo voltou a olhar para a sua mãe. — Não há com o que se preocupar, acredite.

Cutucando seu sorvete de menta e baunilia, Jenna suspirou.

— Mas ele parece tão feliz. Não é como se ele sentisse algo por mim ainda. Eu já devia saber que esse tempo que ele pediu, é porque ele não gosta mais de mim. — Soltou um suspiro.

Revirando os olhos, Save deu uma olhada rápida para o homem, mas ele não estava mais lá.

— Se ele não gostasse, ele não me ligaria toda hora perguntando aonde você está, que horas você chega em casa e com quem você estava acompanhada. — Deu de ombros e logo bateu na própria testa. — Droga, eu não devia ter falado isso!

— Ele... Ele fez isso mesmo?! — Jenna sorriu e com isso, Save sorriu junto.

— Sim, mamãe. Ele ama você. Mas acha que não pode fazer você feliz. — Botou a colher em cima do prato, insatisfeita. — Por que duas pessoas que se gostam simplesmente não ficam juntas? Que saco! Não tem ninguém impedindo vocês, e o papai ainda me usa como espiã para saber o que a senhora anda fazendo, com quem você anda saindo... — Jenna arregalou os olhos e Savannah deu outro tapa em sua testa. — Pode esquecer o que eu acabei de dizer? — Bufou e relaxou a postura.

— Filha. — Jenna pegou com sua mão esquerda, a mão direita de Save do outro lado da mesa e acariciou a mesma com o dedão. — Quando você amar alguém, vai entender que nunca vai depender de vocês dois apenas. Lembra-se de quando era mais nova? — Save assentiu e olhou para Jenna. — Então. Por mais que eu ame seu pai, e demonstre isso, ele nunca vai se sentir seguro. Você sabe disso. — Save assentiu e mostrou um sorriso de canto.

— Ele tinha medo de perder você. — Olhando para suas mãos entrelaçadas, Save se lembrou das crises de ciúmes que seu pai tinha quando morava com ele.

— E de perder você também. Por isso ele pediu divórcio. — Sorriu serenamente olhando para suas mãos entrelaçadas.

— Isso não é pra mim. — Olhando para Jenna, Save puxou sua mão de volta e cruzou os braços. — Antes eu não entendia o porquê de eu não me apaixonar por ninguém, mas agora eu vejo. Eu não sou o tipo de garota que um cara levaria pra conhecer os pais, ou levaria pra um jantar romântico a luz de velas. E eu não preciso de ninguém assim. — Olhando ao redor, Save parou seus olhos em um casal que estava abraçado e conversava entre si, provavelmente sobre seu casamento e os nomes de seus filhos. Save balançou a cabeça espantando aqueles pensamentos.

— Você realmente não precisa disso. — Jenna afastou o sorvete de menta que já estava derretido. — Filha, você é intensa, faz coisas que nem eu mesma acreditaria. — Fez um movimento negativo com a cabeça, o que fez Save sorrir. — A última coisa que você precisa receber de um cara é um buquê de rosas.

Talvez seja isso mesmo.
Talvez, Savannah odeia flores, aquilo a faz lembrar de velórios. Mas ela ama rosas vermelhas.
Savannah odeia demonstração de afeto, mas se não demonstram isso para ela, ela se sente sozinha e insegura.
Insegura? Algo que Savannah não é. Na verdade, não existe mulher mais segura de si como Savannah é.
Mas, a questão é: E quanto a segurança que Savannah tinha nos outros?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.