Burning

21 Capítulo 19


Notas iniciais
Enfim, fora do hospício!! Mais um capítulo para vocês... Boa leitura!

CAPÍTULO 19

Adrenalina pura corria em minhas veias. Meu coração batia acelerado em meu peito. Minha respiração era ofegante. Ouvi passos ecoarem pelo corredor. Nathan. Ele disse que viria logo depois que os carcereiros trancassem os dormitórios. Rapidamente me levantei, pegando a mochila que ele deixara aqui há alguns dias atrás, para que eu colocasse as coisas que eu quisesse levar. Não estava levando muita coisa, apenas algumas trocas de roupa, alguns produtos de higiene que eu havia pegado no banheiro, um par de tênis extra, um exemplar surrado de Orgulho e Preconceito e o diário que minha mãe me dera.

Nathan dissera para eu ficar preparada, pois assim que ele abrisse a minha cela, era para eu sair correndo.

Mais dois segundos se passaram e vi a silhueta perfeita de Nathan aparecer no corredor. Não podia enxergá-lo direito na escuridão, porém seus olhos azuis – agora mais escuros – brilhavam denunciando sua presença. Houve um click e a grade estava aberta. Respirei fundo e corri até ele, que estendeu a mão para que eu pegasse e, assim que o fiz, ele me puxou e seguimos correndo pelo corredor escuro.

E então paramos.

A ausência de luz era tão intensa que não conseguíamos enxergar um palmo diante de nossos narizes, e mesmo conhecendo aquele hospício como a palma da minha mão, era impossível prosseguir às cegas.

Virei-me para olhar Nathan, mas como antes, não consegui distinguir suas feições, apenas os olhos.

– Lorena – disse ele. – Você pode...acender uma de suas mãos para iluminar o caminho?

Ao invés de responder, concentrei boa parte da minha energia em minha mão direita – a que ele não estava segurando, e senti um calor emanar dela. E lá estavam as chamas, saindo de meus dedos, criando uma faixa de luz alaranjada no corredor, como uma lanterna.

Olhei para Nathan novamente, agora conseguindo enxergar perfeitamente seu rosto, e ele sorriu. Não sei como, mas ele ficava ainda mais lindo iluminado pelo fogo. Ele me puxou novamente e continuamos correndo.

Passamos por uma porção de dormitórios, pela porta do refeitório, pelos banheiros e, quando avistamos as portas duplas de vidro, que nos levaria ao jardim, congelamos.

Encostada na parede, ao lado da porta, estava Dorothea. Ela olhava em volta parecendo desconfiada. Meus olhos se arregalaram, mas Nathan não parecia abalado. Ele a encarava, concentrado em iludir seus pensamentos. Após alguns segundos, ele deu um passo à frente, hesitante. Depois outro, levando-me consigo. Andamos lentamente até chegarmos à porta. Ele a empurrou devagar e indicou para que eu saísse primeiro. Obedeci, tomando cuidado para manter minha mão direita longe de qualquer coisa que pudesse pegar fogo, não queria causar um incêndio.

Assim que pisei no gramado, Nathan me seguiu, virando-se apenas para fechar a porta atrás de si. Quando o fez esperamos até ouvirmos os passos firmes de Dorothea adentrando no reformatório, ficando cada vez mais longe de onde estávamos. Suspiramos aliviados.

Continuamos correndo pelo gramado do jardim, silenciosamente, até que chegamos à reta final da primeira fase da nossa fuga. O portão de saída. A única coisa que nos separava do restante do mundo. Havia uma guarita ao seu lado, onde um homem de meia idade, usando um casaco azul marinho e um boné da mesma cor estava sentado em uma cadeira com os pés escorados em um painel de controle. Ele tinha uma caneta e uma revista de palavras cruzadas em mãos e parecia muito concentrado no que fazia.

De repente, o homem se levantou, colocou a revista e a caneta de lado, e mexeu em algo no painel de controle. E então, o portão de saída começou a se erguer, lentamente. Olhei para Nathan, deslumbrada e ele tinha um sorriso presunçoso no rosto. Rapidamente, corremos para o lado de fora, e a última coisa que eu vi, foi o homem de casaco azul se sentar novamente na cadeira, antes que o portão se fechasse novamente, com um baque surdo. E nesse momento, apenas um pensamento vinha em minha mente: Estou livre!

Notas finais
O que acharam??