Burning

34 Capítulo 29


Notas iniciais
Viu, eu disse que não is demorar muito!!! Só quatro dias!! Boa leitura!!! P.S. E o brigada pelos comentários, vocês são umas fofas!!!

CAPÍTULO 29

Mal havia soltado as primeiras lágrimas quando uma batida na porta me sobressaltou.

– Lorena! – ouvi a voz de Nathan me chamar. Porém ao invés de me deixar feliz, o som da sua voz só fez com que a dor aumentasse, era como se sua presença fosse uma prova viva de que eu havia sido enganada.

Por isso, ao invés de responder, eu fiquei calada, como se o ignorasse, embora, na verdade, fosse impossível para mim, ignorar a pontada em meu peito a cada vez que ele chamava meu nome.

– Lorena, por favor, abra a porta! Deixe-me falar com você, deixe-me explicar. – pediu ele, tornando ainda mais difícil ficar calada. – Lorena...

Senti algo como uma pancada em meu coração, e não consegui reprimir a crise de choro que me dominou.

– Você está chorando! – disse ele apavorado quando ouviu meus soluços. – Não chore, eu... posso explicar! Não é o que você está pensando, por favor, abra a porta.

Continuei chorando, ainda sem respondê-lo, e depois de alguns minutos ele desistiu de tentar me convencer a abrir a porta e ficou em silêncio. Depois de um tempo ouvindo apenas meu choro e mais nada, comecei a me perguntar se ele tinha ido embora e, foi nesse momento que alguém passou uma folha de papel por baixo da porta. Fiquei alguns segundos encarando o papel sem tocá-lo, sabendo quem o havia deixado ali, mas por fim, minha curiosidade venceu e eu estendi a mão para pegar o papel no chão ao meu lado.

Lorena,

Eu sei que deve estar chateada, e também sei como tudo isso deve estar parecendo, mas nem tudo é o que parece. Foi um grande mal entendido. Um mal entendido que eu gostaria de ter a chance de explicar. Por favor, não fique com raiva de mim, e também não me negue isso, me deixe esclarecer as coisas, eu preciso de você. Mais do que você pode imaginar. E se por acaso considerar a hipótese de conceder a mim esse pedido, me encontre hoje, às dez da noite, no jardim de entrada. Eu vou estar te esperando.

Eu sei que eu nunca te disse isso antes, mas, eu te amo. E também gostaria de ter a oportunidade de dizer-lhe isso pessoalmente.

Eu estou te esperando.

Nathan.

As lágrimas que escaparam dos meus olhos, escorreram e pingaram no bilhete que ele me deixou, tornando o momento ainda mais melancólico.

Minha mente ficou completamente confusa, ponderando entre ir ou não até a praça de entrada, entre deixar ou não ele explicar, entra perdoar ou não a dor que ele estava me causando. Esse dilema me consumiu pelas horas que se seguiram e, quando o relógio marcou dez da noite, meu coração deu um salto e senti um súbito impulso de ir até lá, mas a minha razão me impediu.

Quando deu dez e quinze eu me peguei levantando da cama e indo até a maçaneta, porém quando me dei conta do que iria fazer, soltei um suspiro cansado e voltei a me sentar na cama.

As dez e vinte, eu desisti de ficar sentada e resolvi tomar um banho para me acalmar. Levantei-me da cama e entrei no banheiro luxuoso do quarto. O banheiro era todo revestido de azulejos e pisos brancos, com um boxe de vidro fumê cercando o chuveiro e a prateleira alta com produtos de higiene. Havia toalhas limpas na gaveta do banheiro e um roupão branco de algodão pendurado em um gancho atrás da porta de madeira.

Tomei banho lentamente e depois de me secar, vesti o roupão que estava na porta. Saí do banheiro e abri a porta do closet, procurando algo para vestir. Não havia muita coisa, e o closet era composto de peças simples e confortáveis, exceto por um armário no fundo, onde eu encontrei algumas poucas peças mais sofisticadas, contudo eu as ignorei, eu sabia que não precisaria delas.

