Burning

20 Capítulo 18


Notas iniciais
Gente, agradeço a todas as leitoras que comentaram. Muito obrigada! Cada comentário de vocês é um incentivo para mim. Bom, mais um capítulo pra vocês... Boa leitura!!

CAPÍTULO 18

– Nathan... – chamei hesitante.

Já se passava do meio dia e estávamos no refeitório almoçando. Hoje, por sorte – ou graças ao talento de Nathan, conseguimos uma mesa só para nós. Sentamos-nos um de frente para o outro, tentando comer a papa grudenta que estava em nossos pratos.

– Hmm?

– É muito longe? Para chegar ?

– Ah, depende do que você chama de longe. – falou.

– Umas cinco horas de viagem...

– Dois dias e meio, aproximadamente.

– O que? – gritei.

– Shhh. Não grite! – repreendeu-me.

– Desculpe. – baixei os olhos para analisar o meu almoço. – Mas, dois dias? Tudo isso?

– Chegaríamos em um dia se pudéssemos cortar caminho pela civilização, mas não podemos correr o risco de alguém te reconhecer. Então vamos pela floresta.

– Mas, não é perigoso? – perguntei mordendo o lábio inferior. Ele soltou um risinho baixo e eu levantei os olhos para fitá-lo.

– Para uma garota letal como você, ter medo de floresta é uma coisa meio desproporcional...

– Não estou com medo! – menti rapidamente. – Eu só... nunca viajei por uma floresta antes.

– Lorena! Esse reformatório é cercado por mata. – ele tinha um sorriso zombeteiro no rosto.

– Mas é impossível um animal selvagem entrar aqui com todas essas cercas elétricas.

– Está com medo dos animais? – Ele riu. – Eles que deviam ter medo de você. Você pode transformá-los em churrasquinho num piscar de olhos.

– Muito engraçado! – disse sarcasticamente.

Voltei a encarar minha refeição e tomei coragem para dar a primeira garfada. Levei a comida à boca e engoli rapidamente, antes que pudesse vomitar.

– Eca! – empurrei a bandeja para longe de mim. – Isso é absolutamente horrível.

– Eu sei. – disse ele fazendo uma careta. – Mas você tem que comer, precisa estar bem alimentada para hoje a noite. – lembrou-me.

– Não vou conseguir comer isso... – ele abriu a boca para contestar e eu o interrompi. – Tudo bem, vou tentar!

Levei mais uma porção de comida à boca e fiz uma careta.

– Ajuda se prender a respiração. – sugeriu. Fiz o que ele havia dito e, realmente foi muito mais fácil. Em alguns minutos, meu prato estava vazio, assim como o dele. Levantamo-nos e levamos a louça até a bancada.

– Eu estive pensando – começou Nathan. – Já que não vai mais poder ver seus pais, você poderia ligar para eles hoje. Para se despedir. Mas devo lembrá-la de que não pode deixá-los perceber que está se despedindo.

– Seria ótimo, mas eu não tenho mais nenhuma ligação este mês. – respondi, tristonha.

– Mas eu tenho.

– Você este dizendo que...

– Que você pode usar a minha. As únicas pessoas para quem eu ligaria, vão estar comigo de novo em alguns dias, então não preciso ligar para mais ninguém!

– Sério?

– Estou com cara de quem está brincando? – ele fechou a cara, mantendo uma expressão séria no rosto, mas eu podia ver um brilho de humor no fundo dos seus olhos.

Não consegui conter o gesto impulsivo que veio a seguir. Antes que eu sequer pensasse no que estava fazendo, já o estava abraçando. Ele, assim como eu, pareceu surpreso com a repentina demonstração de afeto, mas isso durou apenas um segundo. Logo depois, seus braços fortes envolveram minha cintura e ele enterrou o rosto em meus cabelos, inspirando profundamente. Nesse momento, teve início o conjunto de sensações que me tomava sempre quando estávamos muito perto, como agora. Meu coração disparou em meu peito, minhas pernas ficaram bambas, minhas mãos ficaram suadas e borboletas batiam as asas freneticamente em meu estômago....

Rapidamente soltei-o e dei alguns passos para trás, até estar a uma distância segura dele. Meus olhos estavam arregalados e minha respiração ofegante. Ele deu um sorriso presunçoso.

– Vamos. – ele virou as costas para mim e começou a andar. Segui-o no mesmo instante.

Chegamos à sala dos telefones e ele me estendeu sua ficha.

– Obrigada! – falei, pegando-a e a inserindo no aparelho telefônico, como se faz nos telefones públicos. Disquei o número da minha casa e minha mãe atendeu no quarto toque.

– Alô?

–Mãe? Sou eu, Lorena.

– Filha! Que bom que ligou! – ela estava radiante. – Mas — disse pensativa. – Você não havia nos dito que suas ligações haviam acabado?

– Ah. Sim, mas... Um amigo me cedeu uma das suas. – falei corando. Nathan que me fitava, analisando-me, sorriu.

– Oh! Bom ele deve ser muito gentil! Como ele é? Qual o nome dele?- perguntou curiosa.

– Sério que você quer falar sobre isso, mãe? – eu estava extremamente desconfortável com o assunto que ela escolhera.

– Porque, algum problema?

– Sim. – falei. – Nós não temos muito tempo e eu quero saber de você. Como você está? E o bebê?

– Estamos bem. Só sinto muito enjôo, mas é normal.

– Claro. E o papai?

– Seu pai está trabalhando hoje.

– Hmm. – falei decepcionada. – Bom, diga a ele que eu mandei um beijo. E que o amo.

– Pode deixar querida.

– Eu sinto tanto a sua falta! – falei. Minha garganta se fechando por conta do choro que estava prestes a me romper.

– Eu também. Queria que pudesse voltar para casa.

– Eu também queria muito voltar para casa. Mas é impossível. – suspirei.

– Não precisa ficar assim, nos veremos de novo daqui um mês.

Suspirei. Queria tanto dizer a verdade a ela. Queria tanto não ter que abrir mão dela em minha vida.

– Sim, nós nos veremos. – me esforcei para não deixar a culpa estragar minha atuação. – Tenho que desligar... Eu te amo. Muito. E o bebê também.

Ela deu uma risada tristonha.

– Eu e o bebê também te amamos.

– Tchau. – despedi-me. Segurando o “adeus” que ameaçou sair.

– Tchau, filha. – ela disse e desligou o telefone.

Não pude conter as lágrimas. Elas saíram dos meus olhos como cascatas. Nathan, que estava do outro lado da sala, se aproximou com o olhar preocupado, procurando uma forma de me consolar. Quando estava próximo o suficiente, ele me abraçou, um dos braços envolvendo minha cintura e o outro apoiado em minhas costas enquanto sua mão acariciava os meus cabelos. Eu me agarrei a ele, abraçando-o com força, enquanto percebia que, a partir de agora, mesmo nossa relação sendo tão confusa, ele era a única pessoa que me restava.

Notas finais
Próximo capítulo, a fuga deles... Comentem, Please!!