Burning
39 Capítulo 33
Notas iniciais
CAPÍTULO 33
Assim que chegamos na varanda da casa de Jerry, notei com espanto que a nossa frente havia fileiras e mais fileiras de pessoas, todos posicionados ordenadamente como em um recrutamento. A visão me assustou e apertei um pouco mais a mão de Nathan enquanto procurava na multidão algum rosto conhecido. Consegui reconhecer Katherine quase que imediatamente por conta de seus cabelos vividamente ruivos. Ela sorriu quando nossos olhares se encontraram, encorajando-me. Também avistei Josh há algumas fileiras atrás de Katherine, porém esse mal notou que eu o observava, tamanha a sua concentração em procurar alguém em meio a multidão de pessoas. Alguns segundos depois ele parou de procurar, um sorriso bobo surgindo no rosto quando os olhos se fixaram em um ponto. Seguindo seu olhar encontrei Chloe, a garota que estava ao lado de Katherine quando cheguei percebi que Josh parecia notavelmente interessado nela.
Desviei o olhar das pessoas a minha frente e virei a cabeça a tempo de ver Nathan sorrir antes de seus lábios roçarem discretamente a minha bochecha. Senti o sangue subir para meu rosto fazendo minhas bochechas esquentarem e voltei a olhar a multidão de pessoas a minha frente.
Foi então que a avistei. A garota alta, loura e de olhos cinzentos. A garota que beijara Nathan. Sarah. Ela tinha uma expressão hostil no rosto e os olhos transpareciam raiva e dor. Ela me encarava fixamente e ao notar que também a olhava, a raiva em seus olhos se intensificou. Eu fiquei e temerosa, a fúria dela era impressionante!
Nesse momento Jerry Bennet pigarreou e eu virei a cabeça para olhá-lo, mas ainda podia sentir o olhar raivoso de Sarah em mim.
– Bom, — começou ele e todos ficaram em silêncio. – acredito eu já tenham conhecimento de um novo acréscimo a nossa comunidade de Não-Humanos.
Murmúrios de concordância coaram pelo local alguns segundos antes do silêncio se instalar novamente e em todo esse tempo, podia sentir Sarah me olhando com a mesma raiva intensa.
– Então, marquei essa reunião para apresentá-la a todos. – Jerry se moveu, andando em passos normais até mim. Ele olhou para Nathan, que soltou minha mão e deu passo para trás. Com um olhar de aviso, Jerry colocou a mão esquerda na base das minhas costa, incitando-me a dar um passo a frente e eu o fiz. – Essa é Lorena Willians, a nova integrante da Academia de Não-Humanos!
A multidão explodiu em aplausos deixando-me constrangida com a situação.
Depois de um tempo as pessoas se silenciaram de novo e Jerry voltou a falar:
– Acredito que seja só isso, e nesse caso, declaro a reunião encerrada. Todos podem voltar as suas atividades do dia. Obrigada.
Devagar a multidão foi se dispersando, restando apenas poucas pessoas conversando em rodinhas. Sarah já havia ido embora.
– Lorena! – chamou Jerry e eu me virei para olhá-lo. – Você está livre para fazer o que quiser o restante do dia, seu treinamento só começa amanhã, tudo bem?
– Sim. Obrigada!
Jerry assentiu e voltou para sua casa, fechando a porta atrás de si.
Nathan estava ao meu lado no mesmo instante.
– E aí, quer conhecer o restante da academia?
– Você não tem que treinar?
– Não, Jerry me liberou das atividades também... – ele sorriu. – Vai ter que me agüentar o dia todo.
– Já ouvi idéias piores... – falei com uma risada.
– O que acha de irmos para o jardim agora? – perguntou.
– Acho ótimo. – respondi olhando-o intensamente. Ele sorriu e pegou minha mão, guiando-me até lá.
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O calor do sol aquecia meu rosto enquanto eu observava o céu deitada de costas na grama verde do jardim com Nathan ao meu lado. Esse momento me fez recordar do dia em que ficamos sentados debaixo da árvore no jardim do reformatório... Parecia que isso ocorrera há anos atrás.
– Nate... – sussurrei com um sorriso debochado. Havia ouvido várias pessoas aqui o chamar assim e achei interessante talvez começar a fazê-lo.
– Nate? – perguntou ele surpreso.
– Não é assim que as pessoas o chamam aqui?
– Sim, mas... Pensei que odiasse apelidos.
– Não. – esclareci. – Odeio que as pessoas me dêem apelidos, não disse nada sobre apelidar os outros.
Virei a cabeça para o lado e o vi revirar os olhos enquanto sorria alegremente.
– Muito bem então... – disse ele.
– Então, Nate – enfatizei. – Por que precisamos aprender a lutar?
Nathan que estava deitado de costas assim como eu, virou de lado afim de me olhar nos olhos.
– Bom, devo ter me esquecido de te contar essa parte... – falou ele mais para si mesmo do que para mim.
– Que parte? – perguntei curiosa.
– Existem várias pessoas com dons como os nossos, porém nem todas são tão boas quanto. Alguns, quando descobrem o que podem fazer, utilizam esses dons de maneira errada.
– Como assim?
– Alguns maníacos ou psicopatas acabam machucando as outras pessoas por puro prazer. Outros os usam para roubar, outros para se vingarem... é uma lista extensa.
Assim que ele terminou de falar, me peguei pensando se eu me tornaria uma pessoa desse tipo caso houvesse sido criada por pessoas dissimuladas, mas rapidamente reprimi o pensamento.
– Então está dizendo que é nosso trabalho detê-las. – supus.
– Sim, até porque o policiamento comum não seria capaz de fazê-lo.
– Somos policiais? – perguntei surpresa.
– Não exatamente. – disse ele. – Mas nós temos um acordo com o exército americano. O que nos torna um exército também, só que com armamento especial. – ele sorriu.
Não consegui dizer nada, tamanha a minha surpresa com o que ele acabara de dizer. Eu nunca havia me imaginado em um exército e, de repente, fazia parte de um, ainda mais forte do que o comum, devo acrescentar. Contudo, mesmo nunca tendo querido isso para mim, me senti estranhamente satisfeita por, de alguma forma, conseguir ajudar as pessoas – uma vez que havia pensado que só poderia fazer mal a elas.
Nathan pareceu interpretar o meu silêncio de forma errada.
– Não se preocupe. – pediu ele exatamente. – Mesmo que tivéssemos uma missão agora, ninguém a recrutaria, você ainda não foi treinada.
– Não estava preocupada com isso. – informei-lhe. Meu estômago roncou enquanto eu falava e Nathan riu.
– Acho que já se passa da hora do almoço.
– Não tinha percebido que estava com fome. – murmurei.
– Nem eu, mas acho melhor irmos, Josh me disse que a Kathie é um tanto chata quando se trata de atrasos.
Dito isso, ele se levantou em um pulo, puxando-me consigo e seguimos de mãos dadas até a casa... a minha casa.
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