Burning

10 Capítulo 9


Notas iniciais
Esse é pequeno, mas é certeza que o próximo vai ser maior...

CAPÍTULO 9

Assim que o grito escapou de seus lábios, eu me afastei dela, como se tivesse recebido um choque e, no lugar onde antes minhas mãos a tocavam, a pele estava na carne viva, cheia de bolhas, como se chamas a tivessem acariciado.

Meus olhos estavam arregalados. Como quando havia matado os dois homens, que há pouco ela mencionara, porém, graças aos céus, ela não estava queimando viva.

– O QUE VOCÊ FEZ COMIGO? – gritou.

– Eu sinto muito. – sussurrei apavorada. – Eu não queria...

– Você é monstro – sussurrou ela se afastando com os olhos apavorados. — Fique longe de mim ou vai se arrepender.

– Halle, me desculpe, eu...

– O que está acontecendo aqui? – congelei. Era Dorothea. Tudo estava acabado. Agora eles iam me mandar para um manicômio e não tinha nada que meu pai e minha mãe pudessem fazer para me ajudar.

– Olha só o que essa psicopata fez comigo! – disse Halle, apontando para as queimaduras em ambos os braços.

Dorothea examinou os ferimentos por alguns segundos e então se virou para me olhar.

– O que eu faço com você, Lorena? – perguntou ela, suspirando. Não respondi, apenas abaixei a cabeça, eu estava com muita vergonha pelo que havia feito. Eu prometera a mim mesma que nunca mais machucaria ninguém com esse poder bizarro que eu tenho. – Isso foi a gota d’água! Você volta para o seu dormitório agora, e vai ficar lá por uma semana, pensando no que fez!

– O que? – ouvi Nathan dizer. – Vai deixá-la trancada por uma semana?

–Essas são as regras aqui, rapaz. É bom se acostumar.

– Talvez eu não queira me acostumar. – respondeu ele, com autoridade na voz.

– Você é novo aqui, não é? – perguntou.

– Sim.

– Então vou informar-lhe as regras, caso ninguém o tenha avisado. Você tem que respeitar os horários. Ou seja, nada de se atrasar para as refeições, para tomar banho e, principalmente, para dormir. Você também não pode agredir os outros pacientes, caso o faça, será castigado. E estes castigos podem ser, desde a suspensão das ligações e visitas de parentes e amigos, até períodos solitários, que podem ir de um dia à um mês. E, uma vez aqui dentro, é para sempre. Você nunca vai sair daqui. Entendeu? – ela se virou para mim. – Dormitório. Agora.

Assenti e a comecei a andar para a minha cela. Nathan me seguiu.

– Não pode vir atrás de mim. – avisei-o.

– Você vai obedecê-la? – perguntou.

Tenho que obedecer. Vou ficar em algum tipo de prisão pelo resto da minha vida. Antes aqui, do que em um manicômio! – suspirei. – Te vejo em uma semana. – digo me afastando sem olhar para trás, até chegar a minha cela, onde eu ficaria trancada pelo resto da semana.

Foram sete dias muito longos. O remorso era a minha única companhia. Uma companhia indesejável. Eu ficava remoendo os acontecimentos, pensando em como tudo poderia estar sendo diferente se eu tivesse me controlado. Mas essa não era a pior parte.

O pior era saber que Nathan sabia. Ele sabia o que eu era capaz de fazer, ele sabia que eu era um monstro. E isso doía. Eu não queria que ele conhecesse meu pior lado, mas por negligencia minha, acabou acontecendo. E isso me torturou durante os sete dias em que estive trancada. E depois de pensar muito, decidi que estava na hora de contar meus segredos para ele. Eu só precisava decidir como.

Pensei em vários modos de contar a verdade, porém havia um problema: Eu não poderia provar nada para ele na frente de todos aqueles pacientes. Então, tendo em mente que ele conseguiu sair da sua cela no meio da noite uma vez, e que ele mesmo teria que me contar seus segredos, e provavelmente não iria querer fazê-lo na presença de outro, peguei uma folha do diário que minha mãe me trouxe em uma de suas visitas, – alegando que seria mais fácil passar por tudo se eu desabafasse meus sentimentos, mesmo que fosse em um pedaço de papel – arranquei uma folha e escrevi:

Venha no meu dormitório está noite. Vou te contar tudo, todos os meus segredos. E em troca, espero que me conte os seus, como prometido.

Ass: Lorena.

E a primeira coisa que fiz quando a semana acabou, e o portão da minha cela foi aberto, deixando-me livre para andar pelo reformatório, foi deixar esse bilhete em cima da sua cama vazia, sabendo que, quando ele voltasse do refeitório, ele o veria.

Notas finais
Até o próximo capítulo!!