Burning Desire
1 Painting in Red
Notas iniciais
– Maya, você tem que mostrar a sua barriga, esse é o objetivo! — A estilista ridícula de cabelo vermelho fogo disse levantando a minha blusa, deixando de um jeito que apenas tampasse os meus seios, e parcialmente ainda por cima. "Se lembre Maya, mil reais, essa porra de foto vai te dar mil reais". Então fiz o que me mandaram e fui fazendo as poses, respirando fundo, encolhendo a barriga e coisas do gênero, juro que se passasse um vento levaria a minha roupa embora.
– Maya, vire o rosto um pouco pra esquerda! — O fotógrafo falou, ele tinha cara de pedófilo, mas foda-se, nem sou mais uma criança. Ri internamente com o meu humor negro sem graça.
– Já cansou querida? — Minha tia Ruby apareceu na porta com um sorriso sacana no rosto, juro que a melhor escolha da minha vida foi ter vindo morar com ela. E por incrível que pareça, não, ela não era nem um pouco parecida com a tia da maioria das pessoas, tinha o corpo em forma, piercing em seus mamilos, na orelha e no nariz, tinha um braço fechado de tatuagens e tinha estilo, parecendo ter apenas 25 anos, tendo 37 na realidade, espero ter essa proeza. Nos perguntam se somos irmãs quando saímos na rua, ambas loiras, olhos castanhos e um maxilar marcado, boca fina, seios, coxas e bunda fartos, enfim, traços marcantes. Ao responder sua pergunta fazendo que sim com a cabeça ela riu debochadamente pegando um sutiã e um casaco de couro, sai andando de lá e pegando ambas as coisas de sua mão, colocando sutiã por debaixo da blusa e colocando a jaqueta por cima de tudo logicamente. Passamos pela cafeteria e ela me comprou um café, me entregou e fomos andando até no final da praia, onde ficava a nossa casa.
– Sinceramente não sei como você aguenta ya-ya, toda essa maquiagem pesada, sprays, luzes, roupas coladas... — Ela me chama de ya-ya porque quando eu era pequena eu era gaga, então não conseguia falar meu nome completo, só ela me chama assim. Ruby ia citando tudo o que eu tambem não gostava.
– Dinheiro tia, dinheiro. — Falei tomando mais goles do meu café, ela concordou com a cabeça, aparentemente achando obvio. — O Thalles vai passar antes do sol se por lá em casa, iremos surfar. — Comentei com ela, minha tia tinha uma queda pelo meu amigo, mas implorei que ela não fizesse nada com ele, ela riu gostosamente.
– Um dia eu ainda pego ele de ...
– Eca tia — Falei rindo e dando um tapa de leve no braço dela, fazendo a rir, chegando em casa troquei de roupa colocando um shorts e uma regata e me jogando na cama, traçando caminhos no mapa e pesquisando qual seria o próximo lugar que eu iria.
– May? — Escutei a voz rouca e masculina do Thalles na porta, me virei para olhar me sentando na cama, vendo apenas a cabeça dele para dentro do quarto.
– Oi. — Falei animadamente, sorrindo, olhei para janela. — Mas nem escureceu ainda! — Falei o estranhando.
– É, eu sei, mas tive um imprevisto, podemos caminhar? — Meu coração gelou por segundos, concordei com a cabeça e o acompanhei porta a fora, com medo do que poderia vir.
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