Optei por uma calça jeans clara e uma confortável blusa vermelha com alças finas. Assim que terminei de me vestir, inconscientemente olhei o relógio ele marcava dez e cinqüenta e nove. Com um grunhido de raiva, ignorei todas as partes racionais que me diziam para ficar onde eu estava, e calcei os sapatos apressadamente, saindo do quarto e correndo para fora da casa que era minha também, agora.

Enquanto descia as escadas correndo, notei que não havia ninguém fora dos quartos agora, e todas as luzes estavam apagadas. Contudo, eu não estava na escuridão total: as luzes dos postes lá fora iluminavam parcialmente a casa, tornando possível atravessá-la sem precisar acender as luzes.

Abri a porta da frente cautelosamente, para não alertar os meus colegas de casa que, provavelmente já estavam dormindo e saí para campina gigante que era o Acampamento de Não-Humanos.

Corri rapidamente, passando por todas as casas que vinham antes da minha, porém quando me aproximava da primeira casa, ouvi o som de vozes e me escondi atrás da mesma. E então, reconheci as vozes que estavam conversando: Nathan e Sarah.

– O que está fazendo aqui? – ouvi Nathan perguntar, a voz alterada. – Já não fez estrago o suficiente?

– Eu queria... – ela hesitou. – Eu queria lhe pedir desculpas. – as palavras dela me surpreenderam, fazendo-me prestar ainda mais atenção na conversa.

– Pedir desculpas? – zombou ele, o tom de voz sarcástico que eu tanto conhecia. – Desculpas não vão me ajudar agora, ela não quer mais falar comigo! E tudo isso, porque você me agarrou, do nada, quando eu cheguei! – ele bufou. – Aliás, por que você fez isso?

– Eu já te disse! – ela protestou. – Eu sempre fui apaixonada por você, desde que chegou aqui. Só que eu nunca tive coragem de te dizer isso, porque nós éramos amigos e eu tinha medo de isso estragar a nossa amizade! – a voz dela era desesperada e eu quase senti pena dela. – Mas quando você saiu para buscar ela, a Lorena, – ela pronunciou meu nome com nojo, como se ficasse enjoada só de pensar em mim. – eu prometi a mim mesma que contaria a você. Que iria me declarar, só que eu não tinha como saber que você já estava com ela.

– Ainda assim, você devia ter falado antes de sair me agarrando daquele jeito! – ele a repreendeu.

– Eu só não sabia como começar...

– E resolver começar me agarrando? – ele riu sem humor. – Na boa, Sarah, você acabou de estragar tudo para mim! Ela não me quer mais e... eu não vou querer você, nem como amiga. Não depois disso.

Sarah soltou um suspiro tristonho.

– Tudo bem, acho que mereci isso. – disse ela para si mesma e depois, pude ouvir seus passos enquanto ela se afastava.

E foi nesse momento que eu entendi tudo. Nathan não tinha mentido para mim, ele também havia sido pego de surpresa com o beijo de Sarah. Eles nunca estiveram juntos antes! Eu tive que me segurar para não rir. Mascarando minhas emoções, eu respirei fundo e andei o espaço que faltava para que eu pudesse vê-lo e ele pudesse me ver. Ele estava com a cabeça baixa, e tive a impressão de ver uma lágrima brilhante pingar no chão. Reprimi o impulso de abraçá-lo quando isso aconteceu, e continuei parada esperando que ele me visse.

Não demorou muito para ele sentir que estava sendo observado e levantasse a cabeça, me localizando rapidamente ao lado da casa e ficando de pé com uma expressão ansiosa no rosto.

– Você veio. – disse ele após alguns segundos de silêncio.

Eu suspirei.

– Estou esperando. — informei-o, ainda escondendo que eu sabia de tudo.

– Sarah e eu nunca tivemos nada, eu... nem sabia que ela gostava de mim... – ele se apressou em dizer, tropeçando nas palavras. Eu nunca o havia visto tão nervoso, e percebi que valeu a pena não dizer que já sabia logo de cara. Eu ri. Ele franziu o cenho. – Por que está rindo?

Forcei-me a ficar séria novamente.

– Não é isso que eu quero ouvir. – informei-o.

– Não? – ele perguntou confuso.

– Você disse que queria ter a oportunidade de dizer que me amava pessoalmente. Eu estou esperando.

Notas finais
Gostaram?