Burning

41 Bônus 6


Notas iniciais
Aqui está o bônus, espero que gostem... Boa Leitura!!

BÔNUS 6

Dorothea

O pontinho vermelho que indicava o local onde Taylor estava, piscava constantemente, enquanto eu tinha meus olhos fixos na tela.

Há quase três dias eu enviara Taylor atrás de Lorena na floresta, e desde então, não conseguia ficar muito tempo longe do rastreador. Algo me dizia que aquela garota ruiva não era ao todo confiável, algo me dizia que no fim, seu sentimentalismo venceria e ela desistiria do plano; e a essa altura,eu não admitiria falhas. Não com o meu plano quase pronto para ser colocado em prática.

Uma batida baixa na porta fez-me voltar a realidade e eu levantei da cadeira de escritório na qual estava sentada, para abri-la. Um dos guardas do reformatório me olhava cabisbaixo – como todos sempre faziam – quando o encontrei parado na soleira.

– O que foi? – perguntei em um tom demasiado rude.

– É... – ele gaguejou. – É aquela garota de novo. A Halle. Ela arrumou briga com um dos detentos especiais, e... Bom, está machucada.

Eu bufei. Aquela humanazinha inconveniente estava me dando nos nervos.

– Eles iriam desconfiar se eu acabasse com ela... – refleti. – Bom, só a prenda. Deixe a trancada por duas semanas! A alimente apenas uma vez por dia, vamos ver se ela aprende a lição agora! – ele assentiu e se retirou, deixando-me sozinha novamente com o rastreador.

Se não fosse pelo disfarce, eu nunca aceitaria pessoas comuns aqui no reformatório, mas é claro que seria suspeito um reformatório recusar delinqüentes. E por isso, agora tenho que agüentar esses marginais humanos nojentos, que acham que são alguma coisa. Argh! Eles me davam nos nervos.

Voltei a me sentar na cadeira e fitar o pontinho vermelho que, agora estava parado. Franzi o cenho para o monitor. Ela nunca parava durante o dia. Então, antes que eu pudesse averiguar melhor a situação, o pontinho se moveu de novo, no mesmo instante em que o aparelho celular – que eu deixava sempre por perto para o caso de Taylor ligar – vibrou em meu colo. Um sorriso satisfeito brotou em meu rosto e eu atendi.

– Taylor? – disse, já sabendo que era ela.

– Eu a encontrei, Dorothea. – disse a voz da garota. – Acabei de vê-la.

– Ela está no meio da floresta? – perguntei, pois de acordo com o mapa, o lugar onde Taylor estava era cercado por árvores e arbustos, assim como todo o caminho que ela fez para chegar lá.

– Não exatamente, e isso é estranho. – desabafou. – A uma construção enorme aqui, como uma comunidade no meio da mata! Há um portão de ferro gigante com uma placa escrita... Academia de Não-Humanos. – sua voz era recheada de curiosidade. – Ela está lá dentro, eu a vi.

– Academia de Não- Humanos? – perguntei. Eu já ouvira falar sobre esse lugar antes.

Foi então que me lembrei de um homem. Um homem que eu conhecera há alguns anos, quando eu descobri o que podia fazer. Ele havia me convidado para entrar nessa tal de Academia de Não-Humanos eu recusara quando ele me explicara como tudo funcionava.

Jerry Bennet! – exclamei. Era ele o cara que queria me convencer a desistir de me vingar das criaturas repulsivas que me fizeram mal, ele queria que eu desistisse de tentar comandar a todos com meu dom e foi por isso que eu o descartei, eu o feri o suficiente para que morresse...mas ele estava vivo? Eu não tinha como saber agora, mas se por acaso ele estivesse, não seria por muito tempo.

– Algum problema? – perguntou a garota do outro lado da linha.

– Não.

– Bom, nós temos que conversar agora. Quero Jordan de volta. Quero que nos liberte. – disse ela, provavelmente pensando que estava no comando.

Coitadinha! – pensei. Mal sabia ela que seu querido irmãozinho, há tempos, estava brincando juntos com os anjinhos lá no céu. Reprimi uma risada.

– Volte e terá seu irmão de volta. E então, ambos serão livres para serem felizes em um raio de mil quilômetros daqui. – menti descaradamente.

– Ótimo! – falou ela, acreditando fielmente no meu blefe. – Esta foi a melhor idéia que escutei na minha vida. – e então desligou o telefone.

– Perfeito! – exclamei. – Agora, eu vou atrás de Lorena, trago-a de volta e quando Taylor voltar, eu a prendo novamente. E então, — suspirei. — o mundo vai ficar pequeno para tanto poder.

Notas finais
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