Burning

30 Capítulo 26


Notas iniciais
Demorei demais para postar? Espero que não. Bom, primeiramente quero agradecer a todas que continuam comentando - pois isso é muito importante para mim, e quero agradecer, principalmente a Sta. Idiota, que fez a nova capa de Burnung. O que acharam? Bom, aí vai mais um capítulo para vocês, boa leitura...

CAPÍTULO 26

No dia seguinte, como Nathan prometera, nós compensamos na caminhada. Andamos tanto que, assim que anoiteceu e montamos a barraca, me enfiei no saco de dormir, adormecendo imediatamente.

Quando acordei no outro dia, me sentia descansada e disposta; tanto que acordei antes de Nathan. Sentei-me dentro da barraca e observei o dormir. Seu rosto estava tranqüilo, suave. Ele estava tão lindo que me deu vontade de beijá-lo, mas não o fiz, não queria acordá-lo. Deixei-o dormindo e saí da barraca, fechando-a suavemente.

Do lado de fora, sentei-me alguns metros à esquerda e concentrei-me em registrar os detalhes a minha volta.

Desta vez nós acampamos em uma pequena clareira cercada por árvores grandes e antigas. A luz do sol deixava-a radiante, bem mais bonita do que quando chegamos ontem, com o céu já escuro.

De repente me peguei pensando o que minha mãe pensaria se soubesse que eu havia fugido do reformatório confiando em um garoto, pelo qual me apaixonei, para me levar a um lugar do qual eu nunca soubera da existência. Talvez ela achasse loucura. Ou talvez, só talvez ficasse feliz por eu estar correndo atrás da minha felicidade. Mas essa era uma resposta que eu nunca teria.

Uma lágrima solitária escorreu pela minha bochecha e eu a limpei imediatamente.

Nesse momento, senti uma presença atrás de mim, como se alguém me observasse. Deduzi que fosse Nathan.

– Bom dia! – cumprimentei-o.

– Bom dia! – mas a voz que me respondeu não era a de Nathan. Era uma voz totalmente desconhecida para mim.

O sangue gelou em minhas veias e senti meu coração parar de bater por um segundo. Minha respiração ficou presa na garganta e eu levantei em um pulo, virando-me para encarar o garoto que me observava.

Ele tinha mais ou menos a minha altura, olhos e cabelos negros, a pele levemente bronzeada, o nariz perfeitamente reto e um sorriso debochado nos lábios finos.

– Olá... – começou. – Lorena, não é?

Inconscientemente dei um passo para trás, os olhos arregalados de medo. Quem seria esse garoto misterioso? E o que ele fazia aqui?

– Quem é você? – perguntei amedrontada. O garoto estava prestes a me responder, quando ouvimos o som da barraca sendo aberta e Nathan apareceu. Os olhos semicerrados por causa da luz e os cabelos negros desgrenhados, deixando-o com uma aparência casual. Suspirei de alívio ao vê-lo. Assim que o som chegou aos seus ouvidos, ele se virou e encarou a cena em sua frente com uma expressão confusa por alguns segundos antes de abrir um sorriso estonteante.

– Josh? – disse ele incrédulo.

Eles se conheciam?

– Nate! – exclamou o tal Josh antes de passar por mim e abraçar Nathan. – Cara, eu pensei que você tinha se perdido!

– Você sabe que eu não me perderia. – gabou-se, Nathan, afastando-se de Josh.

– Não vai nos apresentar direito? – perguntou, projetando o queixo em minha direção, para enfatizar o que dizia. – Ela pareceu meio assustada ao me ver.

Quando ambos olharam para mim, obriguei-me a tirar a expressão assustada do rosto, substituindo-a por uma expressão neutra.

– Ah, claro. – Nathan sorriu e se virou para mim. – Lorena, esse é o Josh. O cara que me encontrou na floresta e me levou para a Academia de Não- Humanos, pela primeira vez, quando eu tinha quinze anos.

– Oh! – exclamei, recordando-me da sua história de vida. – Prazer em conhecê-lo, Josh. – falei educadamente, estendendo a mão para ele.

– O prazer é todo meu. – respondeu em um tom galanteador. Ele pegou minha mão e a virou, deixando-a com as costas para cima, e depositou um beijo ali.

– Ei! – protestou Nathan, andando até mim e me abraçando de lado, os braços envolvendo minha cintura. – Comporte-se!

Josh pareceu surpreso com o gesto.

– Espera aí, – falou, a expressão mudando de confusa para perspicaz – vocês estão... – ele sacudiu a cabeça. – Juntos?

Eu estava prestes a dizer alguma coisa, embora não soubesse exatamente o que, quando Nathan se antecipou.

– De certa forma. – concordou, fazendo-me corar. Mas mesmo envergonhada, a felicidade pelo que ele havia dito foi maior. Reprimi um sorriso.

– Wow. – falou Josh admirado. – Você é rápido. – corei ainda mais com esse comentário.

Nathan sorriu maliciosamente por um segundo e depois mudou de assunto.

– Mas o que o trás aqui?

– Eu vim atrás de você! – falou Josh como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

– Mas, por quê? – perguntou. – O combinado não era me esperarem por lá? Eu tinha dois meses, lembra?

– Eu sei, mas a Sarah já estava surtando! – ele revirou os olhos. – Ela achou que você ia ficar preso naquele reformatório para sempre, e queria vir atrás de você. Mas o Tio Jerry não deixou ela vir, disse que precisava dela lá,mas eu acho que ele só falou isso por que tem medo de mandá-la sozinha. Por isso eu fui designado a essa tarefa: Resgatar você e Lorena.

– Quando é que a Sarah vai parar de me subestimar? – Nathan pareceu ofendido.

– Nunca, eu acho. – zombou Josh.

Nathan suspirou e estreitou os braços a minha volta.

– Mas a boa notícia é que, se nos apressarmos, chegaremos lá antes do anoitecer. — falou Josh, em um tom otimista, tentando melhorar o clima.

– Finalmente. – murmurei, mas eles não escutaram.

– Nesse caso, vou arrumar as coisas. – dito isso, Nathan se afastou e foi desmontar a barraca. Eu estava prestes a segui-lo, quando Josh me segurou pelo pulso. Olhei para ele, confusa com a atitude.

– É verdade, que você consegue... produzir fogo? Só com as mãos? – perguntou, parecendo fascinado.

– Sim.

– Como é isso? Você pode me mostrar?

– Claro. – suspirei, fechando os olhos, relutante e sentindo o calor se espalhar por minhas mãos.

– Nossa! – disse, admirado. Abri os olhos e apaguei as chamas que envolviam meus dedos, dando um meio sorriso. – Isso é impressionante!

– É, mas... – suspirei, antes de concluir a frase. – Nem todo o mundo acha isso.

E então me afastei, indo até onde Nathan estava para ajudá-lo a arrumar nossas coisas.

Notas finais
Obrigada por lerem e, por favor, comentem